23 setembro 2019

Resenha: Graça e Fúria


Eu amo quando minhas expectativas não estão altas e sou surpreendida. Estava esperando um livro leve, e é o caso desse, mas ele também tem uma mensagem tão legal e é tão empolgante, que amei fazer essa leitura. 

Nessa distopia, as mulheres não têm nenhum direito. No reino de Viridia, tudo precisa da permissão dos homens para serem feitas. As mulheres não aprendem a ler, não saem sozinhas, não podem nem cortar o cabelo sem a permissão do pai, e depois do marido. Os governantes homens escolhem de tempos em tempos três Graças: mulheres que estariam ao seu dispor e teriam a honra de, apenas uma no futuro, ser escolhida a Graça Maior e gerar um filho com o imperador. Uma nova escolha se aproxima, dessa vez pelo Herdeiro, que escolherá suas três primeiras Graças.

Serina foi criada para ser uma Graça. Desde pequena, sua família, que é bem humilde, prioriza sua educação e alimentação, com a esperança de que, no futuro, ela seja escolhida pelo Herdeiro e se torne a próxima Graça-Maior. Essa é sua maior esperança e é por isso que ela se esforça para aprender o que lhe é designado, tudo que seja possível para conquistar o príncipe. Nomi é irmã de Serina, mas ao contrário dela, ela não aceita a submissão que é imposta a todas as mulheres, e não acha que viver de acordo com o que o príncipe deseja é uma vida boa, mesmo que você tenha alimento na mesa. Ela é criada para ser a Aia da irmã, sua ajudante. Mas quando chegam no palácio, o herdeiro que tem o direito de fazer tudo que quiser decide trocar os papéis e escolher ela para ser sua Graça. Nomi aprendeu a ler escondido e é a rebeldia em pessoa, e ser escolhida é terrível para ela. As irmãs decidem que vão lidar com aquilo da melhor forma possível, mas um terrível engano as separa, e Nomi se vê sozinha no reino, e Serina sozinha na prisão. 


O que mais gostei na história é a união feminina que ela inspira. As duas irmãs se veem separadas e rumo a um destino que nenhuma imaginou ou almejou para si. Serina sempre foi submissa, ela aprendeu a ser assim, e desejou muito ser escolhida pelo herdeiro. Ela nunca fez nada de errado e sempre criticou a rebeldia da irmã, que mesmo sabendo que o herdeiro teria total direito sobre ela, suas vontades, seus gostos, seu corpo, ainda sim ela queria, pois acreditava que era uma benção e que seria bom para a sua família. Mas quando ela se vê na prisão, passando fome e tendo que fazer coisas que nunca imaginou, começa a perceber o quanto de coisas são negadas a ela, apenas por ser mulher. Mesmo com raiva pelo que aconteceu e por estar presa por causa de Nomi, ela nunca deixa de se preocupar com a irmã e sua preocupação e foco é sair da prisão e encontrá-la. Essa reviravolta a coloca no lugar da irmã e de todas as outras mulheres que conhece no caminho, que estão presas e sendo tratadas como nada, apenas por serem mulheres, e isso faz total diferença em sua personalidade.

Nomi é naturalmente questionadora, mas, quando se vê como uma graça, senti que ela perdeu um pouco da ousadia. Ela sempre tinha a irmã para ajudá-la e acaba caindo em armadilhas tão obvias, para mim, que achei estranho para uma pessoa tão perspicaz, aparentemente. Mas assim como a irmã, o foco dela é sair do reino e ajudar Serina. Ela percebe que precisa ser mais sutil e aprender que ser uma graça rebelde necessita de muito mais inteligência do que raiva escancarada. Ela não sabe bordar, nem dançar, nem qualquer outra coisa que as mulheres tem que aprender, principalmente as Graças. Ela escolhe, então, ser sincera, mesmo tentando controlar a boca às vezes. Essa sinceridade é o que chama a atenção que ela tanto queria evitar, e o que a faz errar em algumas escolhas.

