Martelada final

Ele corria incansavelmente à procura de ajuda.
O sol queimava seu rosto e o asfalto da estrada tornava-se verdugo aos seus pés. A sequidão da temperatura rachava seus lábios, mas não havia água para saciar sua sede. O desespero tomou conta de suas entranhas.
Sem conseguir ir adiante, ele parou e caiu no chão ardente. Seu coração martelou uma vez, duro, espremendo duas lágrimas quentes de seus olhos e se dissiparam ao tocar o fogo do chão que o consumia devoradamente.
Um carro passou ao seu lado e simplesmente não o ajudou.
Mais uma martelada, dessa vez mais dura, e novamente as lágrimas queimavam aquele rosto, juntamente com o sol escaldante.
Ele chorava e não tinha ninguém que pudesse consolá-lo.
De repente outro carro passou e enfim resolve parar. Abaixou o vidro e olhou profundamente naqueles olhos abatidos e decidiu ajudar. Pegou-o no colo e colocou no banco de trás.

Ele desesperado só queria ouvir uma voz, um sorriso dela mais uma vez, uma única vez. Mas ela não o fez... Foi levada por homens, num carro. Ele correu demasiadamente para procurá-la.
Já deitado no banco, outra martelada, a terceira, dessa vez foi tão dura que ele não resistiu. Fechou os olhos e nunca mais abriu para contemplar a continuação da estrada que ainda o restava a seguir e sem a certeza se sua filha ainda estaria viva.

Natalia Araújo

Fugindo de si mesmo




- Algo diz pra eu ir embora - falou ele, apertando minhas mãos. Podia sentir aquela força que tanto queria me passar.
Ele queria ficar, eu sei disso; mas algo o puxava de mim, suplicando sua ida.
Eu não queria. A presença dele era como um bálsamo sarando as feridas podres do meu dia infame.
- Não vá! - falei, tentando convencê-lo de algo que imaginei que seria fácil.
- Não posso ficar, Kyn. É momento de eu ir.
- Talvez não seja o momento, é melhor repensar. Não terei muito tempo para vê-lo. Você sabe que passarei um mês fora da cidade, pois minha avô está doente e precisa de mim. Fique mais um pouco comigo!
- Já repensei, Kyn. Não dá!
Queria soltar aquela amargura que estava cravada em meu peito. Queria deixar as lágrimas molharem meu rosto, para disfarçar as pedradas que levei com as palavras que jamais esperava ouvir dele, mas me contive.
- Não vou mais insistir, mas só me diga o porquê.
- Também não posso. Acho melhor eu ir embora e ouvir a voz dentro de mim. Não posso ter você!
Ele virou as costas e nem sequer se despediu. Os ventos trouxeram o cheiro daquele delicioso perfume que tanto amava sentir em seu pescoço. Agora ele descia amargando e destruindo minhas narinas.
"Ele não agiu por impulso" - Foi o que eu preferi colocar em minha mente após tanto sofrimento que senti.
Franklin me amava, sabia disso. "Ele simplesmente agiu sem pensar", quis deduzir assim.

Após uma semana recebi uma carta. Desdobrei-a, com cuidado, e estava escrito:

Kyn, eu fui um idiota agindo daquele jeito. Poderia ter contado toda verdade olhando em seus olhos, mas fui um covarde.
Eu amo você mais do que a força que existe em mim em tentar não te querer. Não consigo te esquecer.
Cansado disso resolvi morar em outro país, mas nem isso foi o suficiente para apagar você de mim. Descobri que somos irmãos e esse amor que existe entre nós não pode permanecer.
Já tentei te esquecer, mas não foi o suficiente para apagar os resquícios do amor que existe aqui dentro.
Será que é um crime querer ter você comigo pra sempre?


Com infinito amor,
Franklin.

Natalia Araújo, 24/05 - 22h25
Não é real.

