10 agosto 2018

Resenha: A máquina do tempo


Mais simples do que eu imaginava.

Difícil começar a falar desse livro senão pela estranheza de seus narradores (ou da narrativa).

Em uma reunião social entre alguns intelectuais, o narrador faz uma breve apresentação, nomeando os personagens de acordo com suas profissões. O próprio personagem principal é chamado de Viajante do Tempo.

Nessa reunião, o Viajante tenta convencer seus amigos de que existe a possibilidade de se viajar no tempo. Diante da incredulidade de tal afirmação por parte de alguns companheiros, ele enfatiza em dizer que construíra uma máquina capaz de fazer tal proeza.


Nesse início, Wells monta a parte mais inteligente de sua obra. Composta da maior parte de diálogos, por meio dos personagens Wells expõe todo o conhecimento científico e conceitos acerca da viagem no tempo e seus paradoxos. A gente não entende nada dos diálogos, mas eles são interessantíssimos (e eu adoro isso).

Num segundo encontro, o Viajante se apresenta sujo, machucado e muito cansado. Posteriormente, explica para seus companheiros que esteve no futuro. Precisamente no ano de 802.701 e, a partir daí, ele narra o que viveu naquele tempo. 

Nesse futuro distante, os habitantes da Terra estão divididos em duas raças muito distintas. Os Elois são seres pequenos e frágeis, de sexo indistinto. Os Morloks são seres estranhos e repugnantes que vivem no subsolo do mundo e fazem dos Elois suas presas.


Nesse ponto, Wells faz um apanhado geral, uma comparação entre esses personagens e uma visão da sociedade em que vivia. Em termos políticos, os Elois seriam os capitalistas, vivendo daquilo que o planeta os proporciona. Já os Morloks seriam os proletários e teriam que viver das sobras, à mercê da noite e à margem da sociedade.

Acredito que A máquina do tempo seja um livro muito mais para expressão filosófica da sociedade do que fruição, haja vista que a máquina do tempo em si é esquecida e os habitantes da terra e seus costumes passam a ser o centro das atenções. A história que decorre nas páginas é bem simples, monótona em algumas partes e movimentada em outras. Dada a data de sua publicação, o livro tinha tudo pra ter uma linguagem a nível de dificuldade elevado, porém, nas páginas pré-textuais e próprio autor no informa que o livro foi escrito por um principiante. Ou seja, temos um livro simples com uma linguagem simples.

Penso que A máquina do tempo seja considerado um clássico não pelo assunto em si ou pelo estilo narrativo do autor, ou mesmo pela linguagem, mas por ser um pioneiro na ficção científica, principalmente na viagem do tempo, e transcender gerações.


Enfim, por ser um livro tranquilo, seria facilmente indicado para quem está começando a se aventurar no mundo leitor.

Sobre a edição: Trabalho belíssimo da Martin Claret. Com capa dura e bordas amarelas, a ilustração da capa faz jus ao tema que se propõe. As páginas que separam os capítulos são destacadas em azul, simulando movimentos que fazem referência à viagem no tempo. As letras são grande, mas não ocupam toda a página. O livro em si é leve e de fácil manuseio. As folhas são grossas e fáceis de virar.

Um verdadeiro item de coleção.


 

Título: A máquina do tempo (exemplar cedido pela editora)
Autor: H. G. Wells
Editora: Martim Claret
Páginas: 153
Ano: 1895 / 2018

10 comentários

  1. Olá,
    Eu li um da Connie Willis que gostei bastante e estou cogitando pegar esse futuramente. Tinha um professor que vivia indicando. A edição está linda, não conhecia.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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    1. Oi, Nana! A edição é bem recente. Eu nao sei o que aconteceu, mas Suma e Martin Claret lançaram novas edições. Mas, enfim, é um livro rápido, e pra quem gosta do gênero é um prato cheio.

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  2. Oiieee

    É um clássico da ficção cientifica e parece ser também um livro gostosinho de ler, simples até. Eu leria com certeza, amei a capa da edição da Martin Claret e no geral acho que seria uma leitura bastante válida pra mim.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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    1. Olá, Alice. Como eu disse, o fato de ser ficção científica fica quase em segundo plano. Mas você está certa quanto ao fato de ser um livro bem gostosinho. Apesar de não ser o que eu imaginei, a literatura de Wells é bem fácil.

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  3. Não conhecia o livro, edição linda mesmo!!!! Mas confesso que este ainda não está na minha lista de "Livros Desejados" RSrs
    Bjs
    https://eternamente-princesa.blogspot.com

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    1. Luiza do céu!! Dizer que não conhece esse livro é o mesmo que dizer que não conhece Dom Casmurro =O rsrs ele é um clássico tão antigo quanto e merece uma chance rsrs

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  4. Marcos!
    A.G Welles foi mesmo um precurssor da ficção em seu tempo e não é sem motivo que vez por outra surgem livros com o tema e/oi filmes/séries. Quem não gosta de imaginar que podemos viajar no tempo e mudar algo que não deveria acontecer?
    Nos canais fechados estão passando duas séries sobre o tema: TIMELESS e THE CROSSING, estão no início, mas já prometem.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Verdade, Rudy! O problema é que vem surgindo tanta meleca por aí, que livros como esse estão passando despercebidos e logo entrarão no ostracismo.

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  5. Història interessante e complicada ao mesmo tempo. Viagem no tempo é um assunto que gosto muito, seja em livros ou filmes. Mesmo sendo uma leitura complicada, quero ler para conhecer a fórmula usada para a viagem.

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  6. Eu já notei que altura tem uma pegada muito interessante no que diz a ficção científica Mas eu achei esse livro bem viajado Com certeza eu não vou ler ele porque a antítese de ideias realmente me deixou muito desanimada

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