Resenha: Eu te darei o Sol


Eu te darei o Sol é um livro forte e que prenderá a atenção do leitor por sua característica marcante. A obra é narrada pelo ponto de vista dos gêmeos Noah e Jude, intercalando a narração entre eles e em tempos distintos. Eles competem a afeição dos pais, tanto para conseguir a atenção quanto o favoritismo.

Na verdade, os gêmeos trilham caminhos distintos, mesmo vivendo no mesmo lugar. Contudo, ambos lutam contra fatos que não têm coragem de revelar. Mesmo sendo inseparáveis, existe algo que ambos guardam e que pode mudar a história de cada um. Eles se apaixonarão por pessoas que não foram feitos para eles; há quem diga que o amor é complicado – Jandy Nelson é categórica ao afirmar isso. Alguém discorda?

O fato é que as pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar. Acredito que não seja uma atitude proposital, mas geralmente esperamos demasiadamente de quem não consegue ou até mesmo não imaginou que seria capaz de fazer. Muitos se machucam, são machucados e se decepcionam. Colocam expectativas onde deveria diminuir a dosagem, evitar a esperança exacerbada e deixar que a surpresa venha à tona. Afinal, como diria Clarice Lispector, é melhor se surpreender do que se decepcionar.


O início da obra é narrado por Noah, ele tem apenas 13 anos e vive fechado em seu mundo. Para expor seus sentimentos, ele desenha com carvão, faz grandes obras e está prestes a ingressar na Escola de Artes CSA. Os trabalhos do garoto são motivos de orgulho à sua mãe, no entanto, gera o sentimento de inveja em sua irmã. Através de uma nova chegada, Noah descobre o sentimento da paixão e tudo pode mudar em sua vida.

Sua irmã, Jude, tem uma personalidade diferente. Ela é popular, além de praticar esporte e de ser adorada pela turma no colégio. Embora ela esteja no auge, existe algo dentro de si que não é capaz de apagar simplesmente com pessoas ao seu redor. Jude é uma garota cheia de mágoas e arrependimentos. Com a perda da avó, a menina passa a seguir uma vida regada de superstições contidas num livro em que ela deixou antes de partir. A garota não herdou o mesmo talento do irmão, mas faz algumas obras esculturais na areia. No entanto, sua insegurança sempre a deixa para trás, imaginando que está sempre em segundo plano quando se refere à mãe.


Através do ponto de vista dos irmãos, é possível analisar como o egoísmo, o orgulho e, acima de tudo, a mágoa, são capazes de separar os meninos que eram tão unidos. Mesmo competindo, eles se completavam e se divertiam com isso; escolhiam as formas de morrer, a quem salvar primeiro. A amizade era algo forte entre eles. Eles decidiam quem seria o dono das árvores, das estrelas, o oceano e até mesmo, como origina o nome do livro, do Sol.


A criatividade da autora é algo que passa longe de ser discutido. Foi algo bem explorado e que até conseguiu elaborar um livro para os leitores pintarem – já que a moda agora é essa. Embora possua os elementos característicos da emoção, da realidade e da perda, a história não me envolveu tanto quanto poderia imaginar. O sentimento carregado no livro é forte e de envolver o leitor, porém, acredito que pelo fato de ficar sempre na mesma história, na mesma luta, intriga e arte, a obra não atingiu o que esperava. Parece contraditório dizer, mas a autora trabalhou muitos elementos, no entanto, pareceu uma colcha de retalhos em que alguns não ganharam absoluta forma para ser concluído com maestria. 

Diferente do que observei, indico a obra a quem gosta desse gênero literário, pois sei que agradará muitas pessoas – como está agradando. A narrativa fluida proporciona uma leitura rápida e você sequer vê o tempo passar. Talvez eu tenha ido com muita sede ao pote e acabei finalizando a leitura com sede.


Quotes:
“Ele era o tipo de homem que entra numa sala e todas as paredes desabam” (p.46).

“Sério, se alguém me dissesse que eu podia ficar no estúdio de Da Vinci enquanto ele pintava a Mona Lisa ou subir no telhado com Brian à noite, eu subiria no telhado” (p.108).

“- [...] talvez uma pessoa seja feita de várias pessoas – digo. – Talvez estejamos acumulando novas personalidades o tempo todo. – Carregando-as ao fazermos nossas escolhas, boas e más, enquanto erramos, organizamos, perdemos a cabeça, encontramos nossa cabeça, desabamos, nos apaixonamos, sofremos, crescemos, nos retiramos do mundo, mergulhamos no mundo, ao criarmos coisas e destruirmos coisas” (p.360).


Título: Eu te darei o Sol
Autora: Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 
384
Ano: 2015

20 Revelaram sentimentos:

  1. Parabéns pela resenha, adorei. Ainda não tive oportunidade de ler, mas sempre vejo coisas positivas a respeito.

    Beijos. (http://psamoleitura.blogspot.com.br)

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  2. Oi Naty!
    Amo este livro, já li faz um tempinho, mas o achei muito marcante por se tratar de família! Gostei muito dos personagens e de como a autora criou sua história, nunca tinha lido nada dela.
    Também recebi este livrinho de colorir da editora, mas não tive coragem de pintá-lo, maior medo de estragar hahahaha. Vai entender.
    Beijo
    www.blogleituravirtual.com

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  3. Adorei o outro que li dessa autora e já estou doida nesse. Ele parece ser bem sensível e forte, explora emoções diversas e suas consequências, como são capazes de mudar uma pessoa ou situação. Acho que é uma história bem humana e bonita de ler. Pode até ter alguma coisa arrastada, umas partes que não agradem tanto, mas no geral é um bom livro. Acho que iria gostar dele.

