Resenha: Fique Comigo

Por Je Vasques •
10 agosto 2020

Fique comigo foi o primeiro livro de uma escritora africana que li. Eu já tinha lido alguns ensaios da Chimamanda, mas um romance completo ainda estava em falta. Ayòbámi Adébáyò é uma escritora nigeriana, que foi aluna da Chimamanda, inclusive. Ela é considera uma promessa na literatura africana, e esse é seu livro de estreia. 

A história do livro gira em torno de Yejide e Akin. Eles vivem na Nigéria dos anos 80 e estão casados há 4 anos. Esse é um tempo grande demais dentro dos costumes nigerianos para um casal estar sem filhos. Yejide já fez de tudo ao seu alcance. Já consultou médicos e curandeiros, já tomou remédios e chás, já fez promessas e rezou constantemente, mas nada a fez engravidar. Quando se casaram, decidiram que não seguiriam o costume da poligamia, mas um dia a família de Akin aparece na porta da casa de Yejide com uma nova esposa.

Esse é um livro que vai falar muito sobre tradições, mentiras, maternidade e dor. Yejide é uma mulher forte, mas subjugada pelos costumes que aprendeu. Por mais que ela e Akin tenham tentando se manter unidos e em um casamento monogâmico, a falta de filhos leva Akin a aceitar um segundo casamento e passar por cima do pedido e decisão que tomou junto de Yejide. Os dois sofrem pela interferência da família, que é algo normal dentro dos costumes iorubá, e a falta de diálogo os leva ao declínio.

Yejide precisa engravidar. Ela não é vista como uma mulher completa porque não tem filhos, e não se sente feliz se não alcançar esse objetivo. Isso a leva a uma auto destruição bem grande e dolorosa de acompanhar, até porque podemos ver o quanto ela é inocente e não entende o que realmente está acontecendo. Akin é homem, e como tal, foi criado para ser perfeito. Se os bebês não chegam, com certeza não é culpa dele, certo? O costume iorubá é totalmente pautado na servidão e obediência da esposa, e ele se beneficia bastante disso. E quando decide dar um jeito na situação que se encontra seu casamento, é a base de mentiras.

Foi pesado e difícil fazer essa leitura onde a autora soube trazer bem a nós como estava a política da Nigéria nos ano 80, ao mesmo tempo que nos levou ao desespero e medo do casal. Senti um ódio profundo de Akin, apesar de ser capaz de entendê-lo. É muito difícil conciliar minha visão ocidental com costumes que ferem tanto Yejide. Ser considerada ruim apenas porque não tem filhos, ou ter que se submeter a coisas que destroem seu psicológico e amor próprio para tentar agradar as expectativas alheias são coisas absurdas para mim.

Fui totalmente envolvida pela escrita, chorei em várias partes, me compadeci do casal e do sofrimento intenso que acompanhamos durante anos no livro. O final me deixou incomodada e em dúvida, e depois que terminei, fiquei sem conseguir ler por um bom tempo. Recomendo demais por ser uma leitura que nos abre bastante a mente para outra cultura, por nos trazer uma autora nova e que merece o reconhecimento, e por nos fazer refletir sobre os papéis que nos é dado, e se esse papel é realmente o que você quer da sua vida. 

Título: Fique Comigo
Autora: Ayòbámi Adébáyò
Editora: Harper Collins
Páginas: 256
Ano: 2018
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Resenha: Azúria

Por Caroline Ribeiro •
07 agosto 2020

Azúria é um livro de contos onde nos são apresentadas 11 histórias leves e criativas com muita, mas muita fantasia. O autor traz uma grande gama de seres, criaturas e demais elementos fantásticos que são um prato cheio para os amantes do gênero. Além de contar com alguns elementos que remetem a fantasias que já conhecemos e amamos como O Senhor dos Anéis e Harry Potter.

Li esse livro em leitura coletiva com uma amiga (oi, Gio) e ela fez uma observação que eu acho muito pertinente trazer para a resenha: parece que estamos lendo um desenho. Sabe um episódio de Caverna do Dragão? Não posso dizer que é exatamente isso, pois infelizmente não temos o Mestre dos Magos, mas é algo bem próximo.

Nas páginas de Azúria acompanhamos desde grandes aventuras até a melancolia de um funeral. As histórias desses contos não necessariamente são fechadas, mas também não quer dizer que elas se conectem no decorrer do livro. Temos, sim, alguns componentes que são comuns a mais de um conto e podemos muito bem criar “fanfics mentais” com eles se cruzando, mas, como eu disse, isso não ocorre descaradamente no livro, com exceção de três contos que são focados apenas em uma das personagens, falarei sobre isso mais adiante...


Certamente encontrei alguns favoritos dentre os diversos contos. Discorrendo um pouquinho sobre esses favoritos, na ordem em que são narrados, posso citar de cara o primeiro conto, intitulado O Roubo do Amuleto. Aqui temos uma criatura que sou completamente apaixonada e apresenta um significado muito forte, não vou especificar exatamente qual criatura é essa, pois estaria dando um spoiler, lidem com a curiosidade.

