19 janeiro 2019

Resenha: Cadete de Aço

Ela é militar. É atiradora de elite. É triatleta. É lutadora de MMA. O que poucos sabem, é que a “Cadete de Aço” já foi simplesmente a Nina. Uma frágil e meiga garota do interior, cujo sonho de infância de ser aeromoça, foi destruído aos 17 anos, em um evento traumático, que a fez mergulhar na depressão. O curso de oficiais em uma instituição militar foi sua tábua de salvação. Ela só não imaginava que além de lutar contra os próprios medos diariamente, também teria que enfrentar uma batalha para conquistar seu espaço dentro de uma corporação arraigada pela cultura machista. Seu relacionamento com o sexo oposto é conflituoso. Ela sente desprezo pela maioria dos homens com os quais convive, em especial, pelo Tenente Huisman, um oficial do BOPE esnobe e austero com quem ela trava um conflito pessoal que vai terminar no tatame, quando ele se torna o seu treinador de luta. O contato corporal com aquele lindo homem vai despertar em seu corpo e em sua alma, sensações nunca antes experimentadas. A linha que divide o amor e o ódio é muito tênue. E apesar de acreditar que está longe do padrão de mulher que precisa ser salva por um príncipe encantado, o destino está prestes a mostrar para a Cadete de Aço, que ela pode estar enganada. E que de alguma forma, a vida dela está entrelaçada a daquele homem, para que ambos cumpram um propósito maior.
Quando a autora de Cadete de Aço entrou em contato comigo e me falou sobre a história da Nina, senti aquela pontinha de curiosidade se formando em mim. Mas confesso que não estava preparada para me apaixonar pela escrita da Evellyn Miller e nem por seus personagens.

Nina é uma jovem que, em seus devaneios de adolescência, sonhava em ser aeromoça. Tudo corria bem em sua vida, ela era linda, cabelos aos vento, família bacana. Até que um evento traumático rouba todos os seus sonhos e sua vontade de viver, fazendo com que ela mudasse o jeito que enxergava o mundo e o jeito com que se enxergava. E aos 17 anos, ela vê todos os seus sonhos destruídos.

Sim, esse livro tem aviso de gatilho: violência contra a mulher.

Os dias se transformaram em tortura para a nossa protagonista, e em uma tarde dessas, desanimada e oprimida, ela assiste uma entrevista na TV mostrando uma mulher, de sucesso, dentro da carreira militar. E, a partir desse momento, Nina resolve pegar sua vida de volta, e mudar o rumo do destino.

De uma forma inesperada, ela decide entrar para o serviço militar. Porém, Nina não sabia grandes coisas sobre o treinamento do curso de oficiais, e logo se vê sendo levada aos limites físicos e mentais. A vida dentro da academia se prova dura, mas ela está disposta a percorrer todo o caminho em busca da realização dos seus ideais. Nina é tão dedicada que recebe a alcunha Cadete de Aço, e sua vida parece estar tranquila e calma, dentro dos limites estabelecidos por ela.

Até que ele aparece.
"Em um universo de 54 cadetes, eu podia contar nos dedos das mãos, quantos colegas me tratavam com respeito e como igual."
Ele, é o Tenente Huisman, oficial respeitado do BOPE, cheio de pose e com uma atitude esnobe e um tanto ríspida, que causava emoções conflitantes ao coração da nossa Nina.

Enquanto luta com esses sentimentos que teimam em encher seu peito, Nina encara todas as tarefas e missões com uma coragem muito peculiar. Ela já havia decidido o que queria para sua vida, e iria até o fim. Morri de admiração por ela durante toda a leitura.

Logo no início do livro, ela está em uma situação de extremo perigo, e é o Tenente que a salva, dando o pontapé inicial para que ela nos leve na jornada de lembranças de sua vida pré academia militar, onde ficamos sabendo de todos os detalhes sobre o fato que a levou a dar essa guinada pessoal.
"O problema, é que a gente só sonha com as coisas boas. Acredito que ninguém fica imaginando as tragédias que a vida pode esconder em cada esquina, ou em cada estrada de chão"
E daí você vai me perguntar: Mas, Sissi, é apenas mais uma história de amor?

Não, nada disso. Muito mais do que uma simples história de amor entre o casal protagonista, a autora nos leva por caminhos onde a confiança - em si mesma e no outro -, a família e os amigos são a base para que a Nina consiga se entregar e realmente viver o melhor da sua vida.

No meio desse turbilhão de emoções, onde a Nina precisa aprender a ser ela novamente, a autora nos brinda com um projeto lindo da nossa protagonista, que tem tudo a ver com o que ela passou na adolescência. E Nina, essa mulher forte e com um coração imenso, nos surpreende mais uma vez, encarando os comentários machistas de frente, e ajudando muitas pessoas.
"– Essa é do tipo de mulher que gosta de apanhar. Quanto mais elas apanham dos machos, mas elas se apaixonam!"
"Senti meu sangue ferver na hora, as veias do meu pescoço começaram a saltar e meu ímpeto foi de soltar meu cotovelo esquerdo naquela cara lavada dele, até sangrar e perguntar se ele também gostava de apanhar."
Para quem gosta de personagens fortes, sem perder a ternura. Amores (im)possíveis e muita superação, indico com o coração aberto a leitura de Cadete de Aço.
"Se não for nessa vida, que seja em outra. Tem que existir um mundo melhor para nós!"
Sobre a edição:
Evelyn acabou de revisar o livro novamente, fazendo algumas das alterações que eu mencionei no vídeo que saiu no meu canal do YouTube. A narrativa, que já era bastante fluida, está ainda mais cativante e duvido muito você não se apaixonar.

