Resenha: O ar que ele respira


Às vezes me sinto a maior crítica literária da espécie (no sentido mais chato possível), outras vezes me sinto a boazinha (o que não ocorre com certa frequência). Tenho tido leituras balanceadas este ano, ora muito boas, ora mais ou menos e tinha ficado por aí. Até pegar O ar que ele respira e despencar de vez na balança.

Tenho lido diversos elogios sobre a obra. Leitores afoitos por Tristan (infinitos), outros por Elizabeth (poucos), mas o fato é que Cherry tem arrebatado corações por aí afora. É claro que li resenhas negativas, porém, fico imaginando se eu sou o problema em enxergar tudo exagerado e forçado demais ou se o livro realmente é assim – em alguns (longos) pontos.

Quando li a sinopse imaginei que a leitura seria emocionante do início ao fim, afinal, quando o assunto é perda dificilmente uma obra não consegue nos tocar profundamente. Não vou dizer que a história não teve nenhum ponto positivo, pois teve sim – não o suficiente para arrebatar mais um coração.

Elizabeth precisa seguir sua vida após a morte do seu marido; Tristan não é diferente, está passando pelo mesmo processo por ter sofrido duas grandes perdas – e ele se culpa muito por isso. Como lidar com uma dor? Como superar uma perda irreparável? É difícil responder mesmo quando passamos por isso. Ninguém está preparado para a morte. Ninguém está pronto para lidar com uma ausência eterna.


Decidida a enfrentar as lembranças de seu casamento, Elizabeth decide voltar ao seu antigo lar. Chegando à pequena Meadows Creek, ela não imagina que se depararia com seu novo vizinho, Tristan, e que um sentimento estranho poderia surgir – um cara fechado, grosseiro, solitário e com um semblante sempre abatido.

Quando a protagonista tem a oportunidade de se aproximar dele, ela percebe que por trás desse homem frio e insensível, existe uma pessoa devastada e com marcas de perdas profundas. É aí que a comunicação de ambos ganha força e o que tinha tudo para ser uma simples confusão acaba se tornando um sentimento tímido naqueles corações.

Embora um relacionamento bem clichê, estava preparada para me emocionar pelo motivo do contato do casal. Acontece que a história toma um rumo que me fez ficar desgostosa pela obra. Não queria mais saber do livro, de Tristan, de Elizabeth – eles chegaram a um ponto que eu não queria mais saber. Mas fui atrás do desfecho.

Tristan sente falta de sua esposa, é claro; Elizabeth sente a falta do seu marido. Porém, um sentimento entre eles começa a nascer e a necessidade do contato físico é notório. Qual a coisa comum a ser feita nesse caso? Acreditem se quiser, mas eles fazem o que não é o comum (penso eu). Um deseja que o outro seja o morto (consegui ser clara?). Elizabeth pede para Tristan ser o marido morto. Ela deseja olhar para ele com as roupas de Steven, com o pensamento e com o olhar no falecido. Assim como Tristan deseja o mesmo.


Não concordo com a narrativa desenvolvida para essa lógica, nem tampouco com a cena que me deixou horrorizada. Mas o que posso fazer quando o rumo muda e não acontece o que esperamos? Não posso julgar os personagens, apenas não aceitei que tudo poderia ocorrer com aquela facilidade.

Algumas cenas me pareceram forçadas, como o momento do sequestro e o seu desfecho. Assim como alguns diálogos entre os personagens principais. Não posso afirmar que a obra apenas tenha pontos negativos, como disse. No entanto, o único ponto positivo presente na história não foi o suficiente para brindar com mais do que duas estrelas. Sinto muito, senhora Cherry, mas comigo não funcionou.

Como tem muita gente gostando da obra, acredito que valha a pena tentar a sua vez e ver se funciona com você. Adianto que eu não sou fã de romances, então minha crítica possa ter ido além do normal, mas não deixei de ser justa. Não vou pintar um desenho bonito de que gostei da história sendo que não foi isso que senti. Jamais mentiria, caro leitor.

Quotes:
“(...) — Se esse garotinho fosse tudo que te restasse no mundo, você iria querer saber se ainda resta uma esperança, certo? Você imploraria a alguém que te dissesse o que fazer. Como fazer. O que você faria?”.