Após, temos A Caça ao Dragão que nos traz uma reviravolta e um ótimo desfecho. Já A Fuga de Balara é um conto super curtinho, mas com uma força de superação imensa da personagem principal. E em A Festa da Noite temos uma narrativa diferente dos demais contos, alternando entre o passado e o presente, e acredito que seja o mais tocantes de todos.

Citei anteriormente que três contos envolviam a mesma personagem, chamada Noëlle, e agora chegamos ao ponto da explicação. O próximo conto da lista de favoritos é A Renegada, de longe o maior conto de todos. Aqui temos um avanço na escrita do autor, onde, devido ao maior número de páginas, foi necessário também um maior desenvolvimento daqueles personagens. Os demais títulos que retratam essa mesma personagem são O Arkanvolf, com uma criatura fofa, porém, perigosa, e O Pagamento onde vemos uma Noëlle mais vingativa...


Creio que o último da minha lista de preferidos seja A Batalha de Plaanderkin, um conto mais obscuro que me remeteu a alguns episódios de Game of Thrones, quem ler vai entender a razão dessa referência.

No entanto, acredito que o autor tenha capacidade de evoluir a sua escrita. A questão de formulação de frases e desenvolvimento dos personagens pode ser melhorada. Sei que se trata de conto e não existe muito espaço para esse desenvolvimento, mas ainda assim, fica a minha dica para que o autor pegue mais pesado nessa questão. Está no caminho certo, só precisa adicionar um “brilho” em certos momentos.

Edição, revisão e capa maravilhosas. A diagramação desse livro é algo digno de prêmio, sério, pra quem usa óculos e/ou lê em luz fraca durante a noite essa diagramação é uma benção. E, além da já citada capa linda, temos ainda ilustrações no início de cada capítulos que se relacionam com o conto.


Por hoje era isto, deixem muito bem anotada a dica desses contos fantásticos perfeitos para um passatempo. 

Título: Azúria - Contos Fantásticos (exemplar cedido pela editora) 
Autor: Ricardo R. P. Resende 
Editora: Flyve 
Selo: Voe 
Páginas: 250 
Ano: 2020
Compre: aqui ou aqui
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TARDIS de Quinta: Warrior Nun

Por Giovanna Prates •
06 agosto 2020

A nova série de fantasia da Netflix, Warrior Nun, começa com um estrondo. O primeiro episódio mostra um esquadrão de mulheres vestindo "hábitos" (a roupa utilizada pelas freiras é chamada de hábito) furtivos de malha e armas, onde colidem com uma igreja, gritando algo sobre ser uma emboscada por mercenários com “estilhaços de Divinium”. Elas puxam a auréola de um anjo de sua líder mortalmente ferida. Uma freira morre para proteger esse artefato que pertenceu a um soldado possuído por demônios. E, então, conhecemos Ava (Alba Baptista), uma órfã tetraplégica que está morta na maca de um médico legista exatamente para onde as freiras foram. No entanto, em uma louca série de eventos, esse antigo artefato sagrado (o Halo do Anjo Adriel) acaba caindo e se incorpora nas costas de Ava, trazendo-a de volta à vida com dom especiais – poderes? Quando ela acorda dos mortos, percebe que pode andar, e decidi fugir dessa loucura toda.

No decorrer do caminho, encontra novas amizades com uma equipe de jovens criminosos - liderados pelo atraente JC (Emilio Sakraya) - Ava é finalmente descoberta pela Ordem da Espada Cruciforme, a sociedade do Vaticano de mulheres devotas dedicadas a combater demônios que passaram o Halo de líder em líder desde as Cruzadas. Dividida entre fazer coisas divertidas com seus amigos e cumprir um antigo destino enviado pelos céus, Ava se encontra no centro de um cabo de guerra entre o demoníaco e o divino. 

Sim, toda essa pressa do jargão e da mitologia se assemelha a John Wick misturado com uma interpretação literal da cosmologia cristã encontrada nas histórias de John Constantine, mas na verdade, Warrior Nun é uma adaptação baseada em um personagem de quadrinhos canadense no estilo mangá “Warrior Nun Areala”, que foi criado por Ben Dunn em 1994 e publicado pela Antarctic Press. Especificamente, é uma série de quadrinhos onde freiras badass ajudam a sociedade a combater demônios. Esses quadrinhos estão tão mergulhados no folclore católico que eles criticam os críticos de ambos os lados da cerca religiosa – pura loucura, não?


Há muito o que gostar nesta nova série original da Netflix, confesso. Desde a performance de Baptista como a Ava ora confusa ora fascinada, até a própria ideia de que existem freiras guerreiras que lutam contra demônios muito reais e violentos neste mundo. O primeiro episódio, no entanto, tem vários problemas que atrapalham um pouco a mensagem, e se eu não tivesse escolhido continuar a assistir toda a série, teria desistido por ali mesmo. 

