Resenha: Não Fale com Estranhos

Li Não Fale com Estranhos por indicação de Naty Araújo, que, em sua resenha (confira aqui), não economizou elogios ao trabalho de Harlan Coben. Confesso: ela tinha razão.

O livro parte de uma situação muito comum entre pais e filhos, a advertência daqueles de que estes não devem falar com quem não conhecem. No entanto, os personagens que desrespeitam essa regra e têm sua vida transformada, a exemplo do protagonista Adam, não são nada criança, como talvez o título fizesse supor. São adultos, e suas reações são diferentes diante de revelações das quais não gostariam de saber.

De início fiquei desconfiado da trama que se estava estabelecendo. No decorrer dos capítulos, fui ficando cada vez mais envolvido. Como não ficar? Como não querer entender os contornos que a “vida dos sonhos” – essa é uma expressão importante – de um advogado de uma cidade tranquila acaba tomando? Não há como não se questionar o que cada situação posta pelo autor tem a ver com o dilema do mocinho.

E o que aconteceu com ele? Adam estava num bar acompanhando a escalação de seus filhos (Tomas e Ryan) para a equipe esportiva local quando, ao ser interpelado por um estranho, uma informação põe em cheque seu relacionamento, sua família, fazendo-o questionar-se sobre sua vida e enveredar na busca do que estava por trás daquilo. E o leitor vai junto, é claro.


Surgem muitos personagens, no geral densos e bem construídos, no decorrer dessa caprichada e detalhada narrativa. Cada um deles tem sua história, na maioria não revelada de pronto, apresentando o autor, de certo modo, justificativa – plausível ou não – para suas ações, que por fim contribuem, como peças de um quebra-cabeça, para a resolução do mistério. Por isso, vale a pena uma leitura atenta.

Há, em meio a tudo, uma discussão interessante: vale tudo pela verdade? Mais ainda: terceiro tem o direito de, em nome da verdade, revelar os segredos de outrem?

Um ponto sobressalente, a meu ver, principalmente no início da leitura, é a quantidade de publicidade, de marcas citadas. Acredito ser isso um reflexo da globalização, manifesta pela disseminação pelo mundo de produtos globais – em sua maioria pertencentes a oligarquias transnacionais (essa é uma outra conversa) –, que transforma tudo (ou quase tudo) em plataforma de marketing, até os livros.

A história é bem atual, não só pelas marcas, mas também pelo uso de recursos de nossa vida contemporânea, a exemplos de aplicativos para smartphones e sites na internet, e é ambientada nos Estados Unidos, com algumas referências geográficas que me deixam um pouco desorientado, porém nada comprometedor. Outra questão que causou confusão de início – ao menos para um leitor chato como eu – era identificar o esporte praticado pelos filhos de Adam e de outros personagens (futebol jogado de capacete e taco?); isso poderia ser corrigido através de uma tradução um pouco mais cuidadosa.


A diagramação é ótima em páginas amareladas e letras razoáveis; a capa não me agrada muito, não me encanta. Quanto à revisão, pequeninos deslizes.

Enfim, caro leitor, recomendo a leitura; é um suspense muito bem contado e fechado, merecendo realmente os elogios que vem recebendo.

Quotes:
“As palavras chegavam até Adam como murros de um pugilista, atordoando-o, debilitando-o, deixando-o trêmulo e zonzo, pronto para receber do árbitro a contagem protetora de oito segundos. Sua vontade era reagir, esmurrar o filho da puta por ter ofendido sua mulher daquela maneira, agarrá-lo pela camisa e arremessá-lo para o outro lado do salão. Mas não foi o que fez” (p. 10)

“Essa era a justificativa, com a qual o estranho concordava plenamente. Se o alicerce estava podre, o certo era demolir a casa inteira. De nada adiantava uma pintura nova ou algum reparo paliativo. Ele sabia disso. Compreendia isso. Vivia isso” (p. 63)

“Adam viu os olhos dela se moverem para a direita. Não acreditava muito na história segundo a qual podemos dizer se alguém está mentindo pelo movimento dos olhos, mas sabia que, quando os olhos se deslocam para o alto e para a direita, isso geralmente indica que a pessoa está tentando se lembrar de algo, e quando se deslocam para a esquerda, isso significa que a pessoa está inventando alguma coisa” (p. 149)

“Adam foi perdendo o ar dos pulmões enquanto a dor percorria cada nervo. Mas não esmoreceu. Recebeu outro soco, mais forte que o primeiro. Procurou aguentar firme, mas sabia que não resistiria por muito tempo. Um terceiro golpe bastaria para fazê-lo soltar a mão do homem” (p. 278)

Outras fotos:





 

Título: Não fale com estranhos (exemplar cedido pela editora)
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2016

17 Revelaram sentimentos:

  1. Estou com ele aqui pra ler e não vejo a hora. Parece que nesse o autor pegou muita gente de surpresa, porque fez uma trama e tanto e com um final de arrepiar. Ao menos eu estou super curiosa com esse final do livro, de tanto que vi falando. E ah, é um detalhe do Coben colocar tanta marca e coisas atuais assim. Em muitos livros dele, senão todos, tem dessas. Acho legal porque coloca a história em um estado mais "hoje em dia" quando você lê. Fica mais fácil acreditar que aquilo pode/aconteceu, se identificar e etc. Espero que esse seja um livro bom mesmo, estou ansiosa pra ver o que ele fez.

