Resenha: Cidade do paraíso


Livros que nos fazem pensar sempre têm a minha atenção. E foi nesse clima conturbado que o país está vivendo que resolvi iniciar a leitura de Cidade do paraíso. Afinal, nada melhor do que esse período de crise, o excessivo desejo pelo poder, para refletirmos sobre a nossa vida e sobre como o Brasil está indo de mal a pior.

Com tantas coisas ruins acontecendo ao nosso redor, por que não ler uma obra que mostra algo diferente do que estamos habituados? Onde haveríamos de imaginar uma favela localizada num bairro nobre e que, diferente da excessiva violência, lá é possível encontrar pessoas felizes e criativas, que levam suas vidas de forma anônima, mas que encontram prazer na simplicidade, naqueles que conseguem transformar a sucata em uma obra de arte?

Enquanto na grande mídia os protagonistas da periferia são o tráfico e a violência, em Cidade do Paraíso são os seus moradores a alma da vida cotidiana, aqueles que tecem suas histórias entre os becos e as vidas. Percebemos que há vida, sim, na maior favela de São Paulo, em Paraisópolis.


Através da obra, conhecemos o dia a dia dos moradores. Ao longo de duas décadas, Paraisópolis cresceu, as ruas ganharam asfaltos, casas de madeira ganharam blocos e conjuntos habitacionais, fundou-se escolas, ONGs ofertaram projetos sociais, o comércio passou a existir de forma mais intensa e os empreendedores se tornaram patrões. Uma surpresa grande também foram os Bancos que saíram das encruzilhadas entre o bairro rico do Morumbi e a comunidade para, literalmente, adentrarem à favela. Passou a existir casas lotéricas, casas de shows, materiais de construção e até mesmo Casas Bahia fincarem suas lojas por lá.

Cidade do paraíso é uma obra que nos mostra que é possível haver a calmaria em lugares que, muitas vezes, duvidamos. É possível encontrar controle, abrigo, criatividade e amor, afinal, não é uma favela que faz a pessoa, mas o ensinamento, a criação, o convívio em sociedade. Percebe-se que lá há mais humanidade, solidariedade e não a excessiva criminalidade como outras regiões do Estado.

Além de uma capa bonita, o trabalho conta com uma diagramação bem feita e com alguns registros dos moradores de Paraisópolis. Uma obra que, sem dúvidas, nos proporciona algum tipo de lição, basta ler e descobrir quais ensinamentos iremos absorver.

Outras fotos:




Título: Cidade do paraíso (exemplar cedido pela editora)
Autores: Vagner de Alencar e Bruna Belazi
Editora: Primavera Editorial
Páginas:
171
Ano: 2013

18 Revelaram sentimentos:

  1. Oi! Achei o livro super interessante e diferente. Acho errado acreditar na visão que a mídia nos passa sobre as favelas. Concordo que é o ensinamento, a criação, o convívio em sociedade que faz as pessoas, e não a favela. Adorei as fotos, e pretendo ler o livro com certeza. Beijos!

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  2. Achei muito legal o livro mostrar um outro ponto de vista de uma realidade que só conhecemos através dos jornais. Sempre acreditei que todo lugar tem um ponto de otimismo e é bom ver isso na literatura.

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  3. Tinha visto uma resenha desse livro que me deixou bem curiosa. Foi bom relembrar dele e ver outra opinião. E é um assunto um tanto clichê, não é? A forma como pensamos em favelas, sempre já levando para o lado ruim. Lá também pode haver coisas boas, pessoas e vidas e historias que a gente quase nunca vê ou dá atenção. Acho que o livro é uma ótima dica pra mudar um pouco essa forma de pensamento tão batida.

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  4. Oi.
    Eu também sou como você adoro livros que me fazem pensar ou refletir são esses que mais me prende a atenção e dificilmente largarei na metade ou deixarem completo Adorei essa premissa é esse me parece ser um livro bem interessante não sei se leria mas ele com certeza despertou minha curiosidade.
    Bjs.

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  5. O fato de mostra através do livro a construção da favela de Paraisópolis, e ainda mais sua evolução no decorrer dos tempos, onde foram implantados lojas, casas lotéricas, até as casas Bahia. Enfim tudo isso e possível quando os moradores são capaz de lutar pelo que desejam, e a construir apesar dos problemas sociais. Super me interessei por essa obra, e por isso irei incluir na lista de desejados.

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  6. Oi, Naty
    Sempre quis ler esse livro. A favela é sempre pintada de uma só forma pela sociedade, né? Acho que esse deve levantar mesmo muitas reflexões. A criminalidade está em todo lugar, inclusive entre os políticos.
    Adoraria ler esse livro. Obrigada pela dica.

