Desconfiança

- Eu, sinceramente, não sei mais o que fazer para provar que estou falando a verdade – falou papai, atônito.
- Você quer provar com uma mentira isso sim – retrucou mamãe, indignada com a reação dele.
- Quantas vezes vou ter que repetir isso para você, Lany?
- Não é necessário. Eu não aguento mais isso. Minhas forças estão se esgotando. Você tem me decepcionado a cada dia. Eu sei que ela é sua amante.
- Eu já te disse que não é. Meu amor é uma oferenda somente para ti. E pensa bem vai... Não tenho motivo algum
pra te trair e mesmo se tivesse, acha que eu me envolveria com aquele trapo de mulher? Escolhi justamente essa secretária, para você não pensar besteiras.
- Ela pode ser a sua diversão barata – respondeu mamãe, tentando estar certa de que estava sendo traída.
- Não, não dá desse jeito. Você não confia em mim. Eu preciso sair um pouco daqui para você poder valorizar quem sempre esteve ao seu lado. Talvez eu passe um tempo longe da cidade e isso seja a ponte dessa ligação entre você e a conscientização.
- Não exagere, Freddy.
- Não há exagero algum. Talvez eu passe uns dias na casa da minha tia e você ficará aqui, refletindo as coisas. É mais fácil reconhecer quem sempre esteve ao nosso lado, nesses momentos de distância.
As lágrimas corriam, nos olhos de mamãe. Podia observar as gotas competindo para ver qual aparecia em sua face e se perderia primeiro em seus lábios.
Pela fresta da porta, pude notar cada movimento e cada expressão contida. Meu rosto estava ficando molhado também, atrapalhando-me a visão perfeita; mas podia captar o som daquela conversa, trincando a estrutura do meu coração.
- Minhas malas estão prontas – falou ele. – Estou saindo de casa. Talvez eu passe uns dias longe da cidade, mas enquanto não decido, ficarei distante daqui. Avise minha princesinha! Ah, estou carregando toda nossa dor, desentendimentos e todo nosso amor, dentro dessa mala. Espero esvaziar somente as coisas ruins, mas isso vai depender somente de você. Tens um diamante nas mãos – que é o meu amor – mas você está deixando escapar, achando que é uma mera bijuteria.

Natalia Araújo, 29/04 - 1h10.
Pauta para Bloínquês - Musical.



Os riscos de uma aventura

- Não sei porque você me trouxe aqui, amiga – falou Liza, enquanto pegava impulso para sentar-se numa suposta janela, de uma casa abandonada e destruída por alguns frequentadores.
- Ué, Liza... Cada semana visitamos algo inusitado e foi a minha de escolher dessa vez. Tantas e tantas aventuras, essa aqui é a mais simples - respondi, certa do que dizia.
- É meio sinistro isso aqui. Não tem nada para fazermos – respondeu, no mesmo instante em que acendia um cigarro.
- Liza, fizemos um acordo e você... – calei-me, sendo interrompida por algo que olhava do outro lado da parede, por um buraco.
- O que foi, Mag? Parece até que viu gente morta. Termine de falar.
Meu sinal sumiu no ar, andou para longe e jamais encontrou ouvidos. Nada do que ela falava, eu conseguia captar. Minhas pernas bambearam, minhas mãos estremeceram e perdi a pequena coragem que restava.
- Para de onda. Você não vai conseguir me assustar como eu fiz com você na semana passada. Foi tão engraçado – terminou Liza dando uma gargalhada.
Fiquei estática. Nenhuma palavra. Nenhum som eu conseguia ouvir. Aquilo me causava medo. Pavor.
- Você não vai me...
Ela desistiu de terminar a fala e desceu. Olhou pelo pequeno buraco e colocou a mão na boca. O cigarro, na mão esquerda, caíra no chão e só notava-se o cheiro da fumaça, embriagando o lugar.
- Precisamos sair daqui – respondeu Liza, aflita. – Este lugar é perigoso demais. Estamos correndo perigo. Como não pensamos nisso antes?
Um cara apontou a arma na cabeça de um adolescente, enquanto o outro arrancava-lhe as calças. Abaixou as suas e empurrou o corpo do menino, jogando-o no chão. As mãos do garoto, estavam postas nos restos de vidro que haviam. As feridas, imediatamente, começaram a surgir. Um dos caras segurou, com toda força, no quadril dele e começou a fazer movimentos bruscos. O sangue escorria entre suas pernas e o choro silencioso, começava a aparecer, na janela de sua face, desesperadora.
Ouviu-se um tiro. Os olhares foram trocados. Cavaram um buraco e enterraram-no.
Eles se comunicavam entre si, mas o barulho dos ventos impedia-lhes a audição.
Depois só ouviu-se o som do motor sendo ligado e cantando pneu.
Chegou ao fim o medo daquela aventura, que poderia ter acabado em mais duas mortes, antecipada de dores e arrependimentos.