Vietnã


Olhando as crianças
correndo na rua,
corriam sem roupa,
olhos fundos,
pés calejados,
as mãos sangrando,
com marcas,
com chagas.
Não estavam brincando
de pega-pega,
esconde-esconde,
não havia sorriso em seus lábios,
elas fugiam das pessoas,
das armas,
fugiam da guerra
no Vietnã!!!
Natalia Araújo.

Confissão de uma prisão interior

A carta terminada estava em minhas mãos, percorrendo os sentidos de incertezas se deveria ou não enviá-la. Estava certa que assim o faria. Já estava mais do que na hora de assumir meus atos e então desistir dessa ideia de mentir para quem tanto fez parte da minha vida.
Dobrei-a, com cuidado, e coloquei-a no envelope.

Janny chegou em casa com Mag.
Ao ver o envelope em minhas mãos, perguntou:
-
Para quem é a carta?- Mamãe.
- Ora, você nunca foi de escrever para ela. O que aconteceu?
- Estou confessando tudo, Janny. Não aguento a pressão de conviver com a mentira.
- Seria uma maneira rápida de terminar as coisas, não é? - indagou Mag.
- Não é bem assim, Mag. Estou desistindo. Não dá mais. Melhor confessar e libertar o que está preso dentro de mim, nem que isso custe a minha prisão externa.
- Não diga isso - Janny respondia, tentando consolar-me. - Você precisa de alguém que te defenda, só isso.
- Você não pode desistir. Ela tem razão, você precisa é de uma boa defesa. Pode nos chamar como testemunhas, não é Janny?
- Sim, claro. Provaremos sua inocência. Vai dar tudo certo.
- Obrigada pela ajuda, meninas, mas acho que vocês não sabem muito bem a história verdadeira e disso não há como fugir. Eu matei sim, mas não foi por legítima defesa. Ele não tentou me agredir. Eu só queria matá-lo porque ele tirou uma jóia preciosa de dentro de mim. Ele me deu um remédio para abortar. Não sabia disso, mas fiz um exame e foi diagnosticado. Perdi meu filho.
Ben tirou-o de mim e eu tirei a vida dele por vingança.

Algumas marcas não se podem apagar



Eu era pequenina quando saí de casa e deixei pra trás uma vida que era construída à base de ruínas, dores e prantos.
Papai batia na mamãe e eu acabava servindo de teste para sua mão grande e pesada.
Cada tapa movia uma ira grande dentro de mim, mas não entendia os motivos para tanta crueldade.
Acabei fugindo de casa, chamei a polícia e papai foi preso, mas nessa noite que fugi, procurando ajuda, mamãe apanhou tanto que não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Eu tinha tudo que queria, papai era dono de uma empresa de propagandas, a maior na região em que morávamos, mas tinha algo que eu nunca consegui ter que era a paz dentro de casa, a paz dentro de mim mesma.
Cada vez que via aqueles olhos enfurecidos indo na direção de mamãe, o medo tomava conta do meu ser e as lágrimas de raiva eram transparecidas na minha face, numa forma de desespero e petição por paz.
Uma vez, mamãe disse que não importa o que temos na vida, mas quem temos na vida. Ela nunca ligou para o dinheiro que tínhamos, mas para quem tínhamos. Infelizmente ela não teve um bom marido e talvez nem uma boa filha, mas eu tive a melhor mãe e hoje ela vive dentro de mim, me acalmando e dando forças para continuar a viver assim.
Sem ter onde viver tive que ir morar num orfanato. No início os prantos eram demais. Tinha medo de apanhar e ser rejeitada pelas pessoas, mas, com o tempo, construí amigos lá dentro. Minha vida está sendo construída por um alicerce de amizade e união que tenho. Nunca soube o que era uma família regada de amizade e agora sei que é a base para uma estrutura firme.
Hoje, tenho o que sempre quis, só queria que mamãe pudesse ver como me sinto, por ter construído uma família com amigos que a vida me proporcionou através do pior acidente da minha vida.
Sei que as coisas acontecem por algum motivo, não troco essa minha família por nada... Mas queria tê-la aqui e assim ela poderia sentir como é bom receber o carinho das pessoas, sem receber surras, sem espancamentos; pois não se pode levar nada através da violência, a não ser o trauma que possuiu-me e com muita garra consegui me libertar, mas jamais conseguirei apagar totalmente da memória.



