04 agosto 2018

Devaneando: (A)Versão brasileira


Dizem por aí que é sempre a editora que escolhe os melhores detalhes para o lançamento de um livro. Isto vai desde a escolha da ilustração da capa ou interiores, capa dura ou brochura, orelhas (grandes ou pequenas), a sinopse, que pode conter ou não muita descrição a respeito da história. Mas, acima de tudo, o que a editora escolhe é o título. 

Meus queridos, se vocês não sabem, o aspira a escritor só escreve a história. Envia o material para a editora e se for aceito para a publicação, é a editora que vai escolher o melhor título desse livro. Isso também funciona para livros estrangeiros. Ao ser traduzido, o livro, é claro, precisa ter seu título traduzido. E é aí que muitas vezes a porca torce o rabo.

Recentemente terminei de ler “A maldição”, do Stephen King. Ao fazer a minha resenha, eu costumo colocar o título original ao lado do em português. “A maldição” (que inclusive antigamente se chamada “A maldição do cigano”) se chama Thinner, isto é, Mais magro.

Muitas vezes, meus queridos, eu concordo que a editora acerta em colocar um nome que não tem nada a ver com o original. Mas quando elas erram, às vezes fica até engraçado. 

Diante disso (nossa, parece até conclusão de uma dissertação), trago para vocês os títulos dos livros de Stephen King (possivelmente não todos, mas a grande parte) que sofreram ou não alteração ao bel-prazer da editora. 

Para começar, eu falo a respeito do meu preferido: “A dança da morte”. O título original é The Stand, que em português, ao pé da letra, significa A bancada. “Stand”, sozinho, também pode significar “ficar de pé”. 

Carrie teve uma pequena alteração, mas que em minha opinião foi desnecessária. Em português ficou “Carrie, a estranha”. Desnecessário. 

“A hora do vampiro” é outro que teve alteração total. O título original Salem’s Lot, deveria significar alguma coisa parecida como “Lote de Salem”. O título “A hora do vampiro” foi alterado posteriormente e hoje o livro é chamado de “Salem”. 

“O iluminado” e sua continuação “Doutor Sono” não tiveram alterações de The shinning e Doctor Sleep. Assim como “A zona morta” e “Christine” de The dead zone e Christine. 

Agora, “Cujo”, “O cemitério” e “A hora do lobisomem”... sem comentários. Antes de “Cujo” receber esse nome a espelho do original Cujo, ele era chamado de “Cão raivoso”. “O cemitério” por sua vez tem no original Pet Sematary, ou seja “Cemitério de animais”. O último dos três foi publicado originalmente como The cycle of werewolf, isto é, “O ciclo do lobisomem”. 

“Os olhos do Dragão” e “A metade negra” vieram para nosso lado sem alterações: The eyes of the Dragon e The dark half. Seguindo a mesma linha, nós temos “Insônia”, “Desespero”, “Rose Madder” e “Saco de ossos”. A saber: Insomnia, Desperation, Rose Madder e Bag of bones. 

Porém, indo de encontro a esses títulos originais, nós temos Misery que antes de ser “Misery” foi traduzido como “Angústia”; e hoje ainda carrega o subtítulo “Louca obsessão”. “Os estranhos”, tradução de The Tommyknockers, que eu não faço absolutamente a mínima ideia do que significa. “Trocas macabras” vem de Needful things, que significa “Coisas necessárias”. Para fechar o parágrafo da avalanche de coisas estranhas, podemos citar “Jogo Perigoso”, “Eclipse Total” e o clássico “À espera de um milagre”. Que inglês, respectivamente, temos: Gerald’s game (O jogo de Geraldo), Dolores Claiborne (que é um nome), e The green mile (A milha verde – que é uma referência à cor do piso do corredor que leva o detendo condenado à pena de morte para a cadeira elétrica). 

Bom, meus queridos, eu estou cansado, vocês devem estar cansados também, então vamos finalizar com mais alguns nomezinhos? 

It sofre uma pequena influência e em português vira “It – a coisa”, o que o torna uma redundância, né? “Celular”, “Duma Key” e “Sob a redoma” não sofreram alterações. Cell, Duma Key e Under the dome. Assim também foi com “Joyland” e “Mr. Mercedes” que mantiveram os títulos originais.

Pra finalizar mesmo agora, os últimos três que sofreram alterações: “Buick 8”, “Love – A história de Lisey” e “Novembro de 63”, que em inglês, respectivamente, temos From a Buick 8 (De um Buick 8), Lisey’s Story (A história de Lisey – sem o LOVE) e 11/22/63 (22/11/63). “Belas adormecidas” também mantém o titulo original Sleep beauties. 

É isso, meus queridos, o que acharam? Geralmente a editora acerta ou erra em mudar a tradução do título do livro? E vocês conhecem algum título que foi alterado, do seu escritor preferido? 

17 comentários

  1. Oi
    nunca li nenhum desses livros, mas realmente tem vezes que as editoras colocam nomes que não tem nada haver com a história, já vi postes desse tipo de comentar sobre o original e a tradução pé da letra.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  2. Marcos!
    Penso assim...se não for para fazer a tradução literal, melhor que deixe como é o original (na língua original) e deixar a encargo do leitor, entender o real significado. Acho absurdo esse lance da editora escolher o título dos livros sabe? Mesmo que tenha o lance de markting para vendas, etc e tal, ainda assim, o autor deveria escolher o que acha melhor para título em seu livro.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “A força não provém da capacidade física. Provém de uma vontade indomável.” (Mahatma Gandhi)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA AGOSTO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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    1. Oi, Rudy!! Concordo com você. Mas se formos analisar bem, de vez em quando até que as editoras acertam em fazer uma pequena alteração no título. Ruim mesmo é quando a mudança interfere em alguma coisa.

