08 fevereiro 2019

Resenha: Drácula


Clássico é clássico e vice-versa!!

Jhonatan é funcionário de uma empresa de advocacia e foi escalado para fazer uma viagem à Transilvânia e conhecer o homem cujo dinheiro seria gasto na compra de uma residência nos entornos de Londres. Sua função seria destacar as principais exigências do comprador para que pudessem escolher a residência que mais o agradaria. Porém, a viagem mostrou-se estranha desde o início e, posteriormente, Jhonatan descobre estar no covil de seres maléficos e passa a temer pela própria vida.

O livro todo é narrado em primeira pessoa. A narrativa em forma de diários e cartas nos leva a conhecer o íntimo de cada personagem. No início, Jhonatan descreve minuciosamente todos os momentos que o fizeram sentir frio na espinha, desde funcionários que cochichavam e apontavam-lhe os dedos, lobos na estrada, até momentos em que encarava o próprio Drácula.

Subitamente, o livro passa a focar em Mina, noiva de Jhonatan, e Lucy, amiga de Mina, que trocam confidências através de cartas e que terão fundamental importância na história.


Essa mudança abrupta dá uma queda na história, pois os personagens precisam ser inseridos aos poucos, mas conforme vamos os conhecendo, a leitura volta a fluir.

Muita coisa bizarra começa a acontecer. Mas uma que marca bastante o contexto é quando um navio aporta, sendo acompanhado por um denso nevoeiro, sem tripulação, apenas com seu capitão, morto, com ferimentos no pescoço, como se atacado por algum animal.

Algum tempo depois, Mina passa algumas noites na casa de sua amiga Lucy, que vem sofrendo ataques de sonambulismo crescentes. Numa noite, encontra-a ao relento, próxima a um homem estranho, de face pálida e olhos fumegantes. Havia uma ferida muito peculiar em seu pescoço.

Lucy começa a ficar doente e mais dois personagens são inseridos na história: Dr. Seward e Dr. Van Helsing. Este último é responsável por juntar todas as peças do quebra-cabeça e descobrir quem vem fazendo mal a Lucy.

Uma vez descoberto e comprovado, começa uma verdadeira caça ao Conde Drácula!


Eu me surpreendi bastante com o livro por vários motivos. Primeiro pelo modo como é narrada a história. Os diários e cartas vão a fundo, não deixam as coisas naquela superficialidade, tanto em emoções quanto em acontecimentos. Às vezes, um mesmo dia é passado por pontos de vistas diferentes.

Outra coisa que eu jamais imaginaria é que o Drácula em si quase não apareceria. Eu pensava que ele estaria em cada página, dilacerando pescoços e banhando-se em sangue. Mas o contexto é basicamente a narrativa de acontecimentos pós-Drácula, isto é, os efeitos que uma visita do Drácula pode causar.

Não obstante à sua data de lançamento, "Drácula" tem uma leitura tão suave que nem parece a linguagem de um clássico, excetuando-se os diálogos, claro. 

A literatura de Stoker é de uma beleza ímpar.


Título: Drácula
Autor: Bram Stoker
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 488
Ano: 1897 / 2011

8 comentários

  1. Um senhor clássico!!!Acabei tendo contato com esta obra já tem muito tempo e claro, em outra edição(empoeirada da biblioteca da cidade). E também acabei vendo a adaptação duas vezes na época(super recomendo)
    Não é uma leitura fácil, admito isso. Ao menos, eu não achei tão fácil assim na época.
    Por isso, deu vontade reler e se tiver oportunidade, farei isso!
    Beijo

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  2. Marcos,
    Concordo plenamente, clássico nunca perderá seu poder!
    Incrível como, mesmo sem ser o que esperamos, uma leitura pode nos surpreender, ao iniciar a resenha imaginei, também, que Drácula seria o personagem que mais apareceria, e em outros termos, podemos dizer que ele é, mas achei bacana essa inserção dos personagens aos poucos, para depois dar início a essa "caça as bruxas".
    Sem dúvidas é um livro excelente.
    Beijos

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  3. Olá! Acho que meu maior contato com a história do Drácula foi o filme Hotel Transilvânia (brincadeirinha, não resisti, por conta da foto). Ainda não li esse clássico, mas já vi algumas adaptações e confesso que gosto bastante da história, acho que foi por pura comodidade, o fato de não ter mergulhado ainda na história e começado a ler, fiquei com aquela sensação de saber relativamente a história toda, a resenha acabou me surpreendendo positivamente e percebi que preciso sim ler o livro.

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  4. Clássico dos clássicos, muito bom mesmo. Nunca li o livro, mas conheço a història ha muito tempo. É um livro que quero muito ler por completo. Pela resenha parece que o inicio é meio complexo, mas depois vai se desenvolvendo, enfim, nada que atrapalhe a leitura.

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  5. Oi, Marcos
    Apesar de adorar vampiros ainda não li nada que fala sobre eles, apenas assisti filmes e séries.
    Gostei de saber que o livro não é focado apenas em Drácula, mas outros personagens são inseridos na trama.
    Quero ter oportunidade de ler, beijos!

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  6. Recebi o meu exemplar essa semana, nunca gostei do gênero mas depois de ler O médico e o Monstro peguei gosto. Tô louca pra começar a leitura! Com certeza não vou me decepcionar com mais esse clássico, depois quero ler Edgar Allan Poe.

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  7. Apesar de não gostar tanto do gênero, Drácula sempre me deixa ligada nas páginas. Interessante essa ligação que o autor conseguiu fazer entre os personagens sem deixar nenhuma ponta solta, essa coisa das cartas me deixou bem curiosa.
    Assustadoras as situações que acontecem com os personagens mas ao mesmo tempo deixam o leitor com aquele gostinho de saber o que vem em seguida.

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  8. Confesso que não me interessei muito em ler, depois que descobri que não é uma narração que segue um padrão, é quase como documentário. Há duas versões na Darkside e adorei as capas, mas vou pensar duas vezes antes de comprar.

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