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Resenha: Uma surpresa na primavera

Por Cristina Golombieski •
27 janeiro 2020

Sinopse: 
Em Uma surpresa na primavera, Lucy Shakespeare é uma advogada de sucesso e, além de ser a mais velha das quatro irmãs, está acostumada a controlar tudo e todos ao seu redor, principalmente a si mesma – isto é, até conhecer o lindo Lachlan MacLeish. Lachlan contratou Lucy porque ele precisava da melhor advogada para defender sua herança, a propriedade de Glencarraig, que está subitamente em risco graças ao meio-irmão desonesto.

Glencarraig é o único lugar onde as lembranças da família de Lachlan são felizes, e ele não vai desistir disso tão facilmente. No meio de todo esse problema, a última coisa que ele quer é uma distração, mas, assim que vê Lucy, percebe que está em apuros. Apesar do esforço de ambos, não demora muito para que Lucy deseje quebrar todas as suas minuciosas regras. E, enquanto viajam da Escócia para Paris e Nova York, ela não pode deixar de se perguntar: Será que, às vezes, vale a pena arriscar tudo? 
“Aprendi com meu pai que a melhor época para começar qualquer coisa é agora. Se esperarmos que as estrelas se alinhem e tudo mais seja perfeito, vamos esperar para sempre.”
Uma surpresa na primavera é o terceiro volume da série As irmãs Shakespeare e se tornou meu favorito. Nessa história, a protagonista é a irmã mais velha e me identifiquei muito com ela no quesito “proteção” com as caçulas.


Lucy Shakespeare desde muito nova teve que assumir muitas responsabilidades, após a morte precoce de sua mãe. Ela se tornou a matriarca da família, criou e cuidou das irmãs caçulas praticamente sozinha, já que o luto para seu pai foi algo que ele nunca superou. Em consequência disso, Lucy se tornou uma profissional determinada, responsável e workaholic.

Além de ser uma excelente advogada, nossa protagonista toma para si outras responsabilidades: cuidar do pai e das irmãs, após todos esses anos, mesmo sabendo que suas irmãs já são adultas, é difícil desapegar. Eu particularmente compreendo, pois sou a irmã mais velha de 4 irmãos e sempre cuidei deles, como se fossem meus filhos, para mim eles serão eternos bebês.

Entre o foco no trabalho e proteção familiar, praticamente não sobra tempo para Lucy se relacionar com alguém. Até que quando menos se espera, tudo muda. Lucy foi contratada para defender os direitos da herança de Lachlan maravilhoso MacLeish.

Ele também é um workaholic e desde muito cedo teve que batalhar para ter sucesso profissional, ao contrário de seu meio-irmão que sempre teve tudo de mão beijada. Vencer esse processo é extremamente importante para ele. O que mais gostei nesse personagem é que ele é direto, não faz joguinhos (tô cansada de joguinhos haha) e deixa claro seus sentimentos, durante toda a história.


No início o relacionamento é 90% profissional (existiu uma atração desde o primeiro olhar, até que Lachlan a convida para viajar (a trabalho) para as terras onde existe a disputa na herança e lá, querido leitores, pega fogo cabaré (risos). Um lugar paradisíaco + isolamento + atração. Nem preciso dizer que eles acabam se envolvendo, né?

A questão que ronda a cabeça de Lucy, após esse ocorrido é: Lachlan é seu cliente, sua carreira está ponto de deslanchar, a atração que sente por ele é surreal, e agora? Deixar a acontecer e arriscar tudo ou parar enquanto ainda dá tempo? SOCORRO!

O que eu mais gostei desse livro: a história trouxe mais do passado das irmãs, revelando segredos ocultos que nos ajudam a preencher algumas lacunas existentes nos livros anteriores. O tema “Alzheimer” também é citado de uma forma bem sutil. Resumindo, esse livro é muito mais que um simples romance.
“Ela me disse que a laca de ouro era como uma cicatriz, que deveríamos usar nossas cicatrizes com orgulho, porque elas provam a todos que somos sobreviventes.”
Uma história profunda, com temas importante sendo abordados, com protagonistas reais e repleto de lindos cenários. Tá esperando o que para ler?

Sobre a edição: A capa é bonita, mas não é uma das minhas favoritas.


Título: Um surpresa na primavera (exemplar cedido pela editora)
Autora: Carrie Elks
Editora: Verus Editora
Páginas: 308
Ano: 2019
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Resenha: Uma sombra do passado

Por Naty Araújo •
25 janeiro 2020

Tinha lido apenas um livro da Nora, que escreve romance e suspense com esse nome e também escreve sob o pseudônimo J. D. Robb no gênero romances policiais. A autora não é pouca coisa, já publicou mais de 160 romances, a maior parte no gênero suspense romântico, traduzidos para 25 idiomas e editados em todo o mundo. 

Ao ler este segundo livro pude perceber que Nora tem uma habilidade incrível para escrever narrativas de suspense misturando emoções reais, palpáveis. São obras que me transmitiram realidade, não é nada fantasioso e nem aquele romance romântico que estamos acostumados a ver em filmes ou livros melosos. Temos a desgraça, temos até mesmo o final feliz, em alguns casos; mas também temos a verdade estampada, que nem sempre estamos preparados.


