29 maio 2018

Resenha: Agnes Grey


Olá, fãs de livros! 

Continuando minha saga de ler mais clássicos, resolvi que dessa vez leria um romance das irmãs mais famosas da literatura, e, por ironia, resolvi começar por Agnes Grey, obra de Anne Brontë, a irmã menos popular. Desafiando o que a sociedade esperava de uma romancista tão jovem, Anne trazia em seus livros uma pintura muito crítica do que se passava dentro dos casarões de família, e isso fez com que muitas pessoas considerassem sua percepção do comportamento aristocrático bastante imprópria e até mesmo não condizente com a realidade, além de uma ofensa à sociedade da época. 

Em Agnes Grey nossa protagonista é uma moça muito à frente do seu tempo, cujo maior desejo é ser dona de si e contribuir para o sustento da família, pois seu pai está cada dia mais debilitado. Com um espírito tenaz e muita engenhosidade, a jovem encontra na mãe o apoio de que precisava. Assim, mesmo vindo de uma família bastante amorosa e protetora, consegue autorização para procurar trabalhos como tutora de jovens aristocráticas. 

Vinda de uma família respeitável e muito bem-educada, Agnes não tarda a encontrar famílias interessadas, mas de início se mostra um fracasso, não conseguindo transmitir educação e muito menos qualquer senso de autoridade aos seus primeiros protegidos. Em sua persistência e por mais “selvagens” e mesquinhas sejam suas tuteladas, encontra, no seio da família Murray, a estima que lhe faltava como tutora.  


Durante a transformação de filha protegida em mulher, independente, trabalhadora e dona de si, Agnes foi apresentada a um mundo completamente diferente da bolha protetora a que estava acostumada. No vilarejo de Horton Lodge foi exposta a crueldade dos homens e a pequenez das mulheres causadoras de intrigas e invejosas entre si, ocupando a posição de trabalhadora, sentiu na pele como é ser considerada menos digna de andar lado a lado com seus empregadores e de ser ‘admirada’ pelos pretendentes das senhoritas da região. 

A personagem não apresenta características para ser adorada, pelo menos não foi essa a impressão que eu tive. A narração feita em primeira pessoa, em muitos trechos, revela uma personalidade ranzinza e repressiva demais. Sempre reclamando do comportamento de suas tuteladas e até mesmo supondo o que se passava em seus corações, as irmãs Murray não parecem ser de longe tão mesquinhas e egoístas quanto Agnes presume. Mas devido ao amadurecimento visível da personagem, fui aos poucos respeitando a sua visão de filha de pastor, tão pautada no certo e errado que não admite um equilíbrio entre ambos, contudo percebi que um pouco de flexibilidade e menos rigidez teriam deixado Agnes ainda mais cativante e a leitura mais prazerosa.


Fazendo essa leitura entendi o porquê de tantos elogios ao talento e as características únicas dessa irmã que até pouco tempo era desprezada. O romance em si está longe de ser o atrativo principal, o que mais suscita prazer em acompanhar o desabrochar de Agnes é que, enquanto isso, podemos acompanhar e entender melhor o funcionamento do meio em que ela viveu – a aristocracia. Saber que a simplicidade e a primazia com que Anne Brontë caracteriza as vivências da moça são incrivelmente fiéis ao que hoje sabemos, era a sociedade da época, é lucro e uma agradável fonte de aprendizado. Agnes Grey foi uma leitura da qual ainda irão me ouvir falar muito e que passarei a indicar aos fãs de clássicos. 

Fica apenas uma dúvida: qual deve ser minha próxima leitura das irmãs? Aceito dicas nos comentários.

Grande abraço!

Sobre a edição: a ilustração de capa, feita por Júlio Carvalho, segue o padrão dos outros livros da coleção “Irmãs Brontë”. A fonte, tradução e espaçamento são muito agradáveis e o trabalho de revisão, apesar de não ter sido excelente, é aceitável. No entanto, outros pontos desta edição merecem destaque, a diagramação é muito delicada e atenta para detalhes, como a folha de guarda combinando com os tons da capa e uma tipografia composta por fontes e símbolos floreados no início de cada capítulo, no sumário e em outras partes do livro que tornam a edição muito bela.



Título: Agnes Grey (exemplar cedido pela editora)
Autora: Anne Brontë 
Editora: Martin Claret 
Páginas: 288
Ano: 2015

17 comentários

  1. Oi, Jéssica.

    A Agnes é a representação da mulher forte e decidida da sua época, mostrando-nos os 'bastidores' da realidade vivida por muitas mulheres que escolheram trilhar seus caminhos de forma independente.

    A autora teve mais a nos oferecer do que um simples romance, pois o livro teve mais conteúdo. E, e eu gosto disso (e o leria), pois no período no qual a história se passa, tinha muito mais o que ser explorado.

