A sede por viver


Quase imaculado, incontrito

Entre os verbetes instáveis
De um intrépido coração.

Maligno foste
Entre os laços irremediáveis
De um final que proposte
Nos meios nada viáveis.


A vingança petrificada

No peito, agora, encontrada.
Por veias da infelicidade proposta
Que por você foi exposta.

Arrancarei o ódio,
Resgatarei o amor,
Esvaziar-me-ei de toda vingança.

...

Não por você,
Não por nós,
Mas pela vida.

Essa não merece a desventura,
Nem tampouco o desleixo
Que foste capaz de causar
A quem tanto quis em mim, o seu eixo.

*Pauta para BLQ


O preto e branco, agora colorido, nas folhas de outono


Jenny,

As folhas de outono, neste momento, caem e perpetuam-se pelos campos floridos de um coração que não pertence mais a mim. O colorido, aqui, passa a existir, desde quando essas folhas insistiram em habitar num lugar vazio, murcho e sem vida alguma.
Ora, não faça essa “carinha” de interrogação, logo entenderás. Pelo menos sei que você é capaz, já que eu, até hoje, não consegui explicar para mim mesmo e entender, simultaneamente, as confusões que aqui residem.
Jenny, eu tentei ser forte. Sua amizade é a coisa mais valiosa que tenho e jamais a depreciaria por algo que fosse. O preto e branco dessa nossa união é como um rochedo que petrificou-se em meu peito.
Sei que o que estou prestes a dizer poderá romper esse laço, que por mim parece ser inquebrável, mas nossa vida é feita de desafios, ousadias e você sabe perfeitamente que para isso eu sou uma negação (feche o riso tímido em teus lábios, sei que estás sorrindo, mas é algo sério).
Lembra-se daquela vez que você escreveu o nome de cada garota do colégio que eu poderia estar apaixonado e era para eu marcar um coração? Ora, não seja ingênua, aposto que agora você já descobriu, né? Eu não assinei ninguém porque seu nome não estava lá.
Desde aquele tempo, Jenny, eu sofro calado. Perco minhas noites de sono, mas ganho os pensamentos e os sonhos de doces beijos seus. Você acariciando minha face lentamente, deslizando seus dedos em meus cabelos e fazendo com que meus sonhos, sejam melhores do que a realidade apresentada.
Precisava de uma resposta sua, por mais que ela seja uma facada e uma torcida em meu imaculado coração, que simboliza somente o amor eu tenho por você.
Não consigo mais resistir. Não posso! Deixei que o preto e branco da nossa amizade fosse colorido por essas folhas que simbolizam cada carinho, cada atenção, cada palavra, cada abraço e cada beijo – mesmo sendo no rosto ou nas mãos, eles foram o suficiente para fazer brotar em minh’alma o amor inigualável por ti. Essa amizade colorida que sinto, mas que para você pode ser cinza ou poderá nem tê-la mais, pois, com tudo isso, não sei se ainda deseja olhar em meus olhos.
Eu tentei te esquecer. Juro! Mas as cores foram imbatíveis, mais fortes do que eu. Porém não posso deixar que o medo e a insegurança tomem o lugar de ambos. Isso seria covardia.



Daquele que deixou o medo, por muitos anos, falar mais alto;
mas agora grita pela liberdade de um amor que a insegurança tentou matá-lo.

Pauta para o projeto Bloínquês.
Edição cartas - Tema: Amizade colorida

*Texto fictício.

