Resenha: Antes que você saiba meu nome

Por Naty Araújo •
16 janeiro 2022

O livro de hoje conta uma história forte. Alice Lee e Ruby Jones chegam no mesmo dia em Nova York. Ambas com um objetivo em comum: recomeçar. Alice tem 18 anos e chegou com apenas 600 dólares e uma câmera furtada. Ruby tem 36 e deseja tomar um novo rumo em sua vida depois de um relacionamento conturbado, para isso, atravessou o mundo em busca de paz e uma nova oportunidade.

Qual a ligação entre as duas pessoas? Ruby encontra o corpo de Alice às margens do rio Hudson. A partir desse encontro, ambas formam um vínculo inquebrável. Alice tem certeza de que Ruby é a chave para resolver o mistério sobre como tudo aconteceu. Ruby, lutando para esquecer a tragédia que presenciou, se recusa a deixar Alice ir... pelo menos até que ela tenha a oportunidade de contar a própria história.


Deu para perceber que o livro tem uma pegada sobrenatural, né? Já que quem narra a história é Alice, uma narradora póstuma. Ela foi morta após ser atacada e estuprada. Dessa forma, o leitor vai acompanhar a história através do seu espírito. Diferente, não?

A autora é ativista dos direitos das mulheres e em sua obra sabe evidenciar isso ao criar um thriller feminista. Não é nada forçado, mas nos faz pensar como muitas mulheres são tratadas e passam por situações semelhantes a que a Alice passou.

"(...) quando um homem descobre onde machucar você, a maneira como ele a toca muda. Ele não consegue se controlar e pressiona com força aquele local, não importa quantas vezes isso faça você chorar."
Achei a história bem tocante, principalmente por abordar temas que envolvem o meu trabalho. Lidar com vítimas de estupro não é fácil. Fiquei pensando quantas mulheres não têm a chance de se defender, de gritar por socorro e acabam como a personagem. Ainda, o fato de muitas delas nascerem num lar desprovido de amor e atenção.

Se você curte livros de suspense, pode ser uma ótima pedida. Mas não se enganem, o foco dele não é esse. Vamos descobrir os motivos que levaram Alice a fugir de Nova York e também a conhecer sobre o seu passado tão conturbado.


Uma situação interessante a ser abordada aqui na resenha, e que certamente rodeia a cabeça de muitas pessoas, é quando estamos comentando sobre uma mulher ter sido estuprada, assaltada, sequestrada... A primeira coisa que ouvimos não é se ela está bem, se saiu com vida e sim “por que ela estava sozinha na rua?” ou coisa do tipo “mas também, olha a roupa que ela estava usando!”. Parece que a culpa nunca é do autor do delito e sim da vítima. É um assunto que nos faz pensar a respeito de como é o comportamento alheio e como poderíamos fazer para melhorar isso.

Título: Antes que você saiba meu nome (exemplar cedido pela editora)
Autora: Jacqueline Bublitz
Editora: Faro Editorial
Páginas: 272
Ano: 2021
Compre: aqui
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Resenha: Inferno

Por Giovanna Prates •
14 janeiro 2022
"DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS."
Inferno, a parte um do poema épico de Dante, A Divina Comédia, é o poema mais criativo que li em toda minha vida. Ainda não tive a chance de ler os outros, mas duvido que qualquer outra obra poética possa superar a Divina Comédia de Dante.
"Mas, se bem compreendo, quando o eterno
aqui chegou e a grandiosa presa
tomou a Dis do círculo superno,
o vale podre desde a profundeza
tanto tremeu, que o mundo acreditei
sentisse amor, pelo qual com firmeza
há quem creia que ao caos volte por lei;"
Em Inferno, descobrimos que Dante caminha no inferno, sim, ele literalmente caminha pelo Inferno com seu guia Virgílio, o famoso poeta que escreveu A Eneida que foi enviada a ele por Beatriz, o devotado interesse amoroso de Dante, que está no Paraíso.


Sua criação do Inferno é influenciada pela teologia cristã, pela filosofia e também por obras literárias anteriores de Virgílio, como Ovídio, Homero e semelhantes (com uma pequena pesquisa, tive essas e muitas outras descobertas incríveis). No entanto, a Eneida de Virgílio é considerada o texto literário mais associado à Divina Comédia. Já o Inferno de Dante é em forma de funil e tem nove níveis que punem diferentes pecados. Sendo que, no fundo, está Lúcifer.

É fascinante ver quão imaginativo e criativo Dante foi ao inventar os diferentes níveis do inferno, os pecados que neles são punidos e os tipos de punição. As punições que começam levemente no primeiro nível tornam-se horríveis à medida que você desce os níveis. Alguns dos personagens (pecadores) no Inferno incluem pessoas da vida real que Dante conheceu, bem como personagens clássicos e mitológicos que foram extraídos de obras literárias antigas e famosas.
"Mas para baixo olha, onde desemboca
o rio de sangue fervente a queimar
quem violência ao próximo provoca."
Confesso que fiquei pasma com o relato gráfico do Inferno dado em tão belos versos líricos e nos ensaios visuais trazidas pela edição da Companhia das Letras. Até mesmo os detalhes horríveis de punição dos pecadores se tornaram menos horríveis porque os versos que os descreviam eram melodiosos, cantados. Os pecadores, escolhidos entre as pessoas existentes e inexistentes e alguns dos personagens míticos mais amados, dão ao poema uma sensação de realidade e fantasia.


