04 novembro 2019

Resenha: Nada escapa a Lady Whistledown


O rio Tâmisa congelou e essa ocorrência inédita foi o suficiente para atrair toda a aristocracia de volta a Londres fora da temporada tradicional, e é claro que nossa fofoqueira mais badalada não deixaria de cobrir tudo que rolar de mais escandaloso durante essa extraordinária temporada de inverno.

O livro foi organizado pela Julia Quinn, por isso todos os capítulos contam com introduções da sarcástica Lady Whistledown. São quatro histórias que se passam praticamente ao mesmo tempo e os protagonistas circulam pelos mesmos bailes e eventos, então, a cada conto, a gente tem vislumbres do que está acontecendo com outros casais. Ah!, tem um detalhe muito importante, o dia dos namorados está prestes a ser celebrado, então vocês podem esperar por boas doses de romance.

Vamos falar sobre os contos:


UM AMOR VERDADEIRO, SUZANNE ENOCH

Suzanne Enoch fascina... Um futuro noivo fica sabendo que o comportamento escandaloso de sua bela prometida foi parar na coluna de Lady Whistledown e volta correndo para Londres com o intuito de ganhar o coração da moça de uma vez por todas. 

Um casal “gato e rato” que funciona. A mocinha tem todos os motivos para fugir do noivo e ele tem muitas explicações para dar, foram dezenove anos de noivado e nenhuma cartinha trocada, mas bastou o nome dela ser citado na coluna da maior fofoqueira de Londres para o lorde aparecer exigindo os direitos sobre o compromisso firmado ainda na infância dos dois.

Foi minha história favorita e a que eu considerei mais completinha. Com um compromisso firmado muito cedo, o Conde de Halfurst não via sentido em cortejar uma noiva que já era sua, mas lady Anne Bishop, com uma fila de pretendentes e admiradores, não irá aceitar menos do que merece e a temporada dos namorados é a época perfeita para ver um conde se humilhar por seu amor. Esse conto não ficou devendo em nada. Perfeito!


DOIS CORAÇÕES, KAREN HAWKINS

Karen Hawkins seduz... Um conhecido libertino tem sua amizade mais antiga e seu coração postos à prova quando uma adorável dama se encanta por outro cavalheiro. 

Sir Royce Pemberley tem trinta e nove anos e é amigo de senhorita Pritchard há vinte e seis, ela usa e abusa da liberdade de ter sido uma órfã muito rica, ele nunca olhou para melhor amiga com algo além de carinho. Ou melhor, ele nunca havia olhado até perceber que ela poderia não fazer mais parte da sua vida se o seu desejo de se casar com um fazendeiro brucutu de Sussex vier a se realizar.

Esse conto com certeza teve o casal mais fofo e que mais mereciam a felicidade conjugal. Os amigos mais parecem um casal de velhos, eles brigam, se divertem, são confidentes, dão suporte e protegem um ao outro. Ou seja, são verdadeiros companheiros. A única coisa que os dois não faziam juntos era sexo, eles já pertenciam um ao outro desde sempre e apenas precisavam de um empurrãozinho que os fizessem enxergar que por trás desse amor de amigos havia muito mais.

Nada melhor do que um concorrente entrar na jogada e ver sua irmã traíra fazendo de tudo para unir o feliz casal, certo?


UMA DUZIA DE BEIJOS, MIA RYAN

Mia Ryan delicia... Uma jovem é despejada da própria casa por um detestável – embora charmoso – marquês que pretende tomar posse não apenas do imóvel, mas também de sua antiga moradora.

Esse tinha potencial pra ser o melhor e eu fiquei bastante empolgada para ler por ser de uma autora da qual eu nunca ouvi falar. Fui tapeada e deixa eu explicar porque!

Embora esse não seja o melhor conto, Lorde Darington é o personagem mais interessante de todo o livro. Isolado em sua propriedade rural por anos, quando ele retorna a sociedade, toda Londres o vê como um esnobe, eles desconhecem que na verdade o marquês levou um tiro na cabeça (e a bala ainda está lá) e só por um milagre ele sobreviveu, mas o episódio o deixou com uma lesão cerebral que em muito limita sua capacidade de socializar como uma pessoa normal. A autora pontuou de forma bastante adequada como a dificuldade de se expressar de forma clara o transformou num recluso com medo de ser tratado como louco pela sociedade que, vamos combinar, nós sabemos ser bastante cruel. 

O erro aqui foi não ter desenvolvido esse aspecto tão relevante sobre o personagem, a autora apenas usou isso de desculpa para explicar os mal entendidos do passado que o colocaram em guerra com a mocinha e atropelou o que poderia ter sido uma grande história, encerrando de forma abrupta e até mesmo insatisfatória, o que poderia ter rendido umas das melhores tramas de época. Realmente sem graça.


TRINTA E SEIS CARTÕES DE AMOR, JULIA QUINN

Julia Quinn encanta... A alta sociedade está em polvorosa, afinal, a debutante mais promissora da temporada foi rejeitada por seu pretendente... apenas para ser conquistada em seguida pelo charmoso irmão mais velho do canalha que não a quis.

Outro conto fofo, este narra a descoberta do amor na pessoa mais inesperada e é também o que mais abusa do romantismo que preenche o dia dos namorados.