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  2. Oi Alison!
    Desde que li resenhas sobre o livro tenho ficado curiosa com cada ponto de visto positivo dle, gosto da forma que o autor prende o leitor pra descobrir o que realmente foi revelado á Adan, tô doida pra descobrir!
    Parabéns pela resenha e pelas fotos!
    Bjs!

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  3. Achei essa história bem legal, o fato de uma simples pergunta mudar toda uma vida é uma coisa bem intrigante. E gosto quando os autores inserem na história muitas coisas moderna que são parte do dia a dia de cada um, acho que isso acaba aproximando o leitor da história e faz tudo parecer mais real.

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  4. Já li alguns livros do Harlan e gostei de todos. A escrita dele é ótima e nos prende muito!
    Esse já está na lista de desejados!
    Parabéns pela resenha!

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  5. Oi Alisson!
    Sou fã de Harlan Coben, já li alguns livros dele e sempre adoro os enredos com muito suspense, drama, mistérios e finais surpreendentes. Com certeza uma leitura que também sempre indico, para quem gosta desse gênero. Adorei sua resenha, perfeita. Já tenho esse livro na minha estante, claro, mas ainda não li. Obrigada pela dica. Abraços.

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  6. Olá Alisson,
    Apesar de ter lido apenas dois livros do autor posso afirmar que sou fã! Gente, que escritor mais talentoso esse Harlan Coben! Li ambos os livros num piscar de olhos, simplesmente não conseguia largar até terminá-lo, a narrativa do autor é eletrizante o suficiente para permitir que o livro seja lido sem interrupções. AMO um bom suspense. Como ainda não li um livro do autor nesse ano, minha escolha está pendendo para esse lançamento, pois essa sinopse é instigante demais! Adoro suas historias repletas de suspenses, mistérios, muito drama, os enredos são sempre tão surpreendentes.
    Espero ler esse livro logo.
    Beijos

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  7. Não li essa história ainda, mas já li dois livros desse autor e simplesmente achei ambos fantásticos.
    As obras foram "Não conte a ninguém" e "Alta tensão"...
    Pretendo ler muito em breve.

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  8. Oi, Alisson, como vai?
    Li apenas dois livros do Coben, Sem Deixar Rastros e Confie Em Mim, e posso dizer que apenas um já é suficiente para saber como o autor é incrível, sabe criar personagens um mistério como ninguém! Gostaria muito de ler outros livros deles, inclusive este.
    Gostei bastante de sua resenha e me deixou mais cativado ainda para a leitura.
    Abraços!

    -Ricardo, http://lapsodeleitura.blogspot.com.br/

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  9. Oi, Alisson
    Os livros do Coben sempre tem bastante personagens, pelo menos a maioria deles. Gostei de sua visão da obra. Esse eu ainda não li, mas tenho imensa curiosidade.
    A propaganda tem estado presenta até nos livros, não é? Já peguei alguns livros assim.
    Adorei a dica e pretendo ler.

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  10. Olá, Alisson.
    Eu amei esse livro, mas ainda não é um dos meus favoritos do Harlan, ele tem livros melhores. Mas as questões levantadas na história fazem toda a diferença. Tem horas que penso que é melhor viver na ignorância hehe.

    Blog Prefácio

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  11. Não li ainda nenhum livro desse autor. Bem intrigante, quero ler haha
    Beijos ❤
    Jardim de Palavras

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  12. Também acredito que está crescendo essa citação de marcas em muitos livros, muitas vezes, beirando um exagero. A capa realmente podia ser melhor, mas gostei da resenha e vou adicionar em minha lista.

    www.atraentemente.com.br

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  13. Primeiramente belíssimas fotos. Nunca li nada do autor, mas as resenhas cheias de elogios que tenho lido, me deixa com vontade de corrigir isto. Já faz um tempo que observo as propagandas em livro, mas ultimamente tem crescido muito o uso da ferramenta. O livro já esta adicionado em minha lista de leituras.

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  14. Quero muito ler! Amo suspenses e como esse é ambientado nos dias atuais tenho mais curiosidade ainda em ler!

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  15. Amo suspenses e romances policiais, mas do Harlan só li dois e confesso que não curti tanto as histórias, apesar de ter amado a escrita dele!
    Esse novo livro tem uma premissa bem interessante, e deu pra ver que é um livro bem traçado e que vai tocar em muitos pontos de nossa vida e de nossos relacionamentos.
    Assim que der, vou querer ler com certeza!
    bjss

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  16. Se a história é boa, a capa e os pequenes deslizes de revisão não importam realmente. Já ouvi falar muito sobre esse livro e sobre o autor, ele parece ser realmente bom e acho que se eu ler, vou acabar não poupando elogios também,. Gosto de histórias que começam de um jeito comum e acabam no surpreendendo do meio para o final. O título é bem diferente e chama a atenção do leitor, tenho certeza que se eu me deparasse come sse livro em uma livraria, acabaria levando ele pra casa.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  17. Nunca li nada de Harlan Coben!! Mas amei a resenha!! E as fotos também!!
    Beijoss

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