Resenha: Depois daquela montanha

Por Naty Araújo •
28 novembro 2016

Li Depois daquela montanha tem uns vinte dias e ainda não me sinto preparada para resenhá-lo, pois, por mais que eu diga tantas coisas sobre ele, ainda não será o suficiente para demonstrar tudo o que merece.

É difícil explicar e até mesmo entender, mas logo nas primeiras páginas eu já imaginei o final. SIM, eu acertei o final do livro (sem as justificativas, é claro) e mesmo assim a obra me arrebatou. Achei que seria tragada pelo estrago, devorada pela decepção e inspiraria desgosto por imaginar que a história seria “só” isso.

Engana-se quem pensa isso. SIM, eu estava enganada sobre não gostar. Mesmo adivinhando o desfecho, é impossível não sentir os olhos lacrimejando, não sentir como a leitura é capaz de nos ensinar, nos mostrar que nem tudo pode ser como queremos, que nem tudo somos capazes de decidir pelos outros e que nem sempre as nossas armas serão usadas da melhor forma.


A gente tem a mania de achar que tudo precisa ser como queremos ou que o melhor é o que pensamos. Depois daquela montanha nos ensina que não. A outra pessoa tem a sua escolha, o seu poder de decidir se quer ir ou ficar, se quer chegar ou não. E é assim que eu deveria iniciar esta resenha: Ben Payne e Ashley decidem ir, mas não são apenas essas as decisões presentes no livro.

Ben é um médico ortopedista e está tentando voltar para casa, pois tem algumas cirurgias a fazer. Porém, algo inevitável acontece: uma forte tempestade castiga a região e o voo do doutor está bastante atrasado. Ele é casado há quinze anos com a doce e encantadora Rachel, uma mulher que é capaz de enxergar o que Ben tem de melhor e fazê-lo uma pessoa apaixonada por sua profissão, sua família e por tudo ao seu redor. Durante todo o percurso, ele carrega um gravador para poder relatar os fatos à esposa.

Em contrapartida demos Ashley, a noiva ansiosa que está com o casamento marcado. No aeroporto ela conhece Ben e passam a conversar um pouco enquanto esperam o voo. Ao embarcarem, são avisados de que aquele voo não pode acontecer pois o clima não está favorável e pode ser muito arriscado. Decepcionados, eles saem e cada um decide seguir o seu caminho.


É nessa hora da pressa e do desespero que eles decidem agir – e estamos lidando com mais uma decisão capaz de mudar suas vidas. Ambos embarcam em um avião com Grover e seu cachorrinho Napoleão e o pior ainda pode acontecer...

Ao acordar, Ben nota que está coberto de neve; o vento corta sua pele e ele sente uma dor forte nas costelas. Ashley está ao seu lado com o ombro deslocado e a perna quebrada. Tudo parece um grande pesadelo, se não fosse as dores que insistem em incomodá-lo. O que fazer quando o socorro está longe de ser um objetivo, quando a solidão parece queimar seus corações e o gelo interminável parece invadir seus corpos? O que fazer quando há apenas um (com fraturas) e tendo de tomar conta de uma doente?

A obra toma um rumo que o leitor não imagina e os personagens precisam lidar com a necessidade de sobreviver no frio, a quase 3.500 metros de altitude, com fome, muitas vezes com sede e sem medicamentos adequados para sarar as suas dores. Como Ben deve fazer para sair dali sem agravar o estado de Ashley?


O protagonista tem duas opções: carregá-la com a perna fraturada e o ombro deslocado, estando em péssimas condições por causa de sua costela ou simplesmente deixá-la morrer congelada. É difícil imaginar que uma vida está em nossas mãos e que temos o poder de tentar deixá-la viva ou matá-la de forma tortuosa.

