27 janeiro 2018

Resenha: O retorno do nativo


Olá, fãs de livros!

Uma das minhas últimas leituras de 2017 foi o clássico inglês de Thomas Hardy, protagonizado por cinco jovens que tinham muitas expectativas sobre o futuro, mas que viram seus planos sendo ajustados pelo curso da vida.

Começando por Eustacia Vye, uma camponesa de grande beleza e que graças a sua arrogância e por se distanciar dos mais humildes ganha fama de feiticeira no lugarejo, mas o seu pecado real é sonhar com uma vida cosmopolita muito diferente da que ela tem morando na várzea de Egdon Heath, "era uma jovem de espírito avançado" que há tempos abandonou a ideia de casar-se, pelo seu espírito altivo, ao invés de uma camponesa mais parecia uma mistura das deusas Hera e Afrodite.

Igualmente insatisfeito, temos também Damon Wildeve, ele e Eustacia desejam desafio e aquilo que não podem ter. A imaturidade de ambos causa arrepios e leva a torcer de narizes... Juntos, eles desfrutam de um relacionamento complicado que está mais ligado à posse do que a qualquer outro sentimento e é por isso que quando Damon resolve se casar com outra, Eustacia incarna uma verdadeira rainha do drama para tentar ficar com ele apenas para si e ser “sua escolhida”.

Também jovem e muito bonita, temos Thomasin Yeobright que contra a vontade da tia decide se casar com Damon Wildeve. A garota é gentil e muito persistente, merecia apenas o melhor que o mundo pode oferecer, mas também é muito ingênua e decidida a casar com Damon, ela ignora seus defeitos até que é muito tarde.

Voltando pra Egdon após cinco anos na França, Clym Yeobright, o primo de Thomasin está alheio aos problemas enfrentados pela prima. Focado em construir uma nova carreira e abnegando o ganho material, ele planeja educar os moradores de Egdon na expectativa de que eles possam construir um futuro além da várzea, mas não demora muito para que Eustacia, vendo nele um futuro melhor do que qualquer coisa que ela pudesse conseguir com Damon, investe nele na esperança de que logo ele desista do sonho de educar os nativos e parta com ela para a bela Paris.



E, sempre de passagem por Egdon, o vendedor de almagre Diggory Venn sempre nutriu sentimentos por Thomasin e quando a encontra a caminho de Egdon, aos prantos após ter seus planos de casamento frustrados e sofrendo diante da humilhação que isso traria para ela e sua família, Venn não somente a leva de volta ao lar como se propõe a colocar o destino de todos nos eixos, mas claro, direcionando-o de uma forma que faça sua amada feliz.

Quero destacar que não há em nenhum outro romance, mocinho mais dedicado e completamente abnegado do que Diggory Venn. Há nele uma construção de caráter e dignidade que falta até mesmo às melhores pessoas. Ao ver seu amor de juventude sofrendo ele passa a se dedicar a resolver seus problemas, em nenhum momento ele pensa em manipular a garota para ficar com ele, ao contrário disso, pelas sombras ele foi guiando os personagens a fazerem escolhas corretas e que não prejudicassem a jovem noiva. Obstinado a tornar a vida de Thomasin agradável ele está disposto a qualquer coisa, senão o assassinato, para vê-la feliz com aquele a quem ela escolheu amar.

Sobre a obra resta apenas desejar que o autor não tivesse dedicado tantas páginas a descrições da várzea de Egdon e suas trilhas e aos moradores de Egdon que não estavam diretamente ligados ao quinteto principal, pois isso dificultou bastante o início da leitura que acabou se mostrando cansativa e entediante. Demorei para realmente me animar com a leitura o que foi uma pena, já que, além dessas páginas, O retorno do nativo se mostrou uma obra peculiarmente viciante e de reviravoltas impressionantes.

