Resenha: Amityville


Resenhado por Marcos Ferraz

Simples... porém foda!

Amityville é de fato um livro daqueles que você não tem vontade de largar. Isso porque o autor Jay Anson mantém uma narrativa cadenciada, ao mesmo tempo envolvente, até em casos corriqueiros, como quando explica as funções da profissão de George, patriarca da família Lutz. Porém, para este que vos escreve, fica evidente uma certa falta de emoção naqueles momentos mais excitantes. Você lê, gosta do que leu, arregala os olhos no modo “PQP!!”, mas sente falta desse acabamento por parte do narrador. Mas isso é ruim? Não! Analisando por outro ponto de vista, fica claro que é possível fazer uma ótima história de terror (ou uma história qualquer) tendo uma linguagem simples. Simples, mas eficaz, porque em todos os capítulos há uma passagem que te arrepia até os pelos da batata da perna, e são, essencialmente, esses momentos que te fazem não querer parar de ler.

“[...] George ainda estava agitado.
‘Eu não estava sonhando, juro’, insistiu. ‘Eu vi o Chris sendo levantado e...’
‘Você não pode ter visto’, interrompeu Kathy. ‘Chris esteve na cama o tempo todo, bem aqui.’
‘Não, mamãe. Eu tive que ir ao banheiro mais cedo.’ Chris se sentou. ‘Você e o papai estavam dormindo.’
‘Eu não ouvi. Você usou o meu banheiro?’, perguntou Kathy.
‘Sim. A porta estava trancada, então fui lá em cima.’
George foi até o banheiro. A porta estrava trancada.
‘Lá em cima?’, perguntou Kathy.
‘É [...], mas eu fiquei com medo’.
‘Por quê?’, perguntou o pai.
‘Porque eu podia olhar através do chão e ver você, papai.’
Os Lutz ficaram acordados o resto da noite. [...] De manhã, George ligou para o padre Mancuso.”

O livro narra a passagem efêmera (e aterrorizante) da família Lutz pela cidade de Amityvill, quando eles comparam uma casa, muito barata pelo seu tamanho e localidade, mas que tinha sido alvo de uma tragédia. Alguns anos atrás, um adolescente matou seus pais e seus irmãos com um tiro nas costas, enquanto eles dormiam. Eles não se importaram com o acontecido, nem quando leram as reportagens onde o assassino dizia que as vozes da casa mandaram ele fazer aquilo. Eram céticos em relação a assuntos sobre fantasmas.

Eles chegam à casa no dia 18 de dezembro de 1975 e já na primeira noite as coisas se mostram complicadas.

Fica difícil aqui, entrar em detalhes sem estragar a leitura. Não que seja spoiler, mas são coisas das quais eu gostaria de descobrir sozinho, lendo.

Mas enfim, fica o questionamento: Até que ponto você levaria seu ceticismo? Muitas coisas, mas muitas mesmo, aconteceram, nas quais eu não ficaria nem mais um minuto na casa se presenciasse. Por exemplo (vou contar só essa), se você ouvisse a fanfarra da sua cidade passando pela sala da sua casa, o que você faria? Sério! A gente está falando aqui de uma história real, não é uma ficção na qual você enrola para encher páginas do livro. “Vamos esperar um pouco para ver se essas coisas não são só a nossa imaginação”. Ah, sim! É a imaginação de todo mundo trabalhando em conjunto! Sorry, estou falando demais. Mas para mim esses pais foram muito relapsos.

Por fim, vinte e oito dias depois, eles deixaram a casa. Não sem antes sofrerem muitas coisas.
Enfim... continuemos.

Como eu disse, a história segue uma linearidade, não dando espaço para fluxos de pensamentos, até porque os capítulos que seguem são divididos entre os dias nos quais a família ficou na casa (mesclando com passagens de acontecimentos relacionados ao Padre Mancuso, amigo da família desde muito tempo, que benzeu a casa quando a família entrou, e também sofreu as consequências desse ato). Mesmo assim, são raras as passagens correntes no passado.