Antes de tudo, há a narração de Ava, que começa como a narração de qualquer drama adolescente, com Ava sendo aversa por sua situação. Mas então, se transforma em um monólogo interno que pode até ser engraçado de vez em quando, mas na maioria das vezes é muito... estranho e desconfortável. Não temos certeza se o monólogo deve realmente estar lá ou se foi editado. Mas cenas como ouvir os pensamentos de Ava passar por cima de JC em vez de ouvi-lo falar, por exemplo, pareciam pertencer a outra personagem de outra série e não a uma série de caçadoras de demônios religiosas, onde a personagem está prestes a ser recrutada como freira guerreira. 

Essa é a outra parte que, no começo, ficou um pouco confusa. Quantos episódios se passam até o padre Vincent localizar Ava, recrutá-la para a irmandade que luta e ela começar a entender os poderes que a auréola lhe deu? Claro que no mundo do streaming, os escritores podem contar suas histórias em um ritmo mais lento. Porém, nós queríamos que Ava ao menos se encontrasse com Vincent ou começasse a trabalhar com seu soldado mais confiável, Shotgun Mary, até o final do episódio. Em vez disso, vemos Ava ir no embalo dos jovens grifters de quem se tornou amiga ou pegar Molly e seguir a névoa vermelha mais uma vez. Esse ritmo lento leva a uma história desconexa até metade da primeira temporada, só então sabemos que está indo a algum lugar, e isso nos obriga a decidir: queremos pegar essa carona e continuar ou não? – pelo menos eu apenas queria ver Ava e as freiras lutando. Mas posso dizer que, eventualmente, a série chega lá e nos surpreende positivamente. 

Warrior Nun termina com um estrondo também, em um final repleto de reviravoltas na trama, onde algumas das surpresas realmente funcionam e são intrigantes. Pode não quebrar o molde quando se trata de aventura sobrenatural, mas conta muito bem a inesperada história da "escolhida" e é muito bem interpretada pela líder Alba Baptista em seu primeiro papel na língua inglesa. A trama é um pouco reciclada aqui, mas a camaradagem entre os membros do OCS é magnífica. Os locais são maravilhosos e bonitos, e adicionam uma textura espetacular do Velho Mundo ao processo. E as cenas de luta são excelentes. Cada freira tem seu próprio estilo de combate, algumas mais simples e outras mais amplas. O contraste é incrivelmente bem feito, assim como todas as performances. Então, posso dizer que definitivamente vale a pena dar uma olhada nesta série, mesmo com algumas falhas. Para os fãs de Buffy the Vampire Slayer e Supernatural, com certeza funcionará, “Seja nesta vida ou na próxima".

Criador: Simon Barry
País de origem: Espanha 
Distribuição: NETFLIX 
Temporadas: 1
TARDIS de Quinta. O título faz referência à “TARDIS”, cabine telefônica e nave do Doutor na série Doctor Who. Nada mais justo do que uma junção de uma série clássica e aclamadíssima para nossas tardes aqui indicando séries que gostamos, não é mesmo?! 
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Resenha: Filho da noite

Por Naty Araújo •
05 agosto 2020

Existem leituras que não são pra gente mesmo, seja porque não estamos num momento bom ou simplesmente porque algumas coisas durante o livro não se encaixam com as nossas convicções. Sempre primo por dar chances, por isso que sempre digo para vocês que, independente da nossa opinião, a leitura é sempre válida. Certo?

Estava curiosa para ler esse livro, primeiro porque é de um ator, Antonio Calloni, segundo porque a sinopse é um tanto quanto reflexiva e eu adoro coisas assim. Mas, como eu disse, existem coisas aqui que vai contra os meus pensamentos – e está tudo bem até aí, a gente respeita e aceita. Vamos deixar de delongas e falar sobre o que se trata o livro.

Em muitas partes, temos a história se passando num antigo casarão, seu dono é Agenor e ele carrega consigo um passado estranho. O segredo, o casarão, as mãos sujas de culpa e nenhum arrependimento. Sua narrativa tem elementos de terror psicológico – é o que menciona a sinopse, e não está errada, claramente. É um misto de suspense com terror que nos deixa intrigados. Não há muito o que falar sobre o livro, justamente para que haja surpresas durante a leitura. E a sinopse também é sucinta nesse aspecto. 


Quem é esse Filho da noite? E a sinopse já nos joga de bandeja dizendo que talvez possa ser um cara sombrio, vulgar, lírico, erótico, engraçado, romântico. Sim, vários adjetivos para descrever talvez o autor, talvez o personagem... Ou talvez o autor seja o personagem, afinal, é muito narcisismo num livro só. A imagem do autor está duas vezes na capa e em muitos finais de capítulos, além das duas partes em que a obra é dividida. Não vou considerar a orelha que tem a foto dele informando quem ele é, até por questões óbvias. Porém, o que me incomodou foi esse excesso do mito grego durante a leitura. E você vai justificar dizendo que é porque ele é famoso e que foi colocado para chamar a atenção... Bom, existem muitos livros famosos e não precisaram disso, né? E ainda que colocasse, pelo menos que fosse apenas na capa e não ao final de cada capítulo para acentuar a minha indignação. 