Apenas consigo descrever o quanto foi surpreendente que uma obra escrita no século XIV possa ter uma impressão tão forte nos leitores atuais. Mas, dada a qualidade do trabalho, não é surpreendente a reverente popularidade que a Divina Comédia adquiriu e se manteve ao longo dos séculos. E no final de tudo, afirmo que esta é apenas a minha visão e opinião sobre a obra...a beleza desse livro é que ele traz diferentes percepções para cada leitor, fazendo com que, sem dúvida, seja uma das obras-primas da poesia épica.

*Edição bilíngue primorosa, capa dura e com ótimo acabamento, que conta com uma nova tradução mais acessível e de fácil compreensão.

Título: Inferno (exemplar cedido pela editora)
Autor: Dante Alighieri
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 560
Ano: 2021
Compre: aqui
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Comentário premiado de Janeiro

Por Naty Araújo •
12 janeiro 2022


Olá, leitores. Tudo bem?

Hoje sai o resultado do comentário premiado Dezembro e inicia o do mês de Janeiro, você poderá ganhar o livro que quiser. Faça uma lista com os 5 livros que mais deseja, desde que seja no valor de até 40,00 reais cada. 

Regras: 
1 – Ter um endereço de entrega no Brasil (não necessariamente precisa residir, apenas ter um contato  de alguém que possa receber o prêmio); 

2 – Comentar que está participando dizendo uma lista de 5 livros que deseja ganhar e informar o seu e-mail que entrará em contato conosco, caso seja o vencedor (fazemos isso para conferirmos e não haver fraudes); 

3 – Seguir o Blog em alguma plataforma, seja Instagram, Facebook ou qualquer outra rede social que tenha nos ícones no canto direito do site; 

4 – Comentar em alguma postagem do mês e deixar o nome (ou o link) no comentário abaixo. Atenção! O comentário deve ser numa postagem do mês atual, não vale meses anteriores. 

Obs: Não é necessário comentar em todas as postagens. Porém, quanto mais comentários vocês fizerem nas postagens do mês, mais entradas vocês terão aqui e mais chances terão de ganhar. Lembre-se de colocar os comentários separados, assim vocês ganham mais pontos. Não entendeu? Vou explicar melhor. 

A cada comentário, as chances aumentarão quando você postar aqui. Quando você qual livro deseja, deixe um comentário. Comentou na resenha? Então coloque o nome da resenha comentada aqui nesta postagem. Entenderam? Se no mês tivemos 20 postagens e você comentou em todas, você terá 20 entradas e mais a sua inscrição. Ou seja, será bem maior do que aquela pessoa que apenas comentou em 5 postagens. 

Ao final, será sorteado um número referente a quantidade de comentários na postagem, o número escolhido será o vencedor. Lembrando que comentários com dúvidas ou coisas não relacionadas às chances (obrigatórias e extras) não serão consideradas. 

Exemplos: 
O que vale: comentários do mês atual, resenhas, colunas, desde que sejam coerentes e que digam respeito ao conteúdo. Comentários genéricos não serão válidos, emoticons. O Blog repugna qualquer tipo de plágio. Portanto, não copiem comentários dos amigos, avaliações do Skoob, da Amazon. Caso aconteça, será imediatamente desclassificado e não poderá participar dos próximos sorteios. Além disso, faremos uma nota de repúdio em nossas redes sociais informando essa atitude. Já aconteceu com vários Blogs e nós fazemos campanha para que isso não volte a acontecer. 

Até quando: os comentários serão válidos até dia 31 de janeiro de 2022, às 23h59, e o resultado sairá junto com o “Comentário premiado” do mês seguinte. O vencedor deverá entrar em contato com o Blog até 48h posterior à data do resultado através do e-mail natalia.araujo@live.com 

Lembrando que: este sorteio é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita. 

Envio: o prêmio será enviado em até 40 dias úteis pelo Blog. Porém, caso seja enviado pela editora, esse prazo poderá ser estendido.

Dúvidas? É só perguntar. 

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RESULTADO DO COMENTÁRIO PREMIADO DE DEZEMBRO


Primeiro vencedor:
Segundo vencedor:

Parabéns, Alecia e Danielle!

Para consultar o link do sorteio e saber a hora exata que foi realizado, clique aqui.

Os vencedores precisam enviar um e-mail para natalia.araujo@live.com com seus dados em até 48h. Lembrando que pedimos para nos informar o e-mail para checar o endereço e evitar que outra pessoa se passe pelo ganhador.
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Resenha: Partidas e Chegadas

Por Fernanda Santana •
11 janeiro 2022

Eu comecei esse livro cheia de expectativas, pois logo no começo dele lidamos com uma carta de suicídio e foi a primeira vez que eu me deparei com uma temática tão forte em um romance.

Em Partidas e Chegadas vamos conhecer Anna, que perdeu o noivo da forma mais trágica possível. Já se imaginou noiva, cheia de planos e de repente chega em casa e encontra o amor da sua vida caído ao chão rodeado de caixas de comprimidos? Eu nem consigo imaginar pelo que a Anna passou... Essa parte me tocou muito e senti muita empatia por ela.

E então, dez meses depois do falecimento de Ben, seu noivo, ela se vê abandonando o emprego para velejar pelo mundo em uma viagem que os dois haviam programado há muito tempo juntos e ela simplesmente não conseguiu não fazê-la.

