Resenha: Nunca saia sozinho

Por Naty Araújo •
18 janeiro 2021

Charlie Donlea se tornou um dos meus autores queridos depois de ler apenas duas de suas obras. Não é preciso muito para reconhecer o talento de um escritor. Quando peguei “Nunca saia sozinho” estava com altas expectativas. 

Preciso dizer que não é o melhor livro dele. Porém, continua no posto de um excelente escritor no gênero suspense. 

Dentro dos muros de uma escola de elite de Westmont as expectativas são altas, e, as regras, rígidas. É lá que acontece um massacre e dois adolescentes são mortos. O principal suspeito é um professor. Mesmo com as evidências dizendo que era o culpado, ainda existia muitos detalhes que ficaram sem respostas. O mais urgente é: por que tantos alunos que sobreviveram àquela noite macabra voltaram ao lugar para se matar? 

Na floresta há uma pensão abandonada que é utilizada pelos alunos como ponto de encontro noturno. Para quem entra, existe apenas uma regra: não deixe sua vela apagar ― a menos que você queira encontrar o Homem do Espelho. 

Rory Moore e Lane Philips começam a investigar a noite dos assassinatos com intuito de buscar algum vestígio que tenham deixado passar. Porém, quanto mais descobrem sobre os alunos e aquele jogo perigoso que deu errado, eles se convencem de que algo muito estranho ainda está acontecendo. 

É aquela velha história policial, quanto mais Rory Moore busca por respostas mais a vida dela corre perigo. É preciso ter coragem para enfrentar o que virá a seguir. 

O livro é coberto de mistérios do início ao fim – claro, estamos falando de Donlea e não poderia ser diferente. A narrativa não segue uma ordem linear, então presenciamos os tempos de forma intercalada e dinâmica, o que proporciona mais suspense e deixa o leitor preso às páginas. 

Não acredito que precise ler os outros dois para ler esse. Mas acho legal fazer isso para você acompanhar os avanços dos personagens principais, pra gente conhecê-los melhor – não é uma regra. 

A diagramação da Faro segue a mesma e adorável como sempre. No início de cada parte temos folhas em preto, como se fosse uma floresta lúgubre, e a cada capítulo as folhas são cinzas. Deixa a leitura mais sombria do jeito que a história é. A diagramação segue confortável, e sem erros na revisão. 


Título: Nunca saia sozinho (exemplar cedido pela editora) 
Autor: Charlie Donlea 
Editora: Faro 
Páginas: 349 
Ano: 2020 
Compre: aqui 
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Resenha: Sete pinturas

Por Naty Araújo •
15 janeiro 2021

Preciso dizer que faz um tempinho que não pego um livro nacional digno de me tirar o sono e me deixar por horas lendo sem querer fazer nada. Landulfo conseguiu esse feito depois de um 2020 totalmente frustrante no quesito qualidade dos livros lidos. 

Vou começar fazendo um comentário que vai soar como ponto negativo, no início, pois quando vi nomes brasileiros como “Marcos” e “Raphael” complementados por Cleanfield e Roman Dummas, respectivamente, confesso que parei e pensei: “isso não vai ficar legal”. Mas paguei com a língua! E, acreditem, existe um propósito para o autor colocar sobrenomes estrangeiros. 

Apresentando melhor os personagens, Marcos e Raphael cresceram juntos. Eles sabem de um segredo que proporciona poder e muito dinheiro. Porém, há algo complicado nessa relação dos dois, pois ambos pensam diferente a respeito dessa descoberta e esse embate de opiniões pode cominar o fim de uma grande conquista. 

Em contrapartida, temos Érica e Daniel, são dois amigos que foram criados num orfanato. A ligação deles é tão forte que são considerados como irmãos. A história dos quatro se interliga quando Érica encontra Marcos e a médica salva a sua vida. 

O suspense presente no livro é do início ao fim. Você mergulha na história e se coloca no lugar dos personagens. A gente viaja pelas ruas de SP, vamos ao Rio, percorremos a Amazônia e os encantos do Brasil. 

Sem dúvidas, a personagem mais amada por mim, e acredito que por quase todos que leram esse livro (audaciosa em afirmar isso), é Kiara. Gente, que mulher encantadora! As habilidades dela são incríveis e fiquei pensando nela atuando num filme dos Vingadores. Ela entra na história como uma justiceira. Kiara tem um segredo e está disposta a fazer de tudo para se vingar de quem lhe fez o mal. E ela faz! Escala, manipula, invade, transforma, se disfarça e você vai adorar esse jogo de intrigas. 

