Criando sua própria destruição


Inferno, 02 de novembro de 2010.
Christoffer,
Foi muito angustiante para mim, ver nosso filho nas mãos da calamidade. Entregue à morte da forma que foi. A crueldade que fizeram com ele foi tamanha discrepância.
Na noite do dia 23 de outubro, ele foi assassinado. Arrancaram-lhe os olhos: é até difícil entender o motivo, mas como me disseram e você sabe muito bem como ele ficava olhando as mulheres casadas; cortaram-lhe a língua: por falar tantas coisas para elas e ia além, ainda desafiava seus maridos, chamando-os de “moles”, “frescos” e “chifrudos”; cortaram-lhe os dedos: ainda não entendi o porquê, mas dizem as más línguas que era porque ele vivia apontando os erros alheios.
De fato, Christoffer, não estou feliz com o ocorrido. Talvez, pelo meu pressuposto, pela forma que lhe escrevo, venha estar convencido que era o que eu queria. Mas não é. Você sabe o quanto o amava e ainda o amo. Ver aquele corpo desfigurado trouxe o gosto da morte perto do meu ventre.
Seus pés foram cortados e encontrados esquartejados, ao lado da sua cabeça. Talvez ele estivesse ultrapassando os limites, não sei. Realmente não tenho ideia quais razões levariam alguém a matar outro de uma forma tão exacerbada.
Ainda tem mais e acredito ser o pior, tiraram-lhe a pele; rasgaram seu corpo com uma gilete e escreveram: “eis a minha vingança por tudo que me fez passar”.
Sabe do que mais sinto falta? De quando ele corria para os meus braços gritando, chamando-me de mãe e pedindo que eu o pegasse no colo e fizesse carinho. Ele encostava sua cabeça em meu ombro e eu sentia as lágrimas queimarem minha pele, a pele de uma super mãe protetora.
Sinto falta de quanto passeávamos, procurando o melhor lugar para comprarmos seu presente favorito.
Hoje, a tristeza é tamanha que prendo-me a ela, no conjunto interminante da saudade e das lágrimas que impedem a minha liberdade.
Não assassinaram nosso filho, não assassinaram seu corpo, não arrancaram seus olhos, sua língua, seus dedos... Não!
Assassinaram a minha felicidade, a minha vida. Assassinaram a minha alma e isso não há perdão.
Quem assassinou? Ora, está na “cara” para você descobrir, Christoffer. Ele nunca teve inimizades com ninguém de fora, apenas um, em sua própria casa.

Sim, Christoffer, foi Jeffrey, o nosso caçula que o matou.
O por quê? Algumas de suas justificativas foram empregues nesta carta, o restante eu deixo para você mesmo perguntar a ele.
Com total indignação.
Daquela que criou o melhor e o pior homem do mundo.