Natalia Araújo - Para OUAT - Edição da gincana


As melhores coisas não podem ser enxergadas com os olhos humanos

Ele sempre me ensinou, desde criancinha, a observar a beleza das estrelas; a maravilha da cor do céu, no final da tarde e o brilho que a lua tremeluz, mas poucos têm essa sensibilidade para notá-las e ficar ali, parado, por alguns instantes, imaginando e sentindo os fios de coragem e esperança
que elas são capazes de nos transmitir, não através dos olhares; mas através dos sentidos.
Hoje não o tenho mais ao meu lado, me acompanhando nesse espetáculo. Agora fico aqui, velando esse show, sem a companhia de quem me ensinou e me estimou demais, mas sei que não estou sozinha. Ele está aqui dentro de mim e eu posso sentir isso.
Ele sempre me dizia: "
Nosso amor é como o vento não posso ver mas posso sentir, pois as melhores coisas da vida não podem ser vistas e nem tocadas, mas sentidas com o coração até arrepiar a epiderme".
Papai pode não estar ao meu lado, mas posso senti-lo comigo, o tempo todo. Porque as estrelas que brilham lá em cima, são capazes de transmitir a sua presença e os ventos são capazes de trazer o aroma do seu amor, para perfumar meu coração; aquecer meu corpo, com seu abrigo; ou esfriar, quando estiver queimando em desespero.

Natalia Araújo, 27/04 - 19h18
1º lugar - OAPSS *-*
2º lugar - Bloínquês *-*
Pauta para
OAPSS - Visual e Bloínquês. Tema: Em itálico

**Gente... não é real, ok? rs.

Reciprocidade


Mande-me o sol e a lua

O céu e o mar
As nuvens e as estrelas.

Mande-me o fogo e a água
A tempestade e a bonança
O início e o fim.

Mande-me o grito e o silêncio
O choro e o sorriso
O beijo e o abraço.

Dê-me um abraço de despedida e um beijo caliente.
Pegue em minhas mãos e toque meu coração.

Dê-me a paz que preciso para viver
E a vontade que necessito para lutar pela vida.

Torna-me uma pessoa alegre e tornar-te-ei o mais feliz
Suspire ao me ver e dar-te-ei prazer ao me tocar.

Mande-me flores e eu serei a tua rosa.
Mande-me contentamento e dar-te-ei satisfações.
Seja meu anjo e eu serei o teu eterno amor.




Eterna lembrança

Sentada, com os pés estirados no sofá; abri uma caixa que continha fotografias antigas e retirei uma de lá. Passei meu dedo indicador sobre ela e comecei a lembrar daquele inesquecível dia em que passamos juntos.

Tínhamos ido acampar. Ele pegou seu violão e começou a se declarar para mim, através de uma música.
Deitada, à sua frente, com os pés à bailar, no ritmo do som; cada palavra adentrava em meu corpo e sentia o frio em minhas entranhas.
A envolvente canção contagiou-nos e o beijo pôs-se a acontecer.

Um amigo nosso observava tudo de longe e então fotografou aquela relíquia.
Um momento único, um olhar penetrante e uma música eterna; ficaram marcadas e registradas em nossa mente e em nossas mãos.