Claro que a gente fica com o coração na mão, porque a todo momento pensamos que Marcos ou Raphael é o vilão da história, ou os dois. Não sabemos o que está acontecendo, mas sentimos que alguma coisa errada está prestes a ser revelada e ficamos aflitos com isso. Aparentemente, Érica e Daniel são ingênuos, e talvez seu coração não morra de amores por Érica, já que pode parecer uma personagem fraca, mas não se engane. Tudo aqui pode te surpreender. O fato é que a gente não sabe quem é o mocinho e quem é o vilão, no decorrer da história a gente muda de opinião algumas vezes, mas o final coloca tudo no lugar e criamos o nosso próprio ponto de vista. 


Título: Sete pinturas (exemplar cedido pelo autor) 
Autor: Landulfo Almeida 
Editora: Independente 
Páginas: 352 
Ano: 2019 
Compre: aqui 
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Resenha: A Ilha do Tesouro

Por Luana Gobbo •
13 janeiro 2021

Este aclamado - escrito nos primórdios de 1883 por outro aclamado de nome Robert Louis Stevenson – chamado “A Ilha do Tesouro”, representa o que chamamos de pioneiro de todas as histórias de piratas hoje conhecidas – alô, Jack Sparrow! Digo... CAPITÃO Jack Sparrow! 

Stevenson revolucionou o conceito de piratas e toda essa visão reformulada que temos deles hoje em dia – mais especificamente: após essa narrativa de Stevenson. A trama é composta de pura aventura em alto mar, motins, altas doses de rum e tudo o que se tem direito em uma boa história de piratas. 

E já que o assunto principal são os piratas... bem, em “A Ilha do Tesouro” temos um garoto de aproximadamente 14 anos – Jim Hawkins – que acaba de tomar posse de um mapa do tesouro, e é ele quem narra a maior parte do livro. Enquanto isso, outros piratas embarcam no navio Hispaniola em busca de um tal tesouro deixado numa ilha há tempos. 


A partir daí, conhecemos vários dos tripulantes a bordo: o pragmático dr. Livessey; o digno capitão Smollet; um cavalheiro chamado Trelawney; o amotinado pirata Long John Silver – e vejam só: o bucaneiro usa muleta, tem uma perna de pau e um papagaio inseparável no ombro. 

Vale ressaltar que existe um contexto histórico acerca de “A Ilha do Tesouro”, que foi originalmente escrito para o público infantojuvenil em especial para os meninos. Sim, antigamente tinha dessas. Até porque, se for reparar, as mulheres são basicamente inexistentes no livro, mas, como bem sabemos, hoje em dia – obrigada universo pela evolução, apesar dos pesares – não tem mais essa de “livro para meninos e livros para meninas”. 

A edição conta com várias notas para melhor entendimento de termos técnicos, bem como ilustrações belíssimas e uma tradução de super fácil entendimento e fluidez – somado a capítulos curtos. Não senti tanta identificação ou apego a personagens, pra mim foi mais uma história para passar o tempo e conhecer o primogênito das histórias de piratas que tanto amo do que qualquer outra coisa. 


Não se tornou um livro favorito pra mim como ele certamente é para muitos, mas com certeza eu gostei ter conhecido essa história porque sempre fui fã de histórias de piratas. As melhores partes pra mim foram pegar algumas referências e semelhanças com Piratas do Caribe que claramente foram inspiradas em “A Ilha do Tesouro”. 

Existe uma série também chamada “Black Sails” que não há dúvidas de que foi inspirada em “A Ilha do Tesouro”, essa até mais do que Piratas do Caribe, pois até mesmo alguns personagens possuem mesmo nome e mesmos acontecimentos do livro. Ainda não terminei a série para dizer muito sobre semelhanças ou diferenças, apenas fica aqui a menção honrosa.


Título: A Ilha do Tesouro (exemplar cedido pela editora) 
Autor: Robert Louis Stevenson 
Editora: Zahar 
Páginas: 268 
Ano: 2020 
Compre: aqui
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Resenha: Pessoas Normais

Por Je Vasques •
11 janeiro 2021

Pessoas normais foi um livro bem difícil para mim. O hype em cima desse livro foi enorme, ainda mais quando se começou a falar sobre a série de TV. Eu nunca tinha lido uma narrativa como da autora, e isso foi só um dos pontos que me incomodaram. 

Essa é a história de Marianne e Connell, e de como eles se conhecem na adolescência e vão construindo a relação até a fase adulta. Marianne conhece Connell porque ele é filho da empregada e está sempre na sua casa. Connell não se sente bem com a atração que rola entre eles, porque Marianne é estranha, e ninguém gosta dela na escola. Enquanto ele é popular e conhece todo mundo, ela é quieta demais e passa muito tempo lendo. Só que mesmo achando ela estranha, ele não consegue ficar longe, porque sente que só consegue ser ele mesmo com ela.