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    1. Oi Daiane, você não poderia ter feito colocação mais exata. Ao fim da leitura é exatamente esse pensamento que fica.

      Abraços!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Oiii Jéssica

    Nunca li nada da Anne, das três irmãs é a que sempre me intimidava mais em ler algo, mas tenho curiosidade em um dia quem sabe conhecer uma de suas histórias. Essa edição está bem bonita.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  4. Nunca li nada da Anne, mas fiquei encantada com esse livro. Já anotei a dica!

    www.kailagarcia.com

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  5. Acredito que eu não conhecia esse livro, mas eu me interessei TANTO. Também não conhecia a autora, embora já conhecesse - de ouvir falar, nunca li - as irmãs dela e fiquei bem interessada. Quero ler mais clássicos também e com certeza esse entrou na lista :) Os Delírios Literários de Lex

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  6. A capa é realmente muito bonita. Eu ainda não li nada da Anne. De certa forma prefiro protagonistas assim do que aquelas toda trabalhada na perfeição, beirando quase a santidade. Pelo menos durante o enredo você entende a personalidade dela e acaba por aceitá-la. Achei bastante interessante. Que bom que você resolveu começar por esse.

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  7. Olá Jéssica!
    Que fotos lindas! Quero ler muito esse livro, é a única irmã Bronte que ainda não li. Não sei se vou gostar da protagonista pelo o que você conta na resenha, mas ainda assim quero muito ler.
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas

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  8. Ainda não li nenhum um livro dessa irmã, mas sou apaixonada por clássicos.
    Acho que não iria simpatizar muito com Agnes, pois a personalidade dela não me despertou nenhum carisma. Mas como adoro ler sobre essa época e a aristocracia, eu definitivamente daria uma chance.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  9. Oi Jéssica,
    Amo ler clássicos e as irmãs Brontë são leituras obrigatórias, já li Jane Eyre e O Morro dos Ventos Uivantes, então ainda falta ler um livro da Anne Brontë.
    O que mais gostei nos dois livros que li das outras irmãs é o fato de que as obras vão muito além de um simples romance, as histórias focam no crescimento, superação e na força feminina. Pelo jeito, Agnes Grey irá proporcionar uma leitura semelhante, com uma protagonista forte e determinada, muito à frente do seu tempo. Hoje em dia é comum que as mocinhas dos romances de época tenham uma visão a frente, mas imagine para a época das irmãs Brontë, suas obras eram criticas numa visão bem realista à sociedade.
    Acho linda essa edição.
    Beijos

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  10. Olá, Jéssica!

    Agnes Gray é um livro a frente de seu tempo, criticando os costumes da sociedade e sua mesquinhez com quem não segue esses costumes. Talvez por isso Anne Brontë foi esquecida por tanto tempo, como uma forma dessa sociedade esconder os protestos dela. Mas não foi o suficiente para isso acontecer, já que ela foi redescoberta e de certo modo, parte das intrigas e dos preconceitos do passado ainda resistem e precisam ser quebrados de vez.

    Um abraço!

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  11. Adoro romances e este parece ser muito bom!! A protagonista tem a personalidade forte, é determinada!! Mas todo romance tem que ter inconvenientes para ficar mais legal!!

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  12. Eu achei essa capa linda demais! Adorei o fato da protagonista ter uma personalidade com defeitos, acho que aproxima mais o leitor.
    Beijos
    www.infinitafeminice.com.br

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  13. Jéssica!
    Fico feliz que esteja lendo os clássicos e que tenha gostado desse, embora o romance não seja lá essas coisas, mas a escrita dela é perfeita, não é?
    Bom feriado!
    “O meu objetivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira.. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy

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  14. Oi Jéssica,
    Preciso começar a ler mais clássicos também... Não sou fã de personagens reclamonas, mas como fica visível que na realidade a história fala sobre o amadurecimento da personagem não só no meio que já conhecia, mas na descoberta desse novo mundo, acredito que ela deve sim ter a empatia do leitor. Estava esperando um romance, mas a história acabou se mostrando ainda mais interessante!
    Beijos

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  15. Olá Jéssica,
    Não li nada de Anne Brontë, quero ler mais clássicos.
    Lendo sua resenha percebo que os outros livros são maravilhosos e Agnes é uma mulher batalhadora, forte.
    Adoro ler livros que mulheres são exemplos de determinação.
    Beijos.

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  16. Olá! Esta edição é tão linda! Eu não li nada das irmãs, além de O morro dos ventos uivantes, e amo demais a história. Estou apaixonada por essa edição desde que vi o lançamento, e como sou encantada pelas irmãs e pela história de vida delas, acho que vou amar este livro!

    Bjoxx

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