Peguei aquela foto e coloquei-a num porta-retrato, pois merecia ser sempre visto e admirado o início do nosso amor.
Agora ela está ali, enfeitando a sala principal e nos deixando uma constante lembrança de uma felicidade que começou e hoje permanece mais forte, com o símbolo de uma aliança eterna.

Natalia Araújo, 24/04 - 00h10.
Pauta para
Palavras Mil
Foto retirada do We♥It

Censura: A verdade em oculto

A censura é tão antiga quanto a sociedade humana. O ato de censurar é uma forma clara de tirar o direito do cidadão. Mas para algumas pessoas ela representa a violação do direito de livre expressão; para outras representa um instrumento necessário à defesa dos princípios morais. Hoje em dia é perceptível o acesso a comunicação através da televisão e via internet, como as principais fontes de informação. No entanto, o aborto de tais informações, criaria uma população sem direito à verdade. Entre tantos pontos negativos que a execução da censura traz está o aumento da corrupção política indiscriminadamente. E o que nós, indivíduos da sociedade brasileira, poderíamos fazer? Nada, visto que com a censura estaríamos cegos e sem informações não podendo exercer nenhuma reação. Muitos usam como justificativa o fato da internet dar acesso a sites que vão contra os “bons costumes” e incentivem a marginalização, a pornografia; mas esquecem eles que ela é uma grande ferramenta para um conhecimento amplo e enriquecedor.
Ao invés de censurarem, o que seria mais lógico é que se proponham campanhas de incentivo da informação, da cultura e do pensamento crítico. E os pais ensinassem aos seus filhos o que fosse certo e errado, mas é claro... Com um grande incentivo do poder. As coisas ruins existem, mas não devemos censurá-las. As pessoas precisam ter conhecimento das podridões que estão por trás das câmeras e dos políticos. Cabe a nós, seres pensantes, depois, julgá-los e opiná-los sobre
a melhor forma de ver e encarar as coisas.
A censura existe, de alguma forma, em todas as comunidades humanas, presentes ou passadas e em qualquer parte do mundo, mas é preciso mostrar as realidades. A pior coisa não é revelar as verdades e sim ocultá-las para encobrir os corruptos que estão por trás delas.


Pauta para
Blorkutando


Túnel do carpo

Entre as trevas das incertezas, existia um ser que pouco se importava com a vida, com o mundo e com todos em que nele habitava.
Minha única preocupação era o trabalho. Odiava as pessoas e fingia gostar de algumas, somente para subir de cargo, mas não foi bem isso que acabou acontecendo. Acabei ficando com sequelas, por querer demais.
Tenho um problema chamado "túnel do carpo". Ele paralisa um nervo da mão, por fazer movimentos inadequados ou repetitivos e não o sinto mais.
Meu braço direito perdeu todo movimento. Sou destro e não consigo escrever; tenho dificuldades para me vestir; me calçar e me alimentar.
Foi preciso eu passar por isso, para valorizar as pessoas que estão ao meu redor. Hoje estou renovado. Aprendi a ver que uns precisam dos outros, por menos que seja a situação. Um dia chegará a nossa vez de ajudar, da mesma forma que surgirá a de ser ajudado.
Assim como as estações, as pessoas têm a habilidade de mudar e foi necessário essa reviravolta na minha vida, para valorizar todo e qualquer momento vivido.
Hoje eu mudei e reconheço que esse túnel do carpo foi o "condutor" para essa mudança, pois passei a enxergar a vida por ângulos diferentes e que me levaram a ter uma vida distinta e mais feliz. Porque mudar não é o fim... É uma maneira de fazer diferente para obter um resultado superior ao que obtivemos.
1º lugar - Bloínquês *-*
Natalia Araújo, 21/04 - 23h30.
Pauta para
Bloínquês - Conto/história