Quando o tempo passa, e eles se encontram na faculdade, os papéis mudam e ela passa a ser popular e querida. Vindo de uma família rica, ela consegue se enturmar mais facilmente e ele passa a ser só um cara comum na faculdade. Mesmo assim o relacionamento deles continua durante anos, e isso simplesmente não funcionou para mim. 

Primeiro porque a história não tem diálogos, eles são inseridos na narrativa, não existe a pausa para a gente ver o que é história o que é dialogo, está tudo junto e você precisa lidar com isso. Essa forma de escrita não me deixou mergulhar na história. Depois porque os personagens vão crescendo mas continuam com pensamentos infantis e não tem profundidade nenhuma. É um relacionamento estranho, que não parece evoluir, e isso me irrita. Eles estão sempre em dúvida se querem ficar juntos ou não, e em dúvida sobre a própria vida de um jeito chato e sem propósito. Em determinado momento um desejo sexual é explicado de forma tão errada que simplesmente não consegui ler mais. Tentei entender o quanto as pessoas amaram, mas para mim nada funciona nesse livro. Não acho que a autora seja original, o ponto de vista dela é bem nichado e não fala por uma geração inteira, como li em muito lugares. Foi um livro esquecível, e não sei se vou dar outra chance para a autora. 

Título: Pessoas Normais (exemplar cedido pela editora)
Autora: Sally Rooney
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 264
Ano: 2019
Compre: aqui
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Comentário premiado de Janeiro

Por Naty Araújo •
06 janeiro 2021
Olá, leitores. Tudo bem? Um feliz Ano Novo para vocês!
  
Hoje sai o resultado do comentário premiado de dezembro e inicia o do mês de janeiro. Você poderá ganhar o livro que quiser. Faça uma lista com os 5 livros que mais deseja, desde que seja de até 40,00 reais cada. 

Regras: 
1 – Ter um endereço de entrega no Brasil (não necessariamente precisa residir, apenas ter um contato  de alguém que possa receber o prêmio); 

2 – Comentar que está participando dizendo uma lista de 5 livros que deseja ganhar e informar o seu e-mail que entrará em contato conosco, caso seja o vencedor (fazemos isso para conferirmos e não haver fraudes); 

3 – Seguir o Blog em alguma plataforma, seja Instagram, Facebook ou qualquer outra rede social que tenha nos ícones no canto direito do site; 

4 – Comentar em alguma postagem do mês e deixar o nome (ou o link) no comentário abaixo. Atenção! O comentário deve ser numa postagem do mês atual, não vale meses anteriores. 

Obs: Não é necessário comentar em todas as postagens. Porém, quanto mais comentários vocês fizerem nas postagens do mês, mais entradas vocês terão aqui e mais chances terão de ganhar. Lembre-se de colocar os comentários separados, assim vocês ganham mais pontos. Não entendeu? Vou explicar melhor. 

A cada comentário, as chances aumentarão quando você postar aqui. Quando você qual livro deseja, deixe um comentário. Comentou na resenha? Então coloque o nome da resenha comentada aqui nesta postagem. Entenderam? Se no mês tivemos 20 postagens e você comentou em todas, você terá 20 entradas e mais a sua inscrição. Ou seja, será bem maior do que aquela pessoa que apenas comentou em 5 postagens. 

Ao final, será sorteado um número referente a quantidade de comentários na postagem, o número escolhido será o vencedor. Lembrando que comentários com dúvidas ou coisas não relacionadas às chances (obrigatórias e extras) não serão consideradas. 

Exemplos: 
O que vale: comentários do mês atual, resenhas, colunas, desde que sejam coerentes e que digam respeito ao conteúdo. Comentários genéricos não serão válidos, emoticons. O Blog repugna qualquer tipo de plágio. Portanto, não copiem comentários dos amigos, avaliações do Skoob, da Amazon. Caso aconteça, será imediatamente desclassificado e não poderá participar dos próximos sorteios. Além disso, faremos uma nota de repúdio em nossas redes sociais informando essa atitude. Já aconteceu com vários Blogs e nós fazemos campanha para que isso não volte a acontecer. 

Até quando: os comentários serão aceitos até dia 31 de janeiro de 2021, às 23h59, e o resultado sairá junto com o “Comentário premiado” do mês seguinte. O vencedor deverá entrar em contato com o Blog até 48h posterior à data do resultado através do e-mail natalia.araujo@live.com 

Lembrando que: este sorteio é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita. 