Ações sem razões

Jerry e eu descemos do carro e iniciamos mais uma aventura, agora, pela floresta.
Os estilhaços dos galhos, caídos no chão, arranhavam minhas pernas, enquanto caminhava.
Sem entender muito bem para onde Jerry estava me levando, comecei a obedecê-lo. Ele só pedia para eu ir mais rápido e não parava de perguntar se estava cansada, como estava me sentindo, se havia machucado alguma parte do meu corpo ou se estava com a visão embaçada.“Pra quê? Por quê?”. Era somente isso que minha mente insistia em indagar.
Enquanto meus passos longos tentavam acompanhar o ritmo da pressa e da afobação de Jerry, tropecei num tronco, sem que pudesse evitar, caí no chão e ralei meus joelhos.
- Como você está se sentindo? – perguntou ele repetidamente.
- Se você perguntar mais uma vez como estou me sentindo, vou lhe dar um soco na cara! – respondi, irritada – Já estou cheia de aventuras! Cada dia você aparece com uma e essa é péssima, se quer saber a verdade. As outras não tinham nada disso.
- Calma aí, mocinha. Você pensa que está falando com quem? Não sou qualquer um não, certo?
- Está certo, o que você quer de mim? Por que tanto segredo? Já estou farta disso!
Ele me segurava com força pelos braços, levantando-me do chão.
- Você está me machucando!
- Estou tentando te ajudar, sua ingrata!
Levantei ainda atordoada do tombo e voltamos ao destino que ele tanto queria.
De costas para Jerry, parei e recuei, assustada.
Quis gritar e correr, mas não tinha forças, estava fadigada.
Percebendo minha reação, ele tapou minha boca, segurou-me pelo pescoço e pediu que eu colocasse as mãos para trás, sussurrando em meu ouvido.
Corpos jogados, destruídos e sem olhos estavam largados no chão.
Apareceu um cara ao seu lado e Jarry disse:
- Tira daí, tira daí, ele devia ser preso – dizia sem compaixão alguma. – Quero que arranque os olhos dele logo!
Eu era a próxima, deduzi. Era isso que ele queria de mim, mas por quê? Pra quê? Era o que eu tanto queria saber antes dele ter arrancado os meus olhos também e me jogado junto aos corpos e os restos podres que estavam abaixo do meu.

Natalia Araújo, 17/05 – 19h10.