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  4. Olá, Naty.
    Há um tempo que não leio uma resenha desse livro. Depois de ler muitas críticas positivas, eu adicionei na minha lista dos desejados.
    Espero não me decepcionar com a obra.

    Abraço!
    http://tudoonlinevirtual.blogspot.com.br/

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  5. Oi Naty!
    Ainda não li esse livro, mas achei a trama bem interessante. Não tenho costume de ler histórias que a família é o ponto principal.

    Beijos,
    Epílogos e Finais

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  6. A capa desse livro é extraordinária, né? Ainda não tive oportunidade de ler esse livro, mas tenho curiosidade. É fato mesmo que as pessoas próximas de nós são as com maior capacidade de nos machucar, é sempre melhor não esperar muito das pessoas pra não se decepcionar!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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  7. Esse livro já está na minha lista há um tempo mas ainda não consegui ler. A história foge um pouco do que eu costumo gostar mas alguma coisa nele despertou muito meu interesse.

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  8. Olá. A capa desse livro é muito bonita. Mas a premissa não é algo que me chame a atenção. Talvez, se houver oportunidade, venha a ler. Gostei muito da sua resenha, clara e esclarecedora sobre os pontos da obra. Beijos.

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  9. Eu ainda não li esse livro, mas como as pessoas estão em geral gostando, eu estava com as expectativas bem altas com relação à ele. Mas me chateoou um pouco o fato da autora ligar muitas coisas e tal fazendo essa "colcha de retalho". As vezes, se ela tivesse feito um livro maior ela poderia ter trabalho melhor os assuntos

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  10. Oii Naty!
    Que lindo esse livro! Emocionada aqui!
    Tô aqui me perguntando pq eu ainda não conhecia este livro, curiosa dmais pra ler e saber mais dessa história linda!
    Bjs!

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  11. Oi Naty, tudo bem contigo ???
    Tive a oportunidade de ler esse livro no ano passado. Essa foi a primeira obra que li de Jandy Nelson e, embora tenha algumas ressalvas, gostei muitíssimo do livro como um todo. Ele me lembrou um pouco de mim mesma, me agradou demais por ter inserido a arte ao longo da história, mas também me irritou um tico, rsrsrs.
    Achei a escrita um pouco arrastada em determinados pontos, e o fato de possuir capítulos tão longo me irritou demais ...
    Eu sou aquela leitora que só consegue largar o livro quando termina uma capítulo, então imagine a minha frustração, a minha angústia quando o capítulo não terminava ??? Gente, os capítulos são infinitos. Isso me incomodou, não me deixou tomar ar sabe ???
    Ainda sim, é um livro válido, ainda mais para quem curte o gênero !!!

    Beijinhos
    Hear the Bells

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  12. Oi Naty,
    Faz tempo que esse livro está na lista de desejados, as resenhas que já li me convenceram muito a ler esta história marcante e forte. Pelo jeito esse é um livro que a gente pega e não larga mais até acabar. Com certeza a leitura proporcionará um turbilhão de emoções por se tratar de uma obra reflexiva, tocante e real. Fiquei muito curiosa pra descobrir o que aconteceu com essa família, o que fez os irmãos se distanciarem. Já estou envolvida com a história, que livro intenso! Parabéns pela resenha!
    Beijos

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  13. Tenho lido resenhas super positivas sobre o livro. Entendi o que te decepcionou na leitura, até porque você escreve de maneira muito clara. Gosto de ler historias com irmãos gêmeos, princialmente quando eles tem personalidades tão diferentes. Espero me surpreender com a historia.

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  14. Olá, Naty.
    Diferente de você, fui sem nenhuma expectativa, acho que até por isso gostei mais do que você. Eu amei o livro na verdade. Gostei bastante dessa abordagem da autora com assuntos bem pertinentes no momento. E essa disputa entre eles estou bem familiarizada porque tenho vários irmão hehe.

    Blog Prefácio

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  15. Oi Naty, eu tenho muita vontade de ler esse livro, e é uma pena que ele não atingiu as tuas expectativas, por isso que estou tentando não criar as minhas, mas eu acho que vou gostar muito dele. E ele parece ser bem emocionante e profundo. Ah, eu acho essa capa linda, e pelo visto, combina muito bem com o livro. Beijo!

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  16. Um livro com tema bem diferente esse. Nunca tinha ouvido falar sobre ele, mas gostei demais pelos comentários que eu li aqui. Pelo que eu pude perceber, se trata de um livro cheio de dramas, de altos e baixos, que envolve família e amizade. Gosto de livros que me marcam de alguma forma e que trazem algo para eu refletir quando eu finalizo a leitura. Quero muito conhecer.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  17. Cansei de ler tantos comentários positivos sobre esse livro, ele está na minha lista de desejados a bastante tempo já, mas ainda não sobrou dinheiro para comprá-lo, quero muito ler e a cada resenha ou foto só aumenta a minha vontade.
    Beijos!!

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  18. Olá. Achei esse livro um tanto inusitado, pois não se vê muitas historias assim no mercado. O fato mais interessante é que ele aborda questões humanas que as vezes não conseguimos enfrentar, como carencia, solidão, necessidade de atenção, etc. Abraços

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  19. Adorei a premissa do livro!! Espero conseguir ler esse livro um dia!!
    Beijos

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  20. Não fazia ideia que o livro se tratava disso. Na verdade eu não tinha sequer pensado no que esse título significava.
    Isso de irmãos gêmeos brigando me faz lembrar Dois irmãos, embora esse segundo pareça ser mais pesado.
    De fato, a gente sempre se decepciona com as pessoas mais próximas, mas é porque não esperamos nada de quem não convivemos, né?
    Uma pena que a leitura não tenha sido assim tão boa. Acho que eu não leria.
    Beijos

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