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  3. Oi, Marcos!
    Eu até tenho uma coluna falando sobre os títulos BR de alguns livros. Tem vezes que a editora até que acerta, mas algumas vezes ela erra feio...
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Oi, Luiza! Penso da mesma forma. Às vezes a mudança se faz necessária.

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  4. Oi Marcos, tudo bem?
    Adorei as comparações/curiosidades. A maioria deles eu não conhecia ou sabia a diferença.
    Acho complicado que, às vezes, tem palavras em inglês que fazem todo sentido, mas em pt-br não. Entretanto, tem vezes que a editora coloca uns nomes nada a ver mesmo. =P
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Oi, Priscilla! Tudo ótimo, e com vc? Acho a mesma coisa. A exemplo de "A dança da morte" que eu citei. É difícil trazer "The Stand" para o português. Mas convenhamos que às vezes elas fazem caquinhas rsrs

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  5. Muitas dicas de leitura!

    http://gotasdecafe.com.br/

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  6. Naty: e aquele creme tem um tamanho muito bom pra carregar na bolsa! ;)

    Marcos: sei que mudam pra ficar "mais chamativo", mas acharia mais legal se as editoras deixassem com o título original...

    Ótimo domingo!

    Beijo! ^^

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  7. Oi Marcos.
    Eu me sinto incomodada com relação a títulos traduzidos, principalmente quando resolvem colocar uns títulos que não têm nada a ver com as histórias. Acho que deveriam traduzir ao pé da letra ou deixar no original. Valeu pelas considerações.
    Abraço.
    www.docesletras.com.br

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  8. Oi, Marcos

    às vezes em português o nome do livro não fica legal, então nesses casos eu acho válida a mudança. Fora isso eu acho desnecessário. Tem livro que mesmo com título em português eu chamo pelo título em inglês... rs

    Beijo
    - Tami
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

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  9. Fala Marcos, beleza?

    Rapaz, isso me lembra o livro que resenhei sobre a mudança de títulos de filmes, incluindo os nomes em português de Portugal. Tem cada pérola que vixe... Mas eu fico só imaginado uma pessoa perguntar "Tá lendo o que?" E você responder "O Jogo do Geraldo" kkkkkkkkkkkkkkkk imagina que situação.

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  10. Oi, Marcos! Tudo bem? Ah, me dá esse funko! Nunca te pedi nada. Olha, na maioria dos casos que você citou eu preferi o título "adaptado" que a Suma escolheu. Mas alguns ficam meio estranhos rs

    Abraço

    https://tonylucasblog.blogspot.com/

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  11. Olá, Marcos!

    Eu achei muito interessante a lista dos nomes originais, pois as editoras acabam escolhendo os títulos em português muito mesmo no espirito de "vamos fazer o publico ler o livro" e poucas vezes acaba levando em conta o nome original. Em alguns casos pelo fato do nome não ser entendido por questões culturais, como o caso de The Green Mile, em que em um pais sem pena de morte como o nosso só seria entendido se o título for pesquisado online. Outros por pura vontade de ter um titulo mastigadinho para o leitor.
    Ah, no caso de The Stand, stand também significa Resistência. Considerando o que o ocorre no livro, é um sentido que se encaixa com a trama.
    Me lembrei com isso de um caso recente, em que o titulo em português foi feito basicamente para fazer o livro vender. No ano passado foi lançado aqui no Brasil O Diabo ataca em Wimbledon, de Lauren Weisberger, a autora de O Diabo veste Prada. O nome original desse livro é The Single's Game, um jogo de palavras com o termo em inglês para os jogos de simples de tênis, esporte retratado no livro. Além de ser uma clara puxada de sardinha para o livro mais popular da Lauren, o titulo faz pensar que a historia só passa durante o torneio de Wimbledon, quando na verdade se passa durante um ano inteiro de competições da WTA (o circuito feminino de tênis). No fim, o titulo fisga o leitor com uma promessa, mas não dá todo o sentido da trama como deveria ser e somente serve como uma propaganda na capa.

    Um abraço!

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  12. Sinceramente não sabia dessas interferências por parte das editoras, foi uma novidade que gostei de saber. Podemos dizer que as vezes as editoras acertam sim nos títulos, mas em raros casos que lembro, erram feio mesmo.

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  13. Algumas alterações até que ficaram melhor do que o original ruim mesmo é quando o título Acaba atrapalhando o passando a ideia errada do livro

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  14. Oi Marcos,
    Então, eu não sou tão a favor das alterações, acho que é sempre bom fazer o possível para manter original. No caso de cemitério, quando li pela primeira vez, eu me perguntava porque tinha um gato na capa kkkk, se fosse "cemitério de animais" talvez eu compreendesse melhor, porque fujo da sinopse evitando spoiler...
    Alguns são realmente desnecessários, no caso de It, se tornou mais "a coisa" do que o "It" em si, percebi que o pessoal se refere muito ao palhaço dessa forma ...
    Em um geral, até que eles não erram erram tanto né KKK
    Beijos

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