“— Às vezes, acho que as pequenas recordações são as piores. Consigo lidar com as lembranças do aniversário dele e até do dia em que ele morreu, mas quando as pequenas coisas vêm à tona, como o modo como ele cortava a grama, ou ele pegando o jornal só pra ler as tirinhas, ou fumando charuto na véspera do ano-novo...”.
  
“Gostava de me lembrar dos meus pecados através das dores do meu corpo. Eu adorava me machucar. Mas só a mim. Adorava me ferir. Ninguém mais precisava sofrer. Fiquei longe das pessoas para não machucar ninguém. Machuquei Elizabeth, mas não foi de propósito”.
    
“Primeiro, me apaixonei pela ideia. Me apaixonei pela ideia de que um homem me faria rir e chorar novamente. Eu me apaixonei pela ideia de alguém me amar, mesmo estando tão despedaçada, com meu coração em cacos”.

Título: O ar que ele respira
Autora: Brittainy C. Cherry
Editora: Record
Páginas: 308
Ano: 2016

27 Revelaram sentimentos:

  1. Nossa, que decepção. Eu estava com expectativas TÃO altas com esse livro que ver a sua opinião me desanimou totalmente. A verdade é que depois de tantos elogios, não se pode esperar outra coisa, não é? Que pena que deixou uma sensação de forçado.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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    1. Eu estava pensando que esse seria um livro que me surpreenderia no estilo, mas não foi dessa vez.
      Achei o enredo meio forçado em alguns momentos.

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  2. Oi.
    Que pena que a leitura foi decepcionante para você. Também não sou fã do gênero romance, mas estou com boas expectativas a respeito desse livro. Gostei da premissa e da capa e , apesar de seus comentários não tão positivos, vou querer ler e tirar minhas próprias conclusões. Beijos.

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    1. Eu estava e comigo não funcionou. Espero que para você dê certo, Márcia.

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  3. adorei sua sinceridade e acho que como vc disse a pessoa tem que ler para saber se funciona com ela
    eu realmente vi muitos elogios, mas eu sou como vc não sou muito fã de romance eu já estava com medo de não funcionar comigo e entendo vc ler um livro que todo mundo gostou e vc não.
    sem falar que no caso tem tanta resenha favorável dizendo que toca o coração que é lindo e isso e aquilo que vc vai esperando mais.
    as vezes eu sou bem mais cruel por causa dessas frustrações o livro é até bom, mas como vc estava esperando ser ótimo vc acha que foi ruim (deu para entender?)

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    1. Deu sim, Mari.
      Foi isso que aconteceu comigo. Ouvi gente dizer que chorou e eu já estava pensando que eu choraria ou algo do tipo. Não deu...
      Acabei ficando inconformada com tudo.

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  4. Oii Nath! É sério? Eu estava com tanta expectativa nesse livro...Pela sinopse e pelas resenhas q acompanhei dle parecia um enredo tão bom...
    Espero não me decepcionar tanto assim...
    Bjs!

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    1. Espero que você goste, Aline.
      Capaz de gostar, mas não vá com muita sede ao pote rs

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  5. O título desse livro me soou bem pesado e enquanto lia a resenha me pareceu muito uma história do Sparks. Não gosto de romances e esse me pareceu bem ruim e doentio, como alguém consegue romantizar uma história dessa? Não desceu pra mim de jeito nenhum.

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    1. Exatamente, Maíra.
      Foi assim que eu fiquei quando finalizei. Fiquei indignada e querendo não ter lido cada coisa que li.
      Paciência...

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  6. Nossa, que leitura decepcionante pra você né? Duas estrelinhas só! Uma pena :(
    Dos comentários que tenho lido só vejo positividade.
    Mas é bom saber um ponto de vista diferente.
    Confesso que as minhas expectativas diminuíram um pouco e por isso na hora da leitura vou estar mais preparada para possíveis decepções.
    Ainda continuo super curiosa e espero conhecer a obra em breve.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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    1. Oi, Carol.
      Realmente para mim foi, infelizmente, pois estava disposta a embarcar e gostar de tudo.
      Não foi. Não teve jeito.

      Espero que com você a leitura vingue.

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  7. Olá, Natalia.
    Quando acontece esse tipo e coisa a gente fica até se sentindo mal né? hehe. aconteceu comigo em A culpa é das estrelas. Realmente a sua é a primeira resenha que vejo que não se debulha em elogios ao livro. Eu sinceramente não tive vontade de ler ele até agora. Não vou dizer que não lerei, mas no momento não.