O plano A, voltando às origens


Alguns poderiam achar que seria um grande paradoxo ouvir dizer que deu uma pane geral no país e que não haveria, por tempo indeterminado, acesso à internet e estaríamos impossibilitados de usar os aparelhos celulares ou até mesmo que o próprio governo brasileiro resolveu abolir os meios comunicativos – banda larga e celulares – para que nos conscientizasse sobre a importância do contato mais “humano” ou porque haveria organização de outros determinados países que pudessem prejudicar o nosso.
E aí? O que fazer num caso desses? Será mesmo que sobreviveríamos a isso?
Na realidade somos adeptos ao meio em que vivemos. Somos acostumados ao que nos é proposto, por pior que seja.
Tantas pessoas trabalham, o ascendente tira seu “último suor”, e o que elas fazem? Continuam, porque precisam daquela “miséria” que ganham, comparado ao tanto que fazem. Submetem-se às exigências, para garantir o sustento e até mesmo o próprio emprego. Acabam, com o tempo, acostumando-se com a realidade – claro, isso não é uma regra, mas geralmente é assim.
Antigamente, nossos antepassados, não tinham tanta acessibilidade aos meios de comunicação que temos hoje e sobreviviam – mais do que muitos, atualmente.
Crianças, aos 9 anos de idade – ou até menos – estão conectadas, viciadas em mexer em celulares, mandar torpedos, ler suas mensagens diárias nos sites de relacionamentos e por aí vai – ao que chamamos de fim. Fim, porque elas acabam seguindo uma rotina e deixam de brincar, de aproveitar a infância com atividades que trabalham o desenvolvimento corporal, para relacionar-se virtualmente. Onde iremos parar? Onde estamos, de fato, chegando?
Ao acordar, milhares de pessoas, nem sequer tomam o seu café matinal e já sentam em frente a tela do computador para lerem seus e-mails, enviarem outros e assim segue a rotina viciosa.
Tudo com moderação é aceitável. Nada em excesso faz-nos bem e isso é uma delas. A internet foi feita para auxiliar-nos, é um instrumento para o trabalho, estudo, pesquisa e relacionamento – seja com pessoas próximas ou não. Ela facilita nosso convívio. Porém, há aqueles que extrapolam os limites e uns são necessários internarem, pelo quadro vicioso estar tão avançado.
Ouvir dizer: “O acesso a internet e a telefonia celular estão bloqueados”, com certeza seria um choque para muita gente – ousaria dizer para todos. Mas serviria de lição também. Às vezes é necessário desligarmo-nos um pouco do mundo para ligarmos o pensamento em nós mesmos, procuramos saber o que estamos fazendo de certo e errado. Serviria também para aprendermos a sentir falta das pessoas que estamos diariamente nos comunicando e muitas vezes nem sequer valorizamos. Assim, também, teríamos um tempo para lermos, tirarmos momentos de lazer com a família e amigos. Fazendo isso, tornar-se-ia uma rotina e ao voltar o funcionamento das redes, manteríamos aquilo que estávamos fazendo como o prazer diário e a internet seria apenas a válvula de escape – ou, por mais que ainda fosse um vício, a rotina do lazer, na maioria dos casos, ainda tornaria um hábito. Pois aquilo que fazemos e gostamos, queremos praticá-los sempre.
A banda larga nos ajuda e muito, mas é preciso sairmos um pouco e deixarmos o computador desativado, para que a vida fora dele possa ter o “UP” devido, por mais que para isso seja necessário dar uma reiniciada ou ainda passar o antivírus para tirarmos todo resquício vicioso que há em nós.


*1° lugar na edição Blorkutando


Infortúnio da Obsessão

Kelry,

Se chegou até aqui, provavelmente, foi movida pela curiosidade de saber o que eu, sendo sua pior inimiga, poderia tratar com você, por meio de uma carta.
É bem óbvio e você sabe perfeitamente do meu ódio incontestável por você. Eu sei que você roubava meu dinheiro escondido, enquanto tomava banho e que rasgava minhas roupas, quebrava minhas pulseiras dentro do meu baú de jóias e o deixava lá, para eu achar que aconteceu do nada. Pois você acha que sou boba, né? Mas realmente você acertou. Eu sou sim, só que não o bastante para fazer com que você me engane a vida toda. Descobri teus segredos, tuas maldades e agora as tuas armas estão em minhas mãos.
O pior, sua vigarista, ainda tem mais. Descobri mais e isso só foi o início para preparar-me para o pior.
Quando fui visitar mamãe no hospital, ela lembrou que você havia medicado-a com o remédio diário, só que deu alteração no sistema nervoso e ela precisou ser internada. A médica detectou que deram uma mistura gravíssima e ela só não morreu porque meu irmão a viu tremendo no chão e chegou a tempo para ser atendida.
Se você o ama tanto, não é matando minha mãe e destruindo minha vida que você irá conquistá-lo. Eu tenho dó de você e da sua família. Você não é digna do teto que mora, não merece os pais maravilhosos que tem e não vale o chão que pisa.
E saiba mais: Meu irmão casou-se com uma inglesa e não está mais no Brasil; mamãe teve alta do hospital e o seu final... Eu deixo para o término desta carta.
Eis a diferença entre nós: Eu tenho ódio pelas coisas que você fez, por todas as dores que fizeste-me passar, mas não guardarei esse sentimento dentro de mim, porque quem tem um inimigo dorme com ele, acorda com ele, alimenta-se e vive com ele. E, de você, eu não quero nem o pensamento. Por isso, hoje, apago-te da memória. Não tenho amor e nem ódio por você, apenas nem lembro mais sua existência.
Você não foi completamente um nada pra mim, reconheço sua importância. Sim, você foi. Porque você me fez crescer, me ensinou que não devo confiar inteiramente nas pessoas, o tanto quanto confiei em ti. Mas foi somente até aqui.

Agora o seu fim está logo atrás de você, esperando que termine de ler esta carta.
Você está presa, Kerly
.

Daquela que tinha você no passado como a melhor amiga,
mas hoje a tem como a maior lição de vida para valorizar cada instante vivido.

Magg.

Pauta para BLQ