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Ela calçou os sapatos, retocou a maquiagem, ainda em sintonia com seu cheiro atraente.
Abriu a porta devagar e viu aquele corpo esticado na cama, sua maior vontade era pular em seus braços e acalentá-lo. Respirou fundo e resolveu voltar. Enquanto virava as costas ele foi despertado por uma batida repentina de seu cotovelo na cômoda ao lado da porta.
- Por que já vai?
- Não quero atrapalhá-lo, só vim vê-lo.
- Estava desejando esse momento, venha até aqui – ele falava enquanto levantava da cama e jogando o lençol, deixando à tona seu corpo nu.
O corpo dela se contraia por dentro, sentia aquele frio delicioso na barriga e a vontade aumentava a cada vez que ele se aproximava dela.
Roçou em seu ouvido:
- Eu não vejo a hora de lhe dizer aquilo tudo que eu decorei para nós.
- Não há o que dizer – ela falava tentando manter o pulso firme.
- Há sim, você se casará comigo e eu já decorei tudo que é preciso para falar um sim naquele altar.
- Como você é ridículo – ela mencionava sem demonstrar atração.
Ele puxou-a pelo braço e tentou beijá-la. Sem pestanejar ela retrucou:
- Não vou fazer isso se a primeira coisa que você vai dizer depois é "não conte a ninguém". Já estou farta disso tudo em oculto. Você, eu e uma história de amor que não pode ser revelada.
- Mas eu vou me casar com você e tudo isso mudará.
- Mudará? Mudará quando? Você é casado, como pretende casar duas vezes?
Ele puxou-a contra si, aquele cheiro dele deixava-a louca de prazer. Ele encostou seus lábios na nuca dela e aquilo mais parecia um teste impossível de ser passado de fase.
Beijou-o. Beijou-o com tanta intensidade que sua boca por completa invadia a dele. Beijou-o que a temperatura do quarto já não fazia valer as mesmas de segundos atrás. O vestido dela foi caindo as alças e ele pedindo mais, pedindo e ela cedendo. Ela pedia e ele cedia mais do que tudo.
Ela queria pensar em tudo, nos planos, nos projetos, mas não conseguia. A todo instante sabia daquele amor platônico.
Fizeram amor até anoitecer, quando ela já não aguentava mais senti-lo dentro dela.
Ele adormeceu. Ela acordou-o.
- Eu não quero falar agora, não sabe que preciso dormir?
- Venha aqui, amor... Quero saber quais as frases que você tanto decorou para nosso encontro no altar.
- Lá vem você com essa história de casamento de novo, não aguento mais! – ele falava meio sonolento, mas era notório o entendimento.
- Você disse que se casaria comigo – ela disse indignada com a resposta dele.
- Eu já sou casado, esqueceu? Não posso fazer nada.
Aquilo mais parecia uma facada em seu peito. Ela levantou, tirou um objeto debaixo da cama e sacudiu-o:
- Acorda, seu cretino!
Ele arregalou os olhos e viu a arma apontada para si.
- Não faça isso, pelo amor de Deus. Eu não fiz nada! – ele gritava enquanto pulava da cama tentando desvencilhar-se da mira.
- Eu sou o seu brinquedinho, não sou? Vá achando, seu cachorro!
Ela atirou e colocou fim em mais um ponto final.
Ela abriu a carteira dele, tirou dinheiro, cartão, cheques e os documentos. Pegou um lenço em sua bolsa, limpou as digitais na cama, na cômoda, na carteira, pegou a munição que restava no revólver e colocou em cima do corpo. Limpou a maçaneta e saiu.
Entrou no outro quarto do hotel, tirou os cabelos negros e agora aparecia uma ruiva; retirou a maquiagem e mostrava nitidamente suas sardas. Trocou o vestido, embrulhou-o com cuidado e colocou dentro da bolsa.
Sentou na cama, pegou o telefone e discou para a polícia. Informou que ouviu tiros e não sabia do que se tratava, pediu urgência. Ela chorava desesperada, uma cena e tanto para uma novela de horário nobre. Ela manuseava o revólver como um amigo íntimo e não parecia se importar. Averiguou se havia algum resquício de munição e, por fim, jogou-a na janela da sacada que ficaria em frente a dele.
Arrumou suas coisas e saiu. Ruiva, linda e esvoaçante.
“Não existia crime perfeito até não existir os meus” – ela levava essa frase consigo e a repetia a cada caso envolvente com um de seus amantes.
Papais,
Antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas. Desculpas por não ser o que vocês esperavam que eu fosse; desculpas por nunca poder ser inteligente como Evan; por nunca estudar o curso de direito que vocês tanto sonharam para mim, mas não fui capaz de realizar esse desejo.
Reconheço que nunca fui bom com as garotas como Evan. Nunca fui numa festa e fiquei com várias na mesma noite. Não consigo ser dessa forma. Eu prezo o amor, a paixão, a ternura e o laço da conquista, desculpe por ser assim.
Desculpe por amar vocês demais e por não conseguir sentir a retribuição. Claro, só posso sentir quando há amor de verdade e eu sei que vocês não me amam. Não, não estou cobrando nada, aceito os sentimentos que vocês têm por mim. Afinal, quem amaria um cara como eu?
Eu tentei ser o que vocês tanto quiseram, mas, a força maior de continuar sendo eu mesmo, falou mais alto. Não os culpo, eu sou completamente errado nessa história toda, mas podem acreditar que o amor que sinto permanecerá aqui dentro, indelével.
Dê um abraço em Evan por mim, peça-o que me desculpe pelas coisas que falei, pelas brigas. Eu reconheço que ele é melhor e sempre foi. Essa eu perdi, perdi para sempre, mas ganhei o irmão que nunca havia valorizado e hoje aprendi.
Um grande beijo. Eu amarei vocês, até mesmo quando eu terminar esta carta e fechar meus olhos.
Perdoe-me por não ser forte o suficiente para lutar por essa vida que Deus me deu.
Sei que ao entrarem aqui e verem meu sangue deslizando pelas paredes do meu quarto, o choque não será tão grande.
Daquele que mais amou vocês, mesmo não sendo amado.
Evan imprimiu a folha no computador que estava em sua frente. Sentou-se e leu-a com cautela, para que não houvesse nenhum vestígio. Dobrou o bilhete ao lado do corpo de Taylor e saiu saltitante, comemorando. Sabia que nunca desconfiariam que ele fosse o assassino do próprio irmão.
O olhar percorria o papel, enquanto era lido cada detalhe, o mundo de Fred desmoronava com aquela descoberta crucial. O grito preso, engasgado, queria mesmo era ser solto, liberto e voar pelos ares daquele quarto que agora lhe parecia um labirinto sem saída.