Sozinha, ela entra no barco de Ben com seus pertences e veleja até o primeiro destino marcado por eles. Mas passando algumas perrengues e vendo que não é tão experiente com barcos quanto o noivo era, Anna prefere contratar um marinheiro para auxiliá-la em sua viagem.

E é aí que Keane entra em sua vida.


O jovem marinheiro sofreu um acidente e perdeu parte de sua perna, adquirindo uma prótese. Depois de receber várias recusas de emprego, ele encontra o anúncio de Anna e embarca em uma aventura que vai mudar toda a sua vida.

O livro começou muito bem, de forma muito fluída, mas na metade achei que acabou se tornando cansativo. Os capítulos ficavam sempre na mesmice da viagem e interação entre os dois. Anna muito insegura e Keane muito respeitador.

O relacionamento deles só evoluiu no final do livro e por mais que tenha torcido muito pelos dois, senti que faltou um pouco. Senti falta de um desenvolvimento maior dos personagens, do relacionamento de ambos e crescimento dos dois. Mas é uma história muito bonita sobre recomeços e com certeza deixa muitas reflexões.


Sobre a edição: 
Achei o papel um pouco grosso, o que dificulta um pouco o manuseio. Mas a capa é linda e a diagramação é perfeita, como todos os livros da Faro.

Título: Partidas e Chegadas (exemplar cedido pela editora)
Autora: Trish Doller
Editora: Faro Editorial
Páginas: 254
Ano: 2021
Compre: aqui
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Resenha: Anos de chumbo e Estorvo

Por Naty Araújo •
09 janeiro 2022

Quem nunca ouviu alguma música do Chico Buarque precisa parar tudo agora e ouvir pelo menos uma – o que acredito que seja impossível, mas...

Chico é músico, dramaturgo e escritor. Foi ganhador de dois Prêmios Jabuti, pelo livro “Budapeste”, lançado em 2004, e por “Leite Derramado”, lançado em 2009.

Hoje trago a resenha de dois livros dele publicados pela Companhia das Letras. “Anos de chumbo e outros contos” e “Estorvo”.


O primeiro nos apresenta oito contos, mas, obviamente, com estilos diferentes. Uma jovem e seu tio. Um grande artista sabotado. Um desatino familiar. Uma moradora de rua solitária. Um passeio por Copacabana. Um fã fervoroso de Clarice Lispector. Um casal em sua primeira viagem. Um lar em guerra.

Como a sinopse diz, os contos conduzem o leitor pela sordidez e o patético da condição humana. Com alusões ocasionais à barbárie do presente, o autor ergue um labirinto de surpresas, em que o sexo, a perversidade, o desalento e o delírio são elementos constitutivos da trama.

É uma leitura que contempla um misto de sentimentos e a experiência é válida.

Título: Anos de chumbo e outros contos (exemplar cedido pela editora)
Autor: Chico Buarque
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 168
Ano: 2021
Compre: aqui


O segundo livro, “Estorvo”, conta com uma edição comemorativa de 30 anos do primeiro romance. A obra foi lançada pela primeira vez em 1991. Agora, nessa edição especial, a obra conta com textos de Roberto Schwarz, Sérgio Sant’Anna, Marisa Lajolo e Augusto Massi.

Conheçam a sinopse: no livro, o leitor é mergulhado em um universo de delírio e digressões ― característica que viria a ser reconhecida como recorrente na ficção buarquiana, assim como o cenário carioca ― ao acompanhar o narrador em um nebuloso vagar pela cidade, após se deparar com um desconhecido em sua porta.

A fuga do que não reconhece leva o homem a um incessante ziguezaguear por locais já conhecidos, como o sítio da família, a boutique da ex-mulher e o edifício de um velho amigo.
"estorvo, estorvar, exturbare, distúrbio, perturbação, torvação, turva, torvelinho, turbulência, turbilhão, trovão, trouble, trápola, atropelo, tropel, torpor, estupor, estropiar, estrupício, estrovenga, estorvo"

A epígrafe do livro traz vários outros termos ligados ao campo semântico de “estorvo”, em Língua Portuguesa, Latim ou Inglês.

É uma obra que não é pra qualquer um, até porque nem todos gostam de clássicos ou de escrita profunda. Podemos dizer que é uma narrativa que mistura a realidade com a utopia, com devaneios.

Não é uma leitura fácil. Logo de cara você pode se sentir entediado. Então, se for pra indicar para começar, sugiro que leia o primeiro e esse segundo, apenas leia com calma, sem pressa.

Título: Estorvo – edição comemorativa (exemplar cedido pela editora)
Autor: Chico Buarque
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 208
Ano: 2021
Compre: aqui
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Resenha: Sonetos de amor e sacanagem

Por Naty Araújo •

Adoro assistir Gregorio Duvivier tomando café da manhã aos sábados. Quando recebi o convite de resenhar seu livro, pela editora Cia das Letras, não pensei duas vezes.

Greg, como é conhecido por seu programa Greg News, é um dos idealizadores do coletivo Porta dos Fundos, em que trabalha como roteirista e ator. Publicou livros pela Cia desde 2008, além de escrever para uma coluna semanal na Folha de São Paulo. É um homem culto, que sabe usar as palavras pra nos fazer sorrir e ao mesmo tempo nos fazer refletir. Faz piada com tudo, sabe envolver.

Como a sinopse declara: em seu novo livro de poemas, Greg reúne o rigor da forma fixa com seu estilo mordaz e hilariante.

