Resenha: O instituto

Por Marcos Ferraz •
13 janeiro 2020

Luke Ellis é um garoto acima da média. De uma inteligência notável, ainda adolescente, ele se vê preparado para entrar em qualquer faculdade dos Estados Unidos que o aceite. Sua intenção é fazer duas ao mesmo tempo. Acontece que um episódio traumático em sua vida leva à cabo todos seus sonhos. Durante uma noite de sono tranquila, sua casa é invadida por pessoas desconhecidas que o dopam e o sequestram, enquanto, no quarto ao lado, põem fim à vida de seus pais. Quando acorda, Luke está em um quarto muito parecido com o seu. A diferença notável é que seu computador não está lá. Tampouco há uma janela. Posteriormente, Luke descobre que está em lugar cercado por pessoas que têm tudo, exceto boas intenções. Descobre também, da pior maneira possível, que essas pessoas buscam potencializar um dom que para ele era fraco e dispensável, de um jeito muito dolorido. Ao conhecer um grupo de crianças com dons iguais ou semelhantes ao seu, ele percebe que os piores testes para potencialização ainda estão por vir. Porém, quando seus dons estão à flor da pele, Luke decide que é hora de revidar, tentar fugir e destruir o Instituto. Diretores e funcionários se arrependerão amargamente de terem feito o que fizeram.

Primeiramente, se você vê algum bocó dizendo que “O Instituto” é alguma coisa parecido com X-men... sei nem que o que dizer. Só para!

Quando Stephen King lançou “Revival”, posteriormente “Outsider”, comecei a imaginar que nosso grande mestre estivesse perdendo a mão. Ledo engano. Stephen King mais uma vez mostra porque é rei e nos presenteia com um livro que não é nada com o que estamos acostumados, mas é a sua cara. 


Depois de Carrie, Charlie, Danny e até John Coffey (que se lê igual a “café”, mas se escreve diferente), Stephen King dá novos ares a sua habilidade de escrever sobre poderes paranormais. Em um romance cheio dor e sofrimento, como é de praxe, mais uma vez ele coloca algumas crianças como protagonistas e cria um ambiente ao mesmo tempo marcado por demonstrações de afeto e fortes momentos de tensão. 

Enquanto nos apresenta os personagens e o ambiente no qual se passará a história, ele vai provocando a curiosidade do leitor. Isso porque, a gente sabe, ele não é de jogar tudo de uma vez na nossa cara. Assim, nós nos vemos quase como residentes do Instituto, uma vez que vamos recebendo as informações de acordo com as informações passadas para as crianças, o que não acontece com muita frequência. Logo, a todo momento se têm questionamentos de quais são as intenções do lugar. Essa jogada faz com que nos sintamos muito mais ligados às crianças e criemos forte simpatia por elas, ao passo que nos faz odiar os vilões. Vilões estes que foram criados para serem odiados, visto que a construção deles não passa nem perto de assumir certa simpatia, como fazemos com Annie Wilkes ou Pennywise.

“O Insituto” talvez seja um livro para redirecionar o público-alvo de Stephen King. Recentemente, algumas “empresas” ““““especialistas”””” em crítica literária, indicaram o livro como o melhor livro de terror do ano. Pode parar por aí! O livro é bom? Muito! Mas não é terror!! É muito antes fantasia!!! Stephen King não inova em seu estilo narrativo; ele faz uso da experiência adquirida em todos os anos como escritor e cria uma história capaz de nos prender do início ao fim. Porém, algumas passagens de suspense e os medos pelos quais passam as personagens não podem, jamais, serem classificados como terror. Assim, ele pega leve nas cenas, a história não tem muito sangue (exceto por uma passagem rsrs), além de nos fazer viajar por um simbolismo muito mais apreciado pelo público jovem. Para deixar mais fácil ainda, a história é totalmente linear, os acontecimentos vão seguindo sua linha do tempo sem interrupções extensas, fazendo uso do fluxo de pensamento apenas quando necessário. Por fim, ele cria um número de personagens suficiente para o enredo e ainda expõe características únicas a eles a fim de não nos perdermos no meio do conteúdo.



Título: O Instituto (exemplar cedido pela editora)
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 543
Ano: 2019
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Comentários via Facebook

8 Revelaram sentimentos:

  1. Fiquei lendo a resenha e olhando meu livro ali na estante! rs
    Ele deve estar me odiando, pois eu sempre vou o deixando de lado, mas em breve, chegarei nele.
    Amo as letras do Mestre King, mas penso que um enredo assim,não é sobre terror ou o horror que o autor sempre, ou quase sempre, trouxe em suas obras.
    É sobre humanidade e oh, isso ele não escrevia há tempos!
    Sei que quando começar a ler não irei largar mais!rs
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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    1. Oi, Angela! Não é terror mesmo, mas é um King e como tal merece ser liso! Se eu fosse vc, colocaria na frente da fila

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  2. Marcos!
    O que não fazem para vender mais livros do mestre, não é?
    O King tem esse poder de envolver o leitor, mesmo em livros que não sejam de terror puro, acabamos sendo envolvidos pelo thriller emocional que ele cria e nem dá para parar, porque precisamos chegar ao fim.
    O Instituto parece bem sinistro e essa crítica política que ele fez em relação a separação das crianças dos pais, foi genial.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Oi, Rudy! King sempre consegue fazer algum tipo de crítica, né?
      O livro não tem essa pegada de sinistro ou terror, mas nós prende como qualquer outro livro dele, sem dúvida

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  3. Oiii ❤ Eu nunca li nenhum dos livros do Stephen King, mas tenho curiosidade, ainda mais por esse livro não ser um terror.
    Estou curiosa para saber mais sobre esse Instituto e por que sequestram crianças. Que horror isso de os pais de Luke serem assassinados!
    Quero muito saber como será para Luke viver nesse lugar e se ele consegue fugir.
    Beijos ❤

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  4. Olá!
    Como não falar do rei do terror né. Eu sou bastante curiosa pelos livros deles e por mais que eu tenha ainda não li. A trama é bem envolvente e já vi muitos comentários bons sobre esse livro. Espero conseguir ler algo do autor.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  5. Oi, Marcos
    Não gosto quando a propaganda ou até mesmo algumas pessoas tentam vender os livros do King como terror. Ele escreve outros gêneros também, claro ele é conhecido pelo terror e não podemos generalizar seus livros.
    Nunca li nada do autor e tenho muita curiosidade de conhecer sua escrita.
    Apesar do horror que acontece com os pais de Luke, quero muito poder ler e saber como foi para ele e outras crianças estar nesse instituto sendo cobaias.
    Beijos

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  6. Olá! Até antes de ouvir falar sobre esse livro eu não tinha muita vontade de ler algo do King, pois de fato seus livros não fazem muito meu estilo, mas cada vez que conheço mais sobre O Instituto quero o ler o mais rápido possível. A premissa me cativou bastante e me fez querer conhecer a escrita do autor, aclamada por muitos.
    O enredo parece muito bem formulado! Estou curiosa para conhecer mais sobre o Instituto e sobre as crianças.
    Obrigada pela indicação! Beijos!

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