Embora algumas coisas pareçam fora dos conformes, fora da lógica e da realidade, o livro é impactante. Mesmo com alguns pontos negativos, inclusive uma parte que não posso explicar porque seria spoiler, ainda dei cinco estrelas à obra. A capa está condizente com o cenário e achei marcante. A diagramação segue o padrão simples, mas que proporciona uma leitura agradável. Ao finalizar, fechei o livro com uma lágrima dos olhos e com o sentimento de que precisava relê-lo muito em breve. É necessário recomendar depois de tudo isso?

Quotes:
“– [...] Estamos casados há muito tempo, vimos muita coisa, vivenciamos muita coisa, mas amar é algo que vai melhorando, quanto mais a gente ama. Talvez vocês pensem que um velho como eu não se inflama quando ela cruza o quarto com uma camisola desbotada de flanela, mas eu me incendeio. E ela também sente o mesmo por mim. [...] Apesar de eu não usar camisolas de flanela. Ela pode não ser tão atrevida quanto era na casa dos 20 anos – prosseguiu – e pode ser que tenha a pele flácida na parte posterior dos braços e na base do bumbum. Talvez tenha umas rugas de que não gosta, talvez tenha as pálpebras caídas, talvez sua roupa de baixo não seja tão pequena quanto já foi; pode ser que tudo isso seja verdade... mas também não tenho a aparência do homem das nossas fotos do casamento. Sou uma espécie de reflexo daquele garoto, um reflexo grisalho, enrugado, curtido pelo sol e mais lento. Talvez isto seja meio lugar-comum, mas me casei com a mulher que se encaixa em mim. Sou metade de um quebra-cabeça de duas peças.” (p. 37)

Muito do que eu sou foi ele quem fez. Forjou-o em mim. Sei disso. Mas meu pai usava dor para me livrar da dor. E me deixava vazio e ferido. Você se derramou em mim e me preencheu até a borda. Pela primeira vez, não senti dor. Você me deu a única coisa que ele nunca ofereceu. Um amor que não dependia de cronômetro.” (p. 53)
   
“– Paus e pedras podem quebrar ossos, mas, se você quiser ferir alguém... bem fundo, use palavras.” (p. 219).
  
Outras fotos:




Título: Depois daquela montanha (exemplar cedido pela editora)
Autor: Charles Martin
Editora: Arqueiro
Páginas: 304
Ano: 2016

Comentários via Facebook

17 Revelaram sentimentos:

  1. Oi Naty,
    Não preciso de mais recomendações, pois estou louca para ler esse livro haha
    Depois Daquela Montanha já me conquistou pela sinopse quando vi o lançamento, mas agora depois de ler isso é uma leitura obrigatória.
    Amo livros com cachorros, e sei que o Napoleão vai ser o meu personagem canino favorito da vida, pois é o nome de um dos meus cachorros ♥ Esse livro vai entrar pra história, pois não é sempre que a gente encontra um cachorro literário com o mesmo nome de seu animal de estimação haha
    Não vejo a hora de ler esse livro, estou ansiosa para conferir o final dessa história emocionante. E vi que vai ter filme!
    Beijos

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  2. Achei a sinopse dele muito boa e pelo jeito vale a pena. Fico imaginando se iria acertar o desfecho também, mas aí só lendo pra saber se já deixa uma dica do rumo da história né... O livro parece expressar bem as situações de dificuldade que eles passam, deixa umas mensagens bonitas e cheias de significado e parece que é envolvente e até surpreende. Gostei, parece que o livro deixa bons sentimentos ao leitor e faz a leitura ser indispensável.