Dalton o contemplava como se já soubesse o tom de como seria a voz de Fred ao sair dali. Olhava-o esperançoso porque queria acreditar que seria diferente, queria ter a esperança que tudo aquilo não lhe decepcionaria. Esfregou os olhos com o dorso das mãos, quem sabe poderia ser mais um daqueles seus pesadelos no meio de uma noite frustrada, depois de mais uma tentativa de amor, daquela forte, voraz que o devorava por dentro, por fora, consumia suas forças, seu desejo, mas nada acontecia de verdade. No final a decepção era sua maior companhia, embora o corpo ainda estivesse ali, ao seu lado, mas, seu pique, não mais.
Antes que pudesse concluir seus pensamentos sobre o passado e sem deixar Fred terminar sua leitura promíscua, Dalton invadiu o quarto e em tamanho pesar começou a declamar seu perdão.
- No fundo eu sabia que não era a minha voz que você queria ouvir – Dalton falava baixinho, o tom de sua voz era quase imperceptível.
Fred não sabia se desejava sua própria morte ou se queria naquele momento tornar-se um assassino para, de forma profissional, acabar com a vida de Dalton. Queria destruir todo passado que lhe era compelido ao presente. Fred desejava tudo e ao mesmo tempo não desejava nada. Desejava que todo aquele momento não estivesse existindo, mas desejava mais ainda que nada do que viveu tivesse sido real.
- Como foi isso? Quando foi? Realmente, não sei se peço para ouvir sua voz ou se mando matarem você. Eu poderia esperar qualquer coisa, menos isso.
- É tão difícil para você quanto pra mim. Não sei como vai ser agora. Se isso te corta, imagine o rasgo que tem dentro do meu coração. Imagine as chagas que vou levar para o resto da vida por carregar a culpa de causar um mal a quem sempre amei e sempre zelei.
- Quando foi isso? – indagou Fred como se não demonstrasse preocupação com cada palavra de Dalton.
- Eu não sei, estou tão chocado quanto você. Recebi hoje. O médico disse que está em fase terminal. Eu posso morrer a qualquer momento, Fred. Não quero que sinta pena de mim. Vou arrumar minhas malas, ir embora daqui. Quero que seja feliz.
Dalton virou as costas e abriu o guarda-roupa para tirar suas roupas de lá.
Fred o examinava com cuidado. Realmente, o corpo dele estava mais magro nos últimos dias; tinha dificuldade de ter relação sexual já fazia um tempo. Dalton sentia fraqueza, ora pedia para deitar e falava que seu corpo doía. Agora tudo fazia sentido a ele. Dalton havia feito o exame de HIV e tinha dado positivo, estava com Aids e agora nada mais podia fazer.
As lágrimas começaram a rolar de seus olhos, queria perdoá-lo, sabia da integridade de Dalton, mas o orgulho lhe era fatal sempre. Por certo Dalton tinha sido contaminado ao nascer. Seu pai usuário de drogas, sua mãe garota de programa, só tinha esse destino. Mas nem sequer ambos tinham unido as peças do quebra-cabeça para chegar a essa conclusão antes. Agora era tarde. Fred implorava para que Dalton não olhasse para trás e visse aqueles olhos sendo encharcados por lágrimas de tristeza e cobertos de orgulho.
Dalton deu um passo para trás, agachou-se para pegar a mala que estava na parte debaixo do guarda-roupa. Sentiu uma tontura repentina, olhou ao redor e tudo girava.
Caiu duro, sem ação.
Fred desesperadamente foi até ele, tentava reagi-lo, não sabia os procedimentos de primeiros socorros. Tirou o celular do bolso e pediu socorro. Abraçou Dalton e suplicava por sua vida, pedia para que não fosse embora. Ele o perdoaria, perdoaria e pelo restante dos seus dias queria ouvi-lo falar, queria sentir sua presença por maior que fosse a situação.
Fred tateou o corpo de Dalton, ainda pulsava, ele estava vivo. Saiu correndo, pegou um pouco de perfume e o fez inalar com um pano.
Dalton tossia compulsivamente. Foi posto na cama com cuidado e enquanto acordava, Fred dizia:
- Eu não te perdoo, Dalton. Não perdoo porque não existe o que ser perdoado. Você não sabia, não sabíamos. Nos amamos, nos perdemos, nos encontramos e é assim que seremos sempre. Estarei aqui sempre com você até os últimos minutos de sua vida e sejam eles agora ou daqui a dez anos. Estarei com você.
Dalton sorria, seus olhos brilhavam e devido sua fraqueza só conseguiu dizer:
- Então, me beija.
Fred não hesitou e realizou.
- Eu amo você – disse Dalton.
- Não mais do que eu o amo – respondeu Fred.
O relógio anunciava 17h07, dona Eunásia terminava de preparar a refeição da tarde. Estendeu um pano em cima da mesa, todo trabalhado em vermelho, que ela mesma havia tricotado; colocou café, chá, bolachas e alguns pães que ela mesma acabara de preparar. Foi até a cozinha e buscou as geléias de morango e uva, as facas, xícaras e pronto. Tudo estava como sempre fazia para que às 17h30 pudesse degustar de seu preparo juntamente com quem diariamente estava a esperar.
Tudo pronto!
Cansada, ela sentou e resolveu ligar a TV para relaxar, enquanto o relógio tilintava até seu horário tão esperado.
No jornal CNN noticiava que um homem alto, cabelos negros, pele clara e corpo atlético, estava sendo procurado porque acabara de estuprar um garoto de apenas 5 anos. O acontecimento tinha sido pela manhã, mas só foi informado aos policiais por parte da tarde. Helicópteros foram contratados e vinte viaturas disponibilizadas para procurar o homem.
Todos os dias uma criança era abusada e a dúvida permanecia. Ninguém sabia o paradeiro do rapaz. A sociedade acreditava que apenas um homem realizava todas as ações porque sempre colocava um número em cada corpo, como se fosse uma continuação de pessoas abusadas sexualmente. Porém, o que intrigava a população era que sempre o rosto era visto e nunca eram as mesmas pessoas.
Enquanto a senhora assistia o noticiário, o carro de um xerife era estacionado em sua residência. Ela foi até a porta ver do que se tratava e antes de chegar até lá, olhou o relógio marcar 17h30, em ponto. Abriu a porta e ficou parada analisando quem sairia do carro.
Um homem loiro, olhos azuis e com físico aparentemente magro, descia do carro e se aproximava dela.
Beijou-a e disse:
-Estou exausto hoje, quase não consigo realizar meus planos.