Envio: o prêmio será enviado em até 40 dias úteis pelo Blog. Porém, caso seja enviado pela editora, esse prazo poderá ser estendido.

Dúvidas? É só perguntar. 

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RESULTADO DO COMENTÁRIO PREMIADO DE DEZEMBRO




Parabéns, Ariela!

O vencedor precisa enviar um e-mail para natalia.araujo@live.com com seus dados em até 48h. Lembrando que pedimos para nos informar o e-mail para checar o endereço e evitar que outra pessoa se passe pelo ganhador.
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RETROSPECTIVA 2020

Por Fernanda Santana •
31 dezembro 2020
Olá, leitores.

2020 foi um ano difícil, mas mesmo assim tivemos ótimas leituras e por isso decidimos trazer para vocês as nossas melhores experiências com os nossos melhores quotes do ano. E as opções são muitas. Como preparar mais de um livro por participante deixaria o post muito extenso, fizemos como ano passado, cada um escolheu o melhor livro livro e o melhor quote.
Confiram abaixo e depois nos conte qual foi a sua melhor leitura este ano. Combinado?


Luana (O livro de Lilith)


Aqui, a Dra. Barbara Koltuv, psicóloga e analítica junguiana desbrava os arquétipos da mitologia universal com ênfase na figura de Lilith, a primeira mulher. O arquétipo Lilith é retratado com uma personalidade única, mas principalmente, é a retratação do Eu feminino negligenciado e rejeitado, assim como foi a própria Grande Deusa. Me senti estudando sobre essa figura que sempre me chamou atenção, e ao mesmo tempo, compreender as muitas camadas da psique feminina e aprender com ela.

A autora mescla seus textos ricos em conhecimento para com nosso Eu feminino, sendo este, algo esclarecedor e bastante tocante, com várias histórias sobre a própria Lilith como figura mitológica tendo como referência o livro “Zohar, o Livro do Explendor”, a mais importante obra cabalística que cita seu nome. “O Livro de Lilith” é um pequeno grande livro que deve ser lido e relido por todas as mulheres.

Quote:
“Houve um tempo em que não eras escrava, lembra-te disso. Caminhavas sozinha, alegre, e banhavas-te com o ventre nu. Dizes que perdeste toda e qualquer lembrança disso, recorda-te... Dizes que não há palavras para descrevê-lo, dizes que isso não existe. Mas lembra-te. Faze um esforço e recorda-te. Ou, se não conseguires, inventa.” (KOLTUV, Barbara Black. O Livro de Lilith, p. 173).

Fábio (Nevernight)


Nevernight foi minha grande surpresa desse ano. Meu livro preferido disparado. Sempre escutei falar bem, mas foi lendo que eu percebi o quanto esse livro era realmente bom. Ele é uma dark fantasy onde podemos encontrar muito sangue e vingança. Falando assim parece que é só o que o livro tem, mas não… O livro conta com vários plot twists, uma protagonista surpreendente, representatividade e um humor ácido que é impossível não rir alto às vezes. É um livro que quando começa você gruda e não larga.

Quote:
"— Ouça, garota - fungou Aelius. — Os livros que amamos nos amam de volta. E assim como nós marcamos a nossa posição nas páginas, as páginas deixam marcas em nós. Eu enxergo isso em você, do mesmo jeito que com certeza vê em mim. Você é uma filha das palavras. Uma garota com uma história para contar." (KRISTOFF, Jay. Nevernight, p. 348)

Jessica (1984)


Ler George Orwell foi uma experiência que nem tenho palavras. Eu nunca tinha lido o autor, e foi perfeito. Eu fiquei profundamente perturbada com esse livro, com a forma como o governo age. Parece que o livro foi escrito agora, o que é impressionante e assustador. É a melhor distopia que já li na vida, e o melhor livro do ano, sem dúvida.

Quote:
"E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido — se todos os registros contassem a mesma história —, a mentira tornava-se história e virava verdade. “ Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, rezava o lema do Partido."

Fernanda (A diferença que fiz)


Li esse livro por indicação de um amigo e eu jamais imaginei o turbilhão de emoções que ele me causaria e o quanto me faria refletir.
Por várias vezes me pego pensando: Qual a diferença tenho feito nessa vida?
É lindo, é intenso, é emocionante e totalmente necessário.