"Ah, o amor – te dirão – é coisa séria!/ mas, depois de brincar de gato e rato,/ quem brincou já não quer pagar o pato/ e do amor só herdamos a bactéria." Nos 48 sonetos reunidos aqui, Greg visita uma ampla galeria de assuntos. Descreve a angústia e o tédio da adolescência. Comenta o noticiário, a política, o Brasil e a pandemia. Analisa a língua portuguesa, os modismos importados na Faria Lima, a pecha de preguiçoso do carioca, as manias lusitanas e os cacoetes franceses.


Dois temas se sobressaem: o amor e o sexo, que aparecem sempre acompanhados de boas doses de niilismo, paranoia, obsessão e autoironia. São flertes que não chegam a se concretizar, ou que até se concretizam, mas não terminam exatamente como o esperado. No fim das contas, parece que o prazer, quando vem, sempre traz a reboque um inexplicável medo de morrer.

É incrível como ele descreve com maestria, retrata a tragicomédia contemporânea de encontros e reencontros. Greg não deixa a desejar e sabe encaixar o tempo, a métrica e as palavras. Difícil escolher um preferido, então indico ler todos.

Será uma leitura bem rápida, se não quiser acabar tão cedo, leia um por dia e vá curtindo aos pouquinhos.

Ah! E se não conhece o Greg News, sugiro assistir.
"[...]
Nunca entendi direito o que nós fomos
mas isso não nos impediu de sermos.
[...]
Não definimos bem o que nós somos
mas isso não nos impediu de sermos.
[...]
Por não saber quando é que te veria,
quis te ver nessa vida todo dia."
Título: Sonetos de amor e sacanagem (exemplar cedido pela editora)
Autor: Gregorio Duvivier
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 112
Ano: 2021
Compre: aqui
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Resenha: Bethânia e a Fera

Por Fabio Pedreira •
07 janeiro 2022

Ebenézer Pinça está prestes a completar 512 anos. Mas para continuar sendo o “jovem” que aparenta ser, ele precisa de uma poção mágica disponibilizada pela fera que mora na sua mansão.

Essa fera tem o poder de materializar tudo que você pede, mas em troca ela pede muita comida. A fera já comeu de tudo, desde papagaios cantores até restos de naufrágio do Titanic. Mas tem uma coisa que a fera nunca comeu… uma criança.

É isso que ela pede a Ebenézer em troca da poção mágica, o “jovem” terá que conseguir uma criança para ele, caso queira continuar vivo. Sendo assim, o Sr. Pinça resolve procurar a criança mais levada e mal criada que puder encontrar, assim, seu caminho se cruza com o de Bethânia, uma garota de um orfanato que apronta todo tipo de traquinagem. O que Ebenézer não esperava é que ele e a menina iam criar um laço que poderia fazer com que ele sentisse uma coisa pela primeira vez na sua vida…culpa.


Bethânia e a Fera é mais um excelente livro infantil que eu leio nesses últimos anos. Lançado pela Seguinte, o livro diverte bastante. Bethânia é diferente das protagonistas que eu estou acostumado a ler nesse tipo de livro. Geralmente são crianças boazinhas que encontram vilões, mas nesse caso, a menina também não é flor que se cheire, pelo menos não no começo. Mas, mesmo com o tempo, ela ainda continua sendo uma personagem bem debochada, coisa que gosto bastante.

A leitura é super ágil, dá para ler o livro em uma sentada. Com ilustrações e um texto rápido, quando você menos espera já acabou e você está querendo mais. Outra coisa bem legal é a questão de algumas referências. Gosto muito disso em livros, aqui não é diferente, vira e mexe aparece uma referência a alguma coisa famosa, seja personagem da ficção, objetos famosos ou etc, basta ficar ligado que você acha.

E para finalizar, claro, como todo bom livro infantil, além da história divertida, tem também alguns ensinamentos, como a questão da amizade, as consequências de ser bonzinho ou mal e principalmente as questões da empatia e de como o poder cega a gente.

Mais do que recomendo esse livro para vocês. Se puder, leia e cuidado para não virar comida da fera.


Título: Bethânia e a Fera (exemplar cedido pela editora)
Autor: Jack Meggitt-Phillips
Editora: Seguinte
Páginas: 256
Ano: 2021 (Ano original 2020)
Compre: aqui
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Entrevista: Constance Sayers

Por Fabio Pedreira •
05 janeiro 2022

1 - Olá, como você está? Poderia começar a entrevista falando um pouco mais sobre você?

R - Oi! Sou uma executiva de mídia que vive em Washington DC. Enquanto trabalhava em tempo integral, eu continuava perseguindo meu sonho de escrever ficção, finalmente conseguindo um agente. Quando meu primeiro romance falhou nas vendas foi incrivelmente decepcionante, mas eu tinha começado a trabalhar em um segundo romance que se tornaria Uma Bruxa no Tempo. Simplesmente continuei escrevendo apesar de muita rejeição. Estou trabalhando em um terceiro romance previsto para 2023.

2 - Quais foram suas maiores inspirações para se tornar autora?

Meu pai sempre quis ser músico profissional, então enquanto crescia, nossa casa sempre estava cheia de música. Não havia jeito, eu estudava piano e voz com um olho em uma carreira em uma ópera em algum lugar. Eu amo música, mas essa matemática não veio naturalmente para mim. Dito isso, a música é a maior influência na minha escrita. Meus personagens são sempre músicos ou músicos frustrados. Acho instrumentos musicais assombrosos e misteriosos. Entrei na faculdade como estudante de música, mas tive uma aula de redação e percebi que era minha verdadeira paixão, então mudei meu curso para inglês e nunca olhei para trás. Foi um caminho difícil para pensar que eu poderia ser uma escritora de ficção que seria publicada. Para minha escrita, eu diria que Anne Rice é minha maior inspiração.