Quando o inesperado acontece (parte II) e nos trás o esperado

Abri a porta da casa e dei de cara com meu pai, aos prantos, falando ao telefone com o sequestrador. Ele chorava desesperadamente. Estava de joelhos, de costa para nós, com os cotovelos apoiados no sofá.
Imediatamente, corri para seus braços e tentei ouvir o que o sequestrador dizia. Ouvi os gritos da mamãe, aquilo foi um martírio para os meus ouvidos. Tentei falar, mas papai cerrou meus lábios com sua mão. A ligação fora encerrada sem que eu dissesse uma palavra. Papai, desesperado, apenas me abraçou e chorou feito criança.
Joshy, sem ação, ficou apenas nos fitando.
- Eu não posso suportar tanta dor, querida - disse papai, contraindo o meu corpo em seu peito.
Não consegui dizer uma palavra que fosse. Olhei para o lado e Joshy não estava mais lá. Então consolei-o, acariciando seus cabelos. Levantei-me e fui ao banheiro, secar os resíduos das lágrimas, que ainda existiam.
Passei pelo corredor e quando estava prestes a chegar, ouvi uma voz de dentro da sala de jantar. Era Joshy. Ele falava ao telefone. Escondi-me e por uma fresta da porta, fiquei ouvindo sua conversa.
Ele falava:
- Como você pode estragar meus planos? Falei para você ligar para aquele idiota, avisando do sequestro, quando eu estivesse no meio da festa. Você estragou tudo, seu imbecil!
Novamente perdi o chão. Fui em direção à papai, ainda desnorteada. Contei tudo o que ouvira.
Joshy era um canalha, o causador do sequestro. Ele queria tirar nosso dinheiro e não sabia como. Se fez de bom moço o tempo todo.
Recolhi as lágrimas com aptidão e chamei a policia.
Joshy foi obrigado a revelar o lugar do esconderijo. Foi apunhalado. Consegui, com muito esforço, dá-lhe um soco na cara.
O sangue escorria por sua face.
- Você vai me pagar caro por isso, Ketlin - foi a única coisa que conseguiu dizer, antes de ter tomado um soco com o cabo da arma e ter sido baleado pelo policial.

Natalia Araújo, 20/04 - 18h20.
Para entender a história completa... Leia o início
aqui


Quando o inesperado acontece

Os sapatos brilhavam como espelho; a roupa engomada; a maquiagem na dose certa; coloquei uma tiara em meus cabelos. Por fim, estava pronta. Desci as escadas apressadamente. Joshy estaria lá, no sofá, à minha espera.
Dei um beijo caloroso, tocando levemente seus lábios.
- Você está encantadora, Kettlin - falou ele, enquanto encostava suas mãos no dorso das minhas costas e deslizava, acariciando-me.
- Obrigada, Joshy. Precisamos ir porque estamos atrasados. Você será o padrinho da sua irmã e não podemos demorar.
- Tem razão - respondeu ele com um sorriso discreto.
Ele abriu a porta para mim e fomos andando até a esquina.
No caminho, o telefone tocou. Atendi e não consegui prosseguir meus passos. Minhas pernas bambearam, o fôlego se foi e o aparelho caiu das minhas mãos.
- O que aconteceu, princesa? - Perguntou, agachando-se e tirando o celular do chão.
As lágrimas prontamente, começaram a serem vistas. O sorriso já não aparecia mais.
Ele segurou minhas mãos com veemência e emendou:
- Diga o que lhe afligiu nesse telefonema. Estou aqui para saciar tua sede, tua fome e tirar-lhe toda tristeza existente, fazendo brotar sorrisos intermináveis, nessa face graciosa e unicamente minha.
- Era o papai, Joshy. Não poderei acompanhá-lo na festa de formatura da sua irmã - o choro insistia em continuar, enquanto falava. - Preciso ir para casa urgente.
- Mas o que aconteceu?
- Ele disse que a mamãe foi sequestrada - os soluços seguidos interrompiam-me a fala.
- O quê? Mas quem poderia ser tão brutal assim? Vamos imediatamente encontrar seu pai. Onde ele está?
- Estava no trabalho, agora está indo
pra casa. Você não pode perder a festa. Ela precisa de você.
- Não... Ligarei
pra ela avisando. Isso não é o importante agora. Vamos encontrá-la, eu te prometo isso. Nem que me custe a vida, irei encontrá-la.
- Eu não sei o que fazer. Simplesmente me abrace para afanar um pouco essa dor que estou sentindo.
Ele beijou-me como nunca havia feito antes, roçando sua face na minha.
Entre os medos, inseguranças e choros, caminhamos em destino ao pesadelo que acabara de começar e sem tempo determinado para chegar ao fim.


