28 novembro 2018

Resenha: O tempo desconjuntado


Iniciei este livro bem ansiosa pela leitura. Embora tenha outras obras do Dick, ao receber este exemplar da Cia das Letras já embarquei antes mesmo de ler a sinopse. Para quem não sabe, O tempo desconjuntado serviu de inspiração para dois filmes importantes: Matrix e O show de Truman. Quem já assistiu certamente perceberá a semelhança quando tiver lendo o livro.

O ano é 1959, numa pequena cidade dos Estados Unidos vive Ragle Gumm, um ex-militar de 46 anos que mora com a irmã Margo, o cunhado Vic e o sobrinho. Não há muito o que ser feito numa cidade tão pacata e com vizinhos inconvenientes. Então, Ragle é conhecido por participar, há muitos anos, de um concurso de jornal, e ganha dinheiro com isso. Nesse game, por meio de dicas, ele precisa descobrir a resposta certa. Sabe o que é mais engraçado? Ele sempre acerta. SEMPRE. Alguns ousam dizer que ele tem apenas sorte, mas Ragle se utiliza de métodos rigorosos e complexos para analisar gráficos e tabelas com intuito de desvendar a resposta correta.

O protagonista acha que está feliz vivendo essa vida pacata, até perceber que tem algo estranho acontecendo. Sabe aquela estranha sensação de que algo estava num lugar e, no dia seguinte, estava em outro? Até nos perguntamos se alguém mexeu em nossas coisas, se o cachorro tirou do lugar ou se simplesmente nós mesmos mudamos e não lembramos. 


Ele sente algo bem pior que isso. Quando objetos do dia a dia começam a desaparecer e se transformar em papel, com palavras escritas (como “vasos de flores”, “barraca de refrigerante”), o homem passa a suspeitar que há uma conspiração ao seu redor. Acontecimentos corriqueiros começam a provocar dúvidas em Ragle, fazendo com que ele acredite que há algo errado com o tempo. Estranho? Pode ficar pior…

Primeiro, Ragle encontra uma lista telefônica e todos os números parecem ter sido desconectados. Depois, uma revista traz na capa uma mulher famosíssima que ele nunca tinha visto antes, Marilyn Monroe. A alternativa que ele encontra para descobrir o que está acontecendo é fugir da cidade e de todos esses acontecimentos bizarros, contudo, nem a fuga nem a descoberta serão tão fáceis quanto ele imaginava.

Um detalhe muito importante a respeito da obra é o ano em que foi publicada. É preciso ser um crítico bem observador quanto a isso, pois, se não pararmos para olhar esse fato, a nota na resenha pode cair. Ao lermos é bem óbvio que ficaremos com a sensação de ter visto ou lido isso em algum lugar. E nós lemos e vimos mesmo, é inegável. Porém, parem para pensar e analisar quem foi o autor, quem foi o copista e quem usou a inspiração de quem. Só assim poderemos captar, com mais precisão, a mágica ideia do autor.


Sobre a edição: A obra é uma edição especial em capa dura, com relevo no título e no nome do autor. A diagramação é simples, porém, proporciona uma leitura confortável. Fonte e tamanho confortáveis. Não encontrei erros de revisão.



Título: O tempo desconjuntado (exemplar cedido pela editora)
Autor: Philip Kindred Dick
Editora: Suma 
Páginas: 272
Ano: 1959 / 2018

12 comentários

  1. Oi, Nat!
    Nossa, nunca ia imaginar que esse livro inspirou Matrix e O Show de Truman. Fiquei super interessada agora. E essa edição está um arraso de linda!
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderExcluir
  2. Oi Nat,,
    Olha, fiquei toda perdida nessa resenha kkkk, acho que não entendi muito bem o assunto. Pelo que percebi o autor é bem conhecido, não tanto por mim, nunca tinha ouvido falar sobre ele, e sendo sincera, não me cativou tanto esse enredo apresentado.
    Só fico tentada a dar uma chance, por conta da comparação com Black Mirror, que vi muitos leitores fazendo, uma série que me conquistou. Quem sabe não tenho oportunidade de ler...
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Vitória.
      O livro é assim, na verdade. Mas não quer dizer que seja ruim.
      É simples, a resenha diz que ele ganha premiações por sempre acertar o concurso. E também algo estranho acontece quando ele passa a desconfiar do tempo, de que há algo errado.
      Não falei mais para não perder a graça. Deixei a resenha bem simples para não contar os elementos principais da história. É exatamente a graça do livro.
      Tenho certeza que vai curtir. Tente.

      Excluir
  3. Gostei da resenha Naty. Mesmo não sendo fã desse estilo, percebe-se que o livro nos traz uma aventura intrigante. Beijo!

    www.newsnessa.com

    ResponderExcluir
  4. Dick tem este jeito único de construir enredos complicados, mas que se prestarmos um pouco de atenção, são as coisas mais simples do mundo!rs
    Ele é genial! E pelo que li acima, ele não só construiu o tempo, mas o desconstruiu junto..rs e talvez este tenha sido o "booom" da história!
    Essa bagunça gostosa na cabeça do leitor!
    A capa está belíssima e com certeza, quero ter oportunidade de conferir este trabalho!!!
    Beijo

    ResponderExcluir
  5. Oi! Ainda não li nada do autor, mas achei a sinopse desse livro bem interessante.
    Acho que é sempre bom ler o original e ver como o autor trabalhou a ideia, sem ter pego a inspiração de outras ideias de outras pessoas. Deve ser desconcertante não saber se o que está acontecendo é real ou se é alucinação. Eu amo O show de Truman, e já vi Matrix tantas vezes por causa do meu irmão, que é fissurado nos filmes, que tenho a sensação que vou gostar mesmo do livro. Obrigada pela resenha!

    Bjoxx

    ResponderExcluir
  6. Apesar de ter gostado da premissa esse gênero não me agrada muito então não leria.
    Mas já tem um tempo que ando querendo sair da zona de conforto nos gêneros literários e talvez essa leitura possa me ajudar com isso.

    ResponderExcluir
  7. Gostei muito da sua resenha e amei a capa! Não é um livro que eu leria no momento, mas eu indicaria para os amigos.
    Mil beijos!
    http://pensamentosdeumageminiana.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  8. Oi Naty,
    Tenho muita vontade de conhecer as obras do autor, que já inspiraram tanta coisa que a gente curte, e nem sabe.
    Essa também me deixou curiosa, até pq adoro Matrix.

    até mais,
    Nana e Leticia - Canto Cultzíneo

    ResponderExcluir
  9. Oi Naty,
    A edição está linda mesmo, mas não me animo muito a ler o livro.
    Acho que não faz meu estilo, sabe? Uma pena...
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  10. Já vi resenhas desse livro, e adorei o enredo, achei super diferente. Apesar de não costumar ler livros assim mas, achei bem interessante e fiquei curiosa pra saber o que está acontecendo, porque as coisas somem do nada... rsrs
    Beijos

    ResponderExcluir

Gostou da postagem? Deixe um comentário. Se não gostou, comente também e deixe a sua opinião.
Se tiver um blog deixe o endereço e retribuiremos a visita.
Aproveite e se inscreva nas promoções e concorra a diversos prêmios.