“Na verdade, eu
só queria matar uma parte de mim: a parte que queria se matar, que me arrastava
para o dilema do suicídio e transformava cada janela, cada utensílio de cozinha
e cada estação de metrô no ensaio de uma tragédia” (p.46).
O ano é de 1967, data marcada para Susanna Kaysen
por um motivo inesquecível: uma tentativa de suicídio. Com apenas 18 anos ela
já agia em benefício da morte, pois já não aguentava a realidade a sua volta.
Após essa tentativa, ela foi internada em uma clínica psiquiátrica, McLean, e, em
seguida, diagnosticada com distúrbio de personalidade limítrofe. Em sentido
lato, essa personalidade seria uma balança entre neurose e psicose. Conforme a
autora declara em seu livro, seria um psiquismo fraturado, mas não desmontado.
Para uns, Kaysen não tinha plano de vida, não tinha
futuro e objetivos; não queria estudar, não se interessava em ir à faculdade e
nem trabalhar. Desde nova, já tinha um caso com seu professor de Inglês. Era
taxada de louca, doente mental e psicótica. Foi encaminhada ao hospital, após
espremer uma espinha e tomar inúmeras aspirinas de uma vez.
