Pela primeira vez Nigel Bathgate é convidado para um dos famosos fins de semana na mansão de Hubert Handesley. Uma programação que Charles Rankin, primo de Nigel, já está acostumado.
A ideia é de um fim de semana em que todos possam se divertir, com jogos propostos e os convidados possam se sentir livres. O jogo da vez é O Jogo do Assassino, uma brincadeira que alguém é escolhido como o assassino e não pode deixar que ninguém descubra. Ele deve escolher uma vítima e no fim deve haver um julgamento para tentar adivinhar quem o matou.
O problema é que durante a brincadeira as luzes se apagam, um gongo soa e ao acender as luzes percebe-se que a brincadeira parece ter sido levada a sério demais, já que Charles Rankin é encontrado caído no chão com um punhal atravessado no meio das costas. Quem será o responsável?
Até essa parte (que ocorre nos primeiros capítulos) a história é um pouco morna, mas daí em diante a coisa se desenrola muito bem, principalmente com a chegada do Inspetor Chefe Roderick Alleyn. O inspetor talvez tenha entrado para o meu hall de personagens favoritos, principalmente por ser um personagem bem cínico, com respostas bem irônicas. Mas, para decretar isso mesmo, terei que ler mais livros da autora com o personagem.
Aqui, o protagonismo meio que se divide entre Nigel e o inspetor. O primeiro é mais observador, serve para narrar os acontecimentos e observar os outros suspeitos, enquanto o detetive é o segundo mais importante, buscando sempre as respostas e investigando todos de forma bem inteligente. Aliás, a quantidade de suspeitos é relativamente grande e o leitor vai com certeza criar algumas teorias, já que mais de um tem motivos para ser o assassino.
Tudo isso, somado ao fato de os suspeitos serem reunidos em um local fechado e todo o clima que é estabelecido na leitura faz com que lembre muito uma vibe Agatha Christie. Sei que isso é um dos principais pontos do clube, mas nesse livro essa questão é mais evidente. Não é à toa que a autora é considerada, junto com a Agatha, como uma das Rainhas do Crime da Era de Ouro dos livros de suspense.
Então esteja avisado caso você não seja chegado(a) nesse tipo de suspense clássico que não tem foco no psicológico, mas sim na investigação. Inclusive é um livro que tem foco maior no diálogo, puxando mais para o lado Poirot do que Sherlock Holmes. Mas isso foi uma das coisas que me conquistaram, já que assim tinha mais tempo para as sacadas irônicas do Alleyn.
Eu espero muito que a Harper traga mais livros da autora, seja pelo clube ou não. São 32 livros com o detetive e já que começou, agora vamos terminar. Esse é o segundo livro do clube que eu leio e estou gostando bastante. Espero poder continuar lendo os outros e que a qualidade se mantenha ou aumente.
Título: O Jogo do Assassino
Autora: Ngaio Marsh
Páginas: 208
Editora: Harper Collins
Ano: 2023 (Ano original 1934)
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