25 outubro 2018

Resenha: O fundo é apenas o começo


Caden Bosch é um adolescente de 15 anos, brilhante estudante do ensino médio.

Ele é membro de uma família comum; bom filho, bom irmão, mas que aos poucos se vê querendo estar distante de tudo e, assim, vai perdendo o interesse pela família, pela escola e pelos amigos.

Ele está caindo, sem apoio, brigando com a própria mente para acreditar se as coisas são reais ao mesmo tempo em que não quer ter certeza, pois essas coisas podem não ser confiáveis.


O início do livro pode ser bastante confuso, pois somos jogados em um desalinho cuja desorientação é proveniente da mente imaginativa do adolescente. Caden sofre de uma doença que, grosso modo, mistura transtorno bipolar com esquizofrenia. E, por conta disso, ele vive em dois mundos.

No mundo real ele é amparado por parentes e amigos que se preocupam com ele e notam sua alienação, sua desatenção com as coisas que o rodeiam.

Em seu mundo particular, Caden está a bordo de um navio que o levará para os recônditos mais sombrios das "Fossas das Marianas", o lugar mais profundo do mundo, mas não sabe ao certo em quem pode confiar dentro desse navio. E ao desenrolar do livro, vamos vendo o paralelo que Caden faz entre a tripulação do navio e as pessoas da vida real.


O fundo é apenas o começo é uma história fantástica que mergulha a fundo (sem trocadilhos) no mundo das pessoas com transtornos mentais. Nessa história, acompanhamos desde o início a descoberta, a evolução da doença, ocasionando medos, manias de perseguição, estresse. E conforme a história também evolui, o autor mostra o quão fundo uma pessoa pode ir por conta disso, mas também aponta que há meios de bater de frente com esses transtornos e que somos possíveis de recuperar quem está distante. Entretanto, ele deixa claro que há vários níveis de profundidade e que um tipo de remédio pode ser bom pra um, mas não para outro.

Aproveitando a idade pouco avançada do seu personagem, Neal Shusterman cria uma narrativa com uma linguagem tranquila, cadenciada. Os capítulos curtos nos jogam no interior da história de modo a nos fazer acompanhar a evolução da doença junto com ele e assim, construir um texto pleno de passagens que nos fazem pensar e frases de impacto. E as ilustrações, definitivamente infantis, nos fazem, terminantemente, compreender o quão perturbada a mente humana, seja ela infantil ou adulta, pode ficar.

Sobre a edição: A ilustração de capa retrata bem o que a obra quer reproduzir. O fundo azul representando o mar, a criança pequena caindo sem parar... O título, em alto relevo, rabiscado, como a escrita de uma pessoa estressada, ou que precisa de atenção. As ilustrações são do filho do autor, que já esteve no lugar de Caden e pôde reproduzir de modo confiante o desespero de se encontrar no fundo.

Outras fotos:






Título: O fundo é apenas o começo (Challenger Deep) - exemplar cedido pela editora
Autor: Neal Shusterman
Editora: Valentina 
Páginas: 272
Ano: 2018

8 comentários

  1. Eu já conhecia o livro, apesar de ainda não ter lido, através de comentários de outros leitores, todos bastante positivos. Acho que tratar sobre transtornos mentais, apesar de ser delicado, é algo importante, uma vez que são doenças que fazem parte do cotidiano de muitas pessoas. Acho que a estratégia que o autor escolheu para a escrita, com os dois mundos da personagem em paralelo, deixam ainda mais enfatizado o quanto o transtorno debilita e confunde o protagonista. Acredito ser importante também mostrar que existem soluções, apesar de não definitivas, para isso. Acho que as ilustrações servem muito bem de complemento para a leitura.

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    1. Concordo, Patrini! Há livros que são além de fundamentais para termos o mínimo de ideia sobre o assunto.

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  2. Oi Marcos. Como vai?
    Eu já ouvi falar muito no livro, e sempre com elogios.
    Gostei da resenha e acho que este é um assunto que merece e deve ser abordado sempre que possível.
    Abraço
    www.docesletras.com.br

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    1. Oi, Lia! Obrigado!
      Se ainda não leu, super indico a leitura ;)

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  3. Que história profunda! Já convivi um pouco com a questão para saber que só a delicadeza literária pode retratá-la. Obrigada pela indicação, que com certeza está na minha lista de futuras leituras.
    Ah, a capa é encantadora!

    Sabrina Santiago | www.mocadecasa.com

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    1. Oi, Sabrina! Fico feliz que tenha gostado e espero que faça a leitura em breve.

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  4. Oi Marcos,
    Assim que li a primeira resenha do livro o coloquei na lista de desejados, achei profundo, e bem real, parece até que o personagem principal foi inspirado em alguém. E o melhor, é o conhecimento que passamos a ter sobre transtornos, algo que convivemos e talvez não vemos.
    Enfim, eu realmente gostei, principalmente dos comentários sobre o enredo.
    Beijos

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  5. Uma das minhas próximas leituras! O autor conseguiu trazer um universo bem desconhecido a todos os leitores e trazer um enredo forte, denso e ao mesmo tempo, necessário.
    Acho que a linguagem jovem também ajudou muito e esse se jogar na alma do personagem, acaba se tornando também uma viagem pessoal de quem lê a obra.
    Somos todos transtornados, seja em um ponto, seja em outro.
    Lerei em breve!!!
    Beijo

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