O livro está disponível para compra na Amazon em versão e-book e também no programa de empréstimos Kindle Unlimited.

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Confira as redes sociais da autora:

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Título: Cadete de Aço: Lutando Contra Os Próprios Medos (e-book cedido pela autora)
Autora: Evellyn Miller
Editora: Independente
Páginas: 239
Ano: 2018

11 comentários

  1. Além de ser fã demais da nossa literatura nacional, sou fã também de histórias fortes. E por tudo que li acima, este sim é um livro com temas fortes. Não somente pela violência,mas pela escolha de vida,mesmo que não tenha sido a primeira opção.
    Nina parece ser aquele tipo de personagem que apesar de tão jovem, carrega o peso da vida já consigo e mesmo assim,não se deixa abater.
    Me lembrei muito de um filme(Em Nome da Honra, com a Demi Moore) eu acho que é este o nome. Que trazia também uma mulher no serviço militar(aliás, p...filme)
    Por isso, quero demais poder conferir este livro,me emocionar, torcer pelo romance e claro, saber como Nina se saiu num local tão masculino,ainda.
    Beijo

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  2. Bem forte essa história pelo visto. Gostei de como a garota dá uma guinada na vida dela de uma forma tão brusca. Serviço militar depois de uma trauma deve ter sido bem louco! Mas achei legal pela força e determinação dela. Uma história de amor no meio anima também, gosto muito disso. Mas a garra dessa garota parece ser o maior foco da história e achei isso bem interessante. Pode ser legal de ler e parece surpreender.

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  3. Olá, Sissi!

    Que história cativante. Não sou fã de macho que se acha superior, mas leria por causa da protagonista. Sou apaixonada por personagens femininas fortes, e não necessariamente uma versão "masculinizada" como se isso fosse sinônimo de força.

    Parabéns pela leitura!

    R.W.

    newsfallenbooks.com
    Instagram: @blogfallenbooks

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  4. Cadete de Aço não parecia ser um livro que me conquistaria tanto. Eu comecei a resenha sem dar nada a obra, mas com uma pontinha de esperança por ser uma obra nacional. Entretanto, ao decorrer da resenha, eu fui me apaixonando pela Nina e ansiando descobrir sobre o seu fatídico acontecimento e sua nova jornada como militar. Adorei e adicionei na lista!

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  5. Bom, força é uma coisa que ninguém pode dizer que essa mulher não tenha, né?
    Achei o enredo bem interessante. Apesar de que, algumas situações parecem meio forçadas, como entrar para o serviço militar assim de repente.
    Mas mesmo assim acho que é um livro que vale a pena.

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  6. Oi Sissi!
    Gostei da personalidade da personagem e de ficar sabendo que é de uma autora nacional. Parece que foi uma jornada difícil da Nina na academia militar. Deve ser uma ótima história de superação.

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  7. Sissi,
    A primeira pergunta que quis fazer foi "mais é só um romance?" rs, porque, sinceramente, um livro que trata de um tema tão forte, e atual, não deve nunca ser "só" isso ...
    Dá orgulho dos nossos nacionais né? Olha esse enredo, fico tão feliz, e tão tentada a ler, vendo que a autora mostrou esse novo relacionamento da protagonista de forma gradual, baseado em confiança, e espero que ela tenha deixado claro que isso não é a "salvação" para o trauma de Nina!
    Adoro personagens fortes, e o diferencial da drama é a ambientação, a carreira que Nina decide seguir, espero que se inspirem na autora e escrevam mais protagonistas mulheres assim, determinadas!!
    Beijos

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  8. O livro me chamou bastante atenção e eu com certeza eu vou dar uma olhada nesse material da autora Eu só fiquei um pouquinho preocupada com aquele aviso de gatilho já que eu sou muito sensível há relatos de violência principalmente violência contra mulher mas eu gosto quando as autoras conseguem desenvolver protagonistas fortes firmes e com grande potencial

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  9. Oi, Sissi
    Ainda não conhecia o livro e amei a premissa.
    Fico feliz que uma autora nacional construiu uma trama com uma protagonista forte, decidida, que escolheu uma profissão dominada por homens.
    Espero poder ler, beijos!

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  10. Sissi!
    Pareee mesmo um romance forte, com personagens conflituosos mas que acabam se entendendo.
    Gostei da ousadia da autora em trazer a área militar para um romance que parece até gentil.
    cheirinhos
    Rudy

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  11. Amei já por quebrar o tabu de mocinha frágil ou em carreiras consideradas "femininas" pelo contrário a personagem se mostra forte e determinada e mesmo com todo sofrimento não se deixou abalar pelo passado.
    Não tem coisa melhor num livro quando os personagens se odeiam kkk a gente já sabe que um romance maravilhoso vai sair dali e pelo que vi o tenente também é duro na queda.
    Vou aproveitar que esta no unlimited para ler

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