Não estou dizendo que você encontrará isso aqui. São coisas distintas. São sensações que ela conseguiu me passar apenas com dois livros que tive o prazer de conhecer. Em alguns momentos me lembrou muito o Sidney Sheldon. E, caro leitor, considerem isso como um baita elogio. Mas vamos à história…

Fiona Bristow foi a única vítima que conseguiu fugir das garras do assassino da echarpe vermelha, o serial killer que matou seu noivo e seu cachorro. Após essa carga emocional vivida, ela decide reconstruir a sua vida em uma ilha no noroeste do Pacífico. Desde então, Fiona passa a trabalhar como adestradora de cães.

Como tinha de ter, surge um homem na vida dela, Simon Doyle, e seu rebelde cão. Ela passa a ensiná-lo como educar o cachorro e, concomitantemente, novos assassinatos começam a acontecer. É claro que isso assusta Fiona, principalmente as pessoas que estão ao seu redor, cuidando dela e zelando pela sua segurança. Mas há algo estranho, pois o serial killer está preso, então temos um imitador às soltas.


Esse é o ponto que mais achei que me prendeu do início ao fim. Não acredito que a autora precisasse de 462 páginas para contar essa história, poderia ter tirado pelo menos ter diminuído para 350 e estaria tudo bem. Porém, a forma que ela desenvolve e que narra a história nos deixam atônitos.

Temos cenas previsíveis, como já era de se imaginar. Todavia, existem outras que tiram nosso fôlego e acredito que valha a pena o excesso de páginas para conhecer a escrita da Nora.



Título: Uma sombra do passado (exemplar cedido pela editora)
Autora: Nora Roberts
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 462
Ano: 2019
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Resenha: Pulso forte

Por Fernanda Santana •
24 janeiro 2020

Hoje é dia de mais uma resenha linda dessa autora que é dona do meu coração: Lauren Blakely! Quem me acompanha desde o início, aqui no blog, sabe o quanto eu amo essa série e a escrita da autora! 

Pulso Forte é o 5º livro da série Big Rock e eu estava aguardando ansiosamente por essa leitura. Aqui temos a história de Max e Henley. Max é irmão de Chase (Pacote Completo) e por mais que tenha uma curta participação nesse livro, é aqui que conhecemos o lado irresistível do mecânico. 

Como todos os livros da autora, este gira em torno de um clichê e dessa vez a pedida é inimigos que se odeiam... Ou não?? 

Max e Henley são rivais no trabalho. Ele tem sua própria oficina de carros e Henley está fortalecendo seu nome no mercado. Porém... (Sempre tem um porém para estragar tudo, certo?) Henley é uma antiga aprendiz de Max que não aceitou muito bem sua demissão e por isso ela volta com sangue nos olhos para destruir o seu rival.


E eis que surge um desafio para esses dois nada pombinhos: trabalharem juntos em um reality show. Aquele lance de proximidade que acaba se transformando em algo mais, sabem? Pois é... Mas a aproximação desses dois é altamente explosiva. 

Como todos os livros dela, aqui não poderia ser diferente, então temos cenas picantes escritas maravilhosamente bem. O livro também é narrado apenas pelo Max (eu amo esse detalhe de toda a série!). E... Claro, aquela mensagem que ela deixa ao final de cada livro. 

É clichê? Sim! Mas quando falamos em Lauren Blakely nunca é apenas um clichê. É um livro sobre batalhar para conseguir realizar os seus sonhos. Sobre lutar e nunca desistir. É sobre persistir. Sobre o quanto uma mulher sofre em um mercado profissional extremamente machista e por todas as vezes que lutou para chegar até ali. Sobre quantas vezes chorou em silêncio e se escondeu por trás de um batom vermelho. Sobre acreditar em si mesmo quando tudo parece dar errado. Sobre encarar os desafios de peito aberto e cabeça erguida.


Preciso falar o quanto amo os livros dela? É... Acho que não. Pulso Forte ainda não é o meu favorito da série, pois Bem Safado ocupa um lugar especial no pódio, mas certamente é um livro incrível que merece ser lido. Não se deixem enganar pelas capas irresistíveis, as histórias da Lauren vão muito além disso. 

E você? Acredita em si mesmo? Na sua capacidade? Luta e batalha até conseguir? 

Sobre a edição: Nem preciso dizer o quanto a Faro arrasa nas edições. Pulso forte não seria diferente. Capa linda e diagramação impecável. Sou apaixonada por essa coleção!


Título: Pulso Forte (exemplar cedido pela editora)
Autora: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Páginas: 224
Ano: 2019
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Resenha: O fim da eternidade

Por Fabio Pedreira •
22 janeiro 2020

A eternidade (sinopse)
O técnico Andrew Harlan é responsável por fazer pequenas modificações na história durante suas viagens no tempo. Por menores que sejam - tirar um objeto do lugar, interromper uma conversa -, cada uma dessas mudanças altera a vida de milhares de pessoas, evitando até catástrofes séculos à frente. Em uma de suas missões, conhece Noÿs Lambent, uma mulher que abala suas convicções e o faz questionar as regras do próprio trabalho, podendo colocar em risco o rumo da humanidade.

Livre arbítrio
Andrew Harlan é um técnico. Ele trabalha na Eternidade, um local além do tempo, é como se fosse um local onde eles podem ver como a realidade se desenvolve, como o mundo vai se desenvolvendo. E se algum problema na realidade é detectado cabe ao técnico corrigir.

O técnico tem o poder de transformar a realidade movendo apenas um objeto de lugar. Mas não é nenhum poder sobrenatural e sim como se fosse o famoso efeito borboleta, onde diz que se uma borboleta bate asas no Brasil, ela é capaz de provocar tempestades do outro lado do mundo. Então o poder de Harlan vem do estudo e observação.

