11 junho 2018

Resenha: A Escola do Bem e do Mal


Uma mensagem legal, mas um enredo não inovador!

A cada quatro anos, segundo as lendas, duas pessoas da cidade de Gavaldon desaparecem misteriosamente e são levadas para a Escola do Bem e do Mal. De acordo com a sua personalidade e comportamento, uma é levada para o Bem, onde exercerá a caridade e a honra, tornando-se, assim, um (a) herói (na), e a outra é levada para o Mal, onde aprenderá sobre malícia e injúria e deverá se tornar um (a) vilão (ã).

Ao longo do tempo, a população da região deixou de acreditar que tal fato ocorria por causa de criminosos comuns e começou a alimentar a real ideia de que o Diretor da Escola era responsável por esses raptos.

Tais sequestros eram pensados, os indivíduos não eram escolhidos ao acaso, mas sim selecionados e avaliados milimetricamente sem que qualquer pessoa desconfiasse (até que ela sumisse de vez). Nesse contexto somos apresentados a duas personagens com características bastante diferentes.

“Você me deu um sapo morto de aniversário!”
“Para lembrar que todos nós morremos e acabamos podres embaixo da terra, comidos por minhocas, e que por isso devemos aproveitar nossos aniversários enquanto ainda os temos.”

Sophie é vaidosa, sempre está procurando o melhor para si, mesmo que isso prejudique qualquer outra pessoa. Maquiavel diria que a frase que mais combina com Sophie é “os fins justificam os meios” e, de fato, esse é, aparentemente, o lema que a garota segue, já que ela sonha em ir para a Escola do Bem e do Mal e lá se tornar uma princesa, de modo que acredita estar no caminho certo para alcançar seu objetivo – mesmo que até suas atitudes mais bondosas seja minuciosamente calculadas.


O interessante é que a protagonista não faz muita coisa para ganhar a simpatia do leitor inicialmente – até aí a leitura era movida pela força do ranço – e eu entendo que esse foi o propósito da obra já que nós passamos a torcer e a simpatizar com Ágatha rapidamente. Diferente de Sophie, Ágatha não acredita nas lendas do povoado, muito menos que exista uma escola que transforma alguém em um vilão ou numa princesa\príncipe. Ademais, é uma garota simples e tem uma autoestima péssima, vive num cemitério e tem um coração bondoso, esforçado em fazer o bem. Entretanto, a população de Gavaldon sempre dá um jeito de afastar e repeli-la, apontando suas peculiaridades como defeitos.

“Bem, é que nos contos de fadas o diferente geralmente acaba sendo o… hum… mal.”.

Apesar de tantas diferenças, as duas são amigas e ao soar da meia-noite do dia em que se completaram quatro anos do último sequestro, Ágatha e Sophie também são raptadas, mas, ao contrário do que as personagens pensavam, a primeira vai para a Escola do Bem e a segunda, para a Escola do Mal, o que, de todo modo, vai gerar maior parte dos conflitos da obra, já que Sophie não se conforma em permanecer no lado ruim das coisas e Ágatha não se sente pertencente ao lado bom. Elas nem imaginam que tudo isso tem um propósito e que as escolas têm muito mais facetas do que elas pensam.

No geral, achei bastante interessante como o livro aborda a questão da superficialidade e das aparências, que são supervalorizadas hodiernamente. Além do trabalho realizado pelo autor para mostrar as relações humanas em cada personagem, tanto nos laços de amizade entre Ágatha e Sophie quanto a todos os outros alunos da Escola. Ninguém é unilateral. Creio que isso ficou bem claro, pois apesar do livro destacar muito as protagonistas, é possível entender a personalidade de cada personagem que faz passagem pelas páginas. 

Particularmente, consegui ver uma pequena evolução em algumas personagens que, inicialmente, não tinham muito potencial, Sophie foi uma delas, inclusive, afinal, em certo ponto do livro ela saiu da posição de vítima e passou fazer sua história. Entretanto, percebi a regressão de outras figuras, o que deixou esse quesito livro numa posição bem mediana.


A ambientação do livro é demais! As Escolas são únicas e bastante distintas, do tipo que o clima da leitura até muda quando saímos do ambiente de uma para ir para a outra. A escola do bem tem uma áurea mais leve – apesar dos seus alunos e suas futilidades –, enquanto a escola do mal… Bem, o nome já fala por si, rsrs. Além disso, o autor traz algumas memórias bem felizes para o leitor ao incrementar personagens que nós já conhecemos de outros contos famosos ou, em outros casos, filhos ou sobrinhos de figuras já vistas em outras narrativas, como é o caso da fada madrinha da Cinderela. Sim, ela marca presença aqui!

“Esse é o problema com contos de fadas. De longe eles parecem perfeitos. Mas, de perto, são tão complicados quanto a vida real.”

Inicialmente, não tive muitos de problemas com a narrativa de Soman, a leitura fluiu muito bem e eu consegui manter o ritmo até a metade da leitura, quando tudo ficou um tanto arrastado, enrolado e detalhado demais, o que foi incômodo. De todo modo, logo após peguei o ritmo novamente – o que caracteriza uma montanha-russa – e segui assim até o final.

Sobre a edição: O livro é narrado em terceira pessoa. Devo ressaltar que, no lugar de dois pontos e o costumeiro travessão, a obra conta somente com aspas para identificar a fala do personagem, o que, particularmente, foi bastante chatinho, já que muitas vezes deu um aspecto desorganizado na leitura. Afinal, algumas falas nem estavam no início das linhas, mas apareciam subitamente no emaranhado da narrativa.