O autor também não usa uma linguagem muito refinada, de difícil compreensão. Tampouco é uma linguagem pobre. Ficou devidamente apropriada para a realização do trabalho ao qual ele se propôs.

O ponto negativo fica por conta de duas coisas me deram nos nervos: 1) Toda vez que o autor vai se referir à casa, ele diz “o número 112 da Ocean Avenue”. Inclusive em diálogos. Um erro, em minha opinião, pois essa é uma referência dele próprio, não dos personagens da história. Ele deveria inserir nos personagens outros tipos de alusão. 2) A editora. Dark Side faz livros lindos, mas frequentemente com erros grotescos.

“[...] Vocês vão receber o que merecem mais tarde, mas agora não quero ouvir mais nem um piu! Estão me ouvindo? Mais nem um pio!” [sic.]

Não há dados físicos no livro; composição das folhas, capa etc. Então, resta-me dizer que, tirando os erros gramaticais, a Dark Side destrói nas suas publicações. A capa do livro é linda, dura, trabalhada em vermelho e preto. Há no interior algumas ilustrações, como a planta dos andares da casa e da casa dos barcos e também a ilustração de Missy, retratando seu amigo porco imaginário andando na neve.

A minha opinião final é que se você tinha algum receio da leitura desse livro, eu sugiro que o elimine. Pode ser que você não goste no geral como eu gostei, mas com certeza não é um livro para se jogar fora.


Beijo do gordo!


Título: Amityville (Amityville horror)
Autor: Jay Anson
Editora: DarkSide Books
Páginas: 240
Ano: 2016

22 Revelaram sentimentos:

  1. Marcos!
    Acredito que o maior crédito do autor em ter uma escrita simples, é pelo fato de ter acontecido mesmo o terror lá na casa, é uma história verídica, fica fácil de narrar.
    Uma pena a revisão da DarkSide não ter sido boa, porque a diagramação dos livros da editora sempre são perfeitas.
    “Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.” (Sabedoria oriental)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  2. E difícil encontra um livro de terror, no qual a linguagem e simples, em geral são complicadas, cheia de detalhes sem essência, e por isso várias vezes não me interessei pela leitura de livros desse gênero, por esse fator. Por isso quando li sua resenha percebi que além da história sem bem construída, iria gostar e muito do modo com a trama foi escrita. Quero conhecer melhor também as cenas das quais você se arrepiou todinha. Tenho certeza que vai valer a pena essa leitura.

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  3. Oi Marcos, então tenho que dizer que não posso ser considerada cética e sim bem medrosa haha, infelizmente não acho que esse livro iria me conquistar, no entanto para aqueles que curtem o gênero parece ser um livro incrível e tirando os erros gramaticais (isso é chato), a leitura deve ser bem intensa e a edição em capa dura deve estar bem linda ;)

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  4. Olá, Marcos.
    Eu li esse livro quando era criança. Peguei escondido do meu irmão e foi um dos primeiros livros que li na minha vida. Eu adorei passar medo lendo ele hehe. E agora muitos anos depois a editora relançou com essa edição linda e é claro que tive que comprar. Por isso ainda vou reler ele nessa edição.

    Prefácio

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  5. Deve ser uma historia bem assustadora ainda mais por ter acontecido de verdade, eu no lugar dos novos moradores teria medo de morar lá depois de tudo que aconteceu e se por acaso fosse morar no primeiro acontecimento estranho sairia de lá correndo e não voltava mais rs. Achei a família corajosa e não se deixaram levar pelos acontecimentos antes de morarem lá, pois conseguiram ficar quase um mês pra mim é bastante tempo em um lugar assombrado.