Para se tornar um técnico é preciso passar por 4 fases, a de tempista, onde você é recrutado de um período do tempo especifico, depois passa a ser aprendiz, observador e aí sim passa a ser um especialista. Os técnicos devem estudar sobre os séculos e avaliar bem a mudança que quer fazer para conseguir a mínima mudança possível.


É por isso que os técnicos devem ser sem emoções, imparciais, e são constantemente evitados, pois acabam mudando realidades que outras pessoas gostariam de experimentar. E Harlan segue tudo isso à risca, ou quase, pois certo dia ele conhece Noÿs Lambent, uma tempista no qual ele é obrigado a fazer um trabalho de observação.

Um técnico é proibido de ter filhos ou esposas, mas não quer dizer que não possa ter namoradas ou relações. Mas, para isso acontecer, ele deve pedir permissão e esperar a observação para saber se quando aquela pessoa for tirada da realidade não existirá uma mudança de realidade que afete bruscamente os outros séculos.

Porém, Harlan não quer esperar. Ele quer Noÿs para ele e a garota o quer, e com isso ele arrisca o próprio fim da eternidade levando com ele a garota que ele ama. É aí que está o plot principal do livro, entretanto, ele tem muito mais que isso.

O livro já começa um pouco avançado, confirmando que Harlan cometeu um crime grave e no decorrer da obra vamos encaixando as peças sobre o que aconteceu e entendendo como tudo ali funciona, a eternidade, as viagens através dos séculos, o que são os séculos ocultos (que são os séculos além do 100 mil) ou os séculos primitivos (os antes da eternidade).


Todas essas explicações não são difíceis de entender, então, quem não gosta de Sci-Fi por achar complicado não tem porque se preocupar. Porém, recomendo ler sem pressa para entender tudo direitinho. E é incrível como o autor tem uma linguagem simples e atrativa.

A história é muito interessante. Ela brinca com a questão do livre arbítrio e vira e mexe joga teorias para explicar até que ponto mudar a realidade pode ou não afetar a raça humana e suas consequências. Isso tudo é feito em meio a vários plot twists espalhados ao longo da trama. Vira e mexe tem alguma reviravolta na história, as maiores sendo deixadas para o final obviamente.

Se teve uma coisa só que não gostei no livro foi o comportamento do Harlan em alguns momentos mais próximo do final do livro. Muitas vezes suas ações, por mais que fossem regidas pela emoção em vez da racionalidade, foram muito burras. Talvez tenha sido uma tentativa do autor de querer dar um nó na cabeça do leitor em deixar sem saber quem estava falando a verdade ou mentindo. Mas eu achei mais irritante do que intrigante.

Ainda assim isso não tira o brilho da obra e garanto que é um bom livro tanto para quem já gosta de ficção científica como para quem quer iniciar ou arriscar. É um livro excelente e reflexivo. Foi minha estreia com o Isaac Asimov e espero ler muito mais. Abraços eternos e até a próxima.


Título: O fim da eternidade (exemplar cedido pela editora)
Autor: Isaac Asimov
Editora: Aleph
Páginas: 256
Ano: 2019 (ano original 1955)
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Resenha: Amor sob encomenda

Por Cristina Golombieski •
20 janeiro 2020

Amor sob encomenda era um livro super desejado por mim, já que eu amo os livros anteriores dessa série. A ansiedade foi tanta que eu devorei 546 páginas em 2 dias. 

Melissa Gouvêa gosta de ter tudo sob controle, profissão, relacionamento, etc. Até que um belo dia ela tem sua vida virada do avesso ao descobrir que seu até então namorado está noivo de outra mulher. Após esse trágico acontecimento, nossa protagonista se mantém focada no trabalho para esquecer de vez essa tragédia. O que ela não esperava é que as coisas pudessem piorar ainda mais.

Além de ter sua vida amorosa devastada, sua carreira também corre perigo. Acontece que Melissa trabalha em uma empresa de eventos e é muito conhecida por organizar casamentos. Se você somou 1+1 acertou. Sim, a noiva do seu ex- namorado quer a qualquer custo que a Mel realize sua festa de casamento. LÁ VEM CONFUSÃO. Sim ou claro?
“O problema com a vida é que ela não se importa. Não faz diferença se a sua cabeça está totalmente fora do lugar, se seu mundo foi revirado, reduzido a pedaços ou pó, se o seu coração está capenga, tentando manter o ritmo das batidas, ou tão quebrado ao ponto de nem sequer arriscar. A vida não está nem aí; simplesmente segue em frente, e, se você não tentar acompanhá-la, ela te atropela com tudo.”

Nossa protagonista fica em um terrível dilema: conto a verdade para essa outra mulher que também foi enganada e corro o risco de perder meu emprego após perder essa oportunidade ou finjo que não conheço o noivo e produzo a melhor festa de casamento já vista? Sinceramente, eu me coloquei no lugar dela e até o final da leitura fiquei me questionando sobre qual teria sido minha decisão.

Em contrapartida, surge um outro personagem na história para abalar ainda mais o mundo de Mel. Nicolas (PERFEITO. MARAVILHOSO. QUERO PRA MIM) Cassani é um velho conhecido da nossa protagonista, que, para seu azar (e nossa sorte), reaparece em sua vida. 

Nicolas é primo dos irmãos Cassani (Max e Marcus) dos livros anteriores (leiam), um verdadeiro conquistador, galã e misterioso, que, por acaso, também é alguém que Melissa tem um certo ranço. Relação de cão e gato? Vemos por aqui!

