25 abril 2018

Resenha: Coragem

Não vou fazer escândalo.
Só vou contar como as coisas são.
Pág. 18
Rose McGowan esteve nas telas das nossas TVs por décadas. Ela foi Paige Mathews, meio irmã das Halliwell no seriado de TV Charmed. Além disso você já viu Rose em filmes como Pânico, Fantasmas e Grindhouse de Quentin Tarantino.

Mas o que você talvez não saiba é que Rose rompeu com Hollywood, se rebelando contra os poderosos e encontrando sua própria voz.

Coragem conta sua história.
Sinopse: ROSE McGOWAN nasceu em um culto e o trocou por outro, mais visível: Hollywood.Rose McGowan se tornou uma das atrizes mais desejadas de Hollywood da noite para o dia quando foi "descoberta" nas ruas de Los Angeles. O estrelato logo se tornou um pesadelo de exposição constante e sexualização. Todos os detalhes de sua vida pessoal se tornaram públicos, e as realidades de uma indústria inerentemente machista emergiam a cada roteiro, papel, aparição pública e capa de revista.Hollywood esperava que Rose ficasse quieta e cooperasse. Em vez disso, ela se rebelou e impôs sua verdadeira identidade e voz. Ela reemergiu sem roteiros nem desculpas, corajosa, controversa e sempre verdadeira. Liderando o movimento de denúncias de assédio sexual na indústria de entretenimento ao expor os crimes de Harvey Weinstein, Rose é hoje um dos rostos do movimento feminista e não hesita ao disparar verdades inconvenientes e exigir mudanças.CORAGEM é seu livro de memórias em forma de manifesto - um relato sem censura nem piedade da ascensão de um ícone millennial, uma ativista sem medo e uma força de mudança imparável determinada a expor a verdade sobre a indústria do entretenimento, trazer à luz uma indústria multibilionária construída sobre a misoginia sistêmica e empoderar pessoas ao redor do mundo a acordarem e terem CORAGEM.

Biografias não são meu estilo de leitura e tirando a do meu amado Ozzy Osbourne, nenhuma chegou a me chamar a atenção. Porém, quando a Harper Collins me enviou Coragem e eu me encontrei encarando os olhos de Rose, que eu tanto admirava desde Charmed, me vi compelida a ler e a entender o que ela tinha para me contar. E ela tinha muito para contar, muitas aventuras e muitos sofrimentos. Descobri que ela nasceu na Itália, dentro de uma seita chamada Meninos de Deus, e posso afirmar que, depois do que li, nada ali era realmente de Deus.

Enquanto esteve dentro dessa seita, Rose foi uma criança que sofreu abuso psicológico, que passou fome e que apanhou. Não tinha acesso às coisas do mundo e ia percebendo, a seu jeito, como tudo que acontecia ali dentro era errado. A seita era sexualizada, chegando a explorar meninas e jovens para que essas trouxessem novos membros masculinos para dentro da Meninos de Deus.

Em um dado momento seu pai "acordou" e fugiu para os Estados Unidos levando Rose e seu irmão.  A vida nos EUA não se provou fácil, e ela odiava a cultura local com seu queijo laranja e seus hábitos barulhentos. Rose era uma criança reflexiva e empreendedora, e aos poucos foi se encaixando, a seu modo, em toda essa nova vida que o pai a enfiou. Quando sua mãe reapareceu em sua vida e a levou para morar com ela, Rose teve mais decepções. As escolhas amorosas da mãe sempre envolviam homens violentos e abusivos e ela lutava contra isso em casa com unhas e dentes.
Ter voz e ser ouvido é um direito humano básico e essa injúria estabeleceu um tipo de padrão em minha vida.  Pág. 56

Com todo um histórico de violência familiar, Rose virou uma fugitiva, drogada e acabou internada. Aos 14 anos trabalhou em uma funerária, depois em um cinema e foi com essa idade que começou a perceber que seu corpo chamava a atenção dos homens. O desenrolar de sua história parece com a de tantas outras moças que desembarcam na Cidade dos Anjos em busca de um lugar na indústria cinematográfica. A diferença é que Rose não estava buscando ser atriz, isso apenas aconteceu com ela. Assim como o estupro e abuso por parte de um dos figurões de Hollywood, e também como as obscenidades que ela e outras mulheres eram obrigadas a ouvir dos diretores e produtores.

A diferença é que eventualmente, Rose encontrou sua voz.