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  6. Marcos. O que dizer né? Resenha espetacular! Você retratou o que eu senti lendo o livro. Realmente senti falta de um "tchan" a mais em certos momentos, mas nada que tira o terror que a história passa. E nem te conto o medo que eu passei na semana seguinte ao término dá leitura, quando eu acordava de madrugada morrendo de medo de olhar o relógio e dar de cara com 3:15 dá madruga... Kkkk
    Detalhe: eu li a edição antiga, mas quero ter essa da Dark e refazer a leitura, pois acho que deve ter bem mais detalhes.
    Bom, desejo bastante sucesso nessa parceria de vocês e desejo ver mais resenhas sua por aqui! Grande abraço!

    www.lendo1bomlivro.com.br;

    Instagram :) @lendo1bomlivro;

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  7. Não tive muita coragem pra ler quando vi, mas com tanta animação dá até curiosidade e vontade de ir ver como é. Parece que a escrita compensa, tem jeito de ser dessas que a gente devora na ansiedade pra saber tudo. E bom, fora os errinhos que ele pode ter acho que está muito bom de edição e tal.
    Só que sou um nojo com esse tipo de história, não pego muitas assim e fico com medo de não gostar porque não faz muito meu estilo =/
    Bem, se acabar pegando algum dia talvez goste bastante. Não sei, só não vai ser no momento.

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  8. A Darkside sempre faz um trabalho maravilhoso com as publicações dos livros que li nunca reparei em nenhum erro gramatical, talvez devesse prestar mais atenção.
    Quando ao livro não sei se leria, sou medrosa para esse tipo de história e da última vez que li um terror fiquei tendo pesadelos por um tempo hahaha
    Mas a história parece ser muito interessante principalmente por se tratar de fatos reais.

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  9. Oi Marcos! Faz tempo que quero ler esse livro, mas sua resenha me deixou um tanto desanimada! Por poucas resenhas que li e amigos que me relataram, acreditava que seria um terror sobrenatural e super macabro. Pela sua resenha pude perceber que talvez pela escrita simples do autor a trama pode acabar perdendo um pouquinho do suspense e emoção. Que pena que a DarkSide deixou à desejar na revisão, eu li poucos livros da editora, mas não me lembro de ter encontrado erros neles! Abraços!

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  10. oooi!!!

    Eu achei esse livro super macabro quando eu li!! hahaha Tenho uma edição antiga e migo: o porco. O PORCO! ahahahhahaha
    Enfim, acho q vale super a pena e que é um terror bem bom!
    PS. ainda desejando essa edição da dark :(

    bjbj

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  11. Oi, Marcos
    Ainda não tinha lido nenhuma resenha do livro. Não descarto a possibilidade de lê-lo, mas confesso que não sei se leria. Ainda mais você citando que faltou algo e algumas coisas até irritaram. Mas afinal não foi uma leitura ruim, né, então quem sabe um dia me anime.


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  12. Dark arrasando!
    Eu só conheço o filme, ainda não tive oportunidade de ler... mas espero q consiga, gosto mto do enredo!
    Bjs

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  13. Não conhecia o livro mas que pena o autor não apresentou muitas reviravoltas ou acabamentos no enredo. Eu gosto muito de livros que eu possa me surpreender. Apesar de ser de terror, um gênero que eu não costumo muito ler, eu pretendo dar uma chance pra ver o que eu acho.

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  14. Meu deus, esse quote me deixou tão fixada, li imaginando as coisas que estavam passando. Imagina só, ler o livro completo!?
    Eu acho que se acontecesse comigo esses fatos sobrenaturais eu não ficava mais 1 dias na casa. Mas como é ficção eu aposto que vão ficar até o final, ai que tá a graça, ou melhor, a desgraça dos personagens kkk