Eu já disse que por obra do destino, Mel e Nicolas acabam tendo que dividir uma casa juntos? NÃO? Definitivamente, a autora não está de brincadeira nesse livro. Durante esse convívio diário, a visão que Melissa tem do Nicolas vai mudando pouco a pouco e uma paixão mútua começa a surgir.


O romance entre eles é bem construído e nos deixa com borboletas no estômago, torcendo em cada nova página para que dê certo e que eles fiquem juntos no final. Esse casal terá que quebrar muitas barreiras, para enfrentar tudo que está por vir.
“Ninguém muda ninguém. As pessoas são como são até que elas mesmas decidam fazer algo diferente. A motivação – se acontece – parte do indivíduo, e não de algum sentimento de dever, amor ou qualquer baboseira do gênero.”
Os personagens secundários têm bastante destaque e são extremamente importantes em todo o enredo. Vamos matar a saudade também de alguns personagens dos livros anteriores. Eu adoro quando a história não abrange apenas nos personagens principais.

A escrita da Carina é viciante, envolvente e sem defeitos. Como em outros livros, ela arrasou em todos os quesitos. Mas o ponto forte para mim foi o enredo, pois toda vez que eu achava saber o que estava por vir, ela ia lá e trazia uma grande reviravolta.

Uma grande lição nesse livro que reafirmou meu lema de vida é: recomeços fazem parte do ciclo da vida. Todas as coisas ruins que nos acontecem é para que melhores possa vir depois. E o propósito disso tudo é essencial para nosso crescimento, para nos tornamos alguém melhor.
“Existe algo de muito trágico em descobrir o que exatamente queremos da vida. Porque o destino, a própria vida, o carma, ou seja lá o que rege a nossa sorte, de alguma forma enlouquece e de um instante para o outro a razão do nosso desejo se torna a única coisa que jamais poderemos ter.”
Não é obrigatório ler os livros anteriores para conhecer essa história, mas dessa vez, eu aconselho vocês a lerem sim. Não que vá mudar algo especificamente desse livro, porém, conterá spoilers dos outros e principalmente porque os anteriores são maravilhosos também.

Sobre a edição: 
Meu único ponto negativo é que são muitas páginas, acredito que daria para ter uma linda história com um livro um pouco menor. Particularmente, foi difícil ler confortavelmente na minha situação atual (gestante).


Título: Amor sob encomenda (exemplar cedido pela editora)
Autora: Carina Rissi
Editora: Verus Editora
Páginas: 546
Ano: 2019
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Resenha: Sessão da meia-noite com Rayne e Delilah

Por Je Vasques •
17 janeiro 2020

Finalmente li Jeff Zentner. O autor de Juntos somos eternos está na minha lista faz bastante tempo, pelos incontatáveis elogios que são feitos a ele e a sua forma de escrever para os jovens. Sessão da meia-noite é seu novo livro, e conta a história da Josie e da Delia. Toda sexta à noite elas apresentam um programa de terror na TV local. Elas incorporam personagens e falam sobre filmes de terror clássicos e ruins. Delia é uma amante de filmes de terror, ela assistia com o pai, e mesmo quando ele foi embora, ela continuou assistindo. Já Josie, não gosta tanto assim de terror, mas uma coisa ela sabe: quer trabalhar na TV desde sempre, mas, para isso, provavelmente terá que sair da cidade e deixar Delia para trás.

Esse foi um livro divertido de se ler. As protagonistas são bem diferentes em questão de personalidades e de estrutura familiar. Delia tinha uma boa relação com o pai, ele era um grande cara na mente dela. Até o dia que ele foi embora, deixando ela e sua mãe sozinhas. Arrumar emprego é difícil, elas moram em um trailer, e a mãe dela faz o melhor que consegue. Delia não consegue entender e aceitar porque o pai foi embora, por mais que tente, essa é uma questão que ela precisa resolver. Gostei dessa parte, pois curto um drama. Como parar de pensar que a culpa do pai ter ido embora não é dela? Se eles tiveram tantos momentos bons, por que ele foi embora? Aqui temos uma jovem e uma mãe que lutam contra a depressão, apesar dessa parte ser apenas descrita e não aprofundada. Por causa dessa doença, elas tiveram muitos dias ruins e, por isso, Delia tem certeza que o pai foi embora por culpa dela.

Josie tem uma família fofa e estruturada. Sua mãe arranjou um estágio para ela em um programa de TV, mas ela não consegue se decidir se aceita ou não, e não se sente feliz em deixa Delia para trás. A personalidade dela é bem menos complicada, apesar de ela ter os medos clássicos do fim da adolescência; qual faculdade fazer, se namora ou não, e se a amizade feita no colegial vai durar para a vida toda. Coisa que, geralmente, costuma ser bem difícil. Ela se esforça para amar filmes de terror tanto quanto Delia, mas a amizade delas é o que realmente importa para ela, é só o que quer manter.

Os diálogos desse livro são um caso à parte. Delila e Josie tem uma forma muito peculiar para conversar. Os diálogos são bizarros, começam em uma coisa normal e de repente, estão se fazendo perguntas doidas. Principalmente Josie. Achei fofo o romance, apesar de ter achado rápido. E fiquei com muita raiva do final e do encontro que finalmente acontece. Mostra como assumimos culpas desnecessárias e como algumas pessoas são, simplesmente, péssimas e covardes.

