05 novembro 2019

Resenha: A última colônia


Finalizando essa épica trilogia bélico-espacial (Se você ainda não leu as resenhas anteriores, clique aqui para “Guerra do Velho”, e aqui para “As brigadas-fantasma”), “A última colônia” deixa um gostinho misto de saudade com decepção.

Após os terríveis acontecimentos que selaram a vitória da União Colonial, John Perry decide que é hora de acalmar os ânimos. Ele se casa com a Tenente Sagan e juntos decidem adotar a menina Zoë. Tanto Perry quanto Sagan não são mais soldados das Forças Coloniais de Defesa, nem das Brigadas-Fantasma, respectivamente, tendo suas consciências restabelecidas em corpos totalmente humanos novamente. O que eles buscam agora é viver em paz, em empregos medíocres numa colônia distante no universo. Mas o destino não quis assim.

Perry e Sagan recebem a visita inesperada de um antigo amigo das FCD, e são convidados para gerenciar e estabelecer uma nova colônia em um planeta recém-adquirido. Eles analisam as possibilidades e resolvem aceitar o convite. Acontece que, antes mesmo de descerem para esse novo planeta, eles percebem que estão no planeta errado. Problema é que eles não têm como voltar.

Tudo parece estar nos conformes nesse novo planeta errado, até que algumas situações começam a sair do controle, criam-se alguns embates e as coisas apertam para o lado dos administradores. Posteriormente, analisando alguns documentos que lhes foram entregues sobre esse novo planeta, eles descobrem que o problema está muito além de uma simples coordenada errada. Perry, Sagan e os outros colonizadores agora fazem parte de um estratagema político da União Colonial para extinguir uma raça alienígena que é forte oponente na busca por mundos para colonizar. E a colônia em que estão agora é só um sacrifício.


John Scalzi mantém um ritmo único em todos os livros desta trilogia. Ele cria uma história singular e narra de um jeito muito acolhedor, fazendo com o que o leitor sinta prazer em ler suas histórias. Mantendo a alternância entre os livros, em “A última colônia” ele volta a ter foco narrativo em primeira pessoa, assim, vemos tudo pelos olhos de John Perry.

O diferencial deste terceiro volume está roteiro criado por Scalzi. Ele é tão simples que por diversas vezes esquecemos que estamos lendo um sci-fi que se passa nos confins do universo. Poucas são as referências a vidas alienígenas assim como as vezes em que eles aparecem. O enredo agora gira em torno de um conflito de interesses criados pela UC de modo que coloca Perry e os outros colonizadores como alvos fáceis de uma raça alienígena. Perry e Sagan devem correr contra o tempo para estabelecer táticas e impedir que a nova colônia se transforme em um sacrifício em massa.

Assim, novos personagens com papeis importantíssimos são inseridos na história. Zoë é tão protagonista quanto seus pais e outras duas figuras são tão importantes quanto. Zoë é filha de um homem que prestou favores enormes para uma raça alienígena, agora ela tem a proteção vitalícia de dois seres dessa raça. E, claro, Scalzi não daria papel importante para eles desnecessariamente. Ou seja, Scalzi estabelece a criação de seus personagens de acordo com a importância de cada um dentro da história, não deixa margens para enrolação e desenvolve um enredo cheio de intrigas e reviravoltas. O que, por sua vez, explora pouquíssimo as batalhas campais que vimos nos dois primeiros volumes. Mas isso não quer dizer que o livro seja ruim. Scalzi observa a consciência humana e a sua capacidade de raciocinar frente a um dilema, sempre inflamando fortes sentimentos e emoções. Dessa forma, a batalha que se tem aqui é entre humanos (por mais modificados que sejam) e a desfaçatez que cada um tem de olhar sempre para o próprio umbigo em detrimento dos outros. 



Título: A última colônia (exemplar cedido pela editora)
Autor: John Scalzi
Editora: Aleph
Páginas: 360
Ano: 2019 

12 comentários

  1. Olá Marcos,
    Não é o tipo de livro que eu leria de imediato ou pegaria numa livraria com vontade de realmente saber do que se trata a história, afinal. Mas, gosto da atmosfera em que o livro é abordado, em um outro planeta com soldados bélicos em volta de uma guerra bélica contra uma raça. Acho que se eu lesse esse livro, preferiria os dois primeiros, como havia dito na resenha, vão focar nos conflitos em si.
    Ótima resenha!
    Beijinhos

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    1. Obrigado, Livia!
      Eu acredito que esse seja um livro pra quem realmente gosta do gênero. Difícil encontrar alguém que pegue sem saber o que é. Mas a história da trilogia inteira é muito boa. Seus uma boa indicação pra quem tem vontade de se inserir no gênero.

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  2. Sei lá, parece que há uma grande diferença entre os três livros. A Guerra do Velho causou um certo furor quando foi lançado, os elogios foram maravilhosos. Mas parece que a história mudou. Não sei se é somente uma impressão minha ou é de fato. Eu senti isso. Apesar de trazer isso de aliens mesmo sem eles aparecerem, é estranho.rs
    Mesmo assim, se tiver oportunidade, quero demais conhecer a trilogia!!!
    Beijo

    Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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    1. Olá!!
      Não há muita diferença entre os dois primeiros livros. O que de fato muda é o foco narrativo. Mas a sequência que a história segue é muito bem elaborada.

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  3. Gostei bastante do artigo de hoje, sempre estou aqui acompanhando seu blog. Tenho aprendido muitas coisas legais aqui e te agradeço por compartilhar...

    Beijos 😘.

    Meu Blog: Dicas da Web

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    1. Obrigado, Edenilza!!
      Buscamos sempre trazer o de melhor por aqui! Fica ligada que muita coisa boa ainda vai rolar!!

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  4. Marcos!
    Fiquei bem em dúvida quanto ao livro, porque se é uma ficção e vemos mais uma trama e um drama familiar carregado de reviravoltas, foge um pouco do estilo original. Mas, como falou, não é um livro ruim, mas bem poderia ser melhor, concorda?
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Concordo, sim, Rudy!! Acho que o roteiro escolhido pelo autor não foi tão feliz quanto nos primeiros livros. Mas, se analisarmos bem, parece que já não havia tanta coisa assim pra ser explorado. Acho que ele escolheu esse caminho para não deixar as coisas repetitivas.

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  5. Olá, Marcos
    Confesso que se fosse só pelas capas dos livros, não daria uma chance
    Mas agora fiquei empolgada com a história e quero muito ler, vou ler as resenhas dos dois primeiros livros!

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    1. Olá, Theresa! Sério que não gostou? Eu adorei essas capas! E gostei tanto quanto das histórias. Meu preferido é o primeiro livro. Leia e depois conte o que achou pra gente!!

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  6. Olá! Taí um gênero do qual não leio muito, sempre acabo achando as histórias um pouco confusas, cheias de personagens e detalhes, essa parece ser uma trilogia maravilhosa para os fãs do gênero, pois apresenta um enredo que não se torna cansativo, nem repetitivo ao longo dos seus três livros, e mesmo o desfecho deixando a desejar um pouco, acredito que no geral os livros proporcionam uma boa leitura .

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  7. Olá!
    Gostei do livro, bem o estilo de filme cientifico. Fiquei um tanto curiosa por ele, tem uma ótima premissa. Li as demais resenhas e cada vez mais fiquei interessada pelo desenrolar da trama, espero consegui ler.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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