1º lugar - OUAT *-*



As consequências de um sorriso

O sorriso traduz, geralmente, um estado de alma; é um convite a entrar na intimidade de alguém, a participar do que lhe vai no íntimo. O homem como é dotado de inteligência e vontade, pode sorrir quando tudo vai bem ou sorrir mesmo que as coisas corram menos bem – tudo se resume na harmonia interior.
A primeira ação quando um rapaz e uma moça se paqueram é o sorriso nos lábios e o brilho no olhar e não precisa de palavras para dizer o que sentem, o ato de sorrir já é uma resposta para as dúvidas que poderiam existir no ar. Se a paquera continua, vem a fase em que, juntos, acham graça de tudo, sem prestarem atenção a nada do que os rodeiam e então os sorrisos são mais largos e constantes. Se a paquera leva ao namoro e este ao amor que conduz ao casamento estável, então, por vezes o seu sorriso muda-se em riso estrondoso, mais cristalino, manifestando toda a força da sua juventude.
É importante saber sorrir, pois ele pode dissipar uma angústia, se for simpático, ou aumentá-la se for sarcástico; pode estimular um trabalho se for de aprovação ou desanimar quem trabalha se for cínico; pode criar uma amizade, se for sincero e transparente, ou um afastamento se for hipócrita; pode humilhar de modo irreversível se não for autêntico e espontâneo.
Sorrir sempre parece ser uma tarefa difícil. A dor e o cansaço tornam, por vezes, o sorrir muito árduo. Se há fortaleza interior então há sorriso, mas dolorido. É preciso adquirir o sorriso sincero e através dele a formosura no rosto virá automaticamente. Mas como anda desvirtuado o sorriso! Será que podemos chamar sorriso o que vemos no rosto dos que assinam os “tratados de paz e cooperação”? Não, o que vemos não passa de um esgar.
O melhor a se fazer é sorrir, é um presente que podemos dar as pessoas, uma saudação sincera com o riso nos lábios e o contentamento no olhar, e é o melhor que podemos receber. Não vale a pena se irritar, criticar, gritar... No fim do amor, no fim do dinheiro, no fim da derrota profissional ou pessoal, tudo o que nos resta é chorar, ou sorrir! E você escolherá o quê? A escolha será sempre nossa de brotarmos uma lágrima no rosto ou de proliferarmos um sorriso.
1º lugar - Blogueando *-*


A união das almas


Eu peguei aquele brinquedo, com carinho, e o embrulhei. Saí correndo com um destino certo e com pressa, pois não sabia quanto tempo restava. Atravessei ruas e mais ruas, corria desesperadamente, os carros buzinavam ao ver uma criança de apenas 10 anos atravessar as ruas sozinho. Até que então cheguei, toquei a campainha e uma moça, que nunca tinha visto antes, apareceu. Entrei sem muitas explicações, pois de uma forma ou de outra a moça me conhecia.
Kennedy estava sentada no sofá, me viu chegar e se escondeu de mim, cobrindo sua cabeça, porque já estava sem cabelos.
Estiquei as mãos, entregando-lhe o presente que ela mais queria. Ela, envergonhada, saiu correndo com a almofada na cabeça e depois de alguns instantes voltou com um lenço, disfarçando a ausência dos fios.
Sentou-se, ainda com vergonha e contou-me os motivos de estar assim.
Ela sofria de câncer com apenas 9 anos e seu estado já estava avançado.
Pedi então que abrisse o embrulho, assim a fez e ali em suas mãos estava um carrinho de cordinha com uma boneca dentro, o presente que Kennedy tanto quis, mas seus pais nunca tiveram condições para comprar, devido aos gastos com o tratamento. Em seus lábios abriu um sorriso doce, em seus olhos o brilho começou a surgir.
Agarrei-a pelos braços e dei um abraço longo e disse lentamente ao pé do ouvido:
- Eu não te amo fisicamente, mas sim espiritualmente, pois não amamos um corpo e sim uma alma. Você é encantadora para mim do jeito que for, pois me conquistastes e minha alma foi atraída pela sua e nada impedirá essa nossa amizade. Eu amo você, Kennedy e lutarei com unhas e dentes pela sua recuperação.
As lágrimas dela molhavam minha roupa e eu não me importava com isso. O sorriso dela adentrou minh’ alma e somente isso era importante pra mim. Nossas almas juntas e unidas por uma força única e superior a todas.

Natalia Araújo, 13/05 – 12h01.



Amargo novembro


Eu pensando...

