TARDIS DE QUINTA: Resenha DARK

Por Giovanna Prates •
09 julho 2020
Oi, oi, meu povo! Bem vindos ao TARDIS de Quinta! Esta é uma coluna criada especialmente para os cinéfilos e maratonistas de série de plantão. O título faz referência à “TARDIS”, cabine telefônica e nave do Doutor na série Doctor Who. Nada mais justo do que uma junção de uma série clássica e aclamadíssima para nossas tardes aqui indicando séries que gostamos, não é mesmo?! Então, preparem a pipoca porque a nossa sessão começa nas tardes da sua quinta-feira!
Se você está procurando uma série super séria, cheia de conspirações, mistérios, metáforas, paradoxos, viagem no tempo, reflexões, metáforas bíblicas e que proporciona AQUELE desgraçamento mental, então, os seus tempos de procura acabaram, porque lhes apresento: DARK.

Com certeza você já deve ter ouvido esse nome por aí...(ou não?) Bom, independentemente se você está a par dos mais assistidos da Netflix ou não, agora te darei alguns bons motivos para assistir essa série alemã extraordinária. Tudo começa na cidade de Winden (fictícia), na Alemanha. Uma cidade pequena, onde o seu filho é amigo daquela sua amiga de infância porque você cresceu e ficou por aqui, onde todo mundo se conhece, sabe? Onde todos têm seus segredos... e com um garoto desaparecido bem no perímetro de uma usina nuclear cheia de segredos, juntamente com ocorrências misteriosas que sugerem a existência de mais de uma realidade. Stranger Things? Oi? Não, não é Stranger Things...ou talvez seja, mas no estilo alemão.

Dark mistura uma variedade de gêneros e se destaca em cada um deles, começando como um mistério de assassinato com o tipo de atmosfera que se assemelha a um drama policial sombrio, e nos introduz rapidamente para a ficção científica e, além disso, também é uma história incrivelmente profunda e lotada de tradições, sendo essa a extensão e os detalhes que você talvez esperaria encontrar no gênero fantasia. No entanto, os temas aqui são sérios e fundamentados na realidade, baseando-se em muita teoria científica e em textos históricos e religiosos. Para mim, os assuntos e o cenário apresentados no programa alcançam o que eu acredito ser um equilíbrio quase perfeito de ser simultaneamente extraordinário o suficiente para ser extremamente emocionante de assistir e, ainda assim, apresentado em uma realidade viável o suficiente para ser crível. Realidade essa que, quando combinada, faz tudo isso ser ainda mais instigante para o espectador, e é por essas mesmas razões que você se encontrará mergulhado profundamente em tópicos relacionados ao assunto, vasculhando fóruns de teorias e revendo cenas ou episódios inteiros para aprender um pouco mais sobre os mistérios ao redor do mundo, – se vocês são iguais a mim, farão até um caderninho para anotar tudo, já que tudo está interligado – mostrando e encontrando as pistas que desvendarão as verdades e os segredos por trás da curiosa cidade de Winden.


Essa é 100% uma série para os espectadores que gostam de ser desafiados a pensar e refletir, para aqueles que gostam de sair depois de cada episódio com mais perguntas e pesquisas para fazer a cada episódio, muito mais perguntas do que respostas, inclusive, e ao fazê-lo, se tornam ainda mais envolvidos nos mistérios internos do “Darkverso”. Posso dizer, com certeza, que não tem como não dar um “replay” enquanto estiver assistindo, pois você certamente notará coisas que não capturou pela primeira vez e conectará muito mais pontos que talvez não tenham, originalmente, dado a devida atenção. Detalhes que são surpreendentes de diversas maneiras - visualmente, musicalmente, tematicamente e teoricamente -, as tocas de coelho são infinitas e devo confessar que não há outra série como essa. 

É sem dúvida uma das séries mais emocionantes, interessantes e instigantes que eu já tive o prazer de assistir, todos os membros do elenco são ótimos, com performances convincentes por toda parte, fiquei especialmente impressionada com alguns dos membros mais jovens do elenco. O processo de elenco em si foi claramente algo em que os criadores da série deram muita importância. Você só precisa assistir a primeira temporada e verá uma infinidade de razões pelas quais deve continuar - e digo isso conscientemente e com grande apreço pelos resultados, além da cinematografia magnífica por toda parte, e certamente, a introdução em si vale uma menção por isso, entre outras razões.

Os elementos de ficção científica de Dark ressoam bastante devido ao fato de que a série reflete, cuidadosamente o quão psicologicamente as cicatrizes e os estrondos passam por essa experiência. Não é apenas um truque de contar histórias para que alguém conheça, mas sim, há um pensamento sobre o que a desesperança de mudar um presente sombrio faz com todos que estão no caminho. Algumas dessas montagens, entoando a natureza maleável do tempo enquanto examinam a parede literal de evidências que unem todos esses personagens, tendem sim, a se tornar repetitivas, mas pelo menos não são teorias vazias.


E quando se trata do início da sequência de introdução, vemos algumas cenas escolhidas a dedo do programa que foram combinadas e processadas com (até onde eu sei) algum tipo de efeito de espelho, ao mesmo tempo em que repetimos em várias direções e ângulos diferentes, fornecendo um visual mesmerizo e caleidoscópico durante todo o tempo, ao mesmo tempo acompanhado por uma das mais belas e, ainda sim, tristes peças de música que eu já ouvi usar para apresentar uma série ou filme de TV. Isso, por si só, define o tom e de alguma forma replica o tipo de emoções contrastantes e confusas que experimentei durante o tempo que assisti a série, e, em vez de pular a introdução, como faria com a maioria das outras séries, eu sempre aprecio assistir à introdução de Dark, porque, como a própria série, ela consegue atingir os mesmos padrões de alta qualidade e criatividade engenhosa que a diferenciam da concorrência. 

Enfim, Dark é um universo complexo, que provoca nossa inteligência, mantém nossa fascinação viva a cada episódio trazendo constantemente novos elementos que enriquecem e alargam a trama, sempre com um um cliffhanger maravilhoso que nos deixa ansiosos pelo próximo episódio, e por tudo isso, sinto que Dark merece 10 estrelas raras de mim. Nenhuma série pode alcançar a perfeição, mas para mim, neste momento, é o mais próximo possível.

Criadores: Baran bo Odar e Jantje Friese
País de origem: Alemanha 
Produtor(es) executivo(s): Baran bo Odar, Jantje Friese, Quirin Berg, Max Wiedemann, Justyna Müsch
Distribuição: NETFLIX 
Temporadas: 3 
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