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  15. Marcus,ao ler sua resenha me venho a cabeça um bom número de filmes c/ essa temátic...mas isso p/ mim é muito bom,pois eu adorooo filmes desse gênero,mesmo morrendo de medo eu assisto e gosto pois acho interessante e é legal o suspense dos mistérios...enfimmm,esse livro me chamou a atenção,pois mesmo não sendo do meu estilo de leitura (meu gosto de filme e leitura são opostos kkk nem eu me entendo kk)só o fato de vc falar que a linguagem não é refinada,a ponto de nem todo leitor compreender,mas tb nem pobre,e sim ideal para compreensão ao contexto do livro me ganhou,pq narrativa é um negócio que dependendo do livro pega,e pode estragar toda a leitura. P/ mim que não leio esse gênero,acho que seria bom começar c/ esse devido a linguagem,pois se eu pegar um c/ uma narrativa muito rebuscada acho que ficarei meio perdida rs'
    No mais,gostei também do fato do livro ter uma linearidade boa,gosto quando vai mais direto ao assunto,foca no que interessa,e não fica inserindo elementos,diálogos ou situações que você que é só p/ "encher linguiça"..pelo menos,pelas suas palavras me passou essa impressão :) Fiquei bem curiosa pela história,ainda mais pelo final,será que vai se repetir o que aconteceu anteriormente nessa casa? Será que vão conseguir sair de lá antes que aconteça alguma coisa ruim? Humm,fiquei curiosa agora rs
    Ótima resenha,abraços!

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  16. Adoro ler livros que me prendem tanto na história, que não consigo parar de ler, por este motivo já me interessei por este livro, e como gosto deste estilo de histórias, não há dúvidas que pretendo ler este livro.

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  17. Oi, Marcos!!
    Sem dúvida alguma eu sou apaixonada pela essa editora Darkside!! Adoro todos os livros que ela publica!! Estou bem curiosa sobre esse livro já li várias resenhas desse livro em sua maioria bem positivas!!! Espero ler esse livro em breve e tirar as minha próprias conclusões.
    Beijoss

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  18. Eu simplesmente amei esse livro!! Eu achei toda a história criada, muuuito boa. O livro me cativou do início ao fim, e amei tudo. E essa edição está realmente muito linda! A DarkSide realmente destrói nas publicações <3

    Beijos!

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  19. eu nem sabia que a darkside tinha relançado esse livro!!
    eu li a muito tempo atrás (sem dizer qts anos para não ficar feio) emprestado de uma amiga e simplesmente amei! eu me arrepiava toda!
    vc falando eu me lembrei, realmente sempre se referia a casa pelo endereço...
    realmente falar das edições da darkside está ficando repetitivo...

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  20. Oi Marcos...
    A Darkside definitivamente arrasa nas capas dos livros publicados... Não sou a maior fã do gênero terror, ma fiquei bastante curiosa para conhecer de perto essa obra após ler sua resenha... Acho que está na hora de deixar o medo de lado e encarar de perto a história da família Lutz...
    Abraços.

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  21. Esse livro me dá arrepios, como assim uma fanfarra na sala e falar que é coisa da cabeça deles?! Se fosse eu nem tinha entrado na casa, morreria de medo... Queria ter coragem de ler este livro, de verdade, mas no momento eu passo... hahah... Ótima resenha.
    Abraço!
    A Arte de Escrever

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  22. Essa edição da Darkside deve estar mesmo incrível, mas sou muito apegada à minha, super antiga e com a capa caindo hahah foi um dos livros que eu mais reli na vida (umas 5 vezes) e sinceramente nem sei bem como eu consegui porque eu morria de medo. Na minha edição também tem a planta da casa e da casa de barcos e O DESENHO DA MISSY MEU DEUS AQUILO ME ATORMENTA ATÉ HOJE
    E eu lembro quase perfeitamente dessa primeira passagem que você citou, quando comecei a ler já lembrei de cara de quando o menino dizia que conseguia enxergar o pai lá pra baixo e tal. Bizarro!
    Se eu não tivesse tantos livros pra ler com certeza releria um dia desses, mas terá que ficar pra daqui a alguns anos.

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