Eu gosto muito de obras líricas, aquele tom poético durante a narrativa é gostoso de ler e encantador. Todavia, acho que me fechei um pouco na história por conta disso. Sei que não deveria deixar me levar, mas algumas coisas são difíceis de evitar, não é mesmo?

A narrativa é gostosa, em alguns momentos, mas há partes em que o machismo predomina e isso talvez possa incomodar. Não me incomodo com gatilhos, quando eles estão ali por alguma razão. 


Como eu disse, friso, a leitura não foi uma experiência legal para mim por conta desses motivos, ainda que tivesse muitos elementos para me agradar. Contudo, pode ser que com você a experiência seja diferente e agradável. Dê uma chance e as coisas podem ser melhores no seu ponto de vista.

Título: Filho da noite (exemplar cedido pela editora)
Autor: Antonio Calloni
Editora: Valentina
Páginas: 160
Ano: 2020
Compre: aqui
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Resenha: O Rei das Cinzas

Por Fabio Pedreira •
03 agosto 2020

Vingança a longo prazo
Durante muito tempo Têmbria era governada por cinco grandes reinos. Isso durou até que o Rei Steveren Langene fosse traído e morto por Lodavico Sentarzi. No meio da guerra que culminou com a morte de Steveren e sua familia, estava Daylon Durmarch, o barão de Marquensas e grande amigo de Languene. O fato interessante era que apesar da amizade dos dois, Daylon foi pego de surpresa nessa empreitada, não deixando alternativa a não ser marchar a favor de Lodavico e se juntar às tropas traidoras.

Mas uma oportunidade de vingar a morte do amigo aparece. Reza a lenda que quando o último dos Jubardentes fosse morto o mundo iria acabar. Como isso não aconteceu, talvez exista ainda um descendente vivo. Isso se prova verdade quando, após a batalha, um bebê é deixado na tenda de Daylon, e, sem saber, o que fazer ele o envia para uma nação secreta, onde jovens são treinados para se tornarem os melhores assassinos do mundo. Porém, Daylon tem uma condição… ao se tornar adulto, o jovem deve retornar e se apresentar pra ele.

Se você acha que isso é spoiler, fique tranquilo porque é só o prólogo do livro. O rei das cinzas é o primeiro volume da trilogia da saga dos Jubardentes. E logo após todos esses eventos vamos conhecer os reais protagonistas da história, Hatu e Declan.

Hatu é o bebê encontrado. Apesar dele não saber, nós sabemos porque é bem óbvio e não tem segredo nenhum nisso aí. Como o livro é dividido em capítulos com pontos de vista, nos capítulos de Hatu nós vamos conhecer mais sobre seus treinamentos e como funciona a nação secreta de assassinos, até que coisas aconteçam e mude seu destino. Já Declan é um jovem aprendiz de ferreiro que também tem sua vida virada de cabeça para baixo quando a pequena vila que ele mora é atacada por contrabandistas forçando assim ele e outros a fugir. Como seu mestre fez uma promessa no passado, Declan se vê de certa forma obrigado a cumpri-la.


A personalidade dos dois são bem opostas, enquanto Hatu tem sempre uma raiva crescente dentro dele, Declan é bem mais tranquilo e menos impulsivo. Porém, os dois tem qualidades que os tornam únicos. Claro que devido ao seu treinamento mais amplo, Hatu tem algumas habilidades extras e essa sua raiva é explicada em determinado momento do livro.

Aliás, como eu disse antes, esse é o primeiro livro de uma trilogia, então ele é muito mais introdutório. Não vá esperando um livro cheio de ação. Se você for com essa intenção é bem provável que se decepcione. Mas ao mesmo tempo não entenda errado, pois não é porque o livro não tenha muita ação que ele seja ruim, pelo contrário. O rei das cinzas é uma história muito envolvente e que tem um mundo muito bem criado, sendo uma alta fantasia de qualidade. Já li outro livro do autor (Mago: Aprendiz) e sei como ele constrói mundos muito bem.

Apesar desse detalhe, de talvez para alguns ele demorar um pouco de engrenar, eu digo que vale a pena insistir. Muita coisa interessante acontece, principalmente referente a Hatu. Um clímax na história vai sendo construído a ponto de deixar você bem intrigado para o que pode acontecer no próximo livro.

Outra coisa que me pegou de surpresa foi que apesar de eu ter achado inicialmente que não, o livro conta sim com um sistema de magia. Ela leva um pouquinho de tempo para ser introduzida mas acaba aparecendo eventualmente, não só ela como também a existência de outros seres que com certeza vão se expandir nos próximos volumes.

Recomendo essa fantasia para todos os fãs do gênero. Quem gosta pode ir sem arrependimento, mas como eu disse, quem está acostumado com uma leitura frenética, vá com calma. Tirando isso, acho que não vai se arrepender. E agora torcer para a Harper Collins lançar o segundo, que saiu lá nos EUA esse ano.
Título: O Rei das Cinzas
Autor: Raymond E. Feist
Tradução: Ana Cristina Rodrigues
Editora: Harper Collins
Páginas: 512
Ano: 2018
Compre: aqui
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Comentário premiado de agosto

Por Naty Araújo •
02 agosto 2020

Olá, leitores. Tudo bem? 

