03 outubro 2018

Resenha: Fahrenheit 451


Houve um tempo em que os bombeiros eram chamados de heróis. Eles arriscavam a própria vida sob acidentes perigoso e invadiam residências em chamas para salvar a vida alheia. Além disso, eram eles quem uniam forças para controlar e extinguir qualquer incêndio.

Acontece que esse tempo não existe mais, pois agora as casas são construídas sob modelos à base de um sistema anti-chamas. A profissão de bombeiros pode acabar. Se não há fogo para apagar, o que farão os bombeiros? Simples: eles iniciarão o fogo!

Baseado em alicerces distópicos, Fahrenheit 451 tece sua trama sobre uma população cujo governo considera o ato de possuir um livro um crime hediondo, camuflado sob a desculpa de que a literatura representa uma grave ameaça para o intelecto das pessoas. Pessoas essas que vivem sob a perspectiva de uma tela de TV do tamanho da parede do quarto (uma em cada parede) e frequentemente dopadas por medicamentos, alienadas sob uma ótica irracional e midiática.

Com uma literatura fácil, mas um estilo narrativo um tanto complicado, Bradbury, não obstante ao tom distópico de sua obra, conduz o leitor por vias de uma história sobre quebra de barreiras e paradigmas.


Ao criar uma história onde as pessoas são obrigadas a não adquirir qualquer tipo de conhecimento e os livros devem ser queimados em uma fogueira, ele nos apresenta um futuro que não pode estar muito distante, se observarmos o caminho pelo qual vai a nossa verdadeira literatura. Além disso, nos remete a certo país em certa época, onde pilhas e pilhas de livros eram queimadas diariamente.

Guy Montag é um dos bombeiros responsáveis por invadir as casas e destruir a biblioteca dos residentes. Frequentemente reclama do cheiro de querosene que impregna seu corpo, mas nada pode fazer por isso. No decorrer da história ele conhece duas pessoas que passam a lhe mostrar o lado bom das coisas simples da vida e começa a olhar o rumo e as consequências de suas ações como bombeiro com outros olhos, descobrindo-se um verdadeiro carrasco frente à necessidade intelectual das pessoas. Cansado da alienação na qual vivem, decide deixar florescer em si o prazer proporcionado pela leitura. Mas, como toda ação tem uma reação, ele terá que arcar com as consequências de romper as barreiras do ostracismo intelectual impregnado na sociedade.

Fahrenheit 451 é pequeno mas poderoso. Apesar de ter sido escrito em 1953, podemos facilmente pensar se tratar de um texto contemporâneo, onde o autor faz uma previsão certeira sobre o problema de ter a literatura ladeada por pessoas ignorantes e sem nada de bom senso.


Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Brandbury
Editora: Globo
Páginas: 215
Ano: 1953 / 2012

3 comentários

  1. Fahrenheit 451 já está na minha estante porque quero muito ler, mesmo escrito a mais de 50 anos acredito mesmo que seu conteúdo é bem atual, pis é o tipo de livro que nos leva a vários questionamentos. Vou ver se passo ele na frente e leio logo.
    abraços
    Gisela
    www.lerparadivertir.com

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  2. Marcos!
    Tive oportunidade de ler esse livro que considero fabuloso, há alguns anos atrás e é uma leitura enriquecedora, a partir do momento que conseguimos nos conectar com a escrita do autor e mergulharmos de cabeça no drama que o enredo traz.
    Desejo um mês abençoado!
    “A gratidão é o único tesouro dos humildes.” (William Shakespeare)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA OUTUBRO - 5 GANHADORES –
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Olá Marcos,
    Assim que iniciei a leitura da resenha imaginei os atos sendo feitos no século em que vivemos, é como você disse, uma história escrita a um bom tempo, mas com um enredo completamente atual. Não sei se expresso como é uma obra belíssima, ou o meu medo por imaginar que não estamos longe disso...
    Sem dúvidas é uma obra completa para nós leitores.
    Beijos

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