Resenha: A Cor Púrpura

Por Je Vasques •
22 abril 2021

A cor púrpura é um romance escrito por Alice Walker, vencedor de prêmios importantes, como o Pulitzer. Eu sabia que esse livro era um clássico e muito amado, mas tinha medo de fazer a leitura, pois como uma pessoa negra, livros onde os negros sofrem são difíceis demais para mim. Não é o caso desse.

Essa é uma história de autodescobrimento, amor próprio, esperança e coragem. Nossa protagonista se chama Celie, ela vive junto com o marido e os filhos dele. Celie foi dada para esse homem bem jovem, pelo padrasto, depois de ser estuprada por ele. Nossa personagem teve dois filhos com esse padrasto, que foram separadas dela e dados para outras pessoas. Quando começamos a história, Celie é uma mulher triste, que aceita seu destino e vida miserável, e que acredita que não merece mais que isso.

Ao longo da história, nós vamos ver todo o seu crescimento. A narrativa é em forma de cartas, que Celie começa escrevendo para Deus. Nessas cartas ela conta seu dia a dia, o quanto trabalha para seu marido, o quanto apanha dele, o quanto sente saudades dos seus filhos e da sua irmã. Celie acredita que apanha porque merece, que Deus espera dela esse tipo de obediência com o marido e que a vida de uma mulher preta e pobre só pode ser essa. Sua vida se resume a trabalho e ela desconhece carinho e afeição. Até que Shug Avery, uma cantora que ela acha linda e inspiradora, chega até a sua casa, e isso muda tudo.


Celie vai descobrir, convivendo com essa mulher, que o que ela sabia da vida não é nada. Shug ensina que ela não pode apanhar do marido, que não merece a vida que leva, e que amor, carinho e prazer foram coisas negadas a ela durante a vida toda. É incrível ver essa personagem crescer. É muito dolorido ver as vezes que ela fica quieta, como se sente sozinha, como escreve para Deus tentando conversar com alguém. Nettie, sua irmã, foi separada dela pelo marido também, e ambas nunca mais se falaram. Celie acredita que está sozinha no mundo, e quando Shug aparece ela começa a perceber coisas pequenas, as benções da vida, a força que achava que não tinha. 

O prazer de escutar música, de se arrumar. O prazer de ter alguém que a ama, que valoriza o que ela faz. Aprende a ficar sozinha, a gostar da sua companhia, percebe que sabe fazer muito mais do que apenas cuidar dos filhos do marido e limpar sua casa. Percebe que sua relação com Deus e o que ela acreditava ser Deus pode mudar. Aprende a entender o que ela quer para si, para sua vida. No meio do livro temos uma reviravolta importantíssima para a história, e aiíCelie fica ainda maior, mais desafiadora. Enfrenta o marido abusador e decide criar uma vida nova para ela, onde vai se amar, amar de volta e ser feliz. É maravilhoso.

Não é um livro fácil, temos sim sofrimento, mas o livro não é sobre isso. Ele demorou para começar a funcionar para mim, mas vale a pena a paciência. A última carta me deixou muito nervosa e eu terminei o livro em lágrimas. Queria abraçar todas as mulheres aqui. Celie corajosa demais, Nettie ainda mais, maravilhosa e inabalável no amor e paciência. Shug me irritou um pouco, mas não posso negar sua importância. Sofia, que foi a primeira mulher a dizer a Celia que quando o marido batesse nela, Celie deveria revidar e quebrar a cabeça dele. Fui totalmente a favor.  Amei como essa história é delas, como elas contam, como elas tomam o controle da própria vida e como elas ensinam o leitor que nunca é tarde para ser feliz, que respeito é o mínimo e que todo mundo merece amor, de todas as formas. 

Título: A Cor Púrpura 
Autora: Alice Walker 
Editora: José Olympio
Páginas: 335
Ano: 2016
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Comentários via Facebook

11 Revelaram sentimentos:

  1. Li esse livro mes passado e amei muito também.
    Tem momentos que a leitura é bem lenta, acho que por questao dos assuntos também nao serem faceis.
    Mas teve umas partes taaao taaao lindas!!
    Amo demais!!

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  2. Je!
    Não tive oportunidade de ler o livro ainda, mas já assisti a adaptação cinematográfica e é totalmente comovente e doloroso sim, mas como falou, a superação e mudança de vida é o foco maior, ainda mais n aéepoca em que tudo é ambientado.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Irei ler A Cor Púrpura esse ano no projeto #LendoClassicoCP.
    Já estou me preparando psicologicamente para a leitura.
    E também pretendo assistir a adaptação

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  4. Eu vi a adaptação há um tempo e confesso que perdi alguns detalhes da produção(memória péssima) mas a luta de Celie é ainda a luta de tantas mulheres, que aprendem que suas vidas não precisam ser apagadas.
    Que é preciso ter esse prazer em atitudes que podem parecer simples, mas que não são a quem sempre acreditou não ter valor nenhum.
    Com certeza, é um livro que sonho em ler!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  5. Acho esse livro pesadíssimo mas muito importante ... tem q passar pelo sofrimento de ler pra realmente apreciar. Ainda não tive a coragem de ver a adaptação (principalmente por ser antigo, eu não curto mto filmes antigos kkkkk) mas com certeza ta na minha lista.

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  6. Sim, ver o sofrimento é algo que nos atinge diretamente ne? É doloroso.
    Já ouvi falar um pouco desse livro, mas nada muito aprofundado. A resenha já começa muito pesada ne? Eu realmente me pergunto se consigo ler algo assim. Imagino mesmo que seja um livro que te faz chorar em muitas partes.

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  7. Ainda não li esse livro Deve ser uma leitura angustiante mas que também traz lições táo importante como a importância do amor próprio , de acreditar que todos merecem respeito e que merecem sim ser feliz.
    Temas pesados sáo retratados na obra mas é um retrato do que muitas mulheres passam ainda infelizmente.

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  8. Não sou muito de ler livros assim, acho angustiante de mais, mas sei da grande importância que eles têm.
    Achei importante as lições que o livro traz, de como a personagem saiu daquele pensamento de que era a culpada por tudo que acontecia na sua vida, principalmente pelas atitudes do marido. Não sei se pegaria o livro para ler, mas vi que tem uma adaptação e vou tentar assistir.

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  9. Olá! O livro já faz parte das minhas prioridades de leitura a um tempinho e espero esse ano finalmente ter a oportunidade de acompanhar essa história tão forte, mas também de certa forma tão inspiradora, não tenho dúvidas de que será uma leitura intensa, mas no final há de valer muito a pena.

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  10. Ja ouvi muito falar sobre esse livro e das qualidades que ele apresenta, mas ainda não tive oportunidade de ler. Gosto de livros que tratam de mudanças e também formas de pensamento.

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  11. Oiie,
    Já observei muitas pessoas lendo esse livro e tal, mas nunca parei para procurar sua histora. Agora lendo sua resenha, não sei se leria nesse momento porque bem provável que eu acabaria em lagrimas, sou bem sensível a esse tipos de assunto sabe, com certeza eu passaria raiva e sentiria a dor da personagem..mas quero muito ler.

    Beijocas:
    Tempos Literários

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