Natalia Araújo - 13h31.
Pauta para Bloínquês - Visual.
Isto é apenas um conto.

1º lugar - Bloínquês *-*



Pela maioria dos votos... aqui está a continuação rsrsrs.

Superando o cárcere do arrependimento

Sentado na cama, a única coisa que consigo enxergar são as crianças se divertindo no parque. A única proeza, que ainda posso ter, é observar pela janela todos os movimentos na rua.
Acredito que muitos não têm tempo para isso. Eu costumo dizer que entrego meus dias tão somente para isso.
Sempre fui uma pessoa muito ativa. Trabalhava demais e tinha poucos minutos para dedicar-me aos meus pais. Até que um dia eles foram viajar para a casa de uma filha deles e sofreram um grande acidente. Não resistiram ao traumatismo craniano e então partiram e eu não tive um minuto que fosse para dizer adeus.
Eu era gerente de uma empresa multinacional, estava voltando do trabalho, indo para casa, e fui assaltado. Levaram meu carro e me deram um tiro. Hoje estou paraplégico. Não posso trabalhar e nem tão pouco apreciar meus pais, quando eram vivos – o que mais me dói.
Sempre tive muito medo de perder tudo o que tinha e foi exatamente o medo e a não valorização que tomou tudo de mim.
Hoje sou casado. Dou palestras de superação e falo muito sobre o medo, o grande impedidor das realizações. Nunca tinha tempo para meus pais, – não que eu não os amassem – mas tinha medo de ser um filho ruim em minhas atitudes. Então preferia ocupar minha mente com o trabalho e pagar tudo o que quisessem, mas agora vejo que fiz a coisa errada, pois as riquezas ficaram e eles partiram sem ter tido a chance de mostrar o meu amor.
É como sempre digo nas palestras que faço: “Nunca deixe o medo de errar impedir que você jogue. Pois o amor é como o jogo: É preciso apostar todas as moedas sem medo, assim, tão somente, sentiremos o gosto de desfrutar da vitória ou da derrota. Mas é preciso arriscar e isso significa viver”.


Natalia Araújo.

1º lugar - Blogueando *-*

As marcas de uma lembrança desastrosa

Aquela mão foi tocada na minha, mais uma vez. Dessa vez não foi com o mesmo objetivo que senti no dia que vi Tifany partir para sempre, para outro lugar além dos céus.
Aquela mão apertava a minha com desespero e tristeza, mas não queria demonstrar isso. O sofrimento passava por entre aqueles dedos, encostando-os nos meus. O suor do desespero corria naquela corrente sanguínea e conseguia me transmitir qualquer sentimento que ele tentava evitar enviar.
Estávamos mais uma vez, naquele sítio, acampando... Onde Tifany foi baleada, e ninguém descobrira os motivos certos para tal crueldade.
O desamor pela vida foi tomando conta do coração de Frank. Era seu amor, seu grande e eterno amor que partiu. Levou com ela toda sua alegria e motivos reais para viver feliz. Agora só restava a podridão de seus ossos secos e os energúmenos de um resto de vida, que não era mais existência.
Aquele lugar, rústico, trazia um gosto amargo em tuas lembranças, juntamente com o doce dos beijos que, por hora, foram trocados. Ali existiu o sabor do amor, do beijo, da atração e o gosto da morte. Uma mistura de resquícios que ficarão grafados e gravados em sua memória.
Frank agarrou minhas duas mãos, agora com mais força e pudor:
- Ela é um desastre natural – Ele me dizia, com um sorriso amargo, nos lábios. – Mas amei-a com todas as forças que um homem seria capaz. Sempre foi muito ativa em suas atividades. Era invejada pelas pessoas. Mataram-na por inveja. Pura inveja! Aquele desastre de mulher mudou a minha vida. Era um desastre que todo homem procurava. Sabia ousar, sabia ser, sabia conquistar e seduzir onde quer que estivesse. Era natural, não usava de suas armas secretas. Ela era simplesmente a mulher natural e perfeita, para um homem que a valorizasse.
- É preciso força, Frank – respondi, tentando consolá-lo, mas estava certa que qualquer palavra, naquele instante, seria mera frustração. A única coisa que o consolaria era os braços de Tifany, tão somente juntinhos aos seus.
- Ajude-me, Poly. Sua irmã foi tudo
pra mim. Não consigo esquecê-la. Leve-me para outro lugar. Tire-me daqui, minhas forças não existem; minhas pernas perdem o rumo quando lembro da cena que mudou nossas vidas. Eu amava-a mais do que a mim mesmo. Hoje só resta a podridão desse inerte aqui, à sua frente.
Abracei-o, tirando-o do ápice do monte, onde estávamos. Deixei-o desabafar o quanto quisesse. As tristezas se esvaíam com as lágrimas que rolavam e caiam na grama. Aquele lugar conseguia ser uma morte crucial para qualquer lembrança desastrosa.