    Blog Prefácio

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    1. Exatamente, Sil.
      Tipo: por que eu? Por quê?
      Enfim, não gostei, mas indico para a pessoa ler e ver se gosta. Espero que, se você tiver vontade, um dia (rs), você goste rs.

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  8. Eu vi umas resenhas bem "acabadas" do outro livro dela. Mas quando fui ler, amei. Sei lá. Às vezes o clichê me encanta. E fico pensando o que vou achar desse. Está bem balanceado. Vi muita coisa boa e algumas bem ruins. Se é forçado em alguma parte acho que só lendo mesmo pra ver o que acho. Mas pela sinopse espero gostar bastante, ele parece desses "sofredores", história triste e bonita ao mesmo tempo. É torcer pra gostar, porque quero ler.

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    1. Entendo isso, mas tudo depende do gosto da pessoa.
      Por isso nunca me prendo ao que a pessoa gostou ou não. Eu vou e enfrento para ver se o meu pensamento será assim. Mas quando vejo que não é meu estilo e ouço muitas críticas, não vou me prender a algo que já não é do jeito que gosto.
      Com esse foi o oposto e acabei me decepcionando. Infelizmente.

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  9. Natália!
    Li também algumas resenhas sobre o livro e todas falaram bem.
    A princípio achei que ambos iriam curar suas feridas e dores, mas se acontece como falou, é de forma bem mórbida, concorda?
    “A sabedoria só nos chega quando não precisamos mais dela.” (Che Guevara)
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Concordo, Rudy.
      Bem mórbida e estranha.
      Credo.

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  10. Oi, Naty
    Às vezes acontece isso mesmo, o problema não está em você. Li um livro recentemente que todos elogiaram horrores e eu odiei a protagonista e achei tudo forçado ao extremo.
    Uma pena, também ouvi muitos elogios desse livro e até tenho vontade de ler por conta da autora.
    Pode ser uma questão de visão mesmo, né! Se um dia eu ler, te conto o que achei rs

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    1. Quero que você leia e me conte sim.
      Acredito que você vá gostar, hein rsrsrs

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  11. Oi Naty,
    Li esse livro mês passado e os sentimentos que senti durante a leitura continuam fortes. Esse livro acabou comigo, estava buscando ler um livro que me emocionasse, e com certeza o livro cumpriu a sua missão. Amei a narrativa da autora, quero ler mais livros e me emocionar com suas histórias. Apesar de também ter enxergado alguns pontos falhos (principalmente o final corrido), isso passou abatido, pois essa história mexeu demais comigo.
    Parabéns pela resenha tão sincera.
    Beijos

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    1. Que bom que você gostou, Micheli.
      Comigo não vingou e eu não me emocionei.

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  12. Eu tinha me apaixonado pela capa do livro e depois de ouvir muitos comentários positivos sobre ele criei tanta expectativa que resolvi ler mas ao começar a leitura percebi que minhas expectativas foram tudo por água a baixo, concordo com a sua opinião e achei certos acontecimentos forçados e muitos diálogos desnecessários.

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    1. Finalmente alguém que me entendeu. FINALMENTE!
      Hahahahaha.

      Eu achei muito forçado, desnecessário e algumas coisas rápidas demais (enquanto outras foram tão lentas que eu já estava cansada).

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  13. Eu gosto muito de romances, até daqueles que são bem bobinhos também, mas este enredo não me conquistou, não me deu vontade de ler. Assim como você disse, só li resenhas positivas dele e nunca o livro me chamou a atenção. Gostei da sua resenha, dos pontos levantados. Mesmo eu não me sentindo atraída pelo livro, acho que em um futuro vou ler a obra, quero entender a parte do desfecho, que você diz que a obra desandou.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

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  14. Oi Natalia, tudo bem?
    Primeira pessoa nesse mundo que eu vejo que não gostou muito do livro, do contrário só vejo pessoas super babando em cima da história. Eu tinha achado a premissa do livro super interessante até ler na sua resenha essa parte de se vestir com roupas dos entes mortos, tipo???? Talvez eu ainda leia o livro para ter a minha própria opinião.
    Beijos

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  15. Adorei esse livro!! Gostei muito do Pluto!! Mas também sofri e chorei com os personagens!!
    Beijoss

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