Em silêncio, ela simplesmente abraçou-o e segurou em sua cintura.
Ambos entraram.
- Qual foi esse garoto, dessa vez? – perguntou dona Eunásia.
- Filho de um riquinho metido a besta lá.
- Veio com um carro novo hoje.
- Fui promovido, agora sou xerife.
Dona Eunásia vivia com ele naquela casa. Ela teve quatro filhos dos quais três deles faleceram. Todos serviram ao exército e Eunásia fazia questão de deixar registrada a foto dos quatro queridos filhos estampada em cima do cofre que ficava na sala da residência e num outro retrato ela deixava a fotografia do marido que também falecera. Na verdade ela nunca amou verdadeiramente o marido, mas mantinha a imagem dele ali mais porque o filho pedia para deixar, para aguçar a vingança do único filho vivo.
Os quatro tornaram-se policiais, seu marido era xerife e o filho que residia com ela, havia acabado de subir de cargo, tomando conta igual seu pai, possuindo o nome de xerife da família e comandando uma tropa de mais de quarenta policiais.
Dona Eunásia zelava do seu filho, Petrick, mais do que de sua própria vida. Além de ser o único, atualmente, era o caçula e sempre sofreu na mão do seu pai, Alfredo.
Alfredo sempre abusou sexualmente do filho mais novo e dona Eunásia sabia, mas era ameaçada de morte, então, preferia manter o silêncio. Mas, cansada dele abusar de Petrick, ela tomou coragem e tramou o assassinato do próprio marido na noite do dia sete de julho.
Desde o dia em que Petrick entrou na área policial o instinto vingativo tomou conta de si. Depois de sofrer mais de dez anos sendo abusado de todas as formas possíveis, Petrick foi possuído por um ódio sobre-humano e desde então praticava a mesma violência que sofria apenas com garotos. Ele sabia que era ilusória tal vingança, afinal, seu próprio pai não estaria sofrendo em nada, apenas as vítimas e os familiares delas. Ele apenas acreditava que fazendo isso seria uma forma de diminuir suas dores. Estava enganado e sabia, mas mantinha as mesmas coisas, as mesmas farsas. Ora usava peruca loira, ora negra, ora tornava-se ruivo; usava enchimentos para aparentar ser mais forte; ora tinha olhos verdes, ora azuis - o natural, ora castanhos e negros, mas sempre fazia isso porque era muito conhecido na cidade e jamais poderia deixar que fosse pego. A única marca que deixava no corpo das pessoas era para nunca perder a conta de seus registros.
- Acho que chegou a hora de parar – disse ela.
- Não acho, ainda tenho resquícios de dor dentro de mim – respondeu ele.
- As marcas sempre vão ficar. Por mais que você pegue um papel e o amasse, filho, ele nunca mais voltará a ser como antes, por mais que passe ferro ou faça qualquer coisa. As chagas sempre existirão.
- Eu não quero sentir o que sinto, preciso descontar nos demais.
- Você sabe que isso é ridículo. Preciso te contar algo que nunca disse antes. Sente aqui – apontava ela para a mesa recheada do café da tarde, preparado por ela.
Sentou e serviu-se de chá e bolachas com geléia de uva.
- Quando eu tinha três anos, minha mãe contratou uma moça para trabalhar como nossa babá – relatava dona Eunásia, enquanto sentava ao lado do filho. - A moça era boazinha, aparentemente, depois de uns anos ela passou a levar o namorado dela escondido. Quando mamãe saía, ficavam os dois tomando conta de mim e me abusavam. Ela pegava vários objetivos e colocava em mim, o namorado dela me obrigava a ter relações e a babá ria de tudo. Lembro das gargalhadas dela, do olhar e sempre sofri calada com isso. Acha que me contentava quando descobri o que seu pai fazia com você? Só porque todos seus irmãos eram gays e você era o único que gostava de mulher na família? Acha que eu gostava? Eu sofria calada porque ele ameaçava de morte não a mim, mas você. Falava que te mataria e eu pedia por Deus para que não fizesse isso.
Ele olhava arregalado para ela, jamais sabia que sua mãe sofrera coisas piores do que ele. Achava que todas suas dores eram as mais sofridas, sem se dar conta de tudo que a mãe passou.
Petrick chorava, se lamentava e pediu perdão a sua mãe por ser daquele jeito, tão egoísta e desumano.
- Se você quer diminuir sua dor, deve brotar contentamento nos lábios das pessoas ao seu redor. Quando fazemos as pessoas sofrerem, quem sofre primeiro somos nós. Antes de pensar em diminuir sua dor, pense em aumentar seus sorrisos. O sofrimento se vai assim. Queira sorrir, queira viver e a dor desistirá de habitar em você.
Ele se levantou e abraçou-a com intensamente.
- Vamos nos mudar daqui – determinou ele. – Se é para ter uma vida renovada, que comece por uma casa nova.
Pauta para Edição Visual do Projeto Bloínquês
1° Lugar na 112ª Edição Bloínquês
Melífluas
Foram as lágrimas
Que rolaram por quem me fez feliz
Num oceano de aprendiz.
Insípidas
Foram as lágrimas
Que não deu para evitar cair
Por coisas que não tinham como prosseguir.
Acerbosa
Foram as lágrimas
Que insisti para que se transformassem em sorriso
E, na verdade, elas me eram um aviso.
Guerreira
Foram as lágrimas
Que tentei evitá-las, mas viviam se petrificando
Quando via, as crianças, de fome morrendo.
Tristeza
Foram as lágrimas
Que caíam a cada decepção das pessoas
Num mundo que não tem mais humana destreza.
Foram as lágrimas
Que rolaram por quem me fez feliz
Num oceano de aprendiz.
Insípidas
Foram as lágrimas
Que não deu para evitar cair
Por coisas que não tinham como prosseguir.
Acerbosa
Foram as lágrimas
Que insisti para que se transformassem em sorriso
E, na verdade, elas me eram um aviso.
Guerreira
Foram as lágrimas
Que tentei evitá-las, mas viviam se petrificando
Quando via, as crianças, de fome morrendo.
Tristeza
Foram as lágrimas
Que caíam a cada decepção das pessoas
Num mundo que não tem mais humana destreza.
Alegria
Foram as lágrimas
Que deixei que caíssem quando vi uns salvando os outros
Com uma eterna magia.
Remorso
Foram as lágrimas
Que não evitei que caíssem
E em meu dorso se comprimissem.
Ácida
Foram as lágrimas
Que rolaram no passado e queimaram minha pele,
Rasgaram os tecidos do meu coração e a lembrança ainda me compele.
Nulas
Foram todas as lágrimas
Que caíram por quem não fez por merecer,
Eu deixei gota a gota se desprover.