Gostei dos personagens secundários, apesar de que eles são bem discretos em sua construção. Quero saber mais sobre o mundo e sobre o herdeiro, e também sobre as Graças que já moram no castelo.


É um livro YA previsível, mas isso não é ruim. Eu amei as irmãs e a forma como lutam uma pela outra. Gostei de vê-las crescendo e percebendo pequenas coisas e detalhes que as fazem questionar. O questionamento é sempre o início de uma mudança, e é isso que a história incentiva. O porque elas não podem ler? O porque elas são consideradas tão perigosas?

Me senti inspirada e torci demais pelas duas. O livro termina com um mega gancho e muitas coisas dando errado, mas ao mesmo tempo uma pequena felicidade que vai mudar tudo. De vários livros que estão saindo seguindo o exemplo de O Conto da Aia, achei esse um dos melhores nessa linha. Ele conversa com o leitor muito bem, e traz questionamentos básicos que devem ser feitos, não só pelas mulheres.


Título: Graça e Fúria (exemplar cedido pela editora)
Autora: Tracy Banghart
Editora: Seguinte
Páginas: 304
Ano: 2018

19 comentários

  1. Este livro foi muito elogiado na época do seu lançamento e mesmo não o tendo lido ainda, já sei que o livro ganhou uma legião de fãs.
    Não somente por trazer isso das mulheres mais uma vez tendo que se unir para batalhas injustas. Uma época que infelizmente não está tão distante de nós. E adorei isso de "comparar" com O Conto da Aia, pois é realmente isso.
    O amor e a amizade entre as duas irmãs é a salvação não somente de ambas, mas de todos!
    Lerei!!!
    Beijo

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    1. Oi!

      Sim, fiquemos atentas e unidas, essa é a mensagem do livro, e é muito importante. Lembra o conto da aia e traz uma sociedade tão ruim quanto aquela. Espero que goste da leitura.

      Bjs

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  2. Olá!
    Já vi muitas gente falando bem desse livro, comentários bastante positivos. Fiquei um tanto curiosa por ele. Ao ler a resenha fiquei mais ainda com vontade de ler, e gostei de ver que os tema abordado nele e muito interessante, ainda mais sobre uma época que mulheres não pode nada. Gostei e espero ler logo!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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    1. Oi Lily,

      Não foi necessariamente uma época, é nossa época na verdade, onde as mulheres se deixaram subjugar e agora estão pagando esse preço. Espero que consiga fazer a leitura em breve, vale bastante a pena!
      Bjs

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  3. Oiii ❤ Essa sensação de ser surpreendida quando não se estava esperando, é incrível, adoro quando acontece comigo.
    Gostei da temática do livro, que as mulheres não tem nenhum direito e nem vontades próprias, estou curiosa para saber como a autora abordará o tema. É interessante isso de escolher três Graças.
    Nossa deve ser um choque para ambas chegar ao palácio e o herdeiro escolher Nomi e Serina acabar sendo presa.
    O que mais me agrada é essa união das irmãs, mesmo separadas e que Serina vai começar a questionar porquê as mulheres têm seus direitos negados.
    Essa mensagem de questionamento sobre porquê as mulheres não tem direitos, de procurar saber porquê as coisas são como são, é muito importante.
    Depois de ler essa resenha, preciso ler esse livro!
    Beijos ❤

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    1. Oi Rayane,

      É assustador para elas, mas é o que faz as coisas mudarem. os questionamentos só vem depois que coisas drásticas acontecem. mas eu amo a união delas, e espero que você consiga fazer a leitura em breve!

      Bjs

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  4. Ai que angústi mulher ter que ficar pedindo permissão para os homens. Já me sufoca. kkkkk
    Mas gostei da parte das irmãs tão unidas e a Serina parece ser muito mais forte do que todos imaginam.
    Fiquei curiosa porque achava que seria um YA mais para um romance, mas é uma distopia e eu adoro isso. Só a capa que não me agradou tanto mas aí a gente releva.