O conde de Mann-Formsby quer devolver a srta. Ballister ao posto de primor da temporada, posto que ela perdeu após ser humilhada pelo irmão do Conde. O que nenhum dos dois esperava era que de uma simples dança iria abrir os olhos dos dois para o amor.

O Conde nunca prestou muito a atenção na moça, talvez por isso ele tenha perdido a paixão em comum que eles têm pelo teatro e por obras de Shakespeare, se tivesse lhe dado atenção ele teria visto também os olhos brilhantes ou a forma como os lábios cheios se abrem quando ela suspira de emoção. Também, talvez por isso, a Senhorita Ballister não tenha percebido que um homem tão inseguro quanto Clyve a faria infeliz e que o que ela precisava mesmo era de um homem mais maduro, que entendia suas paixões e a faria rir, alguém como o irmão do antigo pretendente.

E esse, meus amigos, considerando tudo, foi o melhor conto. E tinha que ser, né? Logo o conto de quem? Da rainha! A gente vê e sente o amor nascer entre os personagens e percebe junto com eles como é fácil viver a vida da forma mais fácil e simplista possível mas que quando a gente se abre para as possibilidade é que a gente se torna verdadeiramente feliz.


Só tem uma coisa que eu gostaria de reclamar: considerando que os Bridgertons eram muito queridos e influentes na sociedade, desejava no mínimo ver a família nos bailes e também os irmãos dançando com as mocinhas e sendo causa de ciúmes em seus pretendentes, já que é sabido pelas ladies leitoras que um Bridgerton nunca deixa de dançar com uma mocinha rejeitada ou excluída, se não quiserem ser alvos da fúria de mama Violet. É claro que essa reclamação é apenas um choro de fã, mas é permitido, né?

A edição ficou incrível, tanto pelos contos quanto pela narração icônica da Lady Whistledown, não bastasse sua introdução ácida ao início de capa capítulo, a editora usou e abusou de ilustrações e de uma tipografia floreada que deu todo um charme e embelezaram demais esse livro. 

Todos os contos formam histórias fofas e divertidas e o cenário não poderia ter sido mais perfeito. A Londres coberta de gelo parece muito mais romântica e propícia aos caprichos do cupido que a Londres ensolarada e primaveril a que estamos acostumados. Recomodadíssimo! 



Título: Nada escapa a Lady Whistledown 
Autoras: Julia Quinn e convidadas 
Editora: Arqueiro 
Páginas: 318
Ano: 2018

7 comentários

  1. Trazer um livro assim, escrito por tantas divas dos romances de época, nesse clima de inverno em Londres é até judiação com os leitores né?rs
    Puxa...fiquei aqui lendo a resenha e visualizando os cenários dos contos e mesmo sem conhecer o trabalho de duas autoras, adorei demais saber por cima do que cada uma foi capaz de apresentar na obra!
    Tudo vira magia quando há frio, neve e? Romance!!!
    Vai para a lista dos mais desejados com certeza.
    Beijo

    Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Oi, Jéssica
    Adorei as fotos estão lindíssimas!
    Não li nada das autoras ainda, mas quero muito poder ler algo delas em breve.
    Gostei de todos os contos, mas Dois Corações e Trinta e Seis Cartões de Amor são maravilhosos, só de ler sua resenha já imaginei as cenas e claro suspirando pelos mocinhos.
    Beijos

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  3. Jessica, adoro livros que acontecem no dia dos namorados, já sei que vou dar muitas risadas dos momentos e se apaixonar também. Poxa, mas que cavalheiro abusado, some e não manda notícias e só porque Suzanne aparece no jornal, ele vem atrás? Estou empolgada para saber o desenrolar da história. Sobre Lorde Darington, gosto quando as autoras de romance de época, colocam esse enrede: lesões cerebrais e como a sociedade da época lidava com as doenças das quais não tinha conhecimento. Suspirei quando li que tem referências a Shakespeare e a teatro, minha amada profissão, talvez, esse seja o conto do livro que eu mais queira ler. A capa é linda e a diagramação parece ser super confortável. Amei!
    Ótima resenha,
    Beijinhos.

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  4. Olá! Eu gosto muito de contos, desse livro os que eu mais gostei (embora todos tenham sido ótimos), foram Um Amor Verdadeiro e, claro, 36 cartões de amor, coincidência ou não, são as histórias das autoras que eu já conhecia a escrita, e é muito bacana ler essas histórias mais leves e divertidas, ainda mais do meu gênero literário preferido, os romances de época.

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  5. Olá, Jéssica
    Eu amo o trabalho de Julia Quinn, acho ela uma escritora incrivel, não conheço as outras, mas já fiquei empolgada só em saber que tem a Julia no meio <3
    Não sou muito de ler livros de contos, mas daria super uma chance a esse.

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  6. Jéssica!
    Já li os Bridgertons e me junto a você em sua observação...kkk
    Não tem como não gostar dos livros da Julia, mesmo que aqui, tenham contos escritos por outras autoras também.
    Bom ver que trouxeram uma personagem de outro livro e contou histórias que ela estava envolvida.
    Claro que quero poder ler.
    cheirinhos
    Rudy

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  7. Olá!
    Own, depois que li o quarto livro de Bridgertons estou com uma enorme saudade da Lady, e ver esse livrinho será uma forma de mata a saudade. Gostei muito dos contos. Espero muito ler eles, com certeza quero ter-lo na estante.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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