Olá,
Hoje
vim escrever sobre um livro que despertou muitas emoções em mim. Com certeza
acrescentou muita coisa na minha vida, deixou meu coração aos pulos e me fez
enxergar algumas coisas de forma diferente.
Em
A cor púrpura temos Celie, nossa protagonista, que nos conta sua história
através de cartas para Deus. Desde os seus 14 anos ela foi diversas vezes
estuprada pelo seu pai, com quem teve dois filhos. As crianças foram tiradas
dela e sumiram sem ela saber o que aconteceu. Sua mãe, sempre muito doente, nem
percebia o que ocorria dentro da casa.
Celie
sempre foi considerada feia, porém, sua irmã Nettie, sempre foi linda. E quando
a beleza de Nettie se torna evidente aos olhos do pai, Celie decide que vai
fazer de tudo para proteger a irmã. Ela passa então a se “oferecer” no lugar da
irmã. Aos poucos, o pai percebe isso, e decide que é hora de casar a Celie.
Certo
tempo passa e algumas situações ocorrem, quando enfim o seu noivo aparece e a
leva para sua nova casa. Além dos estupros e das surras sofridos pelo seu mais
novo marido, Celie precisa cozinhar, limpar, plantar e cuidar dos filhos dele,
pois ele era viúvo, e essas crianças fazem da vida dela um inferno completo.
Sinhô
(esposo de Celie), acredita que uma boa mulher é aquela que faz todas as vontades
do seu marido sem reclamar e sem responder. E que sua esposa só fará isso se
ela tomar constantemente uma surra de ensinamento. Para variar, ele ensina esse
conceito para os seus filhos, que passam a imitar seu pai.
Um
claro exemplo disso, é o filho mais velho de Sinhô, que ama muito uma moça, se
casa com ela e passa a querer bater nela para que ela faça suas vontades.
Porém, suas tentativas são rapidamente frustradas, pois a moça é tão forte
quanto ele, e se defende com unhas e dentes, deixando uns bons roxos e socos na
cara dele. Confesso que apesar da situação triste, a descrição das brigas no
livro eram extremamente engraçadas e satisfatórias. Era realmente bom saber que
tinha pelo menos uma mulher ali, se impondo e colocando o homem no seu devido
lugar.
Essa
então é a sina de Celie, até que aparece em sua vida uma mulher chamada Shug
Avery. Shug sempre foi o grande amor da vida de Sinhô, e Celie se surpreende
com o fato de ele a tratar muito bem, e não bater nela. Shug está doente e ele
a traz para dentro de casa sem nem consultar Celie ou se importar com seus
sentimentos. Inicialmente, Shug acha que Celie é uma rival e que vai tratá-la
mal, mas com o tempo ela percebe que Celie é sozinha e só precisa de uma amiga.
E assim acontece: uma linda amizade surge.
Entretanto,
é uma amizade que vai além da afeição, é uma amizade que modifica, que
descobre, que traz à tona. Então, aos poucos, Celie, essa pessoa tão embrutecida
e humilhada, passa a ter pequenas vontades, passa a descobrir do que gosta,
passa a se revoltar com pequenas coisas. A mudança é leve e sutil, mas você
percebe, e fica satisfeito com isso. Então as cartas de Celie passam a ser
para sua irmã Nettie.
E
o que faz esse livro ter um lugar tão especial no meu coração? O fato de que aos poucos, muitas coisas vão
mudando e você começa a ter sentimentos contraditórios com relação a muita
coisa que até então vinha acontecendo. Você fica confuso com relação ao que
sentir sobre determinada situação, e percebe que Celie provavelmente é melhor
do que você como ser humano, pois sabe perdoar.
Além
de ser um livro sobre como homens negros, tratam as mulheres negras, é também um
livro sobre como brancos tratam negros.
A
escrita da história é feita através das cartas para Deus e é totalmente
infantil no início, pois Celie não escreve muito bem. Mas conforme a personagem
vai se encontrando e se libertando, modifica-se também a sua escrita,
tornando-a mais clara e com menos erros.
Lançado
pela José Olympio (um dos selos da editora Record), A cor púrpura virou o meu
livro favorito de 2017 até o momento (na verdade, eu duvido muito que vou ler
algo melhor esse ano, pois o nível da história é de uma qualidade inigualável).
Cinco
estrelas e favoritado sem dúvida.
Abraços
Quotes:
"Num deixa eles dominarem você, a Nettie fala. Você tem de mostrar pra eles quem é que manda.
Eles é que mandam, eu digo.