Pauta para Bloínquês.
Tema: O gosto de uma lágrima
Tema: O gosto de uma lágrima
Poderia ser aquele que tivesse o brilho do sol,
Ou ainda, uma grande chuva para beijar o girassol.
Quem sabe correr pelos campos floridos
E alegrar os corações partidos.
Poderia ser um dia na praia a navegar,
Ou ainda, em casa com os amigos se infiltrar.
Quem sabe fotografias tirar
E, no futuro, os momentos recordar.
Poderia ser uma tarde no shopping aproveitar,
Ou ainda, uma peça de teatro se deliciar.
Quem sabe um filme com seu amor admirar.
Eu desejaria tudo isso e alguns tais,
Mas o meu dia perfeito seria, como criança feliz,
Acabar com a violência no Vietnã e nada mais.
Ou ainda, uma grande chuva para beijar o girassol.
Quem sabe correr pelos campos floridos
E alegrar os corações partidos.
Poderia ser um dia na praia a navegar,
Ou ainda, em casa com os amigos se infiltrar.
Quem sabe fotografias tirar
E, no futuro, os momentos recordar.
Poderia ser uma tarde no shopping aproveitar,
Ou ainda, uma peça de teatro se deliciar.
Quem sabe um filme com seu amor admirar.
Eu desejaria tudo isso e alguns tais,
Mas o meu dia perfeito seria, como criança feliz,
Acabar com a violência no Vietnã e nada mais.
Pauta para Bloínquês - Poema/Poesia
Tema: Um dia perfeito
Apague a luz da realidade,
Acenda a luz dos seus sonhos,
Não fique na rede a se balançar com os planos medonhos,
Aprecie na sacada o emaranhar da felicidade.
Eis que aqui chego,
Sem pressa, sem compasso.
Eis que aqui me apego,
Com apreço, com amor, em nosso passo.
Você com seu jeito recatado,
Eu com meu jeito atirado.
Você com o cigarro por entre os dedos,
Eu com o copo entre os lábios.
Enquanto caminhas, eu prefiro correr,
Enquanto buscas o destino, eu faço você o ser.
Enquanto você prefere a chuva, eu busco o sol.
Enquanto você gosta de basquete, eu prefiro futebol.
Sem radar percorremos os caminhos,
Seguimos trilhos diferentes.
Você com seu ritmo devagarzinho
E eu com um estilo excitante.
Você é a água que apaga o fogo que me aquece,
Eu sou a chama que você jamais esquece.
Você me é o êxtase que apetece
E dentro de mim tudo a você é que faz prece.
Somos diferentes e não há como consertar.
Você prefere o campo, eu prefiro o mar.
Enquanto você prefere o filme, no livro eu prefiro navegar.
E com toda essa diferença é com você que quero ficar.
Não importa se seja aqui ou acolá,
É você que faz minha vida aflorar,
É com você que o brilho volta a raiar,
É pra você que eu estou o amor a entregar.
Largue as águas da solidão e venha comigo ficar.
Jogue fora a dor da ilusão e venha para os meus braços se entregar.
Não vamos perder mais tempo da felicidade, unidos, vivenciar.
Venha namorar comigo, porque somente sua mulher eu quero me tornar.
1º lugar na edição Poemas/Poesias
Tema: Pedido de namoro diferente
Tema: Pedido de namoro diferente
Abri a janela do quarto do hospital, ainda sonolenta, o sol batia enjoativo em meus olhos. Voltei a fechar, não tinha graça observar do alto, aquelas pessoas perambulando pelas ruas, procurando o que fazer, fofocando e distribuindo falsidades.
Voltei rapidamente para a cama, antes que alguém pudesse enxergar-me de pé.
Eu queria mais do que tudo sair daquele lugar, três dias trancafiada, sem nada interessante a fazer, sem amigos, sem minhas vontades, meu êxtase de felicidade.
Fechei os olhos e acabei caindo no sono.
- Ei, Katlyn, acorde!
- Diga, enfermeira.
- Você está melhor?
- Sim, estou, com vontade de ir embora. Já posso?
- Só um instante.
Aquele instante mais parecia uma eternidade, aquele cheiro de hospital, a alimentação horrível, precária, dava ânsia e vontade de sair correndo pelo corredor e fugir daquele lugar.
Perdidos pelo vidro, encontrei os olhos de mamãe procurando os meus. Na verdade era a última coisa que queria ver, os olhos dela. Ela em si!
Abriu a porta e disse que já podia ir pra casa. Nada como uma ótima notícia pra aliviar a sua presença.
Troquei as roupas, calcei o salto e parti em rumo à realidade que havia se tornado um sonho.
Ao passar pelo corredor, fui até o pátio beber água, enquanto esperava mamãe pegar alguns papéis do meu exame com a médica. Sentei-me, ainda com fraquezas, por causa do soro que havia acabado de tomar. Vi uma garotinha, seus olhos brilhavam em frente ao espelho. Não aparentava ter mais do que 10 anos, sua cabeça crua, sem um fio de cabelo sequer. Ela se olhava feliz, dava um sorriso esguio. Pegou uma canetinha ao lado da sua cadeira e começou a desenhar no espelho. Fez cabelos e sorria mais ainda, dava gargalhadas enquanto fazia. Trocou a cor e fez laços nas pontas.
Seu olhar deixou escapar uma lágrima, a esperança ainda existia naquele coração e a coragem de encarar seus problemas, logo naquela idade, já era um sinal de superação.
Aprendi, olhando aquela cena, que eu tenho tudo que quero. Frequento baladas, bebo até cair e acabo sendo internada por tantas besteiras que faço. Saio a hora que quero, faço o que quero quando dá vontade, reclamo, choro, grito, me desespero, mas não tenho problemas tão graves quanto os daquela garotinha que mal deveria saber o que significa a palavra problema.
Ela tão cedo já sente o que é isso e eu, velha que sou aos meus 27 anos, não sei qual tamanha é a dor que se passa naquele coração. E mesmo se eu soubesse, não teria força o suficiente para contemplar minha face no espelho e ver que meus vaidosos cabelos, não mais encontram-se no lugar em que devia estar.
Ela sabe o que é sofrer e sabe o que é superar. Eu não sei o que é sofrer e mal supero algumas besteiras do meu dia a dia.
1° Lugar - Edição Visual BLQ
Meu caro,
As caixas pretas foram quebradas, destruídas; atearam fogo nos estilhaços e todos aqueles deliquentes não projetam mais a respiração interminável, lá no World Trade Center.
