O (quase) fim da esperança

Acariciei minha cabeça e, delicadamente, deslizei minhas mãos sobre meus cabelos. Um punhado de mechas se perdeu entre meus dedos, e então o susto insistiu em me consumir. Sem pensar em mais nada, abri a gaveta da penteadeira que continha uma caixa, retirei-a de lá e peguei uma tesoura.
Com ela em minhas mãos, estava prestes a cortar os fios de meu cabelo e com ele, ir embora, toda minha esperança. A esperança que sempre tive para viver, que sempre tive de manter-me feliz. Agora, se esvaía tudo de mim: o cabelo, o amor por mim, a felicidade e a vida. Estava perdendo-a a cada dia.
A vida escorria de minhas mãos e se perdia no vasto chão, que não conseguia ter forçar para agachar-me e pegá-la.
- Não faça isso, filha – disse minha mãe, ao abrir a porta do quarto.
- Já estou fazendo, mamãe. Meu mundo está se acabando.
- Querida, isso é só uma fase que você está passando. O médico disse que se você fizer o tratamento direitinho, poderá ficar boa.
- Já estou cansada dessas conversas. Estou num quadro muito avançado. Não tem mais cura e estou ficando careca. Cada dia fito um punhado de cabelo em minhas mãos. Prefiro cortar logo do que outra pessoa fazer isso, a vergonha seria maior.
- Você vai melhorar, filha. Confie em mim.
- Mãe, é triste... Mas você acha que eu não posso ver como estou piorando? Não tenho mais forças, meus cabelos se perderam, meu sangue está, cada vez, mais fino. Estou morrendo e só você não consegue ver isso. Porque escondeu minha doença? Por que disse que não era nada grave? Não poderia ser algo banal com todos esses remédios que tomo. Eu descobri tudo. Tenho leucemia e você escondeu isso de mim, achou que eu seria curada, antes de descobrir – no mesmo instante que falava, lágrimas molhavam minha face – Você me feriu muito com essa atitude.
- Não, por favor, não diga isso. Nada em toda a minha vida me magoou tanto quanto saber que havia ferido você. Achei que não fosse um quadro tão sério. Jamais quis te ferir, me perdoe, Judith. Eu te amo e lutarei pela sua cura.
Ela ajoelhou-se perante meus pés, agarrou-me e implorou meu perdão.
- Entendo sua atitude, mamãe. Nem tudo funciona assim: escondendo as coisas. Você me magoou muito, mas perdoarei porque consigo te entender, apesar de tudo – levantei-a, levando para perto de meus braços.
- Vamos cuidar de você, querida. Obrigada por entender minha atitude.
Ela abraçou-me e a esperança de viver tomou conta, novamente, de mim.
2º lugar - Bloínquês - Conto/história *-*
Pauta para Bloínquês

Natalia Araújo - 29/03.



Amizade preto e branco x Amizade colorida


Amizade entre menino e menina existe sim, por que não? Só porque são sexos diferentes, não quer dizer que não possam ser amigos.
É um grande preconceito achar que um homem e uma mulher têm um relacionamento, só porque estão sentados, juntos, numa mesa, conversando e bebendo alguma coisa. Existem os olhos maliciosos de alguns que já julgam pela aparência. E mesmo se forem – ou com o tempo se tornarem – mais que amigos, onde nos cabe “julgá-los”?

Amizade entre o sexo oposto existe, assim como existe o relacionamento amoroso entre eles. Isso não é, necessariamente, uma regra. Por isso não se deve generalizar: Menina + Menino = Namorados.
Algumas mulheres têm mais facilidade de fazerem amizades com homens porque eles são menos invejosos (calma lá, mulheres! Vou explicar...). Mulheres são mais desconfiadas e, algumas, têm medo de uma amiga “roubar” o namorado da outra. Claro que isso não é algo natural, mas acontece, dificilmente, mas acontece.
Alguns homens têm mais facilidade de fazerem amizades com as mulheres porque é uma das melhores formas de entendê-las, conhecer seus gostos, o que elas pensam sobre os homens e enfim... Descobrir o que muitos passam a vida tentando e não conseguem. “Para descobrir os maiores segredos de uma mulher, torne-se o melhor amigo dela”. Isso não quer dizer que seja um interesse, propriamente dito, em desvendar a alma feminina e vice-versa.
A amizade entre eles existem, da mesma forma com o mesmo sexo. Não há razões claras, certas e específicas. Surge o diálogo, a afinidade e não, necessariamente, um amor.É preciso ficar em alerta, pois, às vezes, temos um amigo (a) lindo (a), atraente, inteligente e acabamos nos apaixonando por esse conjunto “perfeito”, mas é preciso ver se há reciprocidade no sentimento, porque podemos perder uma grande amizade, por um sentimento incerto, mas se o amor surgir, por ambos os lados, vale a pena investir na relação.

Pauta para Blogueando

Natalia Araújo, 27/03 - 00h02

Mais humanos



"Seria tão bom se as pessoas pudessem amar as outras
tanto quanto sabem usá-las."




Os quases da vida


Ontem

Quase não acordei
Quase te beijei
Quase não sonhei.

Hoje
Quase não te quis
Quase não tive você
Quase tentei sonhar.

Amanhã
Quase não saberei
Se vou te querer e se te terei,
Mas amanhã descobrirei.

Sede de vingança

- Não consigo! – disse Henry.
- Basta acreditar que você consegue – falou Charlie, olhando em seus olhos.
- Não , Charlie, eu nunca fiz isso antes.
- Anda, meu amigo. Você consegue! Faça rápido, antes que alguém chegue aqui e nos veja.
- Desculpe, Charlie, é melhor você fazer.
- Então !
Entregou-lhe as luvas, o machado e ele colocou-as rapidamente. Ergueu as mãos e elevou, o machado, o máximo que pôde, sobre aquele corpo.
O olhar daquele homem, esticado no chão, era medonho. Tuas bochechas, de rosadas, passaram a ficar amarelas. A fita, em sua boca, impedia-lhe a fala. O desespero tomava conta daquela pobre alma.
- Você é um mole mesmo – disse Charlie irritado, – se eu soubesse não teria dado crédito quando disse que estava com sede de vingança.
- Mas estou. Dá esse machado aqui!
Charlie abaixou os braços e devolveu-lhe o machado.
- As luvas também! – exclamou Henry.
- Ora, seu mole, to
mou coragem?
- Fique na sua, Charlie. Quero acabar logo com isso.
Henry elevou o machado, fechou os olhos e só se viu o sangue jorrando pelas paredes brancas daquele lugar.
- Estuprou e matou minha irmã – disse Henry com ar de missão cumprida. – Esse infeliz não merecia outro destino!
- Charlie – uma voz soou na porta entreaberta, com uma arma na mão. – Agora é sua vez!
Só ouviu-se o som do disparo daquela arma. Um corpo caiu sobre o outro e os sangues se misturaram.
- Belo trabalho, meu caro – disse Henry, jogando o machado. – Ele era cúmplice, safado! Achou que não sabia.
- Deseja tomar um café, senhor? – perguntou Marcos, enquanto colocava a arma no chão.
- Sim, vamos naquela padaria de sempre.



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Pauta para OUAT·

Natalia Araújo
3º lugar - OUAT *-*