Outro encontro que acontece é com um produtor famoso, e essa parte inteira é absurda. Eu não sei até que ponto as pessoas são inocentes, porque esse encontro é de uma inocência sem cabimento. Elas já têm 18 anos, mas tem umas atitudes bem estranhas que não acompanham a idade. Como primeiro contato com o autor, não fiquei muito impressionada, mesmo achando divertido. Gostei do drama, mas, tirando isso, achei um pouco cansativo. Mas amei demais o final, eu amo a mãe da Delia. E gostei da mensagem sobre família, sobre buscar seu sonhos, mesmo se isso significar deixar algumas coisas para trás.

Título: Sessão da meia-noite com Rayne e Delilah (exemplar cedido pela editora)
Autora: Jeff Zentner
Editora: Seguinte
Páginas: 408
Ano: 2019
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Resenha: Biblioteca H. P. Lovecraft

Por Fabio Pedreira •
16 janeiro 2020

Terror que veio do espaço (sinopse)
Com um estilo de escrita único, de vocabulário rebuscado e dicção inovadora, H. P. Lovecraft (1890-1937) elevou o horror a um patamar poucas vezes visto. Ao lado de Edgar Allan Poe, Lovecraft é considerado um dos principais nomes do gênero por autores como Neil Gaiman, Joyce Carol Oates e Stephen King devido à sua fusão insólita de elementos da fantasia e da ficção científica. Neste primeiro volume da coleção Biblioteca Lovecraft, traduzida e organizada por Guilherme da Silva Braga, o leitor encontrará contos clássicos como “Dagon”, “O chamado de Cthulhu” e “A sombra de Innsmouth”, entre outros.

O chamado de Cthulhu
Acredito que todo mundo já escutou falar de Lovecraft, seja leitor de terror ou não. H. P. Lovecraft foi um autor muito importante para a literatura com seu terror cósmico, ou seja, o terror que vem do desconhecido, de criaturas que vieram de outro mundo, sendo a mais famosa delas o Cthulhu, aquele bichinho verde de nome impronunciável e cheio de tentáculos na cara.

O autor escreveu vários contos e novelas, mas alguns deles seguem um determinado assunto. Existem os “comuns” digamos assim, os que se passam em sonhos e os cósmicos, onde as criaturas mais famosas dele habitam. É sobre esse último que esse livro vai retratar.


Composto de 10 contos, o livro traz as melhores histórias do horror cósmico. Apesar de seguir uma mesma vertente os contos são bem variados, o que não causa uma sensação de mais do mesmo. A única coisa que se repete talvez seja o fato de que geralmente é sempre um sujeito relatando uma história onde ele presenciou algo inexplicável para os olhos humanos, e todas elas ligadas as criaturas, mas ainda assim, com histórias bem diferentes e algumas com alguns plot twists bem interessantes.

Existe, porém, uma coisa que incomoda, e para quem já leu minhas resenhas de dois livros anteriores do autor sabe o que é. Trata-se do preconceito que o autor tinha, seja com negros ou com pessoas de outras nacionalidades. Antigamente alguns livros tiravam isso nas suas traduções, ou tentavam “amenizar” o caso. Nesse não sei se tentaram, mas em algumas partes é notável esse preconceito, principalmente no último conto, “A sombra sobre Innsmouth”, que apesar disso é um dos melhores contos.

Deve deixar de ler por causa disso? Acredito que não, mas vai de cada leitor, e obviamente não se pode também ignorar. No fim, é algo que incomoda, mas que não tira a importância de suas histórias. Se você quer uma resposta boa para esse dilema, recomendo que leiam A balada do Black Tom do Victor Lavalle, lançado pela Editora Morro Branco.


Mas, deixando isso de lado e analisando os contos, são todos muito bons. Se eu fosse leitor de primeira viagem do autor esse livro ganharia certamente 4,5 estrelas ou até 5. Mas como já conheço alguma coisa das 10 obras presentes, metade eu já conhecia, então não me deu aquela sensação de algo novo, apesar de que são contos muito bons. O ruim é que um dos que eu não conhecia fazem parte dos maiores contos presentes no livro e para mim foi também um dos mais tediosos, chamado “A sombra vinda do tempo”. Então foram 64 páginas que passaram bem lentamente.

Só que, felizmente, isso é bem compensado no restante e meu destaque vai para “O horror de Dunwich” e “A sombra de Innsmouth”. E para finalizar, digo que a edição é maravilhosa, capa dura, diagramação boa e tudo mais, digno de aplausos. Para os que querem se aventurar no autor é com certeza um excelente livro para começar, mas pra quem já é macaco velho talvez não encontre nada novo, e se entretenha apenas pela releitura e pela edição.


Título: Biblioteca H.P. Lovecraft (exemplar cedido pela editora)
Autora: H. P. Lovecraft
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 448
Ano: 2019
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Resenha: Vermelho, branco e sangue azul

Por Je Vasques •
15 janeiro 2020

Alex é filho da presidenta dos EUA. Eles estão no ano da reeleição, correndo para conseguir votos e fechar mais quatro anos. Ele acredita demais na mãe e no bem que ela pode fazer pelo país. Porém, ele é jovem, e nos seus vinte e um anos, às vezes, ele faz besteiras. Uma dessas besteiras acaba trazendo o príncipe Henry junto com ele, e então ele precisa conter os rumores que eles se odeiam, apesar de ser verdade, e passar mais tempo com o príncipe. Mas esse tempo acaba mostrando pra ele que Henry é muito diferente do que aparenta, e que talvez não seja ódio o que ele sente pelo príncipe. 

