Marigold acaba de se mudar da Califórnia para uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos. Junto com Mari estão sua mãe, seu irmão Samy, seu padrasto e a filha pequena dele (Piper), além é claro, do cachorro Buddy. Essa mudança é uma oportunidade de recomeço, já que Mari e sua família querem esquecer um trágico incidente do seu passado. Mas as coisas não serão tão fáceis assim. Para começar, a casa onde vão morar, parece ser a única ligeiramente habitável em um bairro cheio de casarões queimados e abandonados. Além disso, a população local tem algo de muito estranho, principalmente em relação à casa onde a família mora.
Reza a lenda que a casa é assombrada e que os moradores que lá ficaram tem um certo histórico de não durar muito no local. Tudo parece besteira, até que aos poucos pequenas coisinhas vão acontecendo. São objetos que desaparecem, portas que abrem sozinhas, barulhos no meio da noite, luzes que se acendem e assim vai.
Ainda assim, tudo pode não passar de apenas algum defeito ou esquecimento, mas quando sonhos sinistros começam a se juntar aos acontecimentos e Piper começa a se comportar de forma estranha e falar com amigos imaginários, aí a coisa pode ser mais do que aparenta.
Fumaça Branca me surpreendeu bastante. Quando comecei a ler, não sabia muito o que esperar, apenas que era considerado um livro de terror. Mas ele também acaba se enveredando mais para o lado do suspense psicológico - essa combinação deixou a leitura muito mais interessante.
O ritmo do livro é bom e todo capítulo acontece alguma coisa que te deixa mais curioso pelo que vem a seguir. Mas esse ritmo constante dura pelo começo e metade do livro, pois, perto do final, a coisa ganha um ritmo mais frenético e torna o livro incapaz de ser largado.
Felizmente não é daqueles casos onde o ritmo parece aumentar apenas para acabar o livro. Essa construção é toda bem estruturada e com motivos para tal, afinal, a história ajuda bastante nesse sentido. É interessante de ver, como apesar de ser um suspense/terror, existe ali muito espaço para questões sociais, como consumo de drogas e suas consequências, traumas, problemas psicológicos, familiares e principalmente questões raciais.
A grande maioria dos personagens são negros e a autora explora a questão da relação entre pessoas negras e brancas e os privilégios ou preconceitos sofridos pela cor da pele. Tudo isso sem perder o foco e introduzindo de forma muito boa essas questões na história.
Mas, como nem tudo são flores, algumas coisinhas me incomodaram durante a leitura. Nada que tirasse o brilho dela, afinal de contas, eu favoritei o livro. Mas se tem uma coisa que me incomoda em livros desse gênero é como as coisas estão acontecendo na cara, porém, só uma ou duas pessoas acreditam enquanto as outras acham que o personagem principal está doido ou chapado.
Devido ao final do livro, certas situações acabam ficando meio desconexas, porém, não posso falar aqui, senão seria spoiler. Já outras acabam ficando em aberto, mas de uma forma que não indica uma continuação (já que o gênero do próximo livro mudaria completamente), e sim no sentido de deixar para a imaginação do leitor e talvez de mostrar como certas pessoas são privilegiadas.
Tirando isso, o livro é excelente e me fez começar o ano com um livro favoritado e uma leitura maravilhosa. Então, feliz ano novo para vocês.
Título: Fumaça Branca (exemplar cedido pela editora)
Autora: Tiffany D. Jackson
Editora: Seguinte
Páginas: 320
Ano: 2022 (Ano original 2021)
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