Um (quase) adeus

Com a roupa engomada, os sapatos brilhando, parecia até que estava indo em destino à minha felicidade. Pronta, peguei as malas e percorri o corredor da morte, da morte da minha atual vida.
Deparei-me com Gary, ele me contemplava e eu queria evitar olhar aqueles olhos que não sabia compreender os meus.
Ele tirou as malas das minhas mãos, empurrando-as para o chão e cruzou seus braços em meu corpo. Deu um abraço acolhedor e disse:
- Sentirei sua falta, irmã.
"Irmã? Como assim? Não, não sou sua irmã. Prefiro ser enterrada viva do que ser sua... sua irmã", pensei frustrada.
- Não, Gary. Não me chame de irmã. Preciso te revelar o motivo da minha partida. É você, Gary. Você! Estou partindo para não ter que olhar
pra essa tua cara!
Minhas palavras causaram um transtorno obsessivo na mente dele. Sua reação foi somente virar as costas e ir embora.
"Burra, como fui burra!Estou indo por causa dele sim, mas ele não precisava saber disso. Como sou idiota", era somente isso que passeava em minha mente perturbada.
Inclinei a face, de encontro aos meus joelhos e deixei que as lágrimas limpassem o mais profundo do meu coração.
De repente senti uma palma tocando minhas costas e uma voz sussurrava ao meu ouvido:
- Antes de você partir, preciso te revelar uma coisa muito importante: Amo você, Taylor e eu nunca vou achar ninguém para te substituir. Acho que vou ter de superar isso dessa vez. Quando você passou seis meses fora, fazendo aquele curso de pintura que tanto queria... Achei que conseguiria te substituir, mas me frustrei. Dessa vez será necessário. Quatro anos, exatamente quatro anos longe de mim e eu não suportarei sofrer mais por você tanto quanto sofro. Eu precisava te revelar isso. Amo você, mas dessa vez precisarei te substituir, antes que a podridão dos meus ossos sejam vistos perante a sociedade.
- Não fale assim, Gary. Eu também... também amo você, desde o primeiro dia em que te conheci no curso de pintura. Seu cheiro, sua voz, seu toque levava-me aos céus.
Ouve um silêncio constante, interrompido por um beijo infinito, tocando os céus do paraíso e aterrissando no chão da realidade de uma despedida.
- Não vá! - ele falava entre os instantes que os lábios se afastavam.
- Vem comigo, eu sei que você pode!

Nada real... Pauta para o Blq musical e conto/história.

Marcas de uma eterna infância


Eu tentei, por infinitas formas, mostrar para mamãe o quanto eu sofria com a decisão que ela tomava para si e acabei sendo a principal vítima nessa consequência.
Aqueles olhos arrebatadores destruíam a minha pequena e medrosa visão. Ele me consumia, me devorava, abusava do meu medo e nada podia fazer ou morreria com ela.
Mais uma noite e essa foi fatal, obrigou-me a coisas absurdas e as lágrimas, que antes escondia, foram reveladas aos olhos de mamãe. Não falei superficialmente. Contei tudo. Cada detalhe, cada forma de agonia e sofrimento. Ela nunca acreditou, mas agora, com detalhes precisos e o sofrimento de rancor no meu olhar, ela acreditaria em mim. Mais uma vez me enganei.
"Eu odeio te ver chorar, portanto, acabe com suas lágrimas e escute: Não acredito em nada do que você diz. Você não vai destruir o meu amor, a minha felicidade. Jamais acabará com a minha vida!". Aquilo foi o fim para os meus ossos que ainda permaneciam de pé, pois a carne já estava acabada. Usada, desgastada. Morta!
Ela odiava meus choros, meus sorrisos. Ela me odiava por completo e jamais acreditaria em mim.
Tentei alertá-la e não consegui. Tentei odiá-la, mas ainda amo-a mais do que a força que se esvaiu de mim.
Não posso deixá-la, mas não aguentaria sofrer mais uma noite e dar a ela mais uma lágrima em forma de raiva.
Resolvi partir em silêncio com um fruto que está dentro de mim. Aquele canalha deu-me um filho e destruiu a felicidade que eu tinha: O amor da minha mãe.

Natalia Araújo, 14/07 – 12h14

Nada no texto é real... Foi um dos textos mais fortes e marcantes que já escrevi. Só pelo fato de saber que isso existe. Uma dor e tanto... 

Um passado, uma dose e uma esperança

“Do que adianta chorar agora?”, eu me pergunto em meio às lágrimas que rolam pela minha face e se perdem ao encontrar o copo em meus lábios.
“Uma dose, por favor”, é o que peço para o garçom, querendo que a coragem venha junto com ela. Nada vem. Nada aparece. Você não ressurge.
Outra dose de uísque. Não consigo parar de olhar para a porta, desejando que você venha e mude tudo como fez antes. Mas as doses não te trazem de volta e nem, tampouco, amenizam a sua ausência.
Era tão bom quando vivíamos juntos e tua presença mudava todo o ritmo da minha vida. Destruía todos os desânimos que minha mente poderia chegar a imaginar. Tuas palavras eram como um estímulo para chegar ao ápice das minhas vontades.
Você poderia surgir por aquela porta, mas a dúvida prevalecia. “Nossas conversas não seriam trocadas aqui e nem em qualquer outro lugar que fosse”, eu pensava, alimentando minha tristeza.
Tuas mãos alentavam as minhas, quando me tocava. Teu olhar me transmitia forças, enquanto notava o brilho tremeluzente neles.
Eu poderia dizer que isso é um passado que deve ser esquecido, mas não dá. Os melhores momentos que tive foram os que vivi ao seu lado e agora tudo não passa de apenas uma ansiedade e desejo de vê-lo outra vez e mudar minhas atitudes, como você sempre fazia.
Não posso esquecer. Não seria capaz de apagar lindos momentos e fingir que tudo passou de apenas um passado que devia ser apagado. Não! Cada instante é levado comigo, por mais que você não reapareça. Por mais que já tenha esquecido de mim e das nossas conversas. Não paro de sentir sua falta. Cresci ao seu lado e sinto necessidade de estar perto de ti. Te busco numa dose, em outra, ou até mesmo por entre a porta aberta do salão. Você não vem.
Enquanto te procuro, me perco por entre o oceano de lágrimas que se perpetuam em minha face.
Espero você aqui! Gostaria que pudesse ouvir minhas súplicas por telepatia.
Eu te amo, pai e sei que voltará para me buscar. Eu sei!

A porta foi aberta e os meus olhos voltaram a brilhar. Sabia que ele voltaria e não esqueceria nosso passado juntos. Mudaria minha vida, mais uma vez. Como ele sempre soube fazer e estava certa disso!








Nota: 9,8


Eu por você e você por mim

Eu parei meus passos,
Fixei meu olhar
E parei minhas mãos na direção das tuas.

Eu prendi a respiração,
Parei meu corpo
E imobilizei meus lábios frente ao teu.

Parei meus passos para ter aquele momento contigo;
Fixei meu olhar para que o brilho dos seus fossem refletidos nos meus;
Parei as minhas mãos para que eu pudesse sentir suas carícias nas minhas;
Prendi a respiração para que eu pudesse sentir a sua;
Estacionei meu corpo para sentir o calor do teu;
Imobilizei meus lábios para sentir o gosto do teu beijo;

Fiz nossas vidas pararem no tempo para que vivêssemos um momento juntos,
Mas você não me compreendeu e ficou parado também, esperando por mim.