Antes de postar o resultado do top comentarista de julho, vou explicar como ficará a nova forma de sorteio. Sei que o Rafflecopter, durante muitos anos que usei, não é a melhor ferramenta para utilizarmos. Não vou julgá-lo, pois me quebrou um galho nesse período. Porém, tenho muito trabalho para apurar os resultados, além disso, algumas pessoas são novas por aqui e não têm facilidade de entender como funciona essa plataforma. 

Com isso, conversando com a minha equipe, decidimos mudar e espero que essa melhora seja para agradar a todos, porque não quero ter trabalho, claro, mas, principalmente, não quero que vocês também tenham dificuldades e quero otimizar o tempo de vocês o máximo que puder. 

O sorteio haverá todos os meses, mas não será mais “Top comentarista”. Portanto, a ideia que tivemos é o “Comentário premiado”. Para quem está aqui desde 2016 já sabe que essa ideia não é nada inovadora, já que utilizamos em alguns meses especiais juntamente com o top comentarista. No entanto, agora, ele será o centro das atenções e a partir de hoje os sorteios mensais serão chamados de “Comentário premiado”. 

Vamos deixar de conversa e vou explicar como funciona já para iniciarmos o mês de agosto. Caso vocês não gostem, gostaria que me dessem um feedback, seja por aqui, por e-mail ou pelo meu IG, no direct (@natalia.araujo8). Mas é super importante ter esse retorno de vocês, porque estamos constantemente mudando para agradar e para facilitar a vida de todos. Combinado? E já agradeço por isso :).

Prêmio: "Os delírios de Natal de Becky Bloom", "Minha sombria Vanessa", "Filho da noite", "As quatro rainhas mortas", "Coragem" ou "A única memória de Flora Banks".

Regras: 
1 – Ter um endereço de entrega no Brasil (não necessariamente precisa residir, apenas ter um contato  de alguém que possa receber o prêmio); 

2 – Comentar que está participando dizendo qual livro deseja ganhar e informar o seu e-mail que entrará em contato conosco, caso seja o vencedor (fazemos isso para conferirmos e não haver fraudes); 

3 – Seguir o Blog em alguma plataforma, seja Instagram, Facebook ou qualquer outra rede social que tenha nos ícones no canto direito do site; 

4 – Comentar em alguma postagem do mês e deixar o nome (ou o link) no comentário abaixo. Atenção! O comentário deve ser numa postagem do mês atual, não vale meses anteriores. 

Obs: Não é necessário comentar em todas as postagens. Porém, quanto mais comentários vocês fizerem nas postagens do mês, mais entradas vocês terão aqui e mais chances terão de ganhar. Lembre-se de colocar os comentários separados, assim vocês ganham mais pontos. Não entendeu? Vou explicar melhor. 

A cada comentário, as chances aumentarão quando você postar aqui. Quando você qual livro deseja, deixe um comentário. Comentou na resenha? Então coloque o nome da resenha comentada aqui nesta postagem. Entenderam? Se no mês tivemos 20 postagens e você comentou em todas, você terá 20 entradas e mais a sua inscrição. Ou seja, será bem maior do que aquela pessoa que apenas comentou em 5 postagens. 

Ao final, será sorteado um número referente a quantidade de comentários na postagem, o número escolhido será o vencedor. Lembrando que comentários com dúvidas ou coisas não relacionadas às chances (obrigatórias e extras) não serão consideradas. 

Exemplos: 
O que vale: comentários do mês atual, resenhas, colunas, desde que sejam coerentes e que digam respeito ao conteúdo. Comentários genéricos não serão válidos, emoticons. O Blog repugna qualquer tipo de plágio. Portanto, não copiem comentários dos amigos, avaliações do Skoob, da Amazon. Caso aconteça, será imediatamente desclassificado e não poderá participar dos próximos sorteios. Além disso, faremos uma nota de repúdio em nossas redes sociais informando essa atitude. Já aconteceu com vários Blogs e nós fazemos campanha para que isso não volte a acontecer. 

Até quando: os comentários serão aceitos até dia 31 de agosto de 2020, às 23h59, e o resultado sairá junto com o “Comentário premiado” do mês seguinte. O vencedor deverá entrar em contato com o Blog até 48h posterior à data do resultado através do e-mail natalia.araujo@live.com 

Lembrando que: este sorteio é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita. 

Envio: o prêmio será enviado em até 40 dias pelo Blog. Porém, caso seja enviado pela editora, esse prazo poderá ser estendido.

Dúvidas? É só perguntar. 

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RESULTADO DO TOP COMENTARISTA DE JUNHO

Fiquem atentos porque o resultado do Top comentarista já saiu. Confiram aqui.

O vencedor precisa enviar um e-mail para natalia.araujo@live.com com seus dados em até 48h. Lembrando que pedimos para nos informar o e-mail para checar o endereço e evitar que outra pessoa se passe pelo ganhador.
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Quotes de julho

Por Naty Araújo •
31 julho 2020

Olá, leitores. Como foram as suas leituras no mês de julho? Hoje trouxemos alguns quotes para vocês. Esperamos que gostem.

