Resenha: A quinta estação

Por Je Vasques •
03 janeiro 2020
Olá, leitores. Sexta-feira, primeiro post do ano e vamos começar estreando uma coluna chamada Old on Friday. Ou seja, em algumas sextas faremos resenhas de livros mais antigos, que já foram publicados pelo menos há três anos. Vocês podem inclusive dar dicas de quais gostariam de ver resenha por aqui. Um ótimo 2020 para vocês.
Bem vindos a Quietude, o lugar onde abalos sísmicos destroem cidades inteiras e apenas umas poucas pessoas conseguem controlá-los. A quinta estação é diferente de tudo que já li, e eu leio muita fantasia. A começar pela escrita em 2ª pessoa, passando pelo sistema de magia e terminando com a violência e preconceito tão bem trabalhados na trama. N.K. Jemisin merece, sem dúvida, os três Hugo Awards seguidos que ganhou por essa trilogia. Feito nunca realizado antes.

Essun é nosso primeiro ponto de vista, contado em 2ª pessoa. Ela chega em casa depois de um dia de trabalho e descobre que seu marido matou violentamente o filho deles, e fugiu com a filha. Ela então deixa tudo para trás, em busca dessa filha que nem sabe se ainda está viva. O próximo é da Damaya, uma criança que tem o poder dos Orogenes e descobre, desde pequena, o quanto isso é mal visto mesmo quando está fora da suas mãos a escolha de nascer assim, e que é levada ao Fulcro para aprender. Por último, Syenite, uma Orogene quatro anéis, que vai cumprir sua primeira missão fora do Fulcro.


É extremamente difícil explicar a magia e o mundo deste livro, vocês realmente terão que ler para entender melhor. Mas exemplificando, Orogenes são as únicas pessoas que nascem com o dom de controlar os tremores da terra. Esse dom é necessário, mas é tratado como maldição. Os Orogenes que deviam ter uma posição de destaque, por serem responsáveis por salvar o mundo quando necessário, na verdade são caçados, marginalizados e assassinados. A não ser quando, ainda criança, seus pais descobrem o seu poder e avisam os guardiões, antes dos vizinhos decidirem fazer justiça com as próprias mãos, que levam essa criança para crescer e aprender a se controlar no Fulcro, o lugar onde eles vivem.

Cada ponto de vista é essencial para o entendimento da vida de um Orogene em Quietude. Ainda mais porque, no coração do continente, uma grande fenda foi aberta intencionalmente, e eles estão às portas de uma nova quinta estação, onde as cinzas podem encobrir o sol por séculos. Eles já passaram por outras, já se adaptaram, mas, toda vez que acontece, milhares morrem, e ninguém sabe como será o futuro. É um mundo muito bem feito, cheio de morte e solidão, onde o medo é companhia constante. Ninguém confia muito em ninguém, e as comunidades que sobreviveram estão fechadas atrás de muros altos e portões, e não aceitam estranhos.

Acompanhar o treinamento de Damaya é doloroso. Ela é uma criança dispensada pelos pais, tentando entender o que é, e tendo que aprender a controlar o poder que tem dentro de dela. Essum está desolada e com fúria, e poucas coisas no mundo são mais determinadas do que uma mãe tentando salvar seu filho. Mas meu ponto de vista preferido é da Syenite. Os Orogenes treinados vão subindo níveis e ganhando anéis que demonstram o seu nível de controle e habilidade. Ela está indo para o quinto anel e sua missão é com o único dez anéis vivo, Alabaster, que tem uma personalidade peculiar e difícil, e que é um dos meus personagens preferidos.


Vamos acompanhar as narrativas, os preconceitos e os aprendizados das três mulheres. É um livro representativo, com mulheres fortes e negras como protagonistas. Elas aprendem a amar, odiar, usar o seu poder para o bem e para o mal, e quando os pontos de vista se encontram, você tem vontade de bater palmas. Tem personagem LGBT, poliarmor, bastante violência e muitos questionamentos sociais. Eu amo absolutamente tudo neste livro, fui arrebatada, fiquei angustiada, chorei com algumas revelações, e terminei o livro ciente que nunca tinha lido nada igual. É um livro que começa difícil, e a forma como é contado pode causar estranheza, mas continue, valerá a pena.