Quote:
"Não importa o quanto tentemos fazer as coisas certas e justas, não importa quantas leis sejam feitas para reger a convivência entre diferentes grupos de pessoas, a vida sempre tem as suas artimanhas e truques para fazer o que bem entende, não importa o quanto nos esforcemos para evitar as surpresas e as injustiças. A verdade é que nunca estamos imunes a ela." (MENDONÇA, Gutti. A diferença que fiz, p. 181).
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Resenha: A Era da Escuridão

Por Je Vasques •
28 dezembro 2020


A Era da Escuridão é o primeiro livro da trilogia Era das Trevas. Essa história vai nos contar o ponto de vista de cinco pessoas diferentes e de como elas estão envolvidas em uma profecia. No passado, sete profetas comandaram a humanidade, fazendo com que ela prosperasse sem guerras e desigualdade. Porém, um dia eles sumiram, e uma profecia diz que a era da escuridão se aproxima e apenas o nascimento de um novo profeta pode salvar a humanidade. Essa profecia não é levada sério por alguns, mas quando ela começa a se realizar, essas cinco pessoas se veem unidas, mesmo contra sua vontade.

Eu pensei que seria uma leitura um pouco lenta e confusa pelo vários pontos de vista, mas não foi. A autora sabe intercalar os pontos de vista e a ação acontece o livro todo. Nós já começamos o livro com uma cena de roubo, conhecendo uma personagem, e esse ritmo de coisas rolando se mantém durante o livro. Demorei um pouco para entender todo mundo, mas depois fica tranquilo. As profecias e a magia que cada um tem são bem explicadas, deixando alguns furos e perguntas que considero normais já que será uma trilogia.

Eu gostei da forma como a autora construiu os personagens, porque, dentre os cinco protagonistas, temos desde uma ladra até um príncipe. Isso nos fez ver vários pontos de vista da cidade e as diferentes causas por quais cada um deles luta. Eles têm ideias bem diferentes e, quando o ponto de vista muda, é tranquilo perceber a mudança do narrador. As pessoas que tem poder nessa história são chamados de agraciados. Os agraciados já foram pessoas muito bem vistas por todos, mas sempre existe o preconceito e a inveja sobre elas. Essa magia é diferente para cada personagem, vou deixar para vocês descobrirem como ao decorrer da leitura, mas a autora vai explicar bem cada um deles, e nos mostrar como eles lidam com essa magia. 

Temos um grande vilão, que é falado desde as primeiras páginas, mas que quando aparece deixa um pouco a desejar. E temos uma história que perde bastante tempo falando sobre as paisagens e costumes e rituais, normal para um primeiro livro. Eu sou uma leitora de fantasia assídua, então nada foi novo para mim. A profecia e a forma como o mundo precisa ser salvo é um recorte de muitos outros livros que já li. Mas eu gostei do ritmo, dos personagens, e de como a autora pode crescer isso nos próximos livros. Acredito que se você não lê muita fantasia, é um ótimo livro para começar. O sistema de magia é interessante, e tem várias questões sociais e éticas que são bem levantadas. Para um primeiro livro da autora e de uma trilogia, a história foi muito boa e tem chances bem grandes de crescimento.


Título: A Era da Escuridão (edição cedida pela editora)
Série: Era das Trevas #1
Autora: Katy Rose Pool
Editora: Suma
Páginas: 376
Ano: 2020
Compre: aqui
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Resenha: Navio Dragão

Por Fabio Pedreira •
22 dezembro 2020

Fala galera, hoje trago para vocês a primeira resenha em parceria com a editora Jambô. Recentemente recebi 2 livros e 2 HQs da editora e resolvi alternar, começando com a HQ: Navio Dragão.

Navio Dragão é uma obra de autoria da Rebeca Prado que conta as histórias de Lif, uma pequena viking que tem um humor no mínimo peculiar. Quem anda pela internet, assim como eu, já deve ter visto algumas tirinhas da personagem. E assim que eu vi essa obra na editora, sabia que precisava ler. E foi uma escolha certeira.

Lif é muito mal humorada, pelo menos em relação às coisas que a maioria das crianças (e adultos) gostam, como brincar ou namorar. Porém, se a brincadeira for para coletar escalpos, ou falar de batalhas, então pode contar com ela. Lif pode ter dificuldade de criar amizades com outros humanos, mas em compensação tem ao seu lado a companhia de seu fiel companheiro, o cão Carne, que assim como ela, tem gostos peculiares (apesar de ser apaixonado por uma ovelha).


A dupla protagoniza o livro em uma série de tirinhas com humor ácido, mas que ao mesmo tempo faz críticas sutis (às vezes nem tanto) a sociedade. Me diverti bastante com essa HQ, rindo alto em algumas das tirinhas. Aliás, ela conta não só com as tirinhas da Lif, como também com conteúdo extra, onde vemos algumas situações do cãozinho Carne e também algumas páginas de imagens da Lif. 

