Acredito que você conheça a história de Pinóquio. Durante a minha infância, inclusive, a professora sempre falava para os alunos que quem mentisse o nariz cresceria igual ao do Pinóquio.
É uma das histórias mais conhecidas da literatura universal: o boneco de madeira que deseja ser um menino. E para isso ele precisa passar por muita coisa até que esteja apto a viver como humano. Traduzida para mais de 240 países e 260 línguas, adaptada e recontada no cinema, no teatro e em milhares de versões, a narrativa por vezes acabou perdendo muito de sua riqueza original. O diferencial dessa edição é que a coleção Clássicos Zahar traz o texto integral de Carlo Collodi em tradução que recupera o sabor da prosa divertida e sofisticada do autor italiano e faz jus às peripécias de Pinóquio em sua busca por tornar-se bondoso, bravo e honesto – para ser um menino de verdade.
Trata-se de uma fábula moral. Aqui você encontra uma história que ensina, fala sobre amizade, sobre valores éticos, sobre a importância de ouvir, respeitar. Será que mentir é a melhor opção? Isso a gente está cansado de saber que com a mentira sempre virão consequências, e nunca serão boas. Porque por mais que a mentira às vezes possa aliviar, no início, o desfecho é sempre outro.
“As aventuras de Pinóquio” traz dilemas que fala com todos nós, desde as criancinhas até idosos. É uma leitura gostosa, com diálogos tristes, que mostra a realidade de uma família pobre, que não tem condições de comprar material escolar, não tem dinheiro para comprar o alimento. O pai, criador do Pinóquio, não tem dinheiro para comprar coisas para o boneco, então ele vende seu casaco para poder dar a ele um material para poder ir à escola – o sonho do nosso protagonista. Nessa hora confesso que me deu vontade de chorar.
Eu sempre gostei de ler as fábulas na escola, e essa em particular era uma das que mais me fazia refletir sobre as decisões da humanidade e sobre as consequências dessas escolhas. Essa edição da Zahar está belíssima. Capa dura, edição de luxo. Um trabalho excelente! Gostei também da apresentação feita pela Natalia Borges Polesso. Ficou perfeita, leve e divertida.
Trechos:
“– Como se chama seu pai?
– Geppetto.
– E qual é a profissão dele?
– Pobre.
– Ele ganha bem?
– Ganha o bastante para nunca ter um centavo no bolso. Calcule que, para me comprar a cartilha, ele teve que vender o casaco que levava no corpo; seu único casaco, que era uma chaga só de cerzidos e remendos.”
“– Entenda que, neste mundo, todo mundo, todo homem, nasça rico ou nasça pobre, é obrigado a fazer alguma coisa, a se ocupar, a trabalhar. Ai de quem se entrega ao ócio! O ócio é uma doença muito feia, da qual devemos nos curar desde bem cedo, ainda crianças. Senão, ao crescer, nunca mais nos curamos.”
“– Que me importa a roupa nova? Eu venderia até estes farrapos que me cobrem o corpo para poder ajudá-la! Vá, Lesma, depressa; e volte aqui em dois dias, que espero poder lhe entregar mais alguns cobres. Até agora trabalhei para sustentar meu pai; de hoje em diante, trabalharei mais cinco horas para sustentar a minha boa mãe.”
Título: As aventuras de Pinóquio
Autor: Carlo Collodi
Editora: Clássicos Zahar
Páginas: 272
Ano: 2022
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