27 março 2019

Resenha: O nome do Vento


O nome do vento é um livro como poucos. Trazendo a história de um garoto que perde tudo e aprende a seguir em frente com um objetivo claro em mente, ele já arrebatou milhares de fãs. Eu já fui do time dos que abandonaram o livro, mas estou aqui para dizer que mudar de ideia é sempre válido, e que esse livro é realmente tudo e mais um pouco do que falam sobre ele. 

O livro nos apresenta Kote, dona da Pousada Marco do Percurso. Ele vive de forma humilde e o mais invisível possível, cuidando dos viajantes e amigos que passam pela sua pousada. Seu sossego acaba quando, em um encontro inesperado, conhece o Cronista que lhe faz uma proposta e quer contar a história dele, tudo que aconteceu antes de ele ser um simples dono de pousada. Ele decide então aceitar a proposta e diz ao Cronista que vai levar três dias para contar sua história. O nome do vento é o primeiro dia. 

A partir deste momento, conhecemos Kvothe, o nome que inspira canções e lendas. Mas começamos a história quando ele ainda é uma criança, viajando com seus pais e se apresentando pelos lugares. Ele faz parte de uma trupe, e a música é sua fonte de renda e amor. O Alaúde é seu instrumento musical e com os pais e amigos, viaja conhecendo cidades e espalhando a música. O autor nos apresenta com maestria tudo que acontece nesse livro. Quando Kvothe vê sua família ser assassinada, e isso não é spoiler, ele é obrigado a rever tudo que sabia, e coloca como objetivo descobrir mais sobre o Chandriano, o responsável por destruir sua vida. 


De um garoto feliz com a família, vamos para um menino perdido em uma cidade cruel e enorme, passando fome e apreendendo a sobreviver nos telhados. Apenas com a sorte e o alaúde, que é a única coisa de valor que ainda possui, principalmente sentimental, ele desbrava a cidade, sempre focado em ir para a universidade e pesquisar mais sobre o Chandriano e o nome das coisas. 

Ele sabe que nomear as coisas é algo incrível, e o que ele precisa para destruir o chandriano. Imagina saber o nome do vento, e poder chamá-lo quando precisar? Imagina saber usar esse poder em toda a sua plenitude? O plot do livro é simples, mas genial. Saber o real nome das coisas lhe dá poder sobre elas. Chamar o vento para te salvar de uma queda, ou chamar o vento para sufocar uma pessoa. Uma grande dose de poder, que Kvtohe queria muito ter acesso. 

Mas nomear as coisas é uma magia antiga e difícil, e ir para universidade é sua melhor opção. Então, somos levados por esse objetivo, que é difícil de ser alcançado e que demora muito tempo. A universidade é cara e ele não tem nenhum dinheiro, mas nada será suficiente para fazê-lo desistir. 


Tudo nesse livro é perfeito, mas já adianto que é um livro para leitores que gostam de descrição. As coisas acontecem devagar e acompanhamos Kvothe durante anos de sua vida, criando sua personalidade da cidade de Tarbean até a universidade. É um livro rico em detalhes e com escrita poética. O dia a dia e a relação do Kvothe com ele mesmo e com as pessoas a sua volta é sempre muito explorada e valorizada. O amor que ele tem com a música e o alaúde, e como isso afeta ele profundamente, é uma das minhas partes preferidas. Se você já leu A Saga do assassino, da Robin Hoob, por exemplo, vai se identificar com o ritmo de escrita. Patrick Roffus escolhe contar a história do seu personagem de forma devagar, afinal, são assim que as coisas acontecem na vida, de forma devagar e nem sempre fácil. É ate difícil descrever o quanto o livro é maravilhoso e bem escrito.

Eu escolho ignorar o fato de que Kvothe é o nosso narrador, e sendo assim, não é totalmente confiável. Nós nos apegamos a ele, é impossível não fazer, mas como vimos sempre o seu ponto de vista, é difícil ser imparcial. Sim, ele sofre bastante, mas sempre vemos esse sofrimento do seu olhar. Mas isso me faz gostar ainda mais dele, pois, a forma como ele escolhe contar até as coisas das quais não se orgulha tanto, são incríveis. 