E em meio a tudo isso, houve também a comoção da mídia quando ela, uma moça linda, começou a namorar Marilyn Manson, o músico esquisitão. Nada parecia se encaixar, mas ela sabia o que tinha ao lado dele. Finalmente era compreendida, amada e respeitada. Será?

Rose foi uma pioneira no quesito "não me importo com o que você pensa". Sofreu slut shamming (1), assinou contratos que causaram muitos danos a sua saúde física e mental até que, finalmente encontrou sua voz nas redes sociais, principalmente no twitter.


A guerra de Rose é a guerra de todas nós. Não podemos ser definidas por homens e seus desejos. Não podemos nos deixar manipular ou subjugar. Temos nossa voz, somos donas do nosso corpo e não apenas objetos de luxo/lixo para alguns seres que se comportam como donos do mundo.

Esse é um livro que retrata cruamente o que acontece nos corredores de Hollywood e em suas festas mais hypadas. Rose é direta, sem não me toques e não poupa ninguém.

Mais do que uma biografia, CORAGEM é um manifesto, uma declaração de que é possível se rebelar e sobreviver. Mas não sem algum sofrimento.
A sociedade dominada por homens nos faz perceber que em último caso somos nós, as mulheres, que salvam. Nós somos o cavalo branco e temos que contar com ninguém além de nós mesmas.  Pág. 57
Sobre a edição: A Harper Collins reproduziu com capricho a mesma capa que o livro teve no exterior. As páginas amareladas facilitam a leitura e a diagramação está muito boa. Ainda acho a letra pequena, mas... estou ficando meio cega mesmo. Encontrei alguns erros de revisão, mas nada que atrapalhe o curso da leitura.

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Título: Coragem (exemplar cedido pela editora)
Autora: Rose McGowan
Editora: Harper Collins
Páginas: 288 páginas
Ano: 2018

(1) - Em sexualidade humana, slut-shaming (do inglês, slut, gíria para se referir a mulher promíscua, prostituta, e shaming, de shame, verbo que significa "envergonhar, causar vergonha", em tradução livre, seria "[pôr] pecha de prostituta" ou "tachar de prostituta" ou "de vadia") é uma forma de estigma social aplicada a pessoas, especialmente mulheres e meninas, que são percebidas por violar as expectativas tradicionais machistas de comportamentos sexuais. Alguns exemplos de casos em que as mulheres são "envergonhadas por ser vadias" incluem violar os códigos de vestimenta aceitos por vestir de forma percebida como sexualmente provocativas, o pedido de acesso ao controle de natalidade, ter sexo casual antes do casamento ou ser estuprada ou sexualmente agredida (o que é conhecido como culpabilização da vítima). Fonte- Wikipedia

19 comentários

  1. Oi, Simone.

    Bom, é de extrema importância a Rose vir à tona e decidir nos trazer fatos bastantes revelantes, no qual muitas mulheres que também fazem parte desse mundo "glamouroso", passam e sofrem.

    Assunto esse, que são estimados por muitos como algo bobo, sem importância.

    Bem como há um incentivo para que mais mulheres tenham a coragem que ela teve e expor tudo o que também sofreram!

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    1. Eu achei muito pertinente esse livro, Daiane. O jeito que ela aborda tudo, a forma como narra os acontecimentos.
      Todos deveríamos ler !

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  2. Oiii Simone

    Eu li esse livro há algumas semanas e fiquei bem presa na leitura, adorei a franqueza da Rose, ela narra os fatos como se estivesse diante de nós e é extremamente sincera pra valer. Uma autobiografia que vale muito a pena com certeza.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Exatamente ALice. FRANQUEZA é a palavra exata. Nua e crua.
      EU me surpreendi bastante!

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  3. Olá, tudo bem?

    Esse livro mexeu demais comigo. Rose conseguiu contar anos de um absurdo imundo que Hollywood escondia de uma forma muito crua e honesta. Em cada página dava pra sentir a mágoa dela, a raiva e, por fim, a Coragem de expor tudo com consciência de quão importante é meter a boca no mundo para evitar que abusos como aqueles continuem acontecendo. Eu amei esse livro demais!

