Resenha: Claros sinais de loucura


Olá ser humaninhos,

Sara Nelson é uma garota diferente: aos 12 anos seu quarto ainda é rosa (cor que ela não gosta), ela ainda usa roupas infantis, não tem a orelha furada, ela conversa com uma planta chamada Planta, nas horas vagas escreve para Atticus Finch (o advogado de O sol é para todos), possui um pai alcoólatra, já mudou de cidade cerca de quatro vezes, adora espionar a vida de seus vizinhos de cima de seu toco de árvore e procura constantemente sinais que indiquem que ela esteja ficando louca (como a sua mãe, que vive em um hospital psiquiátrico).


Sara tem essa vida diferente, pois, aos dois anos de idade, sua mãe tentou afogá-la com seu irmão gêmeo Simon. Sara sobreviveu, Simon não. Desde então seu pai afoga as mágoas na bebida. Com a constante hostilidade e o bullying sofrido nas escolas, Sara aprendeu a mentir e inventar uma vida diferente toda vez que precisa: sua mãe morreu, sua mãe mora na França... Sara também coleciona palavras-problema e descobre constantemente palavras novas para uso em sua vida.

Mas ela está cansada dessa vida diferente, ela quer ter uma vida mais normal, não quer mais ser tratada como criança, quer ter seu primeiro beijo, furar as orelhas, ter um pai que passe seu aniversário sóbrio, quer atenção e, o principal, quer saber mais sobre a sua mãe, quer fazer perguntas, quer entender.


Pra quem acha que este é mais um livro muito pesado (apesar do tema), está enganado. Sara é uma personagem engraçada e cativante. Dona de uma curiosidade e inteligência incríveis, a menina adora um bom livro!

Durante a leitura, consegui perceber que Sara era carente de afeto paterno. O pai dela constantemente arrumava desculpas para ficar longe dela, para não fazer programas com ela, se afogando em bebidas e correções das provas dos seus alunos. Talvez a filha lembrasse muito o evento causado pela ex mulher, que desgraçou a família inteira.

O fato é que Sara era super protegida em certos momentos, mas em outros este pai esquecia inclusive de ir ao mercado. Tratava a garota como se fosse criança com roupas e quartos rosa, mas era ela que lhe dava remédio e o cobria nos dias de ressaca. Evitava falar com a garota sobre o fatídico dia (daí que surgiam muitas palavras-problema), deixando a menina quase no escuro, sabendo somente o que os outros lhe contavam e o que havia lido nos jornais.


Por não querer falar com a garota sobre o assunto, nem lhe explicar o motivo das coisas terem acontecido, Sara vive constantemente com medo de herdar a loucura materna, procura sinais de que esteja ficando louca. Analisa suas próprias atitudes e pensa se são realmente atitudes de uma pessoa normal. Mas como ela poderia saber? Quem ela tem como exemplo ou parâmetro?

Sendo assim, este não é um livro pesado. É um livro lindo, escrito de forma suave e querida. Este é um livro sobre autoconhecimento e perdão, indicado para todos que amam livros, diria até que seu título poderia ser Claros sinais de fofura.

Abraços

Outras fotos:




Título: Claros sinais de loucura
Autor: Karen Harrington
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Ano: 2014

9 Revelaram sentimentos:

  1. Acredito que por mais que esta estória tenha um tema pesado, a forma como a criança enfrenta esta esta situação de forma divertida, nos cativa, mesmo tendo de enfrentar toda esta situação, ela não perde a cabeça, e ainda sim quer ter uma vida normal sem sofrimento, e ainda mais sem ser culpada por algo que ela não fez. Quero muito este livro, e saber mais sobre a estória desta menininha, espero que este livro tenha um final feliz.

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  2. Oi Sil, não sabia do que se tratava esse livro haha se soubesse ele já estaria na minha estante. Adoro historias assim, dramas fortes abordados de forma suave e sob a perspectiva de uma criança. Obgda pela dica!

    Bjs.

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  3. Não tinha dado muita atenção pra esse livro, mais por falta de tempo pra ler do que qualquer coisa. Só joguei o bichinho pra escanteio, sabe?
    Mas ele tem uma trama interessante. Pesada e fofa ao mesmo tempo, já que fala de uns temas assim mas tem uma personagem que é um amor. Acho que seria legal de ler no fim das contas.

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  4. Oi Silvana :)
    No inicio pensei que o livro fosse realmente pesado. Que bom que o livro tem uma linguagem mais fluida e leve. Apesar disso, é triste pra Sara que perdeu o irmão, a mãe com problemas mentais, pai viciado em álcool... além de que, ela fica bem neurótica por conta do que a mãe fez.
    Gostei da capa e gostei da premissa.
    Obg pela indicação *-*
    Abc

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  5. Olá, Silvana!

    Como falei no Instagram, qualquer um que tenha um quarto rosa, mas odeia a cor já quer fugir logo dessa loucura.
    Vejo que de forma leve o livro trata como as pessoas ainda consideram as doenças psicológicas como um tabu. E isso leva a muita desinformação para a Sara, o que é agravado pelo pai e seu trauma de ver em Sara a esposa que quase a matou e que matou seu filho.
    Sara corre atrás e luta para mostrar que ela é normal, apesar de tudo.

    Um abraço!

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  6. Silvana!
    Acredito que a instabilidade em relação ao comportamento da protagonista, seja justamente por causa de tudo que viveu. Teve de amadurecer para cuidar do pai e possivelmente dos irmãs, ao tempo que é uma criança ainda para tanta responsabilidade...
    Adoro livro com cartas, minha paixão pela correspondência vem desde os 12 anos também.
    É um daqueles livros que nos fazem questionar os fatos e as atitudes.
    Quero muito poder ler.
    “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.” (Augusto Cury)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  7. Oi Silvana,
    Nossa, se eu soubesse que esse livro era tudo isso teria dado uma chance a ele há tempos! Lembro que vi esse livro ano passado, mas acabei dando prioridade para outro. Mas nada como uma resenha dessas para despertar o meu interesse para conhecer a história dessa garota tão cativante. AMO livros que são narrados sobre a perspectiva de uma criança, e gosto ainda mais quando a história é abordada de uma forma mais leve e singela, apesar da intensidade dos temas inseridos. A Sara é uma personagem fofa e muito forte, estou ansiosa para ler a sua jornada.
    Beijos

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  8. Oi, Silvana
    Até parece que é algo mais denso mesmo. Se bem que a capa não passa isso. Mas às vezes a capa não diz muito. Que bom que gostou de como foi desenvolvido.
    Não é um livro que estava na minha lista de desejados, mas não descarto a possibilidade de lê-lo.

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