Eu amei cada diálogo, cada acontecimento e cada personagem. Sofri com Kvothe e senti sua perda e sua angústia, da mesma forma que senti seu amor pela música e sua força de vontade em aprender. Ri, marquei quase todas as páginas, e vire fã de um personagem maravilhoso. Ansiosa pelo segundo, e mais ainda pelo último, que é a conclusão da trilogia, e que até o momento não tem previsão. Recomendo de todo meu coração para você que ama fantasia e personagens bem trabalhados, e que curte narrativas detalhadas e cativantes. Vale cada página. 

 

Título: O nome do vento
Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 656
Ano: 2009

14 comentários

  1. É como se estivéssemos em um passei pela vida do personagem, que incrível. A premissa é muito envolvente, fiquei totalmente curiosa com a história de vida dele, pra saber como ele lidou com a perda tão cedo e o que o motivou a continuar e ainda se ele consegue achar o assassino. A edição esta linda, adorei essa capa. Quero ler

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    1. Oi Luana,

      É isso mesmo, um passeio descobrindo e crescendo junto com o personagem. Leia, não vai se arrepender!
      beijos

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  2. Um dos grandes livros da nossa literatura mundial!!! E sim, não é um livro que todos vão amar, mas é um livro que é escolhido a dedo para leitores que se permitem sair das páginas e fazer uma viagem na imaginação.
    A riqueza de detalhes, cenários, personagens, é tudo como um grande quebra cabeças sem segredos. Onde as peças vão ali, se encaixando com perfeição.
    Kvothe é um personagem único, febril, ardente!
    Uma leitura super recomendada e oh, O Temor do Sábio também é outra "sequência" perfeita!!!
    Beijo

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    1. Esse livro não tem nenhum defeito, e é tudo isso que descreveu. Eu não queria que acabasse, é único e extremante incrível. Estou doida para ler O Temor do Sábio!
      Beijos

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  3. Caramba, comecei a ler esse livro e infelizmente tive que parar. Mas vendo essa resenha e juntando com a vontade que tinha de retomar, tenho que fazer isso para ontem kkkkkk

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    1. Fábio, leia AGORA.E me dá o Temor do Sábio :)

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  4. Nossa, sempre quis ler esse bendito mas nunca arrumo tempo ou lembro de pegar. Tem uma história tão forte e cheia de coisas! O tamanho não desanima porque parece narrar uma história incrível e ver a vidas desse personagem e tudo pelo que ele passa, essas dificuldades e a jornada toda é bem interessante. Só vi coisa legal dele e sei que iria gostar de ler.

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    1. Dá uma prioridade, Cristiane, eu mesmo deixei ele parado tanto tempo, e me arrependo tanto, rs. Você vai gostar mesmo, certeza.
      beijos

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  5. Jessica!
    Confesso que ainda não tinha escutado falar sobre o livro, porém parece um enredo carregado de sofrimento, mas também de grande aprendizado para o leitor.
    É um daqueles livros que temos de ler quando a oportunidade surge.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Rudy,

      Fico feliz em ter te apresentado esse livro. Ele é recheado de aprendizado sim, quando tiver a oportunidade não deixe de ler.
      beijos

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  6. Olá! Eu sou apaixonada pelo gênero e fiquei encantada com a resenha, confesso que não conhecia o livro, mas a história me arrebatou, acredito que todos os detalhes a deixam ainda mais rica, sem dúvida, quero conferir, a capa também está maravilhosa e já enche os olhos e desperta mais ainda o interesse pela leitura.

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    1. Elizete,

      Se gosta de fantasia, com certeza vai se apaixonar pela leitura. É uma historia realmente muito rica, leia assim que puder.

      beijos

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  7. Oi, Jéssica
    Ainda não conhecia o livro, a capa é bem interessante. Gostei muito dela.
    Sobre a trama gosto muito de detalhes, me faz ficar ainda mais presa ao livro por conta da riqueza que eles proporcionam. Me parece uma leitura fascinante e Kote é um personagem rico em mistério.
    Quero muito poder conhecer essa trilogia, beijos!

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    1. Oi Luana,

      É beem detalhada e profunda, as relações entre os personagens são bem trabalhadas e o crescimento do personagem é maravilhoso sim, você vai gostar!

      beijos

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