Juliette e Roma são herdeiros de gangues rivais. Enquanto Juliette é a herdeira dos Escarlates, Roma é o herdeiro dos Rosas Brancas. As duas gangues comandam metade de Xangai, em pleno 1926, se enfrentando de vez em quando para ver quem toma conta dos negócios. Mas talvez isso tenha que mudar - mesmo que temporariamente - e as duas facções tenham que se unir para enfrentar um mal maior. Afinal, um surto misterioso tem levado pessoas a cometerem suicídio abrindo suas gargantas com as próprias mãos.
Se isso não for o suficiente para um trabalho conjunto entre Rosas Brancas e Escarlates, é pelo menos suficiente para Juliette e Roma, que apesar de rivais, já foram namorados na infância, mas agora vão ter que colocar o passado para trás e tentar vencer essa batalha por um bem maior.
Prazeres Violentos me surpreendeu. No início eu achei que seria um livro cheio de romance, mas quando me disseram que não, resolvi arriscar. Felizmente fiz isso e gostei.
Gosto bastante do tema máfia e essa leitura tem uma coisa ou outra, o que me animou. Além disso, ele tem uma pegada investigativa que me fez ficar preso na leitura para saber o que aconteceu. Apesar de alguns pontos nesse sentido não terem me surpreendido, eu gostei de como ele foi conduzido. Mas em contrapartida, me venderam o livro como uma fantasia, e de fantasia ele tem bem pouco, para não dizer nada. Isso não me incomodou, pois como eu disse, ele tem uma pegada mais investigativa que eu gosto, então, tudo certo. Mas para quem for esperando algo fantasioso, esqueça.
Outro ponto forte é a questão histórica. A autora retratou muito bem a Xangai de 1926, não só visualmente como também em todas as suas intrigas políticas, com a conquista de estrangeiros sobre terras chinesas e a ascensão do comunismo. Isso deu um toque de ficção histórica bem legal à obra. Os personagens também achei no geral bem legais, menos o vilão, que achei totalmente sem noção, mas tudo bem, dá pra passar.
O livro me lembrou também duas séries... Carnival Roll e Warrior. É verdade que olhando de forma geral, elas são bem diferentes entre si, mas têm alguns pontos em comum que me fizeram lembrar delas.
No caso de Carnival Row, o próprio início da série já se parece com o prólogo do livro, com um monstro despertando e causando mortes na cidade, causando uma investigação por parte da polícia. No livro, a investigação fica por parte de Juliette e Roma. Mas a principal semelhança é que os seres mágicos de Carnival Row são "reféns" em sua própria terra, já que os humanos invadiram e colonizaram esses seres contra sua vontade. Em Prazeres Violentos algo semelhante acontece, já que se passa em uma época em que Xangai vivia rodeada de estrangeiros que se achavam donos das terras, como ingleses e franceses.
Já no caso de Warrior, a série vai contar sobre um rapaz chinês, que se muda para os EUA a procura de sua irmã. Lá, ele acaba notando como a xenofobia é enorme, principalmente com asiáticos. Assim, ele acaba se juntando a uma gangue para tentar subir na vida. A questão das brigas entre gangues e a questão do opio, e novamente a xenofobia, me lembraram muito o clima de Prazeres Violentos.
No fim, recomendo tanto o livro como as séries para que possam complementar após a leitura.. Achei bem divertido e espero que a Alta Novel traga logo essa continuação para a gente.
Título: Prazeres Violentos
Autora: Chloe Gong
Editora: Alta Novel
Páginas: 464
Ano: 2020
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