Resenha: O Bangalô



Tenho parado e analisado há alguns dias sobre a melhor forma de resenhar um livro que tenha causado um misto de sentimentos em mim. Explico: ler O Bangalô foi como ser arrastada para dois cenários distintos e misturados. Não entendeu, né? Na verdade acredito que eu não tenha sido tão clara quanto deveria. Imagine que a autora tenha feito uma receita e existem dois ingredientes que foram utilizados, o primeiro se chama O diário de uma paixão, o segundo é Pearl Harbor. Posteriormente, foi batido ambos e então surgiu O Bangalô. Uma receita rápida, simples, porém, existe algo nela que prenderá você: o sabor.

Como a resenha aqui é destinada para um livro, vou me ater a ele e deixar de lado os nomes que mencionei. Logo no início prevemos que uma história será contada dentro de outra e então conhecemos a contadora, Anne Calloway, uma senhora que, em 2012, recebe uma carta enviada por uma desconhecida e que a faz voltar à tona em seu passado. Curiosa, a neta pede para que ela conte sobre a origem daquela carta e somos arrastados para uma história não tão surpreendente assim. Afinal, para aqueles já assistiram aos filmes citados sabem do que estou falando.

O ano agora mudou, estamos em 1942, período da Segunda Guerra Mundial, e a jovem Anne mora em Seattle, leva uma boa vida, tem uma profissão e um noivo desejado por qualquer mulher naquela época – não tanto por ela. Anne tem quase tudo o que quer, mas sente que não tem algo essencial: felicidade. No dia do seu noivado a jovem confessa para a sua amiga Kitty que irá com ela se alistar na Corporação de Enfermaria do Exército. Com o casamento adiado, as duas partem em destino à Ilha de Bora Bora.

A história é tão clichê que você poderia pensar o que foi que me atraiu no livro. É... realmente quando se descreve a história numa resenha a obra parece um mero filme de sessão da tarde. No entanto, Jio possui uma escrita que nos mostra como um clichê pode se transformar em algo emocionante. É difícil descrever, mas consegui sentir a dor, raiva, alegria, agonia e cada sentimento demonstrado pelos personagens.



Como poderia prever, acertei o assassino, acertei o que aconteceria com Kitty, com Anne, com vários outros personagens. Na realidade, a história é tão maçante que é fácil descobrir o que vai acontecer. É nessa hora que vem a minha surpresa e admiração pela escrita de Jio, porque eu não conseguia largar o livro mesmo sabendo que se tratava de algo que eu já sabia. Não gosto de livros previsíveis. Detesto! Porém, não consigo descrever o porquê não larguei este, acredito que imaginei um final diferente, um conteúdo imprevisível. Ledo engano, não foi nada disso.

O nome do livro é um lugar que Anne e o jovem Westry conhecem e resolvem chamá-lo assim. O Bangalô é considerado amaldiçoado pelas pessoas ao redor da praia e, num certo dia, os dois presenciam um assassinato que mudará para sempre a história daquele lugar. Uma marca que nem o tempo é capaz de apagar, uma morte cruel e que tirará o sono da jovem Anne.

Mesmo tendo gostado da narrativa da autora, da forma envolvente que foi feita, considero que a obra foi tão previsível que tirou o encanto da maioria das cenas. Grande parte das vezes me perguntava o que estava fazendo ainda com aquele livro em mãos, não queria ler, estava cansada da mesma coisa, do mesmo jeito e de todo aquele cenário que já conheci em outros livros e filmes. Uma obra quando é muito boa você simplesmente lê sem se preocupar com outra coisa, sem imaginar o que seria de você sem terminar de lê-lo e, confesso, se eu parasse de ler o livro pela metade seria perfeitamente aceitável, não é nada que você não vá prever. No entanto, como disse lá em cima, o sabor, foi esse o causador de eu chegar até o fim; o sabor da narrativa gostosa foi o culpado, mesmo com uma história tão clichê.

Antes de finalizar a resenha, uma lição que vou levar dessa leitura foi sobre o medo. Quando sentimos medo podemos pensar que a melhor coisa é fugir dele, certo? Errado. Quem foge é sempre perseguido por ele. Para se perder o medo é necessário o quê? Enfrentá-lo. Como você faz quando tem um problema? Foge ou resolve? A coisa é clara, a solução é infalível: resolver. Quem foge dele numa esquina é capaz de encontrá-lo na próxima e assim por diante. Quando finalizei a leitura fiquei com essa sensação, essa agonia estava presa e engasgada, precisava soltar. A cena mais marcante para mim foi quando Anne decide enfrentar o seu medo e simplesmente vai. Ela não se preocupou com o tempo, o lugar, o voo, o cansaço, nada disso. Sabe por quê? Porque não importa quem está ao seu lado, mas sim quem você quer que esteja. Não importa nada quando se quer, pois o medo torna-se apenas um obstáculo, o menor de todos eles. Quem se esconde do medo merece (e tem) apenas uma vida regada de passividade. 

Quote:
“No manto da escuridão, era difícil distinguir os rostos, mas à medida que meus olhos se ajustaram, o horror se revelou. Ele a segurava por um chumaço de cabelo; podia ver isso. Então um brilho de aço brilhou no luar. Deus, não. Uma faca. Ele passou a lâmina pelo pescoço dela, e eu assisti, atônita, quando o corpo pequeno e inerte dela caiu na areia” (p. 196).

Título: O Bangalô
Autora: Sarah Jio
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
Ano: 2015

16 Revelaram sentimentos:

  1. Oi Naty esse livro já está na minha lista de leitura a um bom tempo ele parece ser um livro bem gostoso de ler e eu amei a sua resenha e que marcador mais lindo bjs.