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  7. Oi Natália, tudo bem?
    Acho que nunca li um livro como este, e achei bem interessante a intenção de mostrar como é a vida em Paraisópolis e desmistificar o nosso pensamento de que toda favela é lugar de gente triste e amedrontada. Adorei as ilustrações.
    Beijos

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  8. Oi Natalia,
    Também adoro livros que nos fazem pensar e refletir, são histórias que sempre busco ler. Gostei desse livro que até então era desconhecido pra mim, essa é a primeira resenha que leio, e achei bem interessante mostrar a diversidade na favela. Acho injusta a forma como a mídia rotula a favela, que os protagonistas são o tráfico e a violência, e não, há vida lá, pessoas que vivem, trabalham e que são felizes. É uma verdadeira lição esse livro.
    Beijos

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  9. Natália!
    Bom ver que ainda existe um pedacinho de progresso e felicidade em um cantinho donosso país, principalmente em uma favela, porque o negócio aqui no Brasil está cada vez mais complicado.
    As noticias dessa noite, acabaram com a alegria da pequena progressão de melhora que estávamos tendo e amanhã... amanhã ninguém sabe mais quem comandará o país e como tudo ficará... Triste!
    Poder ler um livro que traz um pouco de esperança é gratificante.
    “Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer-se a si próprio é sabedoria superior.” (Lao-Tsé)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  10. Concordo o nosso País esta cada vez mais se afundando. Deve ser muito interessante saber sobre as pessoas que moram lá e como vivem. Esse lado bom das pessoas que vivem lá, muitos não enxergam e criticam, mas as pessoas são felizes, amigáveis e bem humanas, é impressionante como cresceu o local e apareceu muitos comércios na região.

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  11. Olá
    Que fotos maravilhosas! Parabéns!
    Eu também gosto de livros que me fazem pensar e enxergar as situações da vida de outra forma. Gostei bastante da história e adicionei a minha meta de leitura. Obg
    Abçs

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  12. Oi.
    Muito interessante a proposta do livro, não conhecia, mas fiquei interessada. Sempre é bom uma leitura que nos faz refletir e ver certas coisas de uma outra forma. Parece ser uma leitura bem inteligente.
    Obrigada pela dica e resenha.
    Beijos.

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  13. Olá, Natalia.
    Eu li esses dias um livro que se passa em uma favela. Achei a história bem impactante. Mas confesso que não é o tipo de livro que gosto de ler. Prefiro ler livros estilo romance de época que dá tudo certo no final hehe. Mas de vez em quando eu leio para sair da minha zona de conforto. Achei a edição bem bonita.

    Prefácio

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  14. Oi, não é exatamente o tipo de livro que eu gosto, mas se eu tivesse a oportunidade leria. Esse é o tipo de leitura que nos faz pensar em como esta o nosso pais hoje, pe muito bom ver que apesar das dificuldades o lugar cresceu e conseguiu prosperar.

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  15. Olá, Natália!

    Com tanta coisa ruim e uma instabilidade política que torna tudo pior para aqueles mais pessimistas e cínicos, é difícil prestar atenção em bons exemplos. Ok, é preciso dar as más notícias nos jornais, mas se ficar focado só nisso, como se isso magicamente expurgasse todo o mal da Terra, além de só trazer desalento, dará sempre a sensação de que só os maus conseguem o que querem, sem punição pelo meio como conseguiram. Como dizem, o exemplo abre caminho e solidifica o que as palavras fazem.
    Os moradores de Paraisópolis fizeram todas essas mudanças por si só, sem esperarem fama, sucesso e principalmente apoio dos governos, mostrando que é possível sim modificar a sociedade a partir de sua base e não do alto do poder, que na verdade mais envenena do que ajuda.

    Um abraço!

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  16. Eu não conhecia este livro, mas achei a história dele bem diferente, também gosto de ler livros que me fazem refletir, então por este motivo adicionei Cidade do Paraíso em minha lista de leituras.

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  17. Oie...
    Achei a temática do livro mega interessante, ainda mais tendo um cenário como esses...
    O que mais me chamou a atenção nesse livro foi os personagens que são bem reais, e isso com certeza deve deixar a leitura bastante fluída, pois, personagens exageradamente perfeitos costumam deixar a leitura muito arrastada.
    Beijos

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  18. Oi, Naty!
    Cidade do paraíso não é um livro que faz o meu gênero mas lendo sua resenha fiquei interessada, nunca li nenhum livro que se passe em uma favela e que abordasse esse lado pacífico e criativo em vez do tráfico e da violência, achei bacana isso e com certeza se eu tiver a oportunidade vou ler esse livro sim...
    Valeu pela dica!

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