3 – Sobre Uma Bruxa no Tempo, quais foram suas maiores inspirações para o livro?

Minha irmã trouxe para casa uma pintura de William Bouguereau chamada The Broken Pitcher. Ela tinha visto em Boston e pensou que a modelo parecia comigo quando era jovem. A pintura ficou pendurada na parede dela por anos e, em algum momento, lembro-me de pensar no conceito da história: E se fosse eu naquele retrato pintado há 100 anos? Eu realmente gosto dos tipos de narrativas "e se" e este livro tomou forma muito rapidamente depois disso. Eu estava trabalhando em outra coisa há anos e isso foi uma grande mudança em relação a ficção corajosa e realista que eu estava escrevendo antes, mas de certa forma, era mais verdadeiro em relação às coisas que eu gosto - Buffy, a Caçadora de Vampiros e os romances da Anne Rice.

4 – Uma Bruxa no Tempo visita muito o passado. Deve ter sido preciso muita pesquisa. Como foi para você trabalhar com essa pesquisa e construção de um cenário antigo?

Comecei minha pesquisa com livros ou filmes da época. Tenho estantes lotadas de biografias de pintores da Belle Époque, estrelas de Hollywood dos anos 30 e bruxaria. Depois que eu tive uma noção de onde eu estava indo com livros, eu visitei os locais. Com exceção de Challans, França, visitei todos os cenários do livro e trabalhei com historiadores locais. Eu me esforcei muito para fazer a linguagem de cada seção realmente parecer com a do seu tempo. Estudei muitas entrevistas e filmes dos anos 30 para tentar acertar a Nora. Também acho que eles soam diferentes do tom de Sandra nos anos 1970 ou da linguagem mais formal de Julieta na Paris da Belle Époque. Foram escolhas conscientes.

5 – Houve algum desses períodos no tempo em que você gostou mais de trabalhar? E há algum que você gostaria de ter escrito, mas não pôde?

R - Originalmente, pensei em gostar mais da Hollywood dos anos 30, mas acho que descobri que era mais feliz trabalhando na vida de Juliet - o período Belle Époque. Sempre me intimidei em escrever ficção histórica, mas aconteceu com Queen of the Night do Alexander Chee. Esse livro é tão querido para mim porque o mundo de Chee no romance é tão bonito que se tornou uma inspiração. Eu realmente não pensei que poderia escrever um romance histórico, mas eu mergulhei mesmo assim, armada com todos os livros de história sobre a Paris da Belle Époque que eu pude encontrar. Quando li os primeiros rascunhos desses capítulos fiquei realmente surpresa com o quão autênticos eles se pareciam para mim. No final, acho que fiquei muito satisfeita com esse período e isso foi uma surpresa para mim.

6 - Durante a história Helen tem conhecimento de suas vidas passadas. Apesar de ser ela, cada uma tem sua personalidade. Foi difícil escrever personalidades diferentes para a mesma pessoa?

A estrutura de quatro períodos de tempo com um personagem apresentou desafios, pois era difícil criar histórias únicas que deveriam ser ambas cápsulas individuais com arcos de personagem únicos, mas também precisavam se vincular a uma narrativa maior do personagem. Há um ponto crítico em que cada mulher tem cabelo ruivo e desenvolve seu talento musical. Para diferenciá-los, eu queria que cada um tivesse seu próprio relacionamento com Luke. Cada uma delas o percebe de forma diferente e isso era algo que eu queria usar para mostrar a singularidade de cada mulher. À medida que as histórias das mulheres progridem no livro, a ideia do que significa ser mulher muda e tento narrar a Hollywood dos anos 1930, que seria a época em que a mulher "ideal" seria criada na tela até os dias modernos. Embora seja divertido viajar de vez em quando com essa personagem, há uma seriedade sobre as limitações que ela enfrenta, especialmente nas histórias de Julieta e Nora.

7 - Falando nas outras vidas de Helen, você tem alguma favorita? Por quê?

Sandra é sem dúvida minha personagem favorita, e ela é a menos favorita de todos. Sem revelar nada, você não chega ao final sem Sandra, porque ela desafia Luke de maneiras que são apropriadas para sua época (anos 1970) e ela faz as perguntas difíceis. Eu amei, amei escrever para ela e acho que dá para perceber isso. Ela era a personagem mais difícil e eu tive que escrever sua seção duas vezes, então eu sinto, de uma forma estranha, que lutei mais por ela.

8 - Você também escreveu The Ladies of the Secret Circus. Podemos esperar por ele aqui no Brasil também?

O livro já foi lançado nos EUA e no Reino Unido. Esperançosamente, ele chegará ao Brasil! É um conto mágico que também se passa em vários períodos - nos dias modernos e na Paris de 1925. Tudo começa com uma mulher, Lara Barnes, cujo noivo não aparece para o casamento. Isso a envia em uma missão para descobrir o que aconteceu com ele e uma jornada maior para descobrir quem ela realmente é. Há um circo infame envolvido que pode ou não ser dirigido pelo diabo! Eu não posso dizer mais!

9 - Você está trabalhando em novos projetos por enquanto? Você poderia nos contar mais?