E claro que por falar em imagem, não podia deixar de elogiar a qualidade dos traços da Rebeca Prado. As imagens são lindíssimas, com um colorido muito legal e que às vezes me lembrou o estilo das tirinhas do Snoopy. Claro que só lembrou mesmo, pois o desenho da Rebeca é maravilhoso.

Por fim, Navio Dragão é uma obra obrigatória na vida de qualquer leitor, seja de quadrinhos ou não. Lif é mal humorada, mas é justamente isso que deixa sua história tão encantadora, é sua característica de gostar tanto de arrumar sua coleção de escalpos que faz o leitor amar a personagem. Pode parecer um pouco sangrento, mas na verdade você acaba achando uma baita de uma fofura. Então vão com tudo e leiam essa HQ incrível.



Título: Navio Dragão (exemplar cedido pela editora)
Autora: Rebeca Prado
Editora: Jambô (Selo Bast!)
Páginas: 96
Ano: 2019
Compre: aqui
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Resenha: Depois do Sim

Por Maiani •
19 dezembro 2020

É sempre tão difícil falar de livros que mexem com a gente, não dá para ser crítico com histórias que conversam com a nossa alma. Vou tentar ser objetiva e não falar tanto de sentimentos, mas como devem imaginar essa é uma missão quase impossível.

Depois do sim conta a história de Lauren e Ryan, dois jovens que se conheceram na faculdade e estão casados há onze anos. Ao perceberem que não estão mais felizes juntos, decidem passar um período afastados para que possam se reencontrar e descobrir se podem ser felizes novamente. O livro é narrado pela Lauren, intercalando presente e passado, nos dando um excelente plano de fundo para entender o motivo deles terem chegado a tal ponto. Apesar de contar a história do relacionamento deles, o livro fala muito mais sobre autoconhecimento e autodescoberta. 
"Isso é o que mais me preocupa na nossa situação. Não estamos brigando por causa do aquecedor de água ou pela vaga do estacionamento no estádio. Não estamos brigando por dinheiro, por ciúme ou por falta de comunicação. Estamos brigando porque não sabemos o que fazer para ser felizes. Estamos brigando porque não estamos felizes. Estamos brigando porque não fazemos mais o outro feliz."

Sendo sincera, a Lauren do começo do livro é bem irritante, ela entende o “fim” de seu casamento como um fracasso pessoal e não como algo que simplesmente não funciona mais. A partir do momento em que ela passa a olhar mais para si mesma e para as pessoas ao redor conhecemos uma personagem cheia de defeitos, mas que ama sua família, se preocupa com os amigos e que já não sabe bem quem é. É muito difícil que alguma pessoa que esteja em um relacionamento longo não se identifique com o que a personagem está nos dizendo. 
"O sol nasce independentemente das nossas dores. Por mais que acreditemos que o mundo acabou, o sol sempre nasce."
A autora tem uma habilidade incrível em criar personagens imperfeitos, o que nos aproxima e causa muita empatia. Não temos como procurar culpados ou vilões pelo fracasso de um relacionamento, simplesmente são coisas que acontecem, ainda mais com pessoas que se conheceram tão jovens. Todos mudamos ao longo da vida (ainda bem!) e é preciso saber se a pessoa que está conosco segue na mesma direção que nós. 

Outro ponto que me deixou extremamente feliz foi o relacionamento familiar da Lauren, mostrando uma família comum, com suas questões internas, mas que se preocupam e estão ali para os que dela precisam. A relação entre os irmãos, que apesar de suas enormes diferenças, se apoiam e ajudam. A mãe e a avó são as melhores personagens, cada uma com sua visão sobre relacionamentos, mas que no fundo nos mostram a mesma coisa, precisamos estar inteiras para conviver com outras pessoas. 

"Só porque dá para levar a vida sem uma pessoa não significa que a gente queira isso"
Tudo que a autora faz é tentar desconstruir a visão romantizada do casamento, que relacionamento feliz é aquele que todos estão satisfeitos 100% do tempo. O casamento da melhor amiga de Lauren, Mila, nos mostra exatamente isso, mesmo um casamento feliz tem seus momentos de recaída. No fim, o que importa é o quanto estamos dispostos a nos esforçar para fazer com que dê certo. 
"Em algum nível, minha vida amorosa é um fator definidor da minha identidade. (...) O amor representa uma grande parte de quem eu sou. Isso é bom? Quer dizer, é para ser assim mesmo?"
Esse não é um livro que vá agradar muitas pessoas, é preciso um mínimo de empatia e reconhecimento para conseguir aproveitar a história. Também não devemos esperar a Taylor Jenkins Reid de Os sete maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones & The Six, apesar de encontrar muito da autora no estilo de escrita, esse livro não possui toda a carga dramática e peso que os seus sucessores. De certa forma é um livro de leitura leve, mas que fala sobre assuntos espinhosos e por esse motivo incomoda demais, leitura mais que recomendada!