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    1. Oi Nil

      imagina? hahahaha; Nem cortar o cabelo elas podem. É uma distopia das boas, eu amei como fui surpreendida por isso também. Eu acho que a capa poderia ser melhor, mas ela é mais bonita de perto, rs.
      Bjs

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  5. Oi Jessica.
    Estou muito animada para ler esse livro. Ver sua resenha somente reforçou isso. Sou apaixonada por fantasia, e YA. E quando um livros nos surpreende e supre nossas expectativas não há coisa melhor!

    Beijo
    Imersão Literária

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    1. Oi Leyanne!
      Quem bom que ficou empolgada para a leitura! É uma ótima distopia YA, espero que goste!
      Bjs

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  6. Oi, Jessica!

    Adorei a resenha e as fotos que você tirou! A força feminina presente no livro já inspira e desperta muita vontade em conferir a obra, parece ser uma distopia magnífica. É sempre ótimo mesmo quando nossas expectativas não estão altas e somos surpreendidas positivamente!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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    1. Oi Carol,

      Obrigada! É o tipo de livro que nos inspira, tenho certeza que você vai gostar!
      Bjs

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  7. Jessica!
    Tão bom sermos surpreendidas com uma leitura.
    Gostei muito de todo plot do livro e chocada em ver uma sociedade onde a mulher é uma 'coisa', afinal não pode nada, a não ser satisfazer as vontades e necessidades dos homens.
    Bom saber que há um amadurecimento de ambas protagonistas no decorrer do livro e confesso que fiquei bem curiosa por fazer a leitura.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Oi Rudy!

      É assim que a sociedade funciona mesmo, é assustador ler sobre isso, mas também é inspirador.
      Espero que consiga fazer a leitura em breve!
      bjs

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  8. Olá! ♡ Eu acho essa capa tão linda! ♡
    Faz tempo que não leio distopia, então estou bem animada para conhecer esta, que pelo que vi, tem grandes chances de se tornar uma das minhas preferidas!
    Achei muito triste que nessa distopia, as mulheres não têm direito nenhum, não podem nem estudar, isso é tão triste.
    Espero que Serina e Nomi possam se reencontrar. Acho muito bonito isso de elas lutarem tanto uma pela outra, acho que a união delas é o ponto chave da história.
    Quero muito acompanhar ambas as personagens em suas jornadas e poder ver seu crescimento e amadurecimento.
    Obrigada pela indicação! Beijos! ♡

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    1. Oi Rayssa,

      Fazia tempo que não li nada de distopia também, foi muito legal ser surpreendida. Por vários momentos fiquei triste e assustada, mas a força das irmãs e a vontade de mudar o sistema é muito legal, e eu amei acompanhar.
      espero que curta a leitura!
      Bjs

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  9. Olá, Jessica!
    Nem criei expectativas e já fui surpreendida, esperava algo totalmente diferente desse livro. Não costumo ler YA, mas fiquei interessada nessa obra, principalmente por conta das personagens femininas. Gosto de histórias que exploram esses caminhos.

    Beijos!

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  10. Oi, Jéssica
    Tenho o livro que ganhei no ano passado, ainda não li porque quero ter a continuação. Não gosto de esperar muito para ler o próximo livro.
    A capa é um espetáculo a parte não sei qual dos dois lados gosto mais.
    Ser uma graça parece terrível e ao mesmo tempo a salvação, mas estou muito curiosa para saber porque as mulheres são tratadas dessa forma. Como Serina se saiu na prisão (ao abrir os olhos para a realidade das mulheres ) e como foi para Nomi ser graça contra sua vontade.
    Beijos

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  11. Oi, Jé!
    Triste pensar que hoje em dia muitas mulheres ainda precisam pedir permissão e são privadas de muitas coisas. Acredito que eu ficaria com muita raiva disso no livro.

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