26 novembro 2018

Resenha: Leonardo da Vinci e os sete crimes de Roma


Guido Sinibaldi é um jovem estudante de medicina que carrega consigo um espírito aventureiro e desbravador herdado pelo pai, ex-capitão da polícia de Roma. Às vésperas das festas de fim de ano, ele é apresentado a um caso estranho de assassinato. Um jovem é pendurado, sem cabeça, numa das colunas mais importantes da cidade de Roma, a da estátua de Marco Aurélio. Mas, longe de ser um capítulo obscuro de quem a Morte é a primeira dama, nosso aventureiro descobrirá que o mais importante é o modus operandi.

Leonardo da Vinci, mestre, sábio, minucioso, talentosíssimo, consegue aval da justiça, para junto de Guido, buscarem meios para auxiliar a polícia na busca pelo assassino e evitar que próximos aconteçam.


Agora, analisando pistas que vão desde inscrições em latim (com sangue), armas, venenos, testemunhas, Guido e da Vinci se embrenharão num mar de mentiras e intrigas que levantará suspeitas dos mais ínfimos até os mais poderosos, sugerindo amizades contestáveis e deslealdade desmedida.

Os sete crimes de Roma, como foi originalmente publicado, em 2010, é o primeiro livro de Guillaume Prévost. Com uma escrita rápida e uma linguagem acessível, o autor nos conta uma história sem enrolações, onde cada página faz parte do processo de resolução dos crimes.

A criatividade de Prévost não é o maior talento a se destacar no livro, mas ele é capaz de, através dos diálogos dos personagens, nos deixar questionamentos, como se ele esperasse que a gente respondesse ou desvendasse o caso antes dos próprios personagens.


A intriga formada pelo autor, entretanto, é bem elaborada. Porém, usar o nome de da Vinci pode ser perigoso para o trabalho, uma vez que a construção de um caso mediano não faz jus à capacidade e inteligência do pintor. Até por isso, acredito eu, o autor decidiu deixar o mestre como coadjuvante e dar a responsabilidade e protagonismo para o jovem Sinibaldi. Assim, o trabalho ganha corpo e forma de modo a nos presentear com uma aventura digna, que, apesar do rápido desenvolvimento e simplicidade na narrativa, tem capacidade de nos segurar página atrás de página, aguçando nossa curiosidade e instinto de detetive. Além disso, ao contrário de muitos romances contemporâneos, cujos assassinos são nos jogados nos braços, quase como um deus ex machina, Prévost tem talento para, através da resolução dos enigmas, chegar até o assassino.

Não é uma obra espetacular, mas para quem gosta do gênero, é bastante apreciada.


Título: Leonardo da Vinci e os sete crimes de Roma (Les sept crimes de Rome)
Autor: Guillaume Prévost
Editora: Gutenberg
Páginas: 252
Ano: 2018
*Exemplar cedido pela editora

14 comentários

  1. Como fã do gênero, namoro este livro desde que vi seu recente lançamento. Aliás, o próprio titulo da obra acaba sendo um convite aos fãs!!
    Trazer suspense e história tudo junto num mesmo enredo é fascinante e gostei desta nova roupagem da obra.
    Será que "sujaram" o nome de Leonardo mesmo?
    Fiquei meio pé atrás com isso..rs mas mesmo assim, quero muito conferir o livro o quanto antes!!!
    Beijo

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    1. Olá! Na verdade, eu acho que o título foi jogada de marketing rsrs pq ele foi publicado originalmente em 2010 somente como "Os Sete crimes de Roma", como é o título original. Mas isso de fato não sujou o nome do da Vinci, pode ler tranquila.

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  2. Oi Marcos,
    Esse livro tem uma bela pegada de Dan Brown, não sei a narrativa, mas a história segue o mesmo padrão.
    Gosto bastante do Da Vinci, então quanto mais informações sobre ele, melhor, gostei como o autor conduziu os acontecimentos, fiquei curiosa pelo livro, gostaria de ler.
    Beijos

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    1. Oi, Vitória! A princípio a gente pode até pensar que vai ter essa pegada de Dan Brown, mas na verdade passa longe. Aqui, da Vinci é um personagem ativo, mas que mais instiga nossa curiosidade (e a de outros personagens) do que age como detetive.

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  3. Eu gosto bastante do gênero policial, talvez por isso o livro tenha me chamado atenção logo de cara. Não sei se curto essa pegada de inserir personagens históricos dentro da narrativa, mas fazer o leitor se envolver na investigação através dos diálogos das personagens é um ponto super positivo para o livro, que não encontramos em todos do gênero na verdade. Acho que a história tem tudo para agradar e ser uma bela leitura.

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    1. Oi, Patrini. Eu não me recordo de ter lido outro livro em que o personagem fosse alguém famoso. Mas, como eu disse, isso pode tanto ser algo bom como um tiro no pé. Este livro não é um dos melhores, mas o autor soube contornar as falhas e o conteúdo ficou bem agradável.

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  4. Oi Marcos, tudo bem?
    Não conhecia o autor e nem o livro, mas achei a premissa bem interessante. Legal que a história te prendeu e agradou.
    Abraço.
    www.docesletras.com.br

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  5. Olá, Marcos.
    Eu gostei do livro, mas como apreciadora do gênero achei que ele deixou a desejar em vários aspectos. E também achei exagero usar o nome no título sendo que o pintor não é o protagonista. Mas é um bom passatempo.

    Prefácio

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    1. Olá, Sil! Foi exatamente o que eu pensei. Usar o nome de da Vinci pode ser perigoso se a obra não tiver ao alcance de sua inteligência. Mas, de fato, é um bom passatempo.

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  6. Olá! Acabei iniciando a leitura desse livro por acaso e gostei demais do desenrolar da historia. Adorei a forma de escrever do autor, ele consegue descrever os detalhes sem deixar a leitura cansativa. Não nego, que possivelmente acabei sendo presa ainda mais pelo livro justamente pela presença de da Vinci (quem não o ama é completamente louco).
    Mas, o enredo em si é muito rico e mostra muito o poder politico da época e da forma de agir dos protagonistas. Resumindo: Super recomento! Obrigada pela resenha!

    Bjoxx

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    1. Oi, Aline! Obrigado a você, por passar sempre por aqui! Concordo com você que quem não ama da Vinci é louco rsrs ou não o conhece de verdade. Como apreciadora dele acredito que você já tenha assistido "DaVinci's demons". Eu amo essa série.

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  7. A Pegada desse livro me lembrou muito os livros do Dan Bronw. Toda essa pegada historia de suspense envolvendo o Leonardo Da Vinci e bastante familiar e interessante

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    1. Oi, Carol! Pra ser bem sincero, eu acho que falta um bom tanto pra chegar a uma pegada de Dan Brown. Mas isso não quer dizer que o livro seja ruim. Os outros aspectos que você citou realmente se destacam no livro.

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  8. Gostei!
    Apesar de não ser muito fã de "clássicos" eu adoro o Da Vinci, e livros com uma pegada de mistério, suspense e policial são um dos meus preferidos.
    Adoraria poder ler um dia esse livro, tenho certeza que vou gostar.

    Bjs

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