Resenha: Metrópolis

Por Naty Araújo •
11 março 2020

O livro já começa nos assustando. Primeiro porque Thea Von Harbou não é quem a gente pensa, não tem uma visão tão agradável quantos muito gostariam… Mas o livro já inicia com uma nota dos editores mostrando a grandiosidade da história e nos deixando cientes que a autora se filiou ao partido nazista, e ainda, durante o governo de Hitler, foi presidente da Associação Alemã de Autores de Filmes Falados, que estava alinhada à Câmara de Cultura do Reich.

Em nota, já deixa-nos claro que essa edição é inédita no Brasil, traduzida direto do alemão e publicada com apoio do Instituto Goethe, mas que não tem a intenção de apagar e nem tampouco diminuir o envolvimento da autora com o regime nazista. Pelo contrário, traz à tona este importante documento histórico, além de encontrarmos conteúdos extras ao final do livro, como um posfácio de Franz Rottensteiner, famoso editor de ficção científica de língua alemã; um texto inédito da cineasta Marina Person a respeito do filme; assim como um relato do autor de Laranja Mecânica, falando sobre o impacto do filme em sua vida.

Para quem não sabe, Metrópolis foi um filme alemão lançado em 1927, dirigido por Fritz Lang, que se tornou esposo de Thea Von Harbou. E, ainda que ela tenha tomado um rumo não muito aceitável, como disse, em contrapartida temos uma história incrível criada de uma forma genial. É possível constatar tais acontecimentos nos dias atuais, acreditem. Parece que a autora escreveu o livro hoje, pois é tudo muito real. Engraçado dizer isso porque logo na primeira página, antes de iniciar o primeiro capítulo, Thea esclarece:


Em 2026, na cidade futurística de Metrópolis, a população divide-se em dois andares. No primeiro, uma elite dominante dispõe de todos os privilégios e desfruta os prazeres da vida; no segundo, subterrâneo, os trabalhadores empobrecidos e miseráveis lutam para sobreviver em jornadas estafantes; trabalhando constantemente para operar as máquinas que fornecem o poder aos ricos dirigentes.

Quando Freder, o filho do Senhor da grande Metrópolis e habitante do primeiro andar, se apaixona por Maria, da cidade subterrânea, começa a conhecer melhor as condições às quais os trabalhadores são submetidos. Uma revolta começa a surgir entre os operários, e só o que faltava para uma revolução era uma líder. Quando ela surge, nada pode conter a fúria dos oprimidos.

Temos personagens marcantes e Freder se tornou o mais querido, não acredito que seja novidade para quem leu. Ele é sábio, bate de frente com as ideias egocêntricas do pai e vê coisas que o seu pai não é capaz de enxergar: rostos em lugar de máscaras. Essas pessoas que manuseiam as máquinas são meros objetos para o Senhor da grande Metrópolis. Mas nosso sábio Freder não observa as coisas dessa maneira. E ele pode provar isso.


Esse livro me lembrou Charlie Chaplin com seu clássico filme “Tempos modernos”. É impossível ler e não pensar em como essas pessoas não têm uma vida digna após o trabalho, aliás, nem deveria ser chamado de labor e sim de um local em que são exploradas e tratadas como objetos, com insignificância, sem olhar que, por trás daquelas roupas, daquele rosto escondido, existe uma vida, um coração. É uma coisa aparentemente tão pequena, mas que me deixou reflexiva.

Acredito que não é necessário falar mais da história, já que o seu sucesso fala por si. E não recusem a leitura apenas pelo fato que citei no início da resenha. É uma obra grandiosa com uma das melhores edições que tenho na estante.

Sobre a edição:
A capa conta com tons em preto e dourado, a diagramação é impecável, com folhas em preto, ilustrações e conteúdos extras que enriquecem o trabalho da editora Aleph. Sem dúvidas, é um ótimo presente para si e para as pessoas. 

Outras fotos:




Título: Metrópolis (exemplar cedido pela editora)
Autora: Thea Von Harbou
Editora: Aleph
Páginas: 484
Ano: 2019
Compre: aqui

Comentários via Facebook

13 Revelaram sentimentos:

  1. Se eu já estava ansiando por este livro, imagina agora depois dessa resenha!
    Puxa, não imaginei que seria um livro tão lindo esteticamente, mas também com um conteúdo tão grandioso.
    Pelo que entendi, não é uma leitura fácil,mas que no final, deve dar aquela sensação de dever cumprido!
    Ah, lerei...rs
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Olá! É assustador (e triste) a quantidade de livros escritos há algum tempo, que aparentemente não tem ligação com o real, mas que estão super próximos da realidade dos dias atuais, algo que por si, já nos faz refletir, embora a autora não tenha feito escolhas muito bacanas, esse livro parece ser muito bom, com um enredo questionador e forte, em uma edição belíssima.

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  3. Naty!
    Não conhecia o livro e nem sabia que era baseado em um filme, como gosto do assunto e dessa época, e pelo pedacinho do poema que colocou, já gostei e anotei para a lista dos desejados, mesmo com sua ressalva, tenho certeza que deve ser um livro maravilhoso.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Ooi não conhecia esse livro e muito menos sabia que era baseado em um filme,o enredo parece ser bem questionador e sem falar que está edição é muito linda beijos

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  5. Boa tarde,
    Tudo bem?
    Nossa, parece ser um livro bem interessante.
    To vendo um seriado "The man in the high castle" que fala também sobre nazistas. Coincidência.

    Abraços e boa semana
    www.rimasdopreto.com

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  6. ola
    não conhecia essa autora nem esse livro
    o livro parece tratar de temas atuais ,sobre as gritantes diferenças sociais que existe no mundo
    mas não bateu aquela vontade de ler esse livro Não agora ,quem sabe futuramente
    mas que bom que a leitura foi muito proveitosa para voce

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  7. Oi Naty,
    Sou encantada com edições maravilhosas, e certamente essa é uma delas <3
    Não tinha tanta vontade em ler Metropolis, mas personagens marcantes é um fraco meu, já quero saber tudo sobre Freder, porque não é só o filho do senador, é inteligente e sábio <3
    Beijos.

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  8. Oi!
    Você não tem noção de como eu quero esse livro! Conheci o filme final do ano passado, e acabei me apaixonando mais ainda por cinema. Quando vi essa edição na livraria quase dei um berro, é maravilhosaaa! Mas o que dei um berro mesmo foi pelo preço hahaha

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  9. O livro parece ser lindo e eu não tinha ouvido falar na existência do filme e devo admitir que eu fiquei bastante surpresa em saber que altura era filiada do Partido Nazista e que até com pé atrás em prestigiar a leitura

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  10. Oi, Naty
    Que história da autora, hein.
    O livro é bem do tipo que eu gosto, com boas reflexões sobre a sociedade e que nos choca e fascina ao mesmo tempo.
    Vou querer ler sim.
    Bjs
    elvisgatao.blogspot.com.br

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  11. Olá!
    A edição é maravilhosa. Não conhecia mais fiquei muito interessada por ela, ainda por ver que vai retrata de algo perto da nossa realidade.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  12. Sinceramente, ao princípio da resenha ja pensei em não ler esse livro, mas quando fez a comparação com Tempos Modernos de Chaplin, decidi por ler. Não curti a capa, mas a história é válida.

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  13. Oi, Naty
    Essa edição está lindíssima! Tenho apenas um livro da editora mesmo sendo brochura ele é bonito.
    A premissa é interessante, mas a narrativa não parece ser algo fácil de ler.
    Estou muito curiosa para ter chance de ler, beijos.

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