Natalia Araújo, 15/04 - 13h36.
Pauta para Bloínquês - visual e OUAT.

3º lugar - OUAT *-*
Leiam meu novo texto - Algumas coisas são evitáveis


Segredo revelado


Eu poderia ter sido mais feliz,
se não tivesse levado tudo tão a sério.


Entre um assunto, uma confissão

Querido Mick, por entre tantas razões eu poderia enviar-lhe este e-mail, mas procurei o maior motivo entre eles, e acredito ter encontrado.
Sei que não nos falamos sempre, e poucas são as nossas trocas de olhares, devido à distância que insiste em se interpor entre a nossa amizade.
Estive lendo um livro chamado “A lição final” e em cada lauda, em cada entrelinha, vinha você em meus pensamentos.O livro fala sobre um professor que está num estado terminal de saúde. Ele já trabalhou na equipe da criação da Disney. Tinha todo sonho realizado; mulher ideal; filhos perfeitos; o trabalho dos sonhos e já realizou boa parte deles. Agora estava ali, à marcê da medicina. Sem cura para sua doença, sem estrutura psíquica para enfrentá-la. Estava dependente de tratamentos e sua vida não passava de apenas uma contagem regressiva, que a qualquer momento seus olhos fechariam e nunca mais notaria-os abertos.
Então, ele resolve subir ao palco e dar uma palestra de despedida, aos alunos e amigos. Falar sobre sua vida, aquilo que mais o estimava. Ele queria deixar uma recordação boa para seus filhos, para que ficasse gravado na memória deles. Mas estava na dúvida se dava a palestra ou passaria essas horas com a sua família. Era o último aniversário da mulher que ele teria a oportunidade de presenciar, e a palestra impediria tal comemoração.
A partir da descoberta de seu pouco tempo de vida, Randy passou a valorizar cada minuto e desfrutar cada momento que tinha.
O professor nunca reclamou da sua doença, pelo contrário, sempre agradeceu por tê-la surgido, assim pôde valorizar mais sua vida, de uma forma geral.
E nós, Mick... Nós somos tão saudáveis, cheios de vida e vigor. Quantas vezes reclamamos só por causa de uma dorzinha de cabeça? Ele teria motivos para reclamar, mas aproveitou cada segundo. Desfrutou de qualquer situação e soube tirar o maior proveito disso.
Vamos aproveitar mais a vida; dizer o quanto gostamos; o quanto a pessoa é importante para nós, depois poderá não dar mais tempo. O momento seguinte talvez não exista. Vamos viver o agora com intensidade.
Este é 'O' livro. Queria muito dá-lo de presente, mas não sei seu novo endereço. Caso se interesse, mande-me por e-mail. Vale a pena ler e navegar nesse mundo.