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  2. Oi Naty, tudo bem?
    Bem, O Bangalô tem uma proposta bem interessante, pelo menos é o que a sinopse fez parecer. Além do clima familiar, o contexto de Segunda Guerra é um ponto forte para chamar atenção para a obra. Apesar de ter achado a narrativa clichê, foi gostoso saber que ele lhe causou tantos sentimentos e trouxe-lhe uma nova lição.
    Este livro está em minha lista de leituras e estou na expectativa de que vou gostar.
    Bjs!

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  3. Ah gente, que pena que o livro além de ser clichê é totalmente previsível :(
    Não gosto muito de livros assim, principalmente porque me faz querer abandoná-lo e ir ler outro.
    A resenha do livro ficou muito legal, e pelo simples fato de lê-la já me fez tirar esse livro das minhas leituras desse ano, estou fugindo da mesmice, quero inovação, quero que o autor me surpreenda.

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  4. Acho que a maioria dos leitores não gostam de livros previsíveis, como você mesma disse acaba perdendo o encanto e no final não prende o leitor, porém ai vem um ponto positivo no livro que me fez apaixonar pela leitura, os clichês dos romances que eu acabo não resistindo. Desde do lançamento desse livro que estou louca para lê-lo, ainda mais que estou nunca fase de acompanhar filmes de guerras, e alistamentos pro exercito, tenho certeza que vou amar esse livro, já está na minha lista de desejados.

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  5. Já li várias resenhas falando muito bem desse livro, e a cada resenha minha vontade de ler só aumenta, amo livros/filmes com cenários da 2ª Guerra Mundial e quero muito ler esse. Também não sou muito fã de histórias clichês, mas as vezes acho que precisamos de uma história desse tipo para recuperar um pouco de fé nas coisas.

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  6. Naty!
    Quando comecei a ler sua resenha, fiquei pensando: será que lemos livros diferentes?
    Depois percebi que lemos o mesmo livro, entretanto, tivemos sentimentos totalmente opostos em relação a ele...
    Fiquei tão envolvida com a leitura que não percebi nada de clichê, nada de comparações com os filmes que citou, apenas embarquei na escrita da autora e vivi os 2 mundos de Anne, na passado e no presente...
    E o bom da leitura é isso, cada leitor tem sensações e conclusões diferentes sobre ma mesma leitura.
    “A imaginação é mais importante que o conhecimento.” (Albert Einstein)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  7. Quando comecei a ler sua resenha já fiquei interessada no livro devido as duas referências que você citou, gosto deste dois filme. Embora você tenha falado que o livro é repleto de clichês fiquei muito curiosa para conferir a leitura, mesmo com clichês ela desertou algo, e acho que isto é muito válido em um livro. Fiquei bem curiosa para a resolução do crime e também para conhecer a história de amor. Enfim, me senti muito atraída pela leitura, gostei muito da dica e da resenha.
    Abraço!

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  8. Mulé!!! Mais uma resenha que leio que me faz chegar à mesma conclusão, preciso ler, rsrs

    Todas citam os clichês, mas todas concordam que o livro é delicioso. Que mais eu preciso???

    Vou ler!!!

    Amei a resenha e as fotos também!!!

    Bjksssssssssssss

    Lelê

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  9. Sou fã da autora, já li os dois livros anteriores e gostaria de ler esse.
    Gosto do artifício de passado e presente e gosta ainda mais quando ela intercala passado e presente, fico tão envolvida que não percebo que ela passa de um a outro.

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  10. Olá Naty,

    Tudo bem?

    Essa é a primeira resenha que leio desse livro, não sabia muito o que esperar dele mas sua resenha despertou minha curiosidade, vai para a minha lista.....bjs.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  11. Oi Naty.
    Acho uma boa quando os livros intercalam os tempos da narrativa. No início eu demoro um pouco para pegar, mas quando pego, não há quem segure, rs.
    Apesar do clichê, que bom que você conseguiu tirar uma lição do livro.
    Abraços.

    Minhas Impressões

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  12. Oi,
    Eu não conhecia esse livro, ele me parece ser bom, não tenho nenhum problema com livros clichês que nos prendem hehehe, amei a resenha, só que não me senti atraída para ler o livro, mas quem sabe eu venha a dar uma chance mais para frente, mas por enquanto não pretendo ler.
    Beijos *-*

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  13. Não tinha dado nada pra esse livro, fiquei com muito pé atrás, e achei interessante a sinopse. Mesmo você tendo citado mil defeitos hahah Gostei muito da lição e uau!! Você tem toda a rasão, mas muitas vezes quando estamos cara a cara com o medo ou o problema, infelizmente não pensamos assim.

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  14. eu não gosto muito desse tipo de narrativa contada. Que começa numa epoca em que os protagonistas estão mortos ou morrendo, por isso não me chamou a atenção e vc dizer q é altamente cliche só confirmou minha opniao

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  15. Oi!
    Ainda não conheço nenhuma das historia citadas mas o livro O Bangalô me surpreendeu pois esperava uma historia diferente e gostei bastante do que encontrei o livro me deixou curiosa sobre o futuro do casal e achei bem legal a lição que você tirou dessa leitura !!

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  16. É mesmo. Os livros dela mesmo tendo alguma coisa de clichê ou manjado acabam me conquistando pela escrita cheia de emoção. Ela passa muito sentimento, você consegue sentir aquilo que os personagens sentem e isso é legal.
    Achei esse um tantinho clichê mesmo de sinopse, mas acho que iria adorar ler por ser dela. Não gosto de livro muito previsível, no entanto, e dá até um certo receio ver falando assim dele. Mas... vamos na fé. Quero ver se leio.

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