Essa foi minha primeira leitura do ano, e começou muito bem. Esse livro é uma fofura. Muito engraçado, com uma parte política muito interessante, com personagens bem feitos e reais. Mas não se deixe levar pela capa fofinha, esse não é um livro YA. É um romance adulto, têm muito palavrão e cenas de sexo. Os dois protagonista são adultos, e não tem papas na língua para falar nada. Fiquei surpresa com essa parte, e acho que a capa leva a outro pensamento.


Senti que a autora soube intercalar bem o romance e as outras partes importantes. Aqui vamos ver bastante política e como os jovens podem e devem se importar com isso e estar atentos às leis e políticos que governam o seu país. É abordado como as mídias sociais invadem a privacidade a um ponto alarmante, e como regras e convenções sociais afetam a vida das pessoas.

Essa última vemos bastante pelo lado do Henry. Como príncipe da Inglaterra, ele precisa seguir regras rígidas, e as pessoas sempre esperam coisas dele, mais do que de Alex. Ele está na linha de sucessão, e espera-se que ele case e forme uma família. Porém, Henry sempre se viu gay, isso está claro para ele, então ele guarda essa parte dele, e procura não pensar no que fará mais pra frente. Até Alex chegar e ele perceber que não quer mais se esconder.

Alex não tem sua sexualidade tão clara quanto Henry. E nessa parte, achei que a autora fez um belo trabalho mais uma vez, tratando isso com leveza. Como somos condicionados ao “padrão” desde sempre, Alex nunca parou para pensar, de fato, sobre essa parte dele. Mas Henry faz com que ele pense e se descubra, com o apoio da família. A relação deles é tão legal e fofa. Como ela cresce aos poucos, como a família de Alex reage, como eles aprendem um com o outro. O livro foca bastante na construção deles e suas personalidades. Alex é efusivo e muito famoso na mídia, Henry é mais calado e não é visto em nenhuma notícia.


Mas como os dois são figuras públicas, a relação deles não consegue ficar em privado durante muito tempo. Gostei dessa parte também, porque o livro nos faz pensar em porque a relação dos dois é tratada como escândalo ou precisa ser escondida, pois se ambos estivessem apaixonados por mulheres, nada disso seria necessário. O quanto pequenas coisas e detalhes são negados a eles, apenas por isso. E como eles decidem lutar, juntos, por um futuro só deles.

Amei a família do Alex, eles são maravilhosos. Senti pena de Henry e sua família conservadora, apesar de amar sua irmã. A escrita da autora é muito gostosa e fácil, e o dia a dia criado para os personagens é legal de acompanhar. Acho que o livro realmente mereceria outra capa, para mim essa é muito infantil. E  também acho que ele é longo demais e se demora em situações desnecessárias. Mas nada que tire a ótima experiência que tive e o quão fofo e lindo é o livro. Tem uma parte que eles trocam e-mails, com cartas de amor, que é simplesmente perfeita. Amei demais essa leitura.



Título: Vermelho, branco e sangue azul (exemplar cedido pela editora)
Autor: Casey McQuiston
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Ano: 2019
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Resenha: Wild cards

Por Naty Araújo •
14 janeiro 2020

Presenciei inúmeras resenhas negativas da edição anterior deste livro. Estava bem ansiosa para ler quando lançou pela editora Leya. Imaginei que minha opinião sobre ele seria diferente da grande massa. Antes, o livro nada mais era do que um amontoado de autores com uma série de contos e, muitos, deixaram a leitura arrastada. Nesta edição atual, algo mudou.

Um vírus alienígena atinge a Terra logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, algumas pessoas com poderes incríveis ou deformidades abomináveis, e transformando para sempre o rumo da história. Os que possuem superpoderes físicos ou mentais são chamados de ases, enquanto as pessoas afligidas com habilidades ou características bizarras são denominadas curingas. Como sempre, existem aqueles que usam seus poderes para beneficiar a sociedade, enquanto há outros que apenas se preocupam em benefícios próprios. 

O livro conta a história da humanidade, quando um meteoro atinge Nova York e libera um vírus alienígena. Esse vírus é chamado de Carta Selvagem e tem o poder de alterar o DNA dos seres humanos matando 90% dos que têm contato com ele. Ainda, 9% dos indivíduos acabam sofrendo mutações e possuindo poderes sobrenaturais. 


A humanidade tem o objetivo de recuperar seu equilíbrio. Enquanto ases viram heróis nacionais e estrelas de cinema, os curingas são marginalizados e relegados à miséria. No entanto, nem todo ás usa seu poder para o bem, e no Bairro dos Curingas os ânimos estão esquentando – e uma revolta parece prestes a explodir.

Wild Cards dá início à série editada por George R.R. Martin. Não é novidade para ninguém quem ele é e o que ele já fez (e ainda faz). Acredito que esse fator seja predominante para a editora estampar tão grande o nome dele na capa do livro. É exagero? Você pode até achar que sim, eu particularmente não suporto nome de autores maior do que o título do livro, mas entende-se a jogada para chamar atenção. 

Tive a oportunidade de ler a obra anterior, como disse, e percebi claramente a diferença no texto. Martin apenas edita o livro que foi criado por outros autores de ficção fantástica, mas é possível notar um avanço na qualidade da obra. Antes, a história apresentava uma quebra no ritmo da leitura, acabava deixando o leitor desgastado e cansado. Por ter muitos autores, grande parte da obra, na primeira edição, ficou desconexa, o que não acontece neste. Talvez pelo fato de apenas um autor ter editado (e que autor!), as coisas mudaram de rumo e tudo passou a se interligar mais, a casar os personagens e abraçar a trama.