Sim, eu tenho um terceiro livro sendo lançado sobre uma atriz que está trabalhando em um filme de terror New Wave na França em 1968 quando algo dá terrivelmente errado, e ela se encontra dentro da trama de seu filme - um filme histórico de vampiros.

10 - Você poderia deixar uma mensagem para seus leitores aqui do Brasil?

Espero que gostem de Uma Bruxa no Tempo! É um livro que ainda me faz chorar quando leio o final!
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Resenha: Trilogia Bill Hodges

Por Fernanda Santana •
03 janeiro 2022
Olá, pessoal. Tudo bem?

Hoje vim trazer para vocês uma leitura que eu fiz recentemente da Trilogia Bill Hodges do nosso aclamado mestre do terror: Stephen King.

Eu recomendo que, assim como eu, leiam todos na sequência para aproveitar a vibe do livro e fechar esse ciclo.

Vamos lá?

O primeiro livro da Trilogia é o Mr. Mercedes, e para mim, em disparado, é o melhor livro da série.


Aqui temos um detetive aposentado e se sentindo fracassado por deixar o assassino da Mercedes escapar. Mas que assassino é esse? Bom, vou explicar.

Em uma madrugada, centenas de pessoas faziam uma fila no City Center para garantir uma vaga de emprego. Era um anúncio de disposição de vagas e várias pessoas estavam ali para garantir que pegassem as melhores. E foi aí que um psicopata pegou um Mercedes e avançou sobre aquelas pessoas, matando algumas e deixando várias feridas. Ele escapou, mas não conseguiu ficar no anonimato para sempre.

Ele queria destruir Bill Hodges, o detetive, e brincar com a sua mente. Quem sabe fazê-lo se sentir inútil por não ter pegado o assassino o levaria ao suicídio? Mas quando uma carta do Mr. Mercedes chega para Bill, ele decide que irá até o fim para encontrá-lo.

O livro é eletrizante, muito bem escrito e construído e você simplesmente devora as páginas até chegar ao fim. Mas, em minha humilde, opinião, ele poderia ter parado por aqui.

Mr. Mercedes é um livro perfeito, completo e bem fechado.


No segundo livro da série, Achados e perdidos, vemos novamente Bill Hodges com seus dois assistentes: Holly e Jerome. Esses dois o ajudaram muito a pegar o Mr. Mercedes e têm grande importância na história.

Aqui, Bill é procurado para ajudar Peter Saubers, um adolescente que se colocou em apuros ao encontrar um baú enterrado com dinheiro e originais manuscritos de um escritor famoso que foi vítima de latrocínio há mais de trinta anos. Que cilada, hein?!

Pois é, o assassino em questão enterrou esse tesouro e, ao sair da cadeia, trinta e cinco anos depois, ele irá atrás da família que o roubou.

Esse vilão nada tem a ver com o caso da Mercedes, o único ponto de ligação é que o pai de Peter foi uma das vítimas que se machucaram no atentado ao City Center.

Eu confesso que esperei uma ligação maior que fizesse sentido esse livro, mas não encontrei. Além do vilão nem chegar aos pés do Mr. Mercedes. O assassino aqui é atrapalhado, lambão e meio desesperado.

Enfim, achei o livro mais fraco da série e não encontrei um sentido para fazer parte da trilogia.

Agora vamos ao terceiro?


Último turno é o livro que mais esperávamos.

O reencontro de Bill Hodges com o assassino da Mercedes.

Eu não quis dar muitos detalhes ao falar do primeiro livro para não estragar a experiência de leitura, porém o que vou dizer a seguir está na sinopse do terceiro.

Brady, o Mr. Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral, em virtude de um incidente que ocorreu no final do primeiro livro. Durante todos esses anos, Bill o visitava no hospital para se certificar de que ele estava mesmo inválido.

Mas, agora, um caso de suicídio que tem ligação ao massacre do City Center colocará Bill novamente em campo para entender qual a influência de Brady nesse caso.

Brady está de volta, dessa vez com poderes recém-adquiridos devido ao acidente. O príncipe do suicídio não deixará o seu legado morrer e Bill entrará em ação novamente para detê-lo.

Eu confesso que comecei essa leitura com altas expectativas, sabendo que Brady estava de volta. Esperei mais daquela adrenalina encontrada no primeiro livro. Mas me decepcionei ao encontrar um Brady com poderes. Oi?

Eu sei que o King adora esse lance sobrenatural, mas a série estava toda voltada para o lado investigativo da coisa. Até então nada tinha ido para esse lado e no terceiro livro ele colocou essa pegada que, a meu ver, foi bem forçada. Eu, particularmente, não curti. Acho que se ele não tivesse colocado esse lado sobrenatural, tinha tudo para ser um puta desfecho.

Mas adorei a experiência de leitura como um todo, ficando ainda com Mr. Mercedes sendo o meu favorito dos três.

Recomendo a leitura e é ótima para quem não curte um terror, mas quer se aventurar por um bom suspense.

Brady é um ótimo vilão, bizarro, escroto e que te faz sentir repulsa. Nisso, tio King caprichou.

E aí, já leram essa trilogia?

Curtiram?

Me contem tudo!

Série: Trilogia Bill Hodges (Mr. Mercedes, Achados e perdidos, Último turno)
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Compre: aqui
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Resenha: Uma Bruxa no Tempo

Por Fabio Pedreira •
01 janeiro 2022

Já tem um certo tempo que Helen Lambert está divorciada. Seu amigo então, resolve arranjar um encontro pra ela. O candidato se chama Luke Varner.