Feliz demais de ver essa autora no Brasil. Estou lendo o segundo volume, e o último acabou de sair, então, se começar agora, não vai precisar esperar nada.

 

Título: A quinta Estação
Série: A Terra partida #1
Autora: N. K. Jemisin
Editora: Morro Branco
Páginas: 560
Ano: 2017
Compre: aqui

Comentários via Facebook

11 Revelaram sentimentos:

  1. Fiquei encantada com o tanto de marcação no livro. Quando isso acontece, é por ter tanta coisa boa, que fica difícil escolher uma apenas!
    Eu admito que não me recordava deste livro e olha que amo fantasia!
    Mas pelo que entendi na resenha acima, este livro não se resume apenas na fantasia, há todo um grito ali. Não somente de mulheres negras e decididas, mas também de outros "seguimentos" que precisam ser debatidos o tempo todo.
    E isso é fascinante!!!!
    Um grande apanhado de lições de vida!
    Claro que quero muito ler e já estou no aguardo da resenha do segundo livro.
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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    1. Oie Ângela,

      Eu deveria ter feito mais marcações ainda, rs.
      É uma fantasia muito representativa, que traz assuntos atuais para o mundo fantástico. É realmente maravilhoso, espero que consiga fazer essa leitura.
      Beijos

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  2. Jéssica!
    Fascinante ver uma fantasia diferente das que estaqmos acostumados a ler por aí e ainda mais com mulheres fortes e bem representativas em toda diversidade, fiquei encantada e com tantos prêmios, nem dá para deixar de ler.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Oie Rudy,

      A história é toda das mulheres. Tenho certeza que vai gostar!
      Beijos

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  3. Olá! Adorei a ideia dessa nova coluna, vou gostar muito de ver as resenhas de livros mais antigos, que estão na minha lista (as vezes até esquecidos), este é um gênero que eu amo, por isso fiquei bem empolgada para conferir a série toda, mas o que determinou a entrada na minha lista foi saber que todos os livros já estão publicados, por isso não precisarei aguardar nenhuma continuação.

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    1. oIE Elizete.

      Que bom que curtiu o novo quadro. Não ter que esperar os lançamentos é realmente um diferencial,rs. Espero que consiga fazer essa leitura em breve!

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  4. Oi, Jéssica
    Nossa não conhecia esse livrão!
    Adorei essa nova coluna, independente da data que foi escrito ou sua publicação livros sempre são bem vindos.
    E esse tem de tudo fantasia, poderes, treinamento, mulheres negras e poderosas e muito mais.
    Estou super ansiosa para ler as resenhas dos próximos livros.
    Vai para a lista de desejos, beijos.

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  5. Olá! Ainda não conhecia esse livro, mas espero ter a oportunidade de fazer sua leitura! Parece um livro diferente de tudo que eu já li, já quero ler!
    Gostei que o livro trabalha bastante a representatividade, algo que precisa ser cada vez mais trabalhado.
    Obrigada pela indicação! Beijos!

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  6. Oiii ❤ Achei tão interessante que esse livro é narrado em segunda pessoa, acho que nunca li um livro narrado dessa forma.
    Esse universo parece muito bem formulado, a trama parece muito bem construída.
    Gostei que é uma obra que traz reflexões bem importantes, como a violência e o preconceito e que tenhamos mulheres negras como personagens.
    Adoraria fazer essa leitura.
    Beijos ❤

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  7. Olá!
    Conhecimento desse livro? Com certeza zero. Ao ler aqui fiquei bastante interessada por ela, já que é raro eu ler livro de fantasia, mas tenho que mudar isso um pouco. Fiquei curiosa pela historia e uma premissa muito boa. Já irei anotar na listinha!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  8. Eu lembro que fiquei apaixonada pelo lançamento desse livro quando a Morro Branco anunciou a publicação ponto final eu adoro livros de fantasia e assim que eu soube mais dessa história eu corri para ler o primeiro livro mas com certo receio já que eu já me decepcionei com várias livros da Morro Branco que julgavam ser incríveis

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