Resenha: A mão esquerda da escuridão

Por Naty Araújo •
23 dezembro 2019

É impossível não desejar ler uma obra que foi escrita há 50 anos. Trata-se de um marco na literatura de fantasia e ficção científica. Para quem não sabe, o livro ainda ganhou o prêmio Hugo e Nebula. É realmente uma obra que precisamos ter na estante.

Pela sinopse você perceberá que Genly Ai é enviado a uma missão intergaláctica, uma organização com aproximadamente 80 planetas, que tem como objetivo compartilhar conhecimento e comércio sem fins lucrativos. Genly é enviado para persuadir os governantes do planeta Gethen a se unirem a uma comunidade universal. Entretanto, esse humano, mesmo depois de anos de estudo, percebe que está despreparado para a situação que lhe aguardava. 

Ao entrar em contato com uma cultura complexa, rica, quase medieval e com outra abordagem na relação entre os gêneros, Genly perde o controle da situação. É humano demais, e, se não conseguir repensar suas concepções de feminino e masculino, correrá o risco de destruir tanto a missão quanto a si mesmo.

Uma das dificuldades do nosso personagem é se adaptar às condições climáticas. O planeta Gethen ficou conhecido como Inverno, pois, acreditem, lá é capaz de nevar ainda que esteja no verão. Mas não apenas esse obstáculo ele precisa enfrentar, ainda tem de encarar os conflitos políticos.

Confesso que o início é bem empolgante e fiquei animada para continuar. Porém, infelizmente lá na página 80 o rumo muda e me desanimei, a leitura se arrastou um pouco e depois todo o foco retomou. Por esse fator acabei demorando para finalizá-la, mas valeu a pena ter dado um tempo para voltar com todo vigor.


Posso afirmar que é um livro que eu esperava muito, então fui com muitas expectativas. A sede ao pote foi o suficiente para encontrar o copo meio cheio e meio vazio, mas isso não tira o fato de a obra ser considerada o que é. E ela é mesmo, mas talvez eu tenha embarcado na hora errada, com muita ansiedade e acabei não dando a devida atenção que ele deveria. Talvez isso se deva ao fato de que precisamos de um pouco mais de tempo e concentração. 

A leitura é densa, nem tudo nos é explicado logo no início, então pode ser que você considere a narrativa um pouco arrastada, como disse anteriormente. De fato é e não é. O início me prendeu bastante, mas na metade do livro senti que estava um pouco cansada. Acredito que meu erro tenha sido querer lê-lo numa sentada só ou até mesmo sem intercalar com outras obras. Então, já vale como dica para você. Não queira ler afobado, agoniado, pensando em terminar logo. Não estamos numa leitura de suspense ou de romance policial. Às vezes o que nos impede de gostar de um livro ou de não gostar 100% é o momento que lemos, a forma como estamos… Acredito até que esse assunto dê um bom tema para a coluna Devaneando e, assim, possamos refletir o que faz com que um livro não ganhe 5 estrelas. Topam?

A obra como um todo é excelente para quem gosta de ficção científica e para quem se atrai por assuntos polêmicos e atemporais. Gênero, feminismo, alteridade, filosofia, antropologia… tudo isso encontramos em A mão esquerda da escuridão. Leiam, ainda que aos poucos, ainda que sem compromisso, ainda que sem muitas expectativas. Apenas leiam e tenho certeza que a coisa vai fluir melhor. Em 2020 pretendo relê-lo sem muita agonia e certamente será diferente. Digo por experiência própria em outros livros.

Sobre a edição:
A edição comemorativa da Aleph está belíssima e conta com uma capa dura pintada, prefácio do Neil Gaiman. As folhas são amareladas e apresentam um conforto à leitura. 


Título: A mão esquerda da solidão (exemplar cedido pela editora)
Autora: Ursula K. Le Guin
Editora: Aleph
Páginas: 304
Ano: 2019
Compre: aqui

Comentários via Facebook

9 Revelaram sentimentos:

  1. Em primeiro lugar eu preciso falar do quanto admiro o trabalho da Aleph! A Editora vem caprichando demais em matéria de qualidade de diagramação.
    Só tinha visto este livro "por cima", por isso, ainda não tinha lido muito à respeito dele não.
    Ficção científica não é algo que me anime demais,sempre por não conseguir acompanhar mesmo. Sou lesada demais e me perco fácil demais em roteiros mais complexos!
    Ir com sede demais a uma leitura nem sempre é tão bom né?
    Mas foi gostoso ler que mesmo com um arrastar na história, a leitura valeu demais!
    Se tiver oportunidade, lerei sim!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Olá! Esse é outro gênero do qual não sou muito fã, sempre acho os enredos um pouco confusos e cheios de detalhes que dão um nó na minha mente, mas parece ser um livro muito rico, que aborda vários temas interessantes e atuais, mesmo tendo sido escrito a tanto tempo, essas edições especiais são sempre tão lindas, que dá ate vontade de se arriscar na leitura de um livro tão intenso.

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  3. Nat!
    a minha adolescência tive oportunidade de ler esse livro e como era aficcionada em ficção científica, fiquei deslumbrada com a leitura.
    Quero ter a oportunidade de fazer a releitura desse livro e ver se minha sensação continua a mesma.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Olá!
    Não tinha conhecimento do livro. Ao ler aqui fiquei bastante interessada por ela, apesar de ser um clássico vejo que a leitura é bem densa como você disse. Fiquei bem curiosa por ela, talvez tenha alguma oportunidade de ler.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  5. Não conhecia a história, adoro ficção científica e fantasia e os dois juntos então <3 A premissa é muito boa, me deixou realmente bem curiosa essa coisa dos planetas dessa nova galáxia bem como as criaturas que o personagem principal encontrou por la. A edição está uma obra de arte!!!

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  6. Oi!
    Quando relemos um livro, adquirimos novas percepções sobre ele. Ás vezes, amo a obra de primeira vista, mas depois de rever, acabo apontando vários defeitos. O contrário também acontece.
    Quero ver o tema na coluna Devaneando, sim!

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  7. Olá, Naty
    Não li nada da autora.
    O livro te convida para conhecer minuciosamente uma sociedade peculiar, muito diferente da qual estamos habituados.
    Mesmo tendo algumas partes mais lentas e o momento que estamos também na hora da leitura. Estou muito curiosa assim que tiver chance lerei.
    Beijos

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  8. Olá! Concordo demais com você, como estamos no momento em que lemos determinado livro influencia bastante o quanto vamos gostar do livro. Acho uma discussão bem válida, gostaria de ver esse tema ser discutido aqui no Blog ♡
    Confesso que ficção científica é um gênero que não me agrada tanto, mas gostaria de dar uma chance a esse livro.
    Beijos!

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  9. Oiii ❤ É uma pena que o livro tenha perdido um pouco o foco, mas que bom que ele retornou depois.
    Realmente, o gostar ou não gostar de um livro pode estar relacionado ao momento em que você faz a leitura, nem todos os livros são rápidos de serem digeridos.
    Gostei que a obra traga temas polêmicos, pois adoro quando livros trazem temas importantes de serem abordados.
    Beijos ❤

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