Título: Depois do sim (exemplar cedido pela editora)
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Páginas: 320
Ano: 2020
Compre: aqui
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Resenha: O Timbre

Por Je Vasques •
17 dezembro 2020

O Timbre é a conclusão da trilogia Scythe, então essa resenha terá spoilers de O Ceifador e A Nuvem.

Essa história começa três anos depois que terminamos A Nuvem, e eu já comecei desejando respostas sobre Citra e Rowan, mas isso demora para acontecer. Esse é um livro de finalização, mas nosso querido autor deixou para trazer vários personagens novos para a história agora, então, até voltarmos a encontrar nossos protagonistas, já andamos muito. Eu amei isso, mas também queria que esses personagens tivessem vindo antes, pois amei todos eles. 

O autor soube como construir muito bem a história nesse último livro. Eu chorei, torci muito para os personagens e fiquei surpresa com as decisões finais que ele decidiu tomar. Eu achei um livro bem político, onde ele fala muito sobre nosso papel na sociedade e com o próximo, e como é necessário pensar além. Ele questiona muito se em uma utopia ainda haveria erros e insatisfação e, sim, haveria, simplesmente porque os humanos vivendo nessa sociedade não são perfeitos, e o ódio, inveja e ganância estão sempre presentes. Somos falhos, e mesmo que o mundo fosse algo perfeito ou próximo disso, ainda sim faríamos coisas questionáveis. 


A primeira coisa que levei um tombo foi quando entendi o nome do livro, o que acontece na segunda parte. Vou deixar para você entender lendo também, mas fiquei extremamente surpresa com o quanto alguns personagens se tornaram tão necessários e importantes. O primeiro personagem novo que o livro traz é Jerico, de longe meu preferido. Ele é um personagem de gênero fluido, vou tratá-lo aqui no masculino porque tem nuvens no céu, e essa frase só fará sentido quando você ler o livro, rs. Ele é importante demais na história, é fofo, tem uma construção belíssima e eu queria ter acompanhado ele nos dois livros anteriores. Essa representatividade incluída aqui foi muito certeira e bem feita. 

Rowan e Citra aqui são personagens secundários quase, da metade para o fim do livro vemos mais o que estão fazendo e a importância que eles têm. Senti falta deles, e também de outros personagens, como o Goddard. Vocês sabem que esse personagem é terrível e nossa, eu esperava muito mais dele. Tem uma determinada parte que confesso, fiquei em choque pois o personagem mostrou o quão intragável, cruel e horrível ele é, mas ainda sim senti falta de um desfecho melhor para ele. Também não sei se curti o final, não totalmente pelo menos, achei fácil, e um pouco cruel da parte da nimbo cúmulo. Mas gostei de ser surpreendida pois em nenhuma circunstância imaginei esse final. 

A última frase, o último diálogo do livro, é simplesmente perfeito. Esses pontos que citei em nada tiram o prazer que foi ler essa trilogia e o quanto foi lega conhecer Neal Shusterman. As discussões que ele levantou aqui foram maravilhosas, ele fez personagens inesquecíveis, depois que terminei o livro senti falta de todos, senti falta do mundo, senti falta de sofrer com eles. Eu amo demais essa trilogia, e recomendo para todo mundo. 


Título: O Timbre (exemplar cedido pela editora)
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Páginas: 560
Ano: 2020
Compre: aqui
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Resenha: Labirinto

Por Giovanna Prates •
14 dezembro 2020

Em Labirinto, conhecemos Tomás, um advogado irreverente e bem sucedido, porém, que leva consigo um enorme vazio de um trauma passado do qual ele não saiu ileso e, assim, passa seus dias se mantendo ocupado, na constante busca da felicidade e do amor.

 “O curioso é que este homem, embora ocupasse a maior parte do seu tempo. Não preenchia o vazio que ele trazia dentro do peito, dentro de si mesmo, como se em cada célula do seu corpo faltasse um pedacinho de alguma coisa indistinta.”