Outro ponto positivo que achei incrível foi a ideia para a criação do livro elaborada por Martin. O intuito era criar um universo semelhante a um jogo de RPG. Os que jogam, certamente, irão se interessar pela obra desde o início. No meu caso, nunca joguei, mas tenho um pouco de conhecimento e acho interessante, pretendo jogar um dia. Essa obra é um grande incentivo para quem nunca embarcou nesse universo.


Título: Wild cards - O começo de tudo (exemplar cedido pela editora)
Vários autores
Editado por: George R. R. Martin
Editora: Suma
Páginas: 480
Ano: 2019
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Resenha: O instituto

Por Marcos Ferraz •
13 janeiro 2020

Luke Ellis é um garoto acima da média. De uma inteligência notável, ainda adolescente, ele se vê preparado para entrar em qualquer faculdade dos Estados Unidos que o aceite. Sua intenção é fazer duas ao mesmo tempo. Acontece que um episódio traumático em sua vida leva à cabo todos seus sonhos. Durante uma noite de sono tranquila, sua casa é invadida por pessoas desconhecidas que o dopam e o sequestram, enquanto, no quarto ao lado, põem fim à vida de seus pais. Quando acorda, Luke está em um quarto muito parecido com o seu. A diferença notável é que seu computador não está lá. Tampouco há uma janela. Posteriormente, Luke descobre que está em lugar cercado por pessoas que têm tudo, exceto boas intenções. Descobre também, da pior maneira possível, que essas pessoas buscam potencializar um dom que para ele era fraco e dispensável, de um jeito muito dolorido. Ao conhecer um grupo de crianças com dons iguais ou semelhantes ao seu, ele percebe que os piores testes para potencialização ainda estão por vir. Porém, quando seus dons estão à flor da pele, Luke decide que é hora de revidar, tentar fugir e destruir o Instituto. Diretores e funcionários se arrependerão amargamente de terem feito o que fizeram.

Primeiramente, se você vê algum bocó dizendo que “O Instituto” é alguma coisa parecido com X-men... sei nem que o que dizer. Só para!

Quando Stephen King lançou “Revival”, posteriormente “Outsider”, comecei a imaginar que nosso grande mestre estivesse perdendo a mão. Ledo engano. Stephen King mais uma vez mostra porque é rei e nos presenteia com um livro que não é nada com o que estamos acostumados, mas é a sua cara. 


Depois de Carrie, Charlie, Danny e até John Coffey (que se lê igual a “café”, mas se escreve diferente), Stephen King dá novos ares a sua habilidade de escrever sobre poderes paranormais. Em um romance cheio dor e sofrimento, como é de praxe, mais uma vez ele coloca algumas crianças como protagonistas e cria um ambiente ao mesmo tempo marcado por demonstrações de afeto e fortes momentos de tensão. 

Enquanto nos apresenta os personagens e o ambiente no qual se passará a história, ele vai provocando a curiosidade do leitor. Isso porque, a gente sabe, ele não é de jogar tudo de uma vez na nossa cara. Assim, nós nos vemos quase como residentes do Instituto, uma vez que vamos recebendo as informações de acordo com as informações passadas para as crianças, o que não acontece com muita frequência. Logo, a todo momento se têm questionamentos de quais são as intenções do lugar. Essa jogada faz com que nos sintamos muito mais ligados às crianças e criemos forte simpatia por elas, ao passo que nos faz odiar os vilões. Vilões estes que foram criados para serem odiados, visto que a construção deles não passa nem perto de assumir certa simpatia, como fazemos com Annie Wilkes ou Pennywise.

“O Insituto” talvez seja um livro para redirecionar o público-alvo de Stephen King. Recentemente, algumas “empresas” ““““especialistas”””” em crítica literária, indicaram o livro como o melhor livro de terror do ano. Pode parar por aí! O livro é bom? Muito! Mas não é terror!! É muito antes fantasia!!! Stephen King não inova em seu estilo narrativo; ele faz uso da experiência adquirida em todos os anos como escritor e cria uma história capaz de nos prender do início ao fim. Porém, algumas passagens de suspense e os medos pelos quais passam as personagens não podem, jamais, serem classificados como terror. Assim, ele pega leve nas cenas, a história não tem muito sangue (exceto por uma passagem rsrs), além de nos fazer viajar por um simbolismo muito mais apreciado pelo público jovem. Para deixar mais fácil ainda, a história é totalmente linear, os acontecimentos vão seguindo sua linha do tempo sem interrupções extensas, fazendo uso do fluxo de pensamento apenas quando necessário. Por fim, ele cria um número de personagens suficiente para o enredo e ainda expõe características únicas a eles a fim de não nos perdermos no meio do conteúdo.



Título: O Instituto (exemplar cedido pela editora)
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 543
Ano: 2019
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Top comentarista de Janeiro

Por Naty Araújo •
12 janeiro 2020

Olá, leitores. Hoje o top comentarista vai ao ar. Você poderá escolher qual dos livros indicados você deseja ganhar.

O que vocês precisam fazer? Se atendem aos detalhes para não serem desclassificados, ok?

Regras:
1- Para participar, preencha o formulário usando seu e-mail ou conta do Facebook.

2- São obrigatórios:
★ Comentar as postagens do mês de janeiro;
★ Ter um endereço de entrega no Brasil;
★ Curtir a página do Blog no Facebook;
★ Indicar qual livro deseja ganhar;
★ Deixar nos comentários um e-mail que usou para participar do sorteio.