Depois de 10 anos, acendi a luz, pela manhã, peguei os equipamentos necessários e transformei o camarada, como pedido. Claro que ele reagiu um pouco, foi difícil, mediante a localização e a situação que o colocaríamos. A máscara, a roupa, a peruca, tudo! Ele ficou na mais profunda perfeição, ficou melhor ainda porque inventamos uma pra ele e, claro, caiu feito patinho.
Quando o corpo chegou ao necrotério, fizeram a autópsia e ainda foi feito um exame de DNA. A morte dele foi o fim! O fim, não apenas dele, mas o meu e o do seu tormento também.
Meu caro, viva feliz e tranquilo. Não preocupe-se com os diabos ao seu redor, eles não estarão. Não mais!
A quantia ofertada ao doutor que fez o exame de DNA foi o suficiente para manter o silêncio. Todo caso, se for preciso, assopro a fumaça da munição no meio da testa dele. Mas só se ele nos der muito trabalho.
Sei que vai ser difícil viver o restante da tua vida ocultando sua identidade, mas existem plásticas, cortes de cabelo de diversos tipos e mudanças no tom da sua pele. Ninguém jamais desconfiará desse nosso segredo.
Tome cuidado, Osama! Sua vida está boa, mas pode ficar melhor. Contrate um cirurgião e pague-o bem pra isso. Posso procurar um de total confiança.
Enganamos todos, bando de babacas. Acabaremos com todos eles. Nosso próximo plano será as torres gêmeas do Brasil, conhece? Aquelas de Brasília. Destruiremos aqueles políticos otários e depois a gente planeja outro fim, estou pronto para embarcar num bem próximo plano, não quero demorar para fazê-los gritar de dor.
Do seu mais que ajudante,nas horas de viver e até fingir morrer:
As caixas pretas foram quebradas, destruídas; atearam fogo nos estilhaços e todos aqueles deliquentes não projetam mais a respiração interminável, lá no World Trade Center.
Depois de 10 anos, acendi a luz, pela manhã, peguei os equipamentos necessários e transformei o camarada, como pedido. Claro que ele reagiu um pouco, foi difícil, mediante a localização e a situação que o colocaríamos. A máscara, a roupa, a peruca, tudo! Ele ficou na mais profunda perfeição, ficou melhor ainda porque inventamos uma pra ele e, claro, caiu feito patinho.
Quando o corpo chegou ao necrotério, fizeram a autópsia e ainda foi feito um exame de DNA. A morte dele foi o fim! O fim, não apenas dele, mas o meu e o do seu tormento também.
Meu caro, viva feliz e tranquilo. Não preocupe-se com os diabos ao seu redor, eles não estarão. Não mais!
A quantia ofertada ao doutor que fez o exame de DNA foi o suficiente para manter o silêncio. Todo caso, se for preciso, assopro a fumaça da munição no meio da testa dele. Mas só se ele nos der muito trabalho.
Sei que vai ser difícil viver o restante da tua vida ocultando sua identidade, mas existem plásticas, cortes de cabelo de diversos tipos e mudanças no tom da sua pele. Ninguém jamais desconfiará desse nosso segredo.
Tome cuidado, Osama! Sua vida está boa, mas pode ficar melhor. Contrate um cirurgião e pague-o bem pra isso. Posso procurar um de total confiança.
Enganamos todos, bando de babacas. Acabaremos com todos eles. Nosso próximo plano será as torres gêmeas do Brasil, conhece? Aquelas de Brasília. Destruiremos aqueles políticos otários e depois a gente planeja outro fim, estou pronto para embarcar num bem próximo plano, não quero demorar para fazê-los gritar de dor.
George W. Bush.
1° Lugar, edição Bloínquês - Musical *--*
1° Lugar na edição Cartas - BLQ também.
1° Lugar na edição Cartas - BLQ também.
Quase imaculado, incontrito
Entre os verbetes instáveis
De um intrépido coração.
Maligno foste
Entre os laços irremediáveis
De um final que proposte
Nos meios nada viáveis.
A vingança petrificada
No peito, agora, encontrada.
Por veias da infelicidade proposta
Que por você foi exposta.
Arrancarei o ódio,
Resgatarei o amor,
Esvaziar-me-ei de toda vingança.
...
Não por você,
Não por nós,
Mas pela vida.
Essa não merece a desventura,
Nem tampouco o desleixo
Que foste capaz de causar
A quem tanto quis em mim, o seu eixo.
A quem tanto quis em mim, o seu eixo.
Jenny,
As folhas de outono, neste momento, caem e perpetuam-se pelos campos floridos de um coração que não pertence mais a mim. O colorido, aqui, passa a existir, desde quando essas folhas insistiram em habitar num lugar vazio, murcho e sem vida alguma.
Ora, não faça essa “carinha” de interrogação, logo entenderás. Pelo menos sei que você é capaz, já que eu, até hoje, não consegui explicar para mim mesmo e entender, simultaneamente, as confusões que aqui residem.
Jenny, eu tentei ser forte. Sua amizade é a coisa mais valiosa que tenho e jamais a depreciaria por algo que fosse. O preto e branco dessa nossa união é como um rochedo que petrificou-se em meu peito.
Sei que o que estou prestes a dizer poderá romper esse laço, que por mim parece ser inquebrável, mas nossa vida é feita de desafios, ousadias e você sabe perfeitamente que para isso eu sou uma negação (feche o riso tímido em teus lábios, sei que estás sorrindo, mas é algo sério).
Lembra-se daquela vez que você escreveu o nome de cada garota do colégio que eu poderia estar apaixonado e era para eu marcar um coração? Ora, não seja ingênua, aposto que agora você já descobriu, né? Eu não assinei ninguém porque seu nome não estava lá.
Desde aquele tempo, Jenny, eu sofro calado. Perco minhas noites de sono, mas ganho os pensamentos e os sonhos de doces beijos seus. Você acariciando minha face lentamente, deslizando seus dedos em meus cabelos e fazendo com que meus sonhos, sejam melhores do que a realidade apresentada.
Precisava de uma resposta sua, por mais que ela seja uma facada e uma torcida em meu imaculado coração, que simboliza somente o amor eu tenho por você.
Não consigo mais resistir. Não posso! Deixei que o preto e branco da nossa amizade fosse colorido por essas folhas que simbolizam cada carinho, cada atenção, cada palavra, cada abraço e cada beijo – mesmo sendo no rosto ou nas mãos, eles foram o suficiente para fazer brotar em minh’alma o amor inigualável por ti. Essa amizade colorida que sinto, mas que para você pode ser cinza ou poderá nem tê-la mais, pois, com tudo isso, não sei se ainda deseja olhar em meus olhos.