O fato de ele não ser nenhum galã não é problema. O fator que conta para que Helen queira se afastar dele é o fato de que Luke alega que ela já o conhece de outras vidas.

Ao mesmo tempo que quer fugir, Helen fica também curiosa. Sua curiosidade aumenta quando, ao dormir, ela começa a ter sonhos com Juliet Lacompte, uma jovem francesa que mora em uma casa no terreno emprestado pelos patrões dos seus pais.

Juliet está comprometida com o filho do patrão, um jovem brutal. Só que o amor da garota acaba aflorando para o lado de um famoso pintor da região. Pressentindo o perigo, a mãe de Juliet resolve dar um fim nisso tudo e é aí que a coisa desanda.


Preciso começar dizendo que Uma Bruxa no Tempo é até agora o livro mais sombrio da Trama - dos que eu li - contando fantasia e thriller. Pelo menos em seu início, com a história de Juliet.

O livro não é de terror, mas se tem uma coisa que acontece com os personagens é sofrer. Não tem um personagem que não passe por uma fase de sofrimento, principalmente todas as encarnações da Helen. Essa talvez seja a que menos sofre. Mas a pobre da Juliet coitada...

O início do livro é que faz com que ele tenha essa aura mais sombria. De cara, nós já passamos por situações que podem provocar vários gatilhos, como abuso, agressão, estupro e ainda tem umas cenas de rituais demoníacos. Depois a coisa fica mais leve. E o texto vai alternando entre presente e passado, com a Helen descobrindo suas reencarnações e tentando se livrar da maldição que a cerca.

A história e a vibe do livro são muito boas, e não ganhou uma nota máxima porque depois de um tempo, apesar de ser legal conhecer as outras personalidades da Helen, você começa a sentir que a história fica um pouco repetitiva em alguns pontos. Nada que estrague a leitura, apenas é algo que não tem como não notar.


Em contrapartida, é muito bom descobrir mais das vidas passadas da Helen. Indo da jovem Juliet até uma atriz de Hollywood e uma cantora dos anos 70. Essas duas últimas é impossível - para quem leu - não lembrar dos livros da Evelyn Hugo e de Daisy Jones da Taylor Jenkins Reid.

Como cada uma delas tem personalidades diferentes, o leitor certamente vai criar mais afinidade por uma do que por outra. Enquanto que pelo lado do Luke Varner pode ser uma relação de amor e ódio.

No fim, Uma Bruxa no Tempo é uma baita fantasia da Trama. Livro único, com doses de romance e história, que cativa e emociona alguns leitores. A gente fica preso no tempo enquanto lê cada página, esperando um final feliz para cada personagem.

Título: Uma Bruxa no Tempo (exemplar cedido pela editora)
Autor: Constance Sayers
Editora: Trama
Páginas: 416
Ano: 2021 (ano original 2020)
Compre: aqui
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Retrospectiva 2021

Por Naty Araújo •
31 dezembro 2021
Olá, pessoal. Mais um ano que se finda e outro que se inicia. Sobrevivemos a mais um ano de pandemia. Só o fato de sobrevivermos já é motivo para agradecer.

Como sempre fazemos, hoje é dia de retrospectiva. Alguns integrantes da equipe prepararam para vocês as melhores leituras de 2021. E é claro que vocês vão contar pra gente quais foram as suas melhores leituras, não é mesmo? Estou aguardando. Enquanto isso, fiquem com as nossas indicações:


Giovanna (A biblioteca da meia-noite)

Matt Haig é um autor muito talentoso e há tantos trechos e citações pelas quais fiquei extremamente obcecada neste livro. E que realmente tocaram meu coração e me fizeram refletir. Além de tudo, este livro faz o leitor questionar qual é o sentido da vida e pensar como a vida pode ser verdadeiramente absurda. Mas devo avisar, este livro é, de certa forma, sério, e deixo os alertas de gatilhos, pois há depressão e pensamentos suicidas, e algumas partes foram bem pesadas para o meu coração. Se tornou facilmente, a minha melhor leitura do ano.

Quote:

“O paradoxo dos vulcões é que eles são símbolos de destruição, mas também de vida. Assim que a lava reduz a velocidade e esfria, se solidifica. Com o tempo, se decompõe, transformando-se em solo - um solo rico e fértil.

Ela não era um buraco negro, decidiu. Era um vulcão. E, como um vulcão, não podia fugir de si mesma. Ela teria de continuar ali e cuidar daquela paisagem desoladora. Ela poderia plantar uma floresta dentro de si.”


Fábio (Onde está Daisy Mason?)

A Trama foi a editora que chegou para ficar em 2021, junto com ela, trouxe dois lançamentos, um de fantasia - O último sorriso na cidade partida - e outro de thriller - Onde está Daisy Mason? -. Esse último foi sem dúvidas a melhor leitura que fiz no ano. Um thriller como eu não lia a muito tempo, com cada página trazendo um mistério diferente. É o verdadeiro vira páginas. O livro ainda trás algo “inovador” ao mostrar como as redes sociais podem influenciar no julgamento das pessoas e levá-las a fazer coisas inimagináveis. É um livro pra colocar na lista de leitura, com certeza.