Ah, a capa de A Escola do Bem e do Mal também merece um destaque especial. Está linda e traduz muito bem a história, adorei a combinação de cores e todas as referências que estão expostas. Além disso, não posso deixar de citar que a diagramação do livro está maravilhosa –, sério, gente, eu quase morri quando folheei esse livro pela primeira vez, meus olhinhos brilharam com tanta lindeza, com toda certeza uma das edições mais bonita da minha estante – cheia de detalhes que deixam o coração de qualquer leitor quentinho: nas páginas iniciais, a obra conta com um mapa, ademais, contamos com várias ilustrações no decorrer do livro! Figuras que retratam muito bem a descrição do autor. A obra conta com 346 páginas, todas elas amareladas.

Não foi um livro surpreendente do tipo: “ai, meu Deus, que ideia incrível!”, mas acrescentou bastantes coisas boas na minha vidinha de leitora. É uma leitura válida, eu indico.

Aliás, já estou com o segundo em mãos e, em breve, vocês terão resenha do volume dois. 

Beijos!
 

Titulo: A Escola do Bem e do Mal (exemplar cedido pela editora)
Autor: Soman Chainani
Editora: Gutenberg
Paginas: 346
Ano: 2014

13 comentários

  1. Oi, Mariana.

    A forma que o autor ampliou a visão de como devemos enxergar os atos bondosos ou não, e em como tais atos se aplica em nossas vidas, é bem relevante. Bem como os vários aspectos abordados.

    No entanto, eu não sei se a introdução dos personagens de contos de fadas me agradaria.

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  2. Eu amei o assunto abordado, nosso mundo sempre foi dividido no caminho do bem e do mal. Mas parece que hoje as pessoas optam mais pelo caminho do mal. E isso é triste. Fiquei bem curiosa para ler!

    www.kailagarcia.com

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  3. Oiii Mariana

    Tenho visto ultimamente várias resenhas deste livro, tem detalhes que me encantam e que me deixam curiosa. Pena que o ritmo caiu um pouco a partir da metade, menos mal que até o final deu pra manter o interesse de novo.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  4. Oi Mariana,
    Eu fiquei louca para ler esse livro quando fiquei sabendo dele, mas acabei esquecendo e colocando outros na frente :/ Com esse post você me lembrou dele e quero ler!

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  5. Pelo trama realmente não parece nada cheio de novidades, mas confesso que fiquei interessado, pois as personagens são interessantes e o enredo também. Dessa forma, quando tem uma boa construção acabo me envolvendo. A capa é bem legal mesmo e a diagramação parece incrível. Dica anotada.

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  6. Oi Mari,
    Li em algum lugar que o livro tem bastante referência de personagens que já conhecemos, eu fiquei curiosa por isso. Acho que até consegui captar a mensagem que a história passa, e por mais que você não tenha achado inovador, eu gostei, me surpreendi e claro, fiquei curiosa para saber como a história acaba. As duas personagens parecem ser diferentes do que aparentam, espero que no decorrer da historia mostre elas mais profundamente!
    Beijos

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  7. Mariana!
    Não tive oportunidade de ler ainda nenhum dos livros da série, mas como entretenimento, acredito que seja um bom livro para ler, e com certa aventura.
    “Sou uma só. (...) Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  8. Eu adorei a capa, é linda. Desde que vi pela primeira vez eu tenho vontade de ler, tenho ele aqui em e-book mas prefiro ler o fisico.
    Aghata e Sophie são opostas e fiquei surpresa por saber que são amigas. Estou curiosa para saber o que ira acontecer quando uma vai para o mal e a outra para o bem, será que a amizade delas será mais forte ou se tornaram inimigas. Com certeza pretendo ler.
    Adorei a sua resenha <3

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  9. Eu também adorei esse livro e a minha experiência com ele foi a melhor possível concordo com você em relação a ele abordar a questão da pré rotulação das pessoas E pelo que eu sou meu livro para ganhar um quarto volume

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  10. Olá, Mariana!

    Não é mesmo uma ideia nova, já que quase ao mesmo tempo, o Disney Channel veio com Decendentes, em que também há uma escola para se tornar herói ou heroína dos contos de fadas. Além disso, há desenhos como Winx, Regal Academy e Ever After High com esse conceito também.
    A diferença foi mesmo essa "troca de papéis" entre as alunas, que não se repara o propósito se você lê somente a sinopse. Realmente faz pensar sobre as aparências que enganam e tudo que fazemos para que o outros não vejam nossos lados mais malvados e mesquinhos.
    Acho que os próximos livros devem ainda explorar mais a aceitação do que realmente somos através dos confrontos entre as escolas.

    Um abraço!

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  11. Não sou muito fã de livros muito fantasiosos. Ja li várias resenhas desse livro, mas ainda não despertou o desejo para ver o que acontece com essa història.

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  12. O livro traz uma boa proposta, onde desafia as pessoas a olharem para si mesmas e se enxergarem de um modo que elas mesmas saibam se são boas ou ruins. Isso tudo através de seus atos!! Fiquei curiosa para ler o livro e saber no que a história vai dar!!

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  13. Comecei a ler esse livro essa semana, e apesar de não ser a maior fã de fantasia estou curtindo bastante.

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