Eu tentei te esquecer. Juro! Mas as cores foram imbatíveis, mais fortes do que eu. Porém não posso deixar que o medo e a insegurança tomem o lugar de ambos. Isso seria covardia.
Daquele que deixou o medo, por muitos anos, falar mais alto;
mas agora grita pela liberdade de um amor que a insegurança tentou matá-lo.
mas agora grita pela liberdade de um amor que a insegurança tentou matá-lo.
Pauta para o projeto Bloínquês.
Edição cartas - Tema: Amizade colorida
Edição cartas - Tema: Amizade colorida
*Texto fictício.
Kelry,
Se chegou até aqui, provavelmente, foi movida pela curiosidade de saber o que eu, sendo sua pior inimiga, poderia tratar com você, por meio de uma carta.
É bem óbvio e você sabe perfeitamente do meu ódio incontestável por você. Eu sei que você roubava meu dinheiro escondido, enquanto tomava banho e que rasgava minhas roupas, quebrava minhas pulseiras dentro do meu baú de jóias e o deixava lá, para eu achar que aconteceu do nada. Pois você acha que sou boba, né? Mas realmente você acertou. Eu sou sim, só que não o bastante para fazer com que você me engane a vida toda. Descobri teus segredos, tuas maldades e agora as tuas armas estão em minhas mãos.
O pior, sua vigarista, ainda tem mais. Descobri mais e isso só foi o início para preparar-me para o pior.
Quando fui visitar mamãe no hospital, ela lembrou que você havia medicado-a com o remédio diário, só que deu alteração no sistema nervoso e ela precisou ser internada. A médica detectou que deram uma mistura gravíssima e ela só não morreu porque meu irmão a viu tremendo no chão e chegou a tempo para ser atendida.
Se você o ama tanto, não é matando minha mãe e destruindo minha vida que você irá conquistá-lo. Eu tenho dó de você e da sua família. Você não é digna do teto que mora, não merece os pais maravilhosos que tem e não vale o chão que pisa.
E saiba mais: Meu irmão casou-se com uma inglesa e não está mais no Brasil; mamãe teve alta do hospital e o seu final... Eu deixo para o término desta carta.
Eis a diferença entre nós: Eu tenho ódio pelas coisas que você fez, por todas as dores que fizeste-me passar, mas não guardarei esse sentimento dentro de mim, porque quem tem um inimigo dorme com ele, acorda com ele, alimenta-se e vive com ele. E, de você, eu não quero nem o pensamento. Por isso, hoje, apago-te da memória. Não tenho amor e nem ódio por você, apenas nem lembro mais sua existência.
Você não foi completamente um nada pra mim, reconheço sua importância. Sim, você foi. Porque você me fez crescer, me ensinou que não devo confiar inteiramente nas pessoas, o tanto quanto confiei em ti. Mas foi somente até aqui.
Agora o seu fim está logo atrás de você, esperando que termine de ler esta carta.
Você está presa, Kerly.
Pauta para BLQ
Se chegou até aqui, provavelmente, foi movida pela curiosidade de saber o que eu, sendo sua pior inimiga, poderia tratar com você, por meio de uma carta.
É bem óbvio e você sabe perfeitamente do meu ódio incontestável por você. Eu sei que você roubava meu dinheiro escondido, enquanto tomava banho e que rasgava minhas roupas, quebrava minhas pulseiras dentro do meu baú de jóias e o deixava lá, para eu achar que aconteceu do nada. Pois você acha que sou boba, né? Mas realmente você acertou. Eu sou sim, só que não o bastante para fazer com que você me engane a vida toda. Descobri teus segredos, tuas maldades e agora as tuas armas estão em minhas mãos.
O pior, sua vigarista, ainda tem mais. Descobri mais e isso só foi o início para preparar-me para o pior.
Quando fui visitar mamãe no hospital, ela lembrou que você havia medicado-a com o remédio diário, só que deu alteração no sistema nervoso e ela precisou ser internada. A médica detectou que deram uma mistura gravíssima e ela só não morreu porque meu irmão a viu tremendo no chão e chegou a tempo para ser atendida.
Se você o ama tanto, não é matando minha mãe e destruindo minha vida que você irá conquistá-lo. Eu tenho dó de você e da sua família. Você não é digna do teto que mora, não merece os pais maravilhosos que tem e não vale o chão que pisa.
E saiba mais: Meu irmão casou-se com uma inglesa e não está mais no Brasil; mamãe teve alta do hospital e o seu final... Eu deixo para o término desta carta.
Eis a diferença entre nós: Eu tenho ódio pelas coisas que você fez, por todas as dores que fizeste-me passar, mas não guardarei esse sentimento dentro de mim, porque quem tem um inimigo dorme com ele, acorda com ele, alimenta-se e vive com ele. E, de você, eu não quero nem o pensamento. Por isso, hoje, apago-te da memória. Não tenho amor e nem ódio por você, apenas nem lembro mais sua existência.
Você não foi completamente um nada pra mim, reconheço sua importância. Sim, você foi. Porque você me fez crescer, me ensinou que não devo confiar inteiramente nas pessoas, o tanto quanto confiei em ti. Mas foi somente até aqui.
Agora o seu fim está logo atrás de você, esperando que termine de ler esta carta.
Você está presa, Kerly.
Daquela que tinha você no passado como a melhor amiga,
mas hoje a tem como a maior lição de vida para valorizar cada instante vivido.
Magg.
mas hoje a tem como a maior lição de vida para valorizar cada instante vivido.
Magg.
Pauta para BLQ
Inferno, 02 de novembro de 2010.
Christoffer,
Foi muito angustiante para mim, ver nosso filho nas mãos da calamidade. Entregue à morte da forma que foi. A crueldade que fizeram com ele foi tamanha discrepância.
Na noite do dia 23 de outubro, ele foi assassinado. Arrancaram-lhe os olhos: é até difícil entender o motivo, mas como me disseram e você sabe muito bem como ele ficava olhando as mulheres casadas; cortaram-lhe a língua: por falar tantas coisas para elas e ia além, ainda desafiava seus maridos, chamando-os de “moles”, “frescos” e “chifrudos”; cortaram-lhe os dedos: ainda não entendi o porquê, mas dizem as más línguas que era porque ele vivia apontando os erros alheios.
De fato, Christoffer, não estou feliz com o ocorrido. Talvez, pelo meu pressuposto, pela forma que lhe escrevo, venha estar convencido que era o que eu queria. Mas não é. Você sabe o quanto o amava e ainda o amo. Ver aquele corpo desfigurado trouxe o gosto da morte perto do meu ventre.