Mas ela continua. Você tem de brigar. Você tem de brigar.
Mas eu num sei como brigar. Tudo o queu sei fazer é cuntinuar viva".
"Porque Tashi não pode vir para a escola? ela me perguntou. Quando eu falei para ela que os Olinka não acreditavam na educação das mulheres ela falou, rápida como um raio, Eles são como os brancos da nossa terra que não querem que os negros aprendam".
Título: A cor púrpura
Quotes:
"Num deixa eles dominarem você, a Nettie fala. Você tem de mostrar pra eles quem é que manda.
Eles é que mandam, eu digo.
Mas ela continua. Você tem de brigar. Você tem de brigar.
Mas eu num sei como brigar. Tudo o queu sei fazer é cuntinuar viva".
"Porque Tashi não pode vir para a escola? ela me perguntou. Quando eu falei para ela que os Olinka não acreditavam na educação das mulheres ela falou, rápida como um raio, Eles são como os brancos da nossa terra que não querem que os negros aprendam".
Título: A cor púrpura
Autor: Alice Walker
Editora: José Olympio
Páginas: 336
Ano: 2016
Silvana!
ResponderExcluirAssisti o filme no ano do lançamento e imagina aí há 30 anos atrás o rebuliço que esse filme causou...
Gostaria de ler a versão literária e quem sabe relembrar as passagens do filme.
“A arte de ser sábio é a arte de saber o que ignorar.” (William James)
cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!
Oi Rudy,
ResponderExcluirrealmente deve ter causado muuito rebuliço!!!
Eu gostaria muito de assistí-lo.
Quero ler esse livro, que historia triste e revoltante, como uma personagem pode sofrer tanto assim e ainda conseguir perdoar é incrível. Deve ser uma leitura angustiante que deixa o leitor refletindo sobre a crueldade das pessoas.
ResponderExcluirOi Maria,
Excluiré um livro incrível demais. Dê uma chance sim você vai se apaixonar.
Abraços
Eu comecei a ler esse livro mas acabei abandonando antes de chegar na página 100, achei a escrita muito cansativa e a história parada demais. Talvez dê uma chance pra ele no futuro.
ResponderExcluirOlá,
Excluirachei incrível, com a escrita infantil, mas maravilhoso da mesma forma. Se no futuro der uma nova chance, torço pra que você goste dele dessa vez. Abraços
Olá, Silvana!
ResponderExcluirO interessante de A cor purpura é ver que há camadas de preconceito e discriminação na sociedade americana da época desse livro. As famílias das protagonistas eram negras, que sofriam do preconceito e da escravidão que os brancos praticavam, mas mesmo assim eram também explorada pelos homens pelo simples fato de serem mulheres e (na mente machista deles) por isso inferiores. E era através do controle do acesso a educação que mantinham as mulheres "sob controle", já que assim não eram empoderadas pelo conhecimento.
Shug e a esposa do filho de Sinhô são a resistência das mulheres em meio a esse cenário, ao se mostrarem fortes e não deixarem que os homens as controlem e maltratem, se tornando exemplos de superação para Celie, que começa a se libertar graças a inspiração delas.
Um abraço!
Oi, Silvana!
ResponderExcluirAcabei de descobri que tenho esse livro no meu App da Amazon! Não lembrava que tinha essa estória, agora vou poder ler esse livro! Amei a resenha e já comecei a minha leitura!
Bjoss
Vi muita coisa legal sobre esse livro um tempo atrás e fiquei louca pra ler. Os sentimentos, as coisas que faz pensar, a personagem da Celie e tudo que tem na história dela me chamou atenção. Parece um livro lindo e que consegue deixar boas lições, uma história pra levar no coração mesmo. Adoro livros assim que mexem com a gente, que mudam uma forma de pensar em algo ou coisa do tipo. Adoraria ler.
ResponderExcluirOlá, Silvana
ResponderExcluirConheci o livro no fim do ano passado e desejo muito ele. Teve várias edições.
A trama é triste mas pela sua resenha vejo que Celie começa a mudar, querer que sua vida mude. Trás muitas mensagens que nos leva a refletir.
Quero muito ler, parece uma leitura fascinante.
Beijos
Nossa que leitura sensível e ao mesmo tempo forte, não consigo nem imaginar tudo que a Celie passou nas mãos do pai e logo depois sofrer o mesmo com o marido. Me tocou profundamente essa história e olha que só li essa resenha. Muito bonita essa história das cartas. Celie com certeza é muito forte por aguentar tudo isso sem ter desistido.
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