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  3. Ai guriaaaa... e o cachorrinho? :(

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  4. Natália!
    Difícil mesmo tomar uma decisão em tal situação... O que poderia ser feito? Tem nem um abrigozinho por perto para abrigá-los?
    Confesso que fiquei pensando em qual solução tomar, ainda assim é difícil, porque não vivi a situação, acredito que só na hora mesmo...
    Quero muito poder ler esse livro.
    “Para saber uma verdade qualquer a meu respeito, é preciso que eu passe pelo outro.” (Jean-Paul Sartre)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  5. Gente que sofrimento, como decidir algo assim, que situação difícil, já fiquei curiosa. Outra coisa que me chamou a atenção foi o final ser óbvio mas emocionante. Amei a resenha e a dica, com certeza vou querer conferir.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

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  6. Oii Naty,
    eu ainda não conhecia o livro, mas achei bem diferente e forte, fiquei bastante curiosa para saber o que acontecerá com esses dois, e como terminará.
    Espero que bem, rs
    Logo vou querer ler, bem interessante.
    bjoss
    Ana,
    elvisgatao.blogspot.com

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  7. Achei a capa do livro bem bonita.
    Fiquei bem divida entre gostei e não gostei da história, gostei da história te fazer pensar sobre decisões e sobre como cada coisa pode mudar tudo mas não gostei do cenário em que a história se passa.

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  8. Ual! Que linda resenha Nath, adorei o enredo, conhecia apenas por nome, com toda ctz vou qrer ler!
    Lindas suas imagens tbm!
    Bjs

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  9. Olá, Natalia.
    Como sempre as fotos arrasaram. Eu li algumas resenhas desse livro e me interessei por ele. Fiquei aqui pensando sobre o ponto que você abordou sobre querermos decidir sobre tudo e esquecemos de que não podemos decidir pelo outro. O livro aprece ser lindo e assim que der eu vou ler ele com certeza.

    Blog Prefácio

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  10. Oi Natalia, de vez em quando a gente encontra livros assim né, que o processo de leitura é melhor do que o final em si. Acredito que nesses casos, os sentimentos despertados em nós é que realmente conta. Gostei da história do livro e espero ganhar o sorteio, é claro (rsrs).
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  11. Fiquei interessada em ler essa historia e saber como termina, que decisões o Ben irá tomar em relação a Ashley se vai ajudá-la ou não. Tenho que concordar queremos as coisas do nosso jeito e não pensamos em como nossas escolhas pode afetar muita gente.

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  12. Oi, Natalia!!
    Estou louca para ler esse livro!! A história super interessante!!
    Beijoss

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  13. Li algumas resenhas sobre esse livro. Confesso que estou bastante surpresa com as reações dos resenhistas. Então, acredito que cada pessoa deva ler e tirar suas conclusões, uma vez que não dá para basear seu interesse nas leituras das resenhas. Vou querer ler o livro: primeiro, pelo desastre e a curiosidade de saber como estão se arranjando. Segundo: para descobrir os sentimentos e o crescimento desse sentimento entre os personagens. Terceiro: qual é o grande segredo de Ben Payne? (isso li em outra resenha).

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  14. Oi Natalia, tudo bem?
    Desde que li a sinopse pela primeira vez, me encantei com a história e decido que precisava ler este livro. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de fazer isso, e inclusive já tenho uma opinião sobre o final, mas fico muito feliz por você ter sido surpreendida apesar de também ter matado o final do livro. Adorei a resenha.
    Beijos

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  15. Como já assisti o filme, a historia não é novidade para mim, na verdade eu queria ver tuas considerações. E gostei! Na verdade achei o filme beeeeem normalzinho apesar de eu adorar os atores, eu não via a hora deles se beijarem de uma vez ahahahahahah. Pela historia em si ser fraquinha, desanimei no livro, embora eu tenha amado a capa, porém teus comentários super positivos e empolgados de que a historia é bom sim, mesmo que previsível, isso dá um gás a mais, obrigada pelo estímulo.

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  16. Ooi não preciso de mais recomendações, pois estou louca para ler esse livro haha
    Depois Daquela Montanha já me conquistou pela sinopse quando vi o lançamento, mas agora depois de ler isso é uma leitura obrigatória
    Com certeza estará na minha lista de desejados beijos

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  17. Impactante mesmo!!!
    Ainda não li o livro nem assisti ao livro mas vou corrigir isso em breve.
    Sua resenha me deixou muito animada para conhecer essa história

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