Seus pés foram cortados e encontrados esquartejados, ao lado da sua cabeça. Talvez ele estivesse ultrapassando os limites, não sei. Realmente não tenho ideia quais razões levariam alguém a matar outro de uma forma tão exacerbada.
Ainda tem mais e acredito ser o pior, tiraram-lhe a pele; rasgaram seu corpo com uma gilete e escreveram: “eis a minha vingança por tudo que me fez passar”.
Sabe do que mais sinto falta? De quando ele corria para os meus braços gritando, chamando-me de mãe e pedindo que eu o pegasse no colo e fizesse carinho. Ele encostava sua cabeça em meu ombro e eu sentia as lágrimas queimarem minha pele, a pele de uma super mãe protetora.
Sinto falta de quanto passeávamos, procurando o melhor lugar para comprarmos seu presente favorito.
Hoje, a tristeza é tamanha que prendo-me a ela, no conjunto interminante da saudade e das lágrimas que impedem a minha liberdade.
Não assassinaram nosso filho, não assassinaram seu corpo, não arrancaram seus olhos, sua língua, seus dedos... Não!
Assassinaram a minha felicidade, a minha vida. Assassinaram a minha alma e isso não há perdão.
Na noite do dia 23 de outubro, ele foi assassinado. Arrancaram-lhe os olhos: é até difícil entender o motivo, mas como me disseram e você sabe muito bem como ele ficava olhando as mulheres casadas; cortaram-lhe a língua: por falar tantas coisas para elas e ia além, ainda desafiava seus maridos, chamando-os de “moles”, “frescos” e “chifrudos”; cortaram-lhe os dedos: ainda não entendi o porquê, mas dizem as más línguas que era porque ele vivia apontando os erros alheios.
De fato, Christoffer, não estou feliz com o ocorrido. Talvez, pelo meu pressuposto, pela forma que lhe escrevo, venha estar convencido que era o que eu queria. Mas não é. Você sabe o quanto o amava e ainda o amo. Ver aquele corpo desfigurado trouxe o gosto da morte perto do meu ventre.
Seus pés foram cortados e encontrados esquartejados, ao lado da sua cabeça. Talvez ele estivesse ultrapassando os limites, não sei. Realmente não tenho ideia quais razões levariam alguém a matar outro de uma forma tão exacerbada.
Ainda tem mais e acredito ser o pior, tiraram-lhe a pele; rasgaram seu corpo com uma gilete e escreveram: “eis a minha vingança por tudo que me fez passar”.
Sabe do que mais sinto falta? De quando ele corria para os meus braços gritando, chamando-me de mãe e pedindo que eu o pegasse no colo e fizesse carinho. Ele encostava sua cabeça em meu ombro e eu sentia as lágrimas queimarem minha pele, a pele de uma super mãe protetora.
Sinto falta de quanto passeávamos, procurando o melhor lugar para comprarmos seu presente favorito.
Hoje, a tristeza é tamanha que prendo-me a ela, no conjunto interminante da saudade e das lágrimas que impedem a minha liberdade.
Não assassinaram nosso filho, não assassinaram seu corpo, não arrancaram seus olhos, sua língua, seus dedos... Não!
Assassinaram a minha felicidade, a minha vida. Assassinaram a minha alma e isso não há perdão.
Quem assassinou? Ora, está na “cara” para você descobrir, Christoffer. Ele nunca teve inimizades com ninguém de fora, apenas um, em sua própria casa.
Sim, Christoffer, foi Jeffrey, o nosso caçula que o matou.O por quê? Algumas de suas justificativas foram empregues nesta carta, o restante eu deixo para você mesmo perguntar a ele.
Sim, Christoffer, foi Jeffrey, o nosso caçula que o matou.O por quê? Algumas de suas justificativas foram empregues nesta carta, o restante eu deixo para você mesmo perguntar a ele.
Com total indignação.
Holocausto, 4 de novembro de 2010.
Meu caro,
Sei que é muito provável que você fique intrigado ao ler esta carta e se já chegou até aqui, foi movido pela curiosidade do que eu pudesse informá-lo.
Os dias aqui não têm sido fáceis e, a cada minuto, sinto saudade da temperatura do meu corpo quando estava em contato com o teu. Lembro quando você me chamava de pequena e corria para perto de mim. Envolvia-me nos teus braços fortes e eu sentia a pessoa mais protegida do mundo. Você, então, passava a mão em minha face, deslizava-a em meus cabelos e percorria por todas as curvas existentes em meu corpo. Ele está aqui, à sua espera, mas é muito provável que não queira amar-me mais, depois de tanta coisa que tenho a confessar.
Procurei tantos recursos, tantas pessoas que pudessem me ouvir, mas o único que confio e entregaria a minha vida é você, meu caríssimo amor. Preciso te contar, mesmo que isso cause o seu desgosto, seu desprazer pela sua baixinha e querida menina.
Há uma semana “saí” de São Paulo (preciso usar o verbo “sair” porque estou tentando me conformar com o que fiz). Foi uma saída secreta, ninguém soube e até agora ninguém sabia, a não ser você agora.
Tive uma discussão séria com mamãe. Ela forçou a barra. Não confiou em mim, desprezou-me, disse coisas horríveis, xingou-me de tudo que não merecia e ainda, para piorar toda a situação, disse que eu era uma “garota da vida”, nem entendi o porquê. Sou virgem até hoje, mesmo tido tantos momentos quentes de prazer com você. Lembra-se da nossa promessa em casar-me virgem ao seu lado, no altar? Então... Ainda sou, estou esperando por ti.
Depois de tanto desabafo, ela ainda deu-me um tapa na cara. Foi forte, desesperador e meu sangue subiu, ferveu e eu matei-a. Estávamos na cozinha, eu estava encostada na pia. Fiquei de costas pra ela, por alguns instantes, e peguei a faca. Não resisti e penetrei-a em seu peito. Pude notar a dor que ela sentia, ao contemplar-me com seu olhar frio, mas ainda desesperador. Suplicava socorro e quem acabou sendo fria foi eu, em deixá-la cair e seu sangue escorrer pela cozinha, encharcando o piso que ela tanto velava para que ninguém o sujasse.
Eu nunca, em toda minha adolescência, insinuei para algum cara e não é hoje, na minha fase adulta que o faria. Ela desafiou-me. Sei que o que ela fez não justifica o que fiz, mas agora não há o que fazer.
Estou longe daí, precisei fugir para não ser pega. Não pude vê-lo antes, peço que me perdoe, mas ainda o amo e agora só tenho você, se ainda quiser-me.
Daquela assassina, mas que não é capaz de matar esse amor.
Um sorriso, um olhar
Ela ali está.Um carinho, um amar
Pronta pra ficar.