Novembro, ainda me lembro quando você partiu e disse que passaria uns dias longe de casa. Parada aqui, frente à nossa cidade, lembro como hoje, você arrumando suas malas e dizendo que era loucura da minha cabeça achar que você me trairia. De fato você não me traiu, acabei descobrindo isso da pior maneira possível e queria te avisar disso, mas se ao menos eu pudesse te olhar, pelo menos mais uma vez, diria coisas que bloqueei meus lábios de expressá-los o que tanto meu coração queria, e por orgulho evitei.
Nada, nem as mais nebulosas nuvens, serão capazes de cobrir esse imenso céu de arrependimento e dor que sinto. Por isso despeço-me dessa paisagem que tanto contemplamos, quando estávamos no ápice do amor, em nossa cama e que me faz lembrar você inesquecivelmente. Levarei nossa princesinha - assim como você adorava chamá-la. Ela sente sua falta e não há amor algum que substitua a sua ausência.
Éramos, nós três, uma família mais do que unida. Os frutos das nossas alegrias eram vistos em cada detalhe, nos toques, nos olhares e por culpa dessa obsessão de ciúme, tudo se destruiu.
Pudera eu fazer valer seus conselhos. As lágrimas que você tanto derrubou pelo nosso amor, hoje sou eu que as derrubo, sendo vistas na janela da minha face abatida e, uma a uma, percorrem-nas queimando a pele sensível e delicada que você tanto apreciava tocar.
Eu sei muito bem o motivo porque você se foi, mas não queria saber porque não voltou, seria menos dolorido para mim.
Eu destruí o que tínhamos de mais valioso - nossa família, nossa estrutura - e deixei escapar a preciosa jóia que carregava em minhas mãos - o seu amor, como me dissestes antes de partir.
Quero acreditar que você não nos esqueceu e me perdoará um dia.

- Ele voltou, ele voltou - repetia Laney, numa afobação incontrolável.
Assustada, nada conseguia dizer.
Aquele olhar me fitava da porta, fazendo-me esquecer os pensamentos que tive.
Corremos um de encontro ao outro.
Ele voltara e agora estávamos envolvidos num abraço ardente. Os lábios se perderam, se encontraram e se deliciaram num doce encanto de magia e sedução, tirando qualquer resquício de pensamentos daquele amargo novembro, apenas deixando o doce de janeiro se tornar um mel, no toque dos lábios, agora mais do que nunca, tão desejados.

Natalia Araújo, 11/05 - 01h36.
*Não é real.

Se...



Se amar matasse minha fome,
eu teria morrido de sede.


Enquanto não posso ver, mas posso te sentir

Ela acorda assustada, com o soar do despertador e se produz lindamente ao trabalho.
Suas roupas não consigo ver, sua face não posso contemplar e nem tocá-las com as pontas dos meus dedos; mas estou aqui e posso ouvir teus passos de encontro ao chão, firmes e determinantes, com o barulho sutil de seu salto. Posso ouvir longamente o som da sua voz magnificante; os sorrisos ligeiramente transpassados são as minhas diversões e, ao mesmo tempo, uma canção para eu ninar feliz. Quando está triste, sinto suas lágrimas queimarem a face e derreterem ao tocar sua barriga. Ela sofre calada, sozinha, de canto e mal sabe que estou sentindo tudo isso. O que ela mais quer é um filho, mas não consegue tê-lo e essa dor é carregada consigo há anos e com papai também.
Eu sou um milagre e ela não sabe. Sou o surgimento "impossível" que ouço os médicos dizerem, mas estou chegando para quebrar as regras e destruir esse sofrimento que lhe aflige. Dou-lhe sinais sutis, imperceptíveis, da minha existência; alguns chutes leves, pois não tenho forças ainda, mas sei que ela se alegrará ao saber que existe um fruto dentro de si.
Talvez papai quisesse um menininho para poder jogar bola e conversar coisas de homem, mas prometo aprender e fazer tudo certinho para ser uma princesinha para ambos e dar frutos de honra.
Espero que meus dias aqui não demorem muito, pois quero desfrutar ao máximo dela e poder sentir aqueles braços acolhedores - como ouço tanto o papai dizer - e envolver-me neles, protegendo-me de um mundo desconhecido, mas que saberei viver com a ajuda dela e sua tamanha sabedoria.
Logo, logo estarei batendo na porta do seu útero, pedindo e oferecendo um amor único e incondicional, com a proteção que só ela saberá me dar.