Giovanna
“Um homem pode desejar algo por alguns instantes, mas uma grande parte dele rejeita esse desejo. Você deve aprender a julgar as pessoas por seus atos, não por seus pensamentos” (WECKER, Helene. Golem e o Gênio, p. 55).


Luana
“Lilith pode ajudar as mulheres a lembrar-se de que:
‘Houve um tempo em que não era uma escrava, lembra-te disso. Caminhavas sozinha, alegre, e banhavas-te com o ventre nu. Dizes que perdeste toda e qualquer lembrança disso, recorda-te... Dizes que não há palavras para descrevê-lo, dizes que isso não existe. Mas lembra-te. Faze um esforço e recorda-te. Ou, se não conseguires, inventa’” (KOLTUV, Barbara Black. O Livro de Lilith, p. 173).


Carol
“Eles vão se reerguer, pirralha. A vida é mais resiliente do que aparenta ser. O ser humano já esteve à beira da destruição antes, mas, de alguma forma, sempre nos reerguemos - disse Átila, bagunçando o cabelo da amiga.
Elise enxugou os olhos e abriu um sorriso.
- Vocês têm razão…
- É claro que temos - brincou Átila. - Ao invés de chorar, se esforce para que isso não volte a acontecer. Honre os que partiram com o seu serviço, não com sua pena” (LESSA, Jefferson. Cerberus, p. 268).


Fábio
“‘Não é conveniente”, Harry continuou, “que num mundo onde os homens ditam as regras a coisa mais desprezada seja a que representa a maior ameaça? Imagine se todas as mulheres solteiras do planeta exigissem alguma coisa em troca de seus corpos. Vocês seriam as donas do mundo. Um exército de pessoas comuns. Só homens como eu teriam alguma chance contra vocês. E isso é a última coisa que esses cretinos querem: um mundo comandado por gente como eu e você’” (REID, Taylor Jenkins. Os sete maridos de Evelyn Hugo, p. 178 e 179)


Marcos
“Antes porém que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário era menos mau. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. [...] Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros. Tão alheia cousa é não só da razão, mas da mesma natureza, que sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer” (VIEIRA, Antônio. Sermão de Santo Antônio aos Peixes. In: Padre Antônio Vieira – Essencial, p.289-90, e-book). 


Natalia
“Provavelmente abortar uma criança para Steve seria igual a abandoná-la, e ele jurava nunca fazer nada que se assemelhasse ao comportamento de seu pai para com sua família. Então Steve e Tabby decidiram encarar as dificuldades. Ainda que Steve nunca tivesse tido problema para encontrar motivação para escrever, agora ele tinha ainda mais incentivos. Escrever, para ele, seria a porta de saída de uma vida difícil” (ROGAK, Lisa. A Biografia - Coração Assombrado, p. 68).
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Resenha: Into the Void

Por Fabio Pedreira •
29 julho 2020

Em uma galáxia muito, muito distante
Desde pequena Lanoree Brock já tinha afinidade com a força. Filha de Jedis (leiam Jedáis), ela já parecia estar com o caminho traçado pelos templos de aprendizado de Tython - planeta onde a ordem foi fundada. Mas, ao contrário dela, seu irmão mais novo - Dal - repudia a força, achando que os Jedis acabam ficando reféns dela.

Mesmo assim os dois são enviados para começar seus treinamentos como Jedis e eles acabam passando por várias provações, que vão aprofundando mais e mais a relação de cada um com a força, seja ela de aceitação ou de exclusão. O que no fim pode acabar levando a um perigo mortal para o jovem Dal (não é spoiler).

Anos depois, já uma Ranger, Lanoree é convocada por sua antiga mestra Jedi - Dam-Powl para resolver uma situação de urgência. Um líder de um culto está manipulando objetos que fazem o uso de matéria escura com o intuito de abrir um suposto portal que possibilitaria viagens através do hiperespaço. O problema é que a matéria escura pode acabar consumindo não só Tython como também todos os planetas ao seu redor, e cabe a Lanoree rastrear e caçar esse sujeito pelo espaço.

Into the Void foi o primeiro livro do universo de Star Wars que li, e gostei bastante. Já vi os filmes - menos o último -, uma série ou outra, mas ainda não tinha lido nenhum dos seus livros. Felizmente, tive o prazer de encontrar uma leitura divertida e com uma vibe bem aventuresca, lembrando muito a sensação de ver alguns dos filmes.

Achei bem interessante notar que na época do livro os Jedis ainda não tinham os seus famosos sabres de luz, utilizando de espadas na hora de se defender, assim como as viagens espaciais, que apesar de existirem viagens entre planetas, elas não existiam - não para eles pelo menos - através das galáxias como estamos acostumados a ver nos filmes. Inclusive esse tipo de prática era vista com maus olhos, já que não se sabia o que poderia acontecer ao buscar um conhecimento sobre as origens dos seres que originalmente colonizaram Tython. Isso é interessante, já que vira e mexe Star Wars tem algum paralelo com com a religião, e isso de busca das origens e do desconhecido brinca muito com esse fato, deixando o leitor fazer as associações que entender.