Lembrando que o não cumprimento dessas regras deste item gerará a desclassificação do participante.

3- A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, as demais entradas são chances extras. O sorteio será feito pelo Rafflecopter.

4- Para comentários terem validade, é necessário que haja um conteúdo. Um simples “gostei”, “não gostei”, “quero ler” não serão considerados. Pode comentar o quanto quiser, mas será computado apenas um comentário por postagem.

5- Os comentários devem ser feitos nas postagens referentes ao dia 01 até o dia 31 de janeiro de 2020 até 23h59

6- Para chances extras:
★ Diariamente você poderá comentar em postagens fora do mês obrigatório. Esse critério foi atribuído para caso a pessoa não consiga comentar diariamente, ela terá a chance de fazer comentários nas postagens obrigatórias ou nas opcionais e computar pontos no formulário.

7- O resultado será divulgado no Top Comentarista do mês seguinte. Será avisado na mesma postagem que o resultado saiu. Então, fiquem ligados.

8- O vencedor terá um prazo de até 48h para entrar em contato com seus dados para o e-mail: natalia.araujo@live.com. Atentem a esta regra, pois o leitor ficará responsável por enviar o e-mail com os dados. Faremos a postagem apenas com o resultado da promoção.

9- O prêmio será enviado em até 40 dias pelo Blog. Porém, caso seja enviado pela editora, esse prazo poderá ser estendido.

10- Não nos responsabilizamos por extravio dos Correios. Será enviado ao vencedor um código de rastreio para consultá-lo quando quiser (caso o livro seja enviado por nós, quando enviado pela editora não posso garantir que o código será feito). Portanto, caso o livro retorne o segundo envio será custeado pelo vencedor.

11- Este sorteio é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.

a Rafflecopter giveaway
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RESULTADO DO TOP COMENTARISTA DE DEZEMBRO

Fiquem atentos porque o resultado do Top comentarista já saiu. Confiram aqui.

Os vencedores precisam enviar um e-mail para natalia.araujo@live.com com seus dados em até 48h. Lembrando que pedimos para nos informar o e-mail para checar o endereço e evitar que outra pessoa se passe pelo ganhador.

Primeiro vencedor ficará com o kit que escolheu, o segundo também, caso o primeiro vencedor não tenha escolhido e o terceiro vencedor ficará com o kit restante.
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Resenha: A noite da espera

Por Marcos Ferraz •
10 janeiro 2020

Martim é um jovem brasileiro que vive tranquilamente com os pais em Paris. Porém, eventos traumáticos resultam na separação do casal e Martim se vê obrigado a voltar para o Brasil junto com o pai, mais especificamente para Brasília, cidade recém-inaugurada e que promete grande desenvolvimento. Nessa nova cidade, Martim faz amizade com um seleto (e bastante eclético) grupo. Assim, ele passa a acompanhar um grupo de artes cênicas cujos integrantes ainda desenvolvem uma revista cultural. Entretanto, a década é de 60/70 e o país sofre as consequências de um regime ditador. Agora, ele será obrigado a enfrentar um período de extrema tensão onde o pai pouco tem interesse em sua vida, a mãe manda cartas esporadicamente, sempre dando desculpas por não ir visitá-lo, e os livros que ele pega na biblioteca são fortemente vigiados.

Hatoun dá vida a um período atroz da nossa sociedade. De forma bastante sutil, como se não quisesse ter seu livro censurado, ele cria uma narrativa capaz de registrar diversos pontos que marcaram a era da ditadura brasileira. Ele cria personagens que ilustram fielmente (pelo menos penso assim) jovens e adolescentes que fizeram valer a força da expressão em tempos de negrume. Retratando a vida boêmia de seus personagens, pude sentir uma forte referência aos poetas brasileiros, que se juntavam para falar sobre poesia, conversar sobre rimas, beber e fumar ópio. 


A história, entretanto, não é chamativa. Dissertada em forma de um diário, demarcando datas e lugares, Martim narra em primeira pessoa os fatos que marcaram a saída de Paris e o retorno ao Brasil. Apesar de termos o ponto de vista do narrador, muitas passagens são monótonas; não sei se é proposital e reflete o momento psicológico que Martim tem passado, mas fato é que algumas passagens poderiam ter mais desenvolvimento. Ainda, refletindo a cultura que Martim carrega, visto que ele não é um rapaz pouco inteligente, a linguagem poderia ser mais bem-trabalhada. Milton Hatoum é bastante simples na hora de desenvolver sua narrativa, não é muito fã de alegorias e pouco faz uso de figuras de linguagem. Porém, acredito que essa falta se dá pelo gênero apresentado, uma vez que ele escreve um diário para si mesmo, logo, a linguagem informal é predominante.

Não obstante a pouca movimentação da história, as últimas páginas valem o tempo da espera. Nessas páginas vemos um Martim realmente preocupado com o período corrente. Ele se vê cercado por dilemas que podem mudar (mais) para sempre a sua vida. Seus amigos estão sendo caçados; um está desaparecido. Está preso ou fugindo? Ele foge para São Paulo ou fica com a namorada? Poderá reencontrar a mãe? Aliás, ele quer reencontrar a mãe? 

Grosso modo, são essas últimas páginas que instigam nossa curiosidade e nos fazem querer ler o próximo volume e descobrir a que levou os últimos passos de Martim.



Título: A noite da espera (exemplar cedido pela editora)
Autor: Milton Hatoun
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 237
Ano: 2019
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