Um grande beijo.
P.S.: Aproveito a oportunidade para dizer que gosto muito de você, mais do que um amigo, um irmão, ou como você me vê. Sempre adiei essa revelação, mas agora preciso dizer, antes que seja tarde. Gosto de você como o homem que completa a minha vida.

Com amor, Teyla.


Natalia Araújo - 1h28.
3º lugar - Blogueando *-*

As marcas de uma infância

Foto retirada do DeviantART
Da janela do meu quarto avistei duas garotas se divertindo no parque, em frente a minha casa. Estavam sentadas na balança, feita de pneus, elas se movimentavam alegremente. Inclinavam seu corpo para trás, pegando assim mais impulso para um balanço maior.
De repente, notei que lágrimas escorriam em minha face e eu sabia exatamente o porquê. Porém ignorava a certeza e preferia acreditar na ausência dela.
Aquela cena tocou meu ego, fez-me lembrar dos momentos de quando era criança e de quando as pessoas me tratavam como uma pessoa normal.
Agora, entre minha infância e meu presente, restam apenas as lembranças e as dores de ser considerada “deficiente”. Um acidente mudou minha vida. Trouxe escuridão, onde havia luz, e agora só existe um feixe.
Minha infância foi mudada por negligência de um bêbado que dirigia em alta velocidade e jogou-me para o outro lado da rua. Meu corpo foi de encontro a um poste e, desse dia em diante, nunca mais pude dar um passo sequer.
Com um lápis e papel na mão comecei a desenhar aquela cena. Desde que sofri o acidente, faço aula de desenho e adquiri o hábito de passar para o papel toda beleza que vejo, por mais que isso me cause alguma dor.
- Venha jantar, filha – disse minha querida mãe, aparecendo na porta. – Largue esse papel um pouco e venha se alimentar, querida.
- Não posso parar com isso agora, mamãe. Vou terminar e já vou. Não posso deixar que visões como essas sejam esquecidas. Venha ver.
Ela aproximou-se de mim e com sábias palavras disse:
- Querida, a visão é linda. Tenho certeza que seu desenho ficará ótimo, mas não fique assim.
As lágrimas que percorriam em minha face, agora estavam perdidas por entre seus dedos, enquanto mamãe tirava qualquer vestígio existente.
- Eu sei, mamãe. Os balanços foram tomados de mim, assim como algumas pessoas que os considerei como amigos, também foram. Mas jamais tomarão a infância que tive. Sou uma eterna criança e nada poderá tirar isso de mim.


Pauta para OUAT e Palavras Mil (primeira participação).
Natalia Araújo - 06/04.


Relembrando o passado

Querida irmã, escrevo esta carta porque sinto sua falta e tento preencher esse vazio que há em mim, escrevendo para ti.
Sei que foi muito difícil para você quando precisou tomar uma decisão tão repentina. A decisão que nos afastou por um período indeterminado. Você sempre foi a minha proteção; meu ânimo para continuar os trajetos mais difíceis que precisei e não tinha forças; sempre foi minha força para vencer todos os obstáculos que eu tivesse que enfrentar.
Sempre nos considerávamos essenciais para uma união ser perfeita. Nos completávamos e cada uma servia de escudo para a outra em qualquer situação.
As luzes da realidade se acenderam quando vi você, minha querida irmã e melhor amiga, virar as costas para todo o passado que vivemos juntas, mas sei que nenhuma força poderá tirá-las de nós. Nenhum vento será capaz de varrer os rastros de uma vida que passamos.
Você precisou ir e nenhuma palavra minha, ou razões concretas, faria você ficar. Sempre foi muito decidida e agora não foi diferente. Estava certa que iria para a Inglaterra e, automaticamente, romperia a continuação da história que fizemos na Alemanha. Entendo que casou-se recentemente e foi pra lá por motivos de trabalho do seu marido. Ele tem um trabalho fixo e não poderia abandoná-lo para viver contigo na casa dos sogros. Seria inóspito.
Então você se foi, deixando aqui as dores de uma amizade que não será a mesma. Você é a diferença que eu buscava para mim. Agora ficarei sem a minha força, sem meu apoio e sem a minha estrutura. Quem me dará um ombro amigo quando eu precisar? E se eu cair, se eu vacilar, quem vai me levantar? Você não poderá fazer mais isso, não pessoalmente. Espero que por outros meios você continue sendo o meu alicerce.
Quero acreditar que nossa amizade não será destruída por causa de um obstáculo.
Queria teu ombro, neste momento, para chorar e ser consolada. Sua ausência destrói a minha vida e corrói a minha alma.
Espero que você não apague-me de sua lembrança, pois as minhas estarão guardadas aqui, para sempre.