Mas, deixando as metáforas de lado, o livro é bem divertido, trazendo uma trama cheia de aventura e de certa forma até meio clichê, com uma protagonista solitária que se junta a um outro personagem cujo passado revela ações que ele se arrepende e que hoje faz o bem buscando redenção. Não é realmente uma trama original, porém, a diferença toda está na execução.

Lanoree é uma excelente personagem e Tre Sana - personagem que se junta a ela - é aquele típico personagem que faz piadas nos filmes. A química dos dois é muito boa durante a jornada. O contrário acontece com Lanoree e Dal, seu irmão. Durante a narrativa o livro vai intercalando entre presente e passado, onde no passado temos os irmãos fazendo suas jornadas para o caminho Jedi. Não achei chato, mas algumas vezes eu cheguei a me perguntar o por que forçar o garoto a fazer uma jornada que ele claramente não queria, parecia meio que sem sentido, mas enfim.

Esse foi o principal ponto negativo na minha opinião, e um pouquinho do fato de que, apesar de ter ação, eu gostaria que tivesse um pouquinho mais. Para quem gosta de Star Wars e lê em inglês, fica aí a dica. Pra quem quer treinar também é uma boa, já que a linguagem aqui é bem tranquila. Recomendo a leitura e que a força esteja com você.


Título: Into the Void
Autor: Tim Lebbon
Editora: Del Rey Books
Páginas: 320
Ano: 2013
Compre: aqui
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Resenha: Filhos de Sangue e Osso

Por Je Vasques •
28 julho 2020

Filhos de Sangue e Osso era uma fantasia muito esperada por mim. Afinal, quantas fantasias vocês já leram onde o protagonista é negro? Aqui, todos os personagens são, e isso é a representatividade no mais alto nível que eu, pessoa negra acostumada a não me ver em nenhum lugar, sempre sonhou. 

Nessa história vamos acompanhar a Zélie, que vive em Orïsha, um lugar onde a magia já existiu forte e poderosa e onde os Maji tinham uma ligação forte com os deuses e seu poder imenso. Um dia a magia desapareceu e o rei usou isso a seu favor, fazendo um massacre conhecido como Ofensiva, onde todos os maji foram mortos, incluindo a mãe da Zélie. Anos depois, quando todos acham que a magia jamais voltará e quando o rei trata os divinais que sobraram com desprezo e ódio, Zélie conhece Amari, e tem a oportunidade de trazer a magia de volta.

Essa é uma história sobre raízes e ancestralidade, que pode ser transportada para nossa realidade com facilidade. A magia presente nesse livro não é parecida com nenhuma outra que li. Isso porque aqui ela é tratada como algo sagrado e, para funcionar, precisa existir uma ligação real com o Deus que lhe concede isso. Não é apenas um poder que nasce com você, é um poder dado a você por um Deus, em resposta a fé e ao amor que você deposita nele. Temos muitas passagens de Zélie tentando se conectar com os deuses, mais especificamente com a Oya, a divindade para qual ela pertence. Achei isso maravilhoso e sensível, e que condiz com a mitologia Iorubá, base dessa história. 


A autora teve a ideia para esse livro quando veio a Salvador e viu os Orixas pintados nas ruas. O livro é baseado no candomblé e dá um show de aprendizado sobre religiões de matriz africana, tão demonizadas por aqui. O mundo é grandioso e cheio de detalhes, quando Zélie sai em busca da magia, vemos isso mais claramente. Antes de serem exterminados pelo rei, os Maji eram queridos e poderosos, eram um povo completo. Eles tinham língua própria, costumes, comidas, comemorações, tudo próximos aos deuses e como marca de um povo e seu poder, com inúmeras tradições. Tudo isso foi apagado com a Ofensiva. É impossível não fazer um paralelo com a escravidão, onde todo conhecimento, religião e costumes de um povo foi apagado. Trazer isso de volta é reconhecer sua ancestralidade e o papel que seus antepassados tiveram. Isso é o que os povos marginalizados e escravizados buscam hoje em dia, e o que a Zélie busca no livro também.

Sem magia, eles nunca nos tratarão com respeito. Precisam saber que podemos revidar. Se eles queimam nossa casa, queimaremos a deles também. 

Confesso que esse seria um livro que eu não daria cinco estrelas se fosse qualquer outro, porque por mais que o mundo seja incrível, os personagens me irritaram bastante. O príncipe principalmente. Eu entendo o motivo dele ser assim, afinal, o ódio e o preconceito são aprendidos em casa, mas ele é insuportável. Fraco, indeciso, egoísta e incrivelmente bobo. Foi um personagem que detestei desde o princípio. O romance jamais deveria ter existido. Os personagens masculinos são ruins, na verdade, todo o meu amor vai para as mulheres. Sem a famosa e irritante rivalidade feminina, temos uma amizade que de fato acontece, é real, bem feita. As meninas são corajosas, determinadas, importantes demais para a história. Isso eu amei. 