    Os errinhos também não me incomodaram tanto. Podia ser melhor, mas...rs

    Beijos

    http://www.aquelaepifania.com.br/

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    1. Sim Eliza... ela expôs o que nós já sabíamos - porem sem nunca ter uma confirmação das vitimas certo?
      adorei mesmo... e sim, tem errinhos hehehe

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  4. Eu gosto de biografia, afinal através delas percebemos artistas, antes de universos tão distantes, como pessoas iguais a qualquer um de nós. Quando se vê um livro assim (ou depoimentos em qualquer outra mídia), podemos pensar que é uma forma de buscar um holofote. Porém, quando lemos os detalhes citados na resenha percebemos que não, que é algo que realmente precisa ser contado para que histórias como essa não se repitam. A vida da atriz parece uma sequência de abusos que foram levando a caminhos nem sempre fáceis. Eu já estava querendo ler, mas agora tive certeza. Ótima resenha.

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    1. Sim Evandro, mais do que uma biografia, esse livro é uma denúncia! Precisa ser lido!

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  5. Oi Simone,
    Até mesmo eu, que não gosto de ler autobiografias, sei que essa leitura deveria ser para todos!
    Cheguei a ver as notícias sobre os assédios, não só o da Rose, mas também os próximos que vieram com ela, e é tão triste acompanhar isso por redes sociais e ver que nós mulheres, mesmo sendo a vítima, ainda somos julgadas... A atriz foi incrível em conseguir colocar em palavras tudo o que sofreu! Quero mto ler o livro.
    Beijos

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    1. Tb não curto... mas, como disse, me surpreendi.
      Leia sim... vc vai gostar.

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  6. Olá, Simone!

    Esse livro não seja o meu tipo, mas a divulgação do livro me mexeu bastante. Eu não sou do tipo de ver noticiários inteiros, já que quando vejo as guerras e os jogos políticos em todo o mundo, tudo isso me faz querer ter uma solução mágica para tudo isso,me deixando bem triste. Mas não tinha como escapar de todo o peso e movimento que as denuncias contra o Weinstein, indo de um modo até mais forte do que o participante que foi expulso do BBB no ano passado ou da acusação de assédio contra José Mayer, já que Hollywood é uma indústria que mexe e move todo o mundo, mas que poucos sabem seus segredos mais escuros (parte de uma imagem de sonhos que essa indústria vende).
    Ao ligar os pontos e ver que era a Rose que tomou a coragem e denunciou o Harvey, eu não acreditava que aquela moça que entrou em Charmed quando a Shannen Doherty saiu por ter brigado com o elenco. Até hoje tenho uma revista com uma matéria sobre Charmed e me lembrava da Rose só por essa série.
    Mas com sua resenha, vejo um outro lado dela, que explica a atitude que acabou mobilizando as atrizes de todo mundo. Tudo que ela passou, as explorações na seita e em Hollywood a marcaram muito, e ela sempre tentava escapar. Mas quando viu que era demais, que não tinha como ficar quieta só para preservar uma falsa imagem da indústria do cinema, é que ela pode se sentir melhor e ver que não estava sozinha, como a hashtag #MeToo mostrou.
    No final, segredos demais debaixo do tapete sempre formam uma montanha de sujeira que todos notam. A Rose teve a coragem de apontar onde ela estava nas produtoras americanas.

    Um abraço!

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    1. Sim... a divulgação foi ótima e o assunto pertinente!!!
      Palmas para a Rose!!!

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  7. Simone!
    Gosto de biografias, mesmo que sejam de pessoas desconhecidas.
    E aqui dá para notar que a autora se expos de uma forma inimaginável. É como se ela tivesse criado uma carapaça para suportar tudo o que pasou e ainda fazer sua voz ser ouvida.
    Bom final de semana!
    “Os piores estranhos são aqueles que vivem na mesma casa e fingem que se conhecem. Conversam banalidades, mas nunca o essencial.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA ABRIL – ANIVERSÁRIO DO BLOG: 5 livros + vários kits, 7 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Já tinha ouvido falar dessa biografia, queria muito ler, já acompanhei alguns trabalhos dessa atriz, como o seriado Charmed, e não sabia que ela tinha namorado o Marylin Manson. A atriz passou por muitas coisas na vida, e podemos aprender com tudo isso!!

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    1. Muitas mesmo!!! Vale a pena conferir o que ela tem para contar!!

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  9. Oi, Simone!!
    Também não curto muito livros de biografia, mas quero muito conhecer a história da Rose McGowan, pois sei que não teve ter sido fácil para ela enfrentar tudo que ela passou na vida.
    Bjos

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    1. Vale a pena conferir o que ela tem para contar!! Mas que deve ter sido dificil pra ela... ah, como deve!

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  10. Olá, Simone!
    Não leio muito biografia, mas essa eu quero ler. Nada na vida dessa moça foi fácil desde criança e depois quando adulta também.
    Beijos.

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