Natalia Araújo, 08/05 - 00h16.
1º lugar - Blogueando *-*

Arrependimento reconhecido

Mãe,

Sempre estive ao seu lado presenciando seus momentos mais felizes e os mais dolorosos, mas nunca dei o valor que deveria. Sempre fechei a mente para dar atenção; meu objetivo era somente recebê-los.
Agora que estamos distantes, sinto sua falta cada vez mais. Desde quando me mudei, as coisas têm se tornado mais difíceis sem teu amor presente, seu auxílio e orientação.
Os ventos varreram os rastros das minhas ideias, mas não varreram os rastros da minha constante saudade.
Estou com meu bebê nos braços, enquanto escrevo-lhe esta carta e com a vinda dele aprendi o valor que uma mãe tem na vida de um filho. Hoje sinto-me envergonhada por não ter sido quem quisesse que eu fosse, mas estou arrependida e espero que não seja tarde esse reconhecimento.
As lágrimas, escondidas estão de minha face; mas petrificadas estão em meu coração pela dor que causei-te.
Sei que não fui um fruto de orgulho, mas quero ser um fruto de amor imenso e jamais continuar deixando seu coração partido com rachaduras da desobediência.
Em breve estarei por aí e levarei meu diamante para que conheças seu lindo neto.

Que as marcas do passado não permaneçam com chagas, mas que cicatrizem para surgir o início de uma linda história de união entre nós.

Eu te amarei sempre, até quando meus ossos secarem, pois em meu filho existe um pedaço de mim e nele há o meu imenso amor por ti.

Os ventos levam à ti meu beijo.
Eu te amo demais, Brank.

Natalia Araújo, 08/05 - 00h36.

Palavras Mil
Foto retirada Flickr
*Não é real...

Andarilho em devaneios

Em desespero, peguei a arma que papai guardava dentro da gaveta do quarto dele e estava prestes a colocar um fim nessa vida frívola.
Aquele objeto metálico gelava a epiderme; minhas mãos, trêmulas, mal conseguiam segurar o condutor à morte. Apoiei-o próximo ao meu queixo e estava decidida a puxar o gatilho.
Meus lábios, em silêncio, suplicava pela solução. Minhas mãos, em posição, suplicava pela ação, o mais rápido possível.
As frases das pessoas voltavam em minha mente e contaminava o ambiente, ajudando minha mão a pegar o impulso e acabar com o resto podre de uma vida abjeta.
Obesa! Era o que eu me achava ao olhar no espelho. Evitava-os mais do que tudo. A depressão invadia-me e não conseguia dar conta disso.
"Para sua informação tamanho 42 não é gorda!" - Era o que meus amigos diziam, tentando convencer-me de algo que estava estampado em meu corpo.
Estava certa que o melhor a fazer era acabar com tudo, do que ser vítima de chacota.
As lembranças, cada fala, cada olhar de nojo, pena; era recordado como um flash , correndo em minha memória. Decidida, fechei os olhos com força e puxei o gatilho.
Sufocada, desesperada, remexi de um lado para o outro e até que então abri os olhos; aliviada, por tudo não ter passado de um pesadelo e certa que por mais que estivesse com alguns 'quilinhos' a mais, nada seria um motivo justo para deixar de viver assim... Tirando a própria vida.

Natalia Araújo, 06/05 - 19h32.
Pauta para Bloínquês - Visual e OUAT.

*Não é real... 