Mas mesmo tendo essas pequenas irritações, não é o suficiente para tirar estrelas da minha nota, porque essa história é tudo que sempre quis ler. Mexeu profundamente comigo, e me levou além, me deixando feliz e realizada. Eu espero que mais livros assim sejam publicados, porque escritos eles já são. Que mais pessoas negras tenham a oportunidade de contar suas histórias, e que a gente consiga se ver cada vez nessas histórias. Quem acha que representatividade não é algo tão necessário, é porque sempre se viu representado. Nós não queremos a superioridade, apenas a igualdade. Quando livros como esse existirem aos montes como existem com protagonistas brancos, aí sim nós estaremos realizados. E um adendo especial ao Petê e sua tradução, pois como tradutor negro e conhecedor da religião Iorubá, as escolhas de tradução foram exemplares. 

Espero que deem uma chance para Zélie e para uma cultura e religião diferentes. E vejam meu vídeo de cinco motivos, onde falei um pouquinho mais sobre alguns detalhes do livro.
 


Título: Filhos de Sangue e Osso
Série: O Legado de Orïsha #1
Autor: Tomi Adeyemi
Tradutor: Petê Rissati
Editora: Rocco
Páginas: 550
Ano: 2018
Compre: aqui
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Resenha: O Livro do Cemitério

Por Caroline Ribeiro •
27 julho 2020

Um bebê escapa do berço enquanto sua família é dizimada por um homem chamado Jack. Esse bebê, deveras sortudo, acaba parando em um cemitério e lá encontra uma nova casa e uma nova família, mas não se engane, essas são só as primeiras páginas da história. Você nem pode imaginar as aventuras que Ninguém Owens com sua brilhante e esperta cabecinha se mete nas páginas dessa HQ...
“Era de conhecimento geral que havia uma bruxa enterrada no final do cemitério. Desde que Nin se entendia por gente, a Sra. Owens dizia para ele manter distância daquele canto do mundo.
- Por quê?”
Este primeiro volume de O Livro do Cemitério é dividido em cinco capítulos (mais o Interlúdio) e a cada capítulo temos Nin em uma idade mais avançada de sua juventude. Foi fofo demais acompanhar a evolução dele, por vezes queria colocá-lo num potinho! Fazia bastante tempo que não me apegava tanto a um personagem, ainda mais de HQ que, via de regra, as coisas passam mais rápido e não são tão explicadas.

Nin com sua inocência de criança sempre, ênfase no sempre, se mete em encrencas e, da mesma forma, é super inteligente pra sair delas. Ele não titubeia em corajosamente enfrentar a situação e dar um jeito de se safar. Seus questionamentos e intuitos tão simples e ausentes de maldade o tornam um personagem memorável.


O início da história é tão dolorosa. Acho que esse foi o principal requisito pra ter me apaixonado tanto pelo personagem. Ele teve um início tão triste, mas ainda assim consegue ser gracioso e inteligente, além de não usar em momento algum a falta de uma “vida normal” como desculpa.

A cada capítulo também conhecemos um novo personagem que acompanha o principal em suas aventuras. Personagens esses que são muito carismáticos (até mesmo a tia ranzinza) e trazem novos aprendizados para a peculiar realidade de Ninguém Owens.

Silas também é um personagem fenomenal. Achei que os pais teriam uma participação mais ativa na criação de Nin e na história como um todo, no entanto, eles sempre “passavam a bola” para o Silas. O que de certa forma é compreensível, já que ele era mais capacitado para auxiliar uma criança em crescimento com suas infinitas perguntas.

Diferentes ilustradores trabalharam nessa HQ. A cada capítulo temos um diferente ilustrador e em um dos capítulos temos dois ilustradores trabalhando em conjunto. Quanto a esse último caso, assumo que fiquei com receio quando notei que eram dois, pois pensei que não daria certo essa mistura, no entanto, digamos que a narrativa sofra uma mudança de realidade no decorrer do capítulo e, nesse caso, a mudança do traço funciona super bem. E, sobre as ilustrações no geral, elas seguem um mesmo padrão para os personagens então, se a pessoa não está prestando tanta atenção, talvez nem note que algo mudou.


Não posso dar palpite quanto a qualidade da adaptação de P. Craig Russell já que não li o livro (o que será resolvido em breve), mas posso dizer que independente da verossimilhança, o resultado foi lindo, inteligente e levemente gótico.

Esse primeiro volume termina de uma forma relativamente fechada, todavia, certamente quero saber mais sobre as façanhas do Nin. E temos também o detalhe do interlúdio: alguém me explica aquilo, por favor?!
“Eram nove horas da manhã, quando todo o mundo está dormindo. Nin estava decidido a ficar acordado. Afinal, tinha uma missão. Tinha oito anos e o mundo para além do cemitério não lhe provocava terrores.”
Por fim, ressalto que muitas emoções percorrem essas páginas e deixo a HQ O Livro do Cemitério mais do que recomendada!


Título: O Livro do Cemitério - vol. 1
Autor: Neil Gaiman
Adaptação: P. Craig Russell
Tradutora: Ryta Vinagre
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 192
Ano: 2017
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