Confesso que tive que sair um pouco da minha zona de conforto para fazer essa leitura, mas tenho que admitir que não me arrependo. Esse livro me trouxe grandes reflexões sobre o amor, sobre a sociedade, sobre o que é certo e o que é errado e até que ponto ser feliz é egoísmo quando se envolve o amor. O autor Francisco Prado sabe te envolver com as palavras e traz questões reais para questionar o leitor de uma maneira única, notável e intensa.
“Será que os momentos de felicidade são tão bons só porque são raros?” 
Espere uma enorme carga de tristeza na trama, mesmo apesar de ser uma leitura fluida, leve e rápida, lidamos bastante com a depressão do personagem e, com ele, seguimos rumo em suas dores vividas, torcendo para que ele fique bem apesar de suas escolhas. Além da amargura que presenciamos, menciono também que a leitura tem influência de temas jurídicos, mas nada de difícil compreensão, muito pelo contrário.

Apenas uma coisa me confundiu na leitura e foi a maneira que as conversas são colocadas, - já que o travessão que indica a fala dos personagens muda de uma conversa para outra, sem mencionar o nome de quem está falando, - às vezes tive dificuldade para saber quem estava falando o que, mas depois que me acostumei a essa maneira de entonação, a leitura fluiu melhor.

“Se existe um lado bom nos infortúnios da vida é que eles nos trazem um certo estoicismo.” 
Uma leitura um pouco sombria, mas que traz ao leitor diferentes lições e percepções atráves da vida. Definitivamente vai ter fazer refletir sobre muitas coisas e trazer consigo, alguns aprendizados necessários. Boa leitura!

Título: Labirinto (exemplar cedido pelo autor) 
Autor: Francisco Almeida Prado
Editora: Novo Século
Páginas: 240
Ano: 2019
Compre: aqui

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Resenha: O Casamento

Por Giovanna Prates •
11 dezembro 2020


Diana e Plínio são opostos um do outro, mas ainda sim estão prestes a se casar. Indo contra todas as suas crenças e com a desaprovação da família, eles não desistem do seu amor e decidem ir até o fim, mas algo inesperado e assustador acontece minutos antes da noiva sair do carro e tudo desmorona. 
“Sentia como se tivesse saído de casa três horas antes com o leme de sua vida nas mãos, segura de que navegava no sentido certo. Agora, a bússola que a guiava perdera o norte. E ela viajava sem noção sequer das rochas submersas que poderiam rasgar o casco do navio.” 
Devo confessar que O Casamento não foi meu primeiro contato com o autor. Eu já havia lido outra obra dele chamada Colega de Quarto, mas não tinha me cativado tanto quanto essa obra me cativou. Claro que o fato de ser um suspense policial já ajudou a facilmente favoritar esse livro, mas não foi apenas isso. 

A melhor parte, - o que realmente me envolve nessas leituras - é quando a narrativa faz você duvidar de tudo. De cada fato, personagem ou reflexão. E esse livro me fez duvidar até de mim mesma. Seus mistérios possuem tantos detalhes extraordinários que fazem seu cérebro esquentar até sair fumaça, trazendo diversas teorias para entender o que aconteceu, - até criei uma lista mental de suspeitos, mas eventualmente, você duvida de tudo e de todos – e fica ainda melhor, quando a verdade vai além do que você esperava e/ou sequer imaginava. O plot de tirar o fôlego foi um real mind-blowing para mim. E trouxe uma sensação de satisfação. 

“Nada daquilo, aliás, se parecia com um conto de fadas. Quanto mais Lyra conhecia os convidados, mais se deparava com o lado podre daquela gente. Não era por se tratar de um casamento que as coisas tinham de parecer um sonho.” 
O autor Victor Bonini criou personagens muito bem trabalhados, extremamente marcantes e altamente complexos. Ora você os compreende, ora você os odeia. E todos esse sentimentos te deixam totalmente imersivos na história, te prendendo do início ao fim. Consegui sentir as altas emoções de tudo o que aconteceu ao redor, mas não escolhi nenhum personagem favorito. De alguma forma, todos ali tinham seus defeitos, assim como todo ser humano. E isso trouxe aquele toque realístico que eu adoro nas tramas policiais.
"Rancor é um diabo que você alimenta sem querer: de repente, ele te espeta, e você começa a olhar para os outros como se eles tivessem culpa pelas desgraças da sua vida."
Temos aqui uma trama recheada de suspente, reviravoltas e mistérios, uma leitura incrível para os fãs de investigação e de thrillers, que surpreende e fascina o leitor. Altamente recomedado até para os iniciantes em suspenses policiais. Prometo que vocês ficarão imersos e viciados até descobrir a verdade. Boa leitura!


Título: O Casamento (exemplar cedido pela editora) 
Autor: Victor Bonini
Editora: Faro Editorial
Páginas: 368
Ano: 2017
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