Com eterno amor, Magg.

Beijos com sabor do mel da nossa amizade e um gosto amargo da saudade.

Pauta para Blorkutando e Bloínquês - Conto e cartas.
Natalia Araújo - 04/04
1° Lugar - Blorkutando.
1° Lugar - Bloínquês - conto/história.
2° Lugar - Bloínquês - Cartas


Inestimável lembrança

Duas fotografias, foi apenas o que restou daquela noite inesquecível e apenas as lembranças daquele momento indelével.
Extasiada com o que vivi, entrei no ônibus para voltar ao meu lar. Cansada, elevei meus pés, apoiando-os no banco da frente e deslizei meu corpo, confortavelmente. Meu contentamento era intenso, mas meu cansaço era notório.
Duas noites sem dormir, mas por algo que valeria mais do que um simples sono.
Estirada no banco, com minha calça apertada, a jaqueta de couro, botas de cano longo e com lápis preto em meus olhos verdes, davam a certeza que voltava de um grande show de rock. O tão sonhado show do Guns N' Roses.
Observei, minuciosamente, as duas fotografias em minhas mãos e com o dedo indicador, toquei-as e pude sentir a emoção sendo enviada ao meu corpo e transmitindo exatamente o que senti naquele precioso momento.
Com muito trabalho, consegui chegar perto dos meus ídolos e pedi a uma garota desconhecida que tirasse uma foto. Meu batimento cardíaco parecia ter atingido o ápice; minhas mãos, trêmulas, mostravam nitidamente meu nervosismo.Revelei as fotos, o mais rápido que pude e, agora, elas estavam aqui, em minhas mãos. Duas fotos, somente duas, foi o que me restou, mas que para mim, tem um valor inestimável.
Pauta para Bloínquês - Musical e Visual
1º lugar - Bloínquês - Musical *-*

Natalia Araújo - 05/04

As dores de uma eterna partida

O vento frio empurrava as gotas da chuva nas vidraças da janela de meu quarto, enquanto o calor dos meus pensamentos aquecia o ambiente e deixava-me numa constante mudança climática.
As lágrimas percorriam em minha face disputando, uma batalha constante, com as gotas da chuva que insistiam em bater na janela.
Cada gotícula simbolizava uma dor que eu não queria sentir, mas não conseguia. Era inevitável! Eu tinha você em minhas mãos e o deixei escapar. Tínhamos uma vida juntos, agora tudo não passava de cinzas, que ficará guardada aqui, nesse lindo vaso que simboliza você.
Queria ter evitado sua partida, você não poderia ter ido assim... Teus olhos, machucados, sangrando lágrimas de dor, olharam os meus e os seus se fecharam para sempre. Eu queria poder voltar e ter mudado seu destino, mas não pude fazer isso. Não pude, não posso e jamais poderei mudá-lo.
Quando fiquei sabendo do acidente de carro que você sofreu, logo me culpei. Você estava chateado com a nossa briga. Sempre me culparei pela sua morte.
Agora, escrevo essas palavras para ficarem guardadas para sempre e sei que, em algum lugar, alguém lerá e, quem sabe, poderá compartilhar, um pouco, dessa dor que sinto.
Bem que eu queria, mas não consigo me perdoar por isso. Foi tudo culpa minha.
Fique com meu amor, papai, porque as dores estarão aqui, junto de mim.

Descanse em paz.

Pauta para OUAT
Natalia Araújo - 11h21