Ao fim, se tem uma coisa que está certa sobre O retorno do nativo é que, assim como está escrito na sinopse do livro, ele demonstra o verdadeiro sentido do "destino na vida de um homem" pois, por mais que os cinco jovens vislumbrassem em suas escolhas o potencial para atingir seus objetivos, o destino tinha outros planos e fez com que eles seguissem seu curso. Chegando até a me surpreender com o que a autor preparou para alguns personagens... No fim cada um teve o que merecia de acordo com seus atos e ambições não importando as maquinações que eles fizeram para atingir tais objetivos.


Sobre a edição não tenho o que reclamar, não encontrei falhas na revisão e o livro é um dos mais lindos que já vi ou toquei. Na capa, em alto relevo, temos galhos representando as florestas de Egdon e as lombadas contam com acabamentos diferentes que serviram apenas para deixar a edição ainda mais bonita. Nessa publicação tivemos notas do tradutor numa quantidade adequada e necessária e que serviram muito bem para entender algumas referências, além de um trabalho gráfico interno primoroso ao qual nós já estamos acostumados.

Graças a O retorno do nativo temos um panorama completo do que era a vida num lugarejo antigo, ainda sem muita interferência do homem e onde os moradores realmente sabem tudo um sobre o outro e vivem como uma grande comunidade. Recomendo a leitura não apenas por ter desfrutado da história, mas também por vislumbrar muito aprendizado com esta obra.

Abraços e até a próxima!



Título: O retorno do nativo (exemplar cedido pela editora)
Autor: Thomas Hardy
Editora: Martin Claret
Páginas: 488
Ano: 2017

8 comentários

  1. Onde eu encontro um Diggory, me fala! Hahahahaha
    Que pena que o autor pecou nas descrições de coisas não muito necessárias, mas eu leria o livro porque achei a história e as ligações entre os personagens bem interessantes!

    Beijocas
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  2. Olá Jéssica,

    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui, já gostei logo de cara, parece uma história incrível e já vai para a minha listinha de desejados...bjs.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br

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  3. Adoro coisas nesse estilo, clássicos, uns livros mais velhos... Quando vi esse fiquei interessada por já ter visto falar do autor. E parece ter aquela velha história com boas críticas, com aquele negócio todo de fazer o certo e como as coisas dão certo, fazer o errado e como o destino te joga algo ruim e essas coisas. Ver a vida dessas 5 pessoas e tudo que queriam e como acabou sendo no fim das contas é interessante, como é o caráter de cada um e tudo mais. E nossa nesse Venn heim! Fico desconfiada de ver pessoas tão boas assim, mas o cara parece o exemplo da pessoa boa até o ultimo fio de cabelo!

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  4. Oi adorei a dica de leitura, ainda não conhecia o livro mas fiquei um pouco curiosa com o enredo.
    Sua resenha ficou ótima beijos bom final de semana
    bellapagina.blogspot.com.br

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  5. Olá! Tudo bem?
    Acho tão bonito livros de capa dura... não conhecia esse.
    Obrigada por comentar lá no meu blog.
    Volte sempre.

    Bjs,
    Thamiris Nunes ~ miiistoquente

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  6. Oi, tudo bem?
    Não conhecia o livro, amei a resenha.
    A capa desse livro me chamou a atenção, tão linda com essa fonte na minha cor favorita <3

    Te espero em meu blog!
    Beijinhos
    Blog | Facebook | Instagram

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  7. Não conhecia o livro achei intrigante os personagens não estão satisfeito com aquilo que se tem, parece que querem sempre mais, é uma pena que o começo seja cansativo até desanima a leitura, mas pelo menos tem reviravoltas eu adoro elas, geralmente surpreendem.

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  8. Jésica!
    Um livro que fala sobre os desejos e anseios de jovens sobre seus futuros e mostra que não depende unicamente deles para que isso aconteça, pois o destino trata de mudar o rumo na curva da estrada da vida, é no mínimo reflexivo, principalmente porque seus finais, vão depender das atitudes que tomaram anteriormente. Dá para trazer para nossa realidade, não?
    Desejo uma ótima semana, cheia de luz e paz!
    “Que o novo ano que se inicia seja repleto de felicidades e conquistas. Feliz ano novo!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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