Não tem olhos, mas sabe enxergar.
Não tem boca, mas sabe se expressar.
Não tem mãos, mas consegue tocar
Aonde quer que ela queira ficar.
Sabe amar, de mansinho
Mas intensamente!
Sabe habitar, rapidamente
E com carinho!
Ela é o que a gente procura
E isso ela ignora.
Quando menos esperamos, ela aparece
E isso ela adora.
Bate, rebate e se não abrir:
Se vai.
Bate, rebate e se deixar entrar:
Vai morar.
Ela é a felicidade.
Todos a querem
Mas poucos a tem
Vívida ela é
E somente a satisfação a convém.
Ela pode ser como um rochedo
Em seu peito petrificado,
Mas também pode ser vítrea
No chão despedaçado.
Poema para pauta do Bloínquês. Tema: Felicidade.
Delirante, afagante e exuberante
É o nosso amor.
Alarmante, desconcertante e horripilante
É a nossa dor.
Você apaga a luz
E me traduz.
Eu acendo a chama
E você me ama.
Noite e dia
É o nosso querer
Nunca e jamais
É o nosso poder.
Nos amamos com o amor mais puro,
Mas ainda é imundo.
Nos queremos com o desejo mais profundo,
Mas ainda é impuro.
Nosso amor é ilegítimo,
Nossa união é ilegal,
Meu querer não é frígido,
Mas nossa separação é fatal
Para minha vida não ser mais igual.
Sou teu amor de corpo
Sua alma por completo
Mas tua irmã de sangue
Tornando nosso amor infame
E a nossa vida um ditame.
Apago a luz, para que assim eu seja capaz de te enxergar na escuridão, entre meus sonhos.
Morreu parte de mim: Você. Levaste a quente e tão almejada alegria: Nossa união; arrebatando o que me é claro, deixando-me apenas com a escuridão da solidão.
Tantas cartas te escrevi, mas todas foram rasgadas, queimadas, antes que pudesse existir uma pequena suficiência de coragem para chegar até você.
Morro todos os dias. Um pedaço de mim se vai em cada lauda que insisto em queimar no fogo – jamais tido por você, somente por mim –, o fogo do meu amor.
Mato todos os dias a paixão que ainda existe em mim e, a cada assassinato, ele renasce em dobro, enquanto escrevo para ti.
Hoje ele acabará. A morte chega, mais uma vez, forte, incontrita e certa que chegará o fim desse amor. Nem que para isso eu seja preciso morrer com ele.
Esta é a última carta que te escrevo e não queimá-la-ei, mas enviarei a ti meu amor e minha dor. Levarei a você minha morte. Cuide bem dela.
Estou morrendo, não porque sou fraca, mas porque não tenho mais forças o suficiente para lutar por esse amor que me mantinha viva. Não estou desistindo de lutar, só não tenho mais condições de sofrer por ele, por você: Por nós!
Morreu parte de mim: Você. Levaste a quente e tão almejada alegria: Nossa união; arrebatando o que me é claro, deixando-me apenas com a escuridão da solidão.
Tantas cartas te escrevi, mas todas foram rasgadas, queimadas, antes que pudesse existir uma pequena suficiência de coragem para chegar até você.
Morro todos os dias. Um pedaço de mim se vai em cada lauda que insisto em queimar no fogo – jamais tido por você, somente por mim –, o fogo do meu amor.
Mato todos os dias a paixão que ainda existe em mim e, a cada assassinato, ele renasce em dobro, enquanto escrevo para ti.
Hoje ele acabará. A morte chega, mais uma vez, forte, incontrita e certa que chegará o fim desse amor. Nem que para isso eu seja preciso morrer com ele.
Esta é a última carta que te escrevo e não queimá-la-ei, mas enviarei a ti meu amor e minha dor. Levarei a você minha morte. Cuide bem dela.
Estou morrendo, não porque sou fraca, mas porque não tenho mais forças o suficiente para lutar por esse amor que me mantinha viva. Não estou desistindo de lutar, só não tenho mais condições de sofrer por ele, por você: Por nós!
Com carinho, ainda com amor, mas com o gosto da morte,
Madlyn.
Pauta para o bloínquês. Edição cartas e o tema: Morte. Espero não morrer com este texto, no quesito da nota rs.
Ele está ali
Bate, pulsa e repulsa.
Canta, encanta e contagia.
Bate, pulsa e repulsa.
Canta, encanta e contagia.
Sua canção é o silêncio
Sua beleza é seu brilho
Seu esplendor é sua magia.
Sua beleza é seu brilho
Seu esplendor é sua magia.
Aos bons, aos pecadores
Ele está ali
Para saudar a todos seres.
Te fascina, te ilumina
Dá a sensação de vida
Tira a dor da morte.
O sol brilha por mais que você não queira
E se vai, por mais que você não deseje.
Mas antes da sua partida ele deixa uma marca.
A marca do anseio pela continuação.
Surge o pôr-do-sol,
E te mostra o quão grande pode ser tua noite,
Por mais que seu dia tenha sido fardo.
Ele aparece e te mostra que ainda existe uma luz,
Por mais que tudo pareça escuridão.
Ele, cansado, vai repousar
Assim como nós
E dá lugar para a magnífica lua,Para iluminar nossa noite
E voltar a iluminar mais um dia.
Ele está ali
Para saudar a todos seres.
Te fascina, te ilumina
Dá a sensação de vida
Tira a dor da morte.
O sol brilha por mais que você não queira
E se vai, por mais que você não deseje.
Mas antes da sua partida ele deixa uma marca.
A marca do anseio pela continuação.
Surge o pôr-do-sol,
E te mostra o quão grande pode ser tua noite,
Por mais que seu dia tenha sido fardo.
Ele aparece e te mostra que ainda existe uma luz,
Por mais que tudo pareça escuridão.
Ele, cansado, vai repousar
Assim como nós
E dá lugar para a magnífica lua,Para iluminar nossa noite
E voltar a iluminar mais um dia.
Procuro uma forma de tentar
apagar
O vazio que você deixou.
Procuro um jeito de tentar
esconder
As marcas
que aqui ficou.
Procuro palavras pra tentar
disfarçar
A alegria que você me roubou.
Procuro o alimento ideal
Para saciar a fome que você me
causou.
Se passam os dias,
Se passam o tempo,
Mas a fome de amar,
A fome de amor, ainda permanece
aqui.
Intacta!
Espero você para acabar com a
guerra dos meus ossos fracos.
Cansados!
E
destruir a fome do meu corpo, sedento pela presença do teu.
Necessitado!
Procuro-te em tudo
E me perco na desilusão de
esperar te encontrar.
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