Cárcere bandido

Ela entrou no bar com seus longos cabelos ruivos, encaracolados; a pele branca, com sardas, levemente realçando sua beleza. Mais parecia uma deusa, mas estava cabisbaixa, impossibilitando-me a visão de seu olhar.
Sentou-se ao meu lado, sem notar a minha presença, e pediu uma dose de vodka. Podia jurar pela minha vida que uma mulher com aquele encanto e descrição perfeita, não passaria por aquela porta. Era mais fácil acreditar que nasceu um dedo na mão do Lula, completado o que lhe faltava, ou que Cicarelli sensibilizou-se e fez uma doação ao Presidente. Nada, nem as coisas mais escabrosas me dariam a certeza que uma deusa entraria nesse bar e saciaria a sede dos meus olhos, como homem.
Eu queria chegar nela, abraçar; agarrá-la em meus braços, mas como? Levaria um fora só de pensar em abrir a boca. Qualquer tentativa seria inóspita.
Ao dar o primeiro gole, o telefone tocou. Ela chorava desesperadamente e dizia que estava tudo acabado, que não tinha mais jeito e a qualquer momento iria se entregar.
“Se entregar
pra quem?” Foi o que pensei. Não fazia sentido.
Demorou alguns instantes na ligação e estava decidida em qual atitude tomar. Pela suas falas, a outra pessoa, do outro lado da linha, tentava deliberadamente resolver o caso, convencendo-a.
- Não adianta! Acabou! Chega! – falou ela, desligando o celular.
“Mais um copo”, foi o que ela pediu.
Levantei-me e, tomando coragem, fui até ela. Enquanto completava meus passos, dois caras, com roupas pretas e um boné, sem identificação alguma, passou pela porta e veio em minha direção.
- Hemily, você está presa! – disse um deles, apontando a arma próximo da cabeça dela.
“Hã? Mas como assim?” – Pensei.
Ela virou-se, e o pranto era nítido naquela face transparente e incrivelmente bela.
- Você está presa por tráfico de drogas.
Nada saía de seus lábios. Estava estática e chorava tanto que minha ansiedade estava demais, mas mesmo assim fui voltando para o meu lugar, aos poucos.
- Seu namorado morreu, como você já sabe. Os caras forçaram-no a falar quem era o cúmplice dele, mas ele morreu em silêncio. Nos ligamos a você e encontramos droga na sua casa. Você está presa!
- Cumprimos nossa promessa que se um morresse, o outro se entregaria – respondeu ela, aos choros. – Sabia que vocês me encontrariam em qualquer lugar. Só quis me despedir do meu amor bebendo o que ele mais gostava. Sinto o gosto da bebida e lembro-me do gosto dos nossos beijos.
Enquanto ela falava os policiais não davam a mínima atenção. Algemaram e levaram-na para bem longe de mim.
Agora vejo que meu sonho da mesma maneira que chegou, foi levado, carregado e obstruído. Pelo menos não deu tempo de tornar-se um pesadelo em minha vida.
Então fico aqui esperando a realidade entrar por aquela porta e não uma aventura de beleza que poderia destruir-me.

Natalia Araújo, 04/05 - 20h34
Pauta para
Bloínquês - Musical. Tema: Em itálico.

Tudo é questão de viver

"Nós fazemos nossa própria sorte, e então chamamos de destino", era o que sempre ouvia falar dos meus pais e nunca dei ouvidos. Sempre acreditei que destino era uma questão de regra e que nada, nem ninguém poderia impedir. Mas hoje, parada aqui, neste lindo bosque, tenho a certeza que sempre pensei errado e não adianta mais querer voltar o que passou. Olho para o lado à procura de encontrar a solução, mas ela não está ali. Coloco, então, as mãos em meu vestido, quem sabe assim, consigo obter a resposta através da aparência, do toque; mas é impossível, pois a resposta para essa solução está dentro de mim. Eu faço a minha sorte e chamo-a de destino. Não existe uma exatidão para as laudas futuras da minha vida. Existe a minha escolha e as consequências que terei que sofrer com elas. Então paro aqui e observo ao meu redor; nada vejo, nada consigo enxergar; pois as minhas escolhas estão dentro de mim e as consequências poderão estar em ambos os lados. Só não posso ficar aqui parada, esperando a vida escorregar pelos meus dedos e perder a oportunidade de viver.

Natalia Araújo, 03/05 - 23h52

*Não é real.. é somente uma pauta.
1º lugar - Bloínquês *-*