Jessica (Binti)

Binti foi uma jornada. Esse livro me deixou pensativa e abismada com o quanto de criatividade a autora tem. É uma jornada de autodescoberta, mas também é uma ficção científica enorme e muito bem escrita. Binti é a primeira da sua família a sair e viajar pelo espaço. Ela tem uma mente afiada e pensa tudo de forma matemática: as equações que faz na cabeça são usadas para criar objetos fantásticos, e também ajudam ela a se envolver em política e conversas com outros povos que ela nunca imaginou. Ela viaja, leva sua ancestralidade e costumes com ela, mostra ao mundo que suas raízes importam e que ser diferente não é ruim. É uma história cheia de detalhes, raças e conflitos, que eu amei demais acompanhar


Natalia (Os assassinos do cartão-postal)

Parando pra pensar, o ano de 2021 minhas leituras foram bem ruinzinhas. Dos poucos que li, muitos livros foram 3/4 estrelas. Atingiu 5 estrelas facilmente foi "Os assassinos do cartão-postal". Viajar pela Europa é o sonho de quase todo mundo, mas não para o detetive Jacob. Após receber a notícia do brutal assassinato de sua filha e do namorado, ele viaja para Roma para tentar desvendar esse crime. O inusitado é que jovens casais são encontrados mortos em Paris, Copenhague, Berlim e Estocolmo. O que esses crimes têm em comum? Foi um romance policial que me prendeu e que merece ser lido.  
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Resenha: O Natal de Poirot

Por Naty Araújo •

Chegamos ao nosso derradeiro dia do festival de Natal. Se eu pudesse, resenharia um filme todos os dias pra vocês, mas não sou contratada pela plataforma Netflix (principalmente, já que a maioria dos filmes foram resenhados de obras de lá hahaha). Infelizmente, é um trabalho que demanda tempo livre. Vontade eu tenho, quem sabe um dia, né? Vocês gostaram? Me contem, me tragam ideias, assim posso aprimorar mais para vocês.

Hoje, para finalizar, não vou trazer a resenha de um filme, mas sim de um dos livros que mais gosto, de um dos personagens que mais amo, de uma das autoras que mais adoro: “O Natal de Poirot”.

Para a maioria das pessoas, o Natal é uma época de paz e harmonia, em que famílias se reúnem e deixam de lado suas diferenças em nome de valores como o amor e o perdão. Mas Hercule Poirot sabe quão mal essas confraternizações podem terminar...

Acompanhado do coronel Johnson, nosso detetive belga é convidado a investigar um caso de assassinato ocorrido na mansão de um velho e odioso milionário, na véspera de Natal. Quem seria capaz de algo tão atroz, arruinando a noite de todos? Bem, aparentemente, cada membro dessa família tinha motivos bem particulares para tirar a vida de seu patriarca. Como Poirot encontrará o verdadeiro culpado no meio desse covil de lobos?


Essa sinopse foi capaz de prender a minha atenção e imagino que a sua também. É um livro bem curtinho, mas a história envolve e a gente nem vê a hora passar. Esse é o poder dos livros da Agatha. A gente vai lendo, mergulhamos no enredo e nem nos damos conta. Além, é claro, do fato de sermos feitos de bestas o tempo inteiro.

É um livro gostosinho. Se você for ler a edição da Harper, com certeza vai amar ainda mais. A capa é dura e o trabalho gráfico é muito bem feito. A edição é a mais bonita que tenho dos livros da autora.

Caso ainda não tenha lido nada da Agatha, poderá começar por esse sem problema algum. A minha única recomendação é não começar por “Cai o pano”, pois tem uma coisa muito importante nesse livro que não funciona você conhecer a escrita dela começando por ele. Combinado? Se deseja começar, “O Natal de Poirot” é um dos indicados.

Título: O Natal de Poirot
Autora: Agatha Christie
Editora: Harper Collins
Páginas: 222
Ano: 2016
Compre: aqui (box: aqui)
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Filme: Christmas under wraps

Por Naty Araújo •
30 dezembro 2021

Oi, gente. Penúltimo dia do nosso festival de Natal e trago a resenha de um filme que não é novo, mas é bem fofinho, principalmente porque trata de solidariedade, estamos precisando muito, especialmente aqui na Bahia com esse momento conturbado de tantas chuvas.

“Christmas under wraps” vai contar a história de uma médica que aceita trabalhar em uma cidadezinha do Alasca. Ela acaba vendo no lugar uma forma de ajudar mais as pessoas. Eles estão há mais de um ano sem médico fixo e isso faz com que seus planos mudem, mas de uma forma inesperada, claro.

Alasca esconde um segredo de Natal. O nosso coração ficará bem quentinho quando um dos moradores surge na vida da médica e a transforma. É óbvio que essa parte é bem clichê, mas o restante do filme tem um elemento muito bom, como eu disse. A médica está ali para fazer residência, mas nota que os moradores daquela cidade precisam de cuidados. Será que ela estará apta a abrir mão de tudo para ficar ali?

O filme é engraçado, alguns personagens também, alguns são fofos, mas existem aqueles que são bem artificiais – o que não é o caso dos protagonistas. Ambos transmitem emoção e realidade. Ora a gente fica com o coração feliz, ora dá um revertério que causa raiva. Mas na vida é assim, por que nos filmes também não haveria de ser, né? Altos e baixos...

É um longa leve, sem pretensão de ser complexo, de fugir do óbvio. Se está procurando um filme para afogar as mágoas ou simplesmente para desestressar, certeza que esse será do seu agrado.

Filme: Christmas under wraps
Direção: Peter Sullivan
Onde assistir: Netflix
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