06 maio 2019

Resenha: Se a rua Beale falasse


Olá,

Essa é a história de Tish e Fonny, dois adolescentes que se conhecem desde a infância, que cresceram sabendo que pertenciam um ao outro, e que agora vão ser pais! Fonny, com 21 anos é acusado de estuprar uma mulher porto riquenha e é preso por isso. Tish com 19, acredita na inocência do seu marido e decide que vai lutar para tê-lo em casa até o nascimento do seu filho.

Tish conta com o apoio da sua família para enfrentar todos os obstáculos que irão surgir e não vão ser poucos, pois apesar da acusação não possuir provas concretas da culpa de Fonny, estamos falando de um policial branco acusando um jovem negro na década de 70. Afinal, conforme descrito, parece que o cidadão negro já nasce culpado de alguma coisa, e uma acusação dessas parece mais do que normal (Vamos deixar claro que isso é o que o livro deixa transparecer. Não é a minha opinião).


Podemos perceber que a família de Tish é extremamente unida e bem estruturada, onde a mãe é o pilar principal da família. O pai de Tish é agora um homem bom e participativo, mas dá a entender, por alguns trechos que ele nem sempre foi assim. Acredito que o pai de Tish, foi como quase todo homem na década de 70: trabalhava para pôr comida na mesa, e deixava o resto para a mulher fazer, porém levava todo o crédito pela prosperidade da família inteira. Tish possui uma irmã extremamente inteligente e corajosa, confesso que foi uma personagem diferente, que me surpreendeu e deu um toque especial ao livro.

Já a família de Fonny é terrível. Sua mãe e as duas irmãs são metidas a mulher branca, por possuir uma cor menos negra. Isso acaba sendo mais um problema do que uma vantagem, (no livro, ser branco é vantagem okay? Não sou eu que estou dizendo que ser negro é desvantajoso. Afinal, estamos falando de um livro sobre preconceito), pois conforme mencionado por Tish: “O homem que queria se casar com uma mulher branca, queria uma mulher branca de verdade. E o homem que queria se casar com uma mulher negra, queria uma mulher negra de verdade”. Nesse sentido, elas não serviam para nenhum dos casos. Isso significava que elas já tinham idade para estar casadas, mas não estavam casadas. Esse fato desagrada muito todas elas. A mãe de Fonny é uma fanática religiosa que constantemente tenta converter o marido, porém sem sucesso. Podemos dizer, que o único sensato na família do Fonny, é o pai dele, porém novamente percebemos que este homem também nem sempre foi assim.


A história acontece na década de 70, e mostra o constante sofrimento enfrentado pelos negros diariamente, esfregando na nossa cara o racismo que permeia as ruas, seja entre pessoas ou até mesmo dentro do governo. Não é de hoje que sabemos da grande rivalidade entre policiais brancos e negros existente nos Estado Unidos, e este livro descreve muito bem dois casos: o de Fonny, apanhado por vingança por um policial, após o desenrolar de uma situação; e a de Daniel, amigo de Fonny, preso duas vezes sem ter feito nada em nenhum dos casos. Nessa situação também percebemos diferentes rumos: Fonny, que possui pessoas dispostas a lutar por ele e que acreditam na sua inocência; e Daniel, sozinho, com uma mãe doente esperando por ele em casa.

É um livro extremamente interessante e bem-humorado em alguns trechos, apesar do tema pesado apresentado. Aborda o preconceito como tema base, porém tem várias diversificações como a violência contra a mulher, empoderamento feminino, estrutura familiar entre outros. Uma constatação triste é de que o livro foi escrito em 1970, e nós estamos em 2019 e ele continua sendo atual e necessário, pois as mesmas coisas continuam acontecendo. E a gente pensando que ia estar discutindo problemas novos...




Título: Se a rua Beale falasse (exemplar cedido pela editora)
Autor: James Baldwin
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 224 
Ano: 2019

6 comentários

  1. Eu ainda não li o livro,mas em contrapartida, vi o filme bem recente. E simplesmente adorei!
    Ruim realmente isso, da história ter sido escrita há tanto tempo e a gente se pegar com este nó na garganta, pois há acontecimentos assim até hoje, infelizmente!
    Não é apenas uma história sobre racismo, sobre "diferenças" que não deveriam nunca existir,mas é sobre amor, sobre confiar, sobre família,sobre união!
    Precisamos mais disso!!!
    Espero sim, poder conferir o livro(e oh, tudo que li até agora, fala da fidelidade do filme ao livro)
    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Infelizmente o racismo continua muito presente em todas as nações. Um livro escrito em 1970 e depois de 49 anos ainda temos que debater sobre isso. É terrível!
    Ainda não li o livro e nem vi o filme mas imagino o quanto seja angustiante. Quero muito conhecer a historia da Tish e do Fonny.

    ResponderExcluir
  3. Importante o autor ter uma escrita agradável e envolvente para poder tratar de assunto tão delicado e importante, porque falar sobre preconceito é complicado.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  4. Oi! Eu acabei de comentar sobre esse livro. Não sabia do que era mas eu acho que é um tema completamente atual e necessário, ainda mais quando a gente vê tanto preconceito em outros países, como os EUA. Eu não sei se leria porque não faz bem meu estilo de leitura, mas sempre deixo a possibilidade.
    Beijo

    http://www.capitulotreze.com.br

    ResponderExcluir
  5. Olá!
    Só para deixar claro, amei o modelo da foto, literalmente é um fotogênico..kkkkk
    Mas voltando ao livro, é um livro bem interessante e com uma historia muito bem causadora, digamos assim, o tema que é abordado é muito bom, gostei muito de como eles mostram como é tratado em relação ao preconceito, fiquei um tanto curiosa por ele.

    Meu blog:
    Tempos Literários

    ResponderExcluir
  6. Oi, adorei o cãozinho nas fotos. Super fofo!
    Ainda não li nada do autor, mesmo o livro sendo escrito na década de 70 podemos ver que o racismo ainda esta bem enraizado nas pessoas em pleno século XXI.
    Tenho certeza que é uma leitura que se faz necessária para todos, gostei dos temas que foi abordado como o racismo, relacionamento familiar, esperança, amor, ódio.
    Quero muito ter oportunidade para ler, beijos!

    ResponderExcluir

Gostou da postagem? Deixe um comentário. Se não gostou, comente também e deixe a sua opinião.
Se tiver um blog deixe o endereço e retribuiremos a visita.
Aproveite e se inscreva nas promoções e concorra a diversos prêmios.