Entrevista com o Luke Arnold

Por Fabio Pedreira •
24 maio 2021

Fala galera, algum tempo atrás eu entrevistei o Luke Arnold, para falar um pouco sobre sua carreira de autor e seu livro "O último sorriso na cidade partida", que você pode conferir a resenha clicando aqui.

Então agora trago para vocês aqui do blog poderem ver, tanto em português como a original. Vamos a ela.

1 - Olá Mr. Arnold. Muito obrigado por aceitar responder essa entrevista. Eu geralmente começo pedindo para os entrevistados se apresentarem. Poderia nos falar um pouco sobre você?
R - Olá, Fábio e a todos no Brasil! Até alguns anos atrás, minha principal profissão era atuar. Sempre equilibrei isso com a escrita e a produção de filmes, mas me tornei oficialmente um autor no ano passado. ‘O último sorriso na cidade partida’ é meu primeiro romance de uma série de detetive em andamento que segue Fetch Phillips, um homem de aluguel em um mundo de fantasia onde a magia morreu.

2 - Imagino que muitos autores tenham te influenciado ao longo do tempo, certo? Poderia nos contar se teve algum autor em específico que te fisgou para o mundo da fantasia e te influenciou na escrita?
R - Muito da fantasia que eu digeria quando criança veio mais de filmes e videogames, do que de livros. Acho que tive alguns encontros desafortunados com histórias de fantasia que pareciam impenetráveis, até que encontrei Terry Pratchett. A série de livros Discworld foram uma mistura perfeita de humor, aventura e coração para me convidar para o gênero e me fazer buscar por mais.

3 - A maioria das pessoas que eu conheço, aqui no Brasil, te conhecem principalmente pelo seu papel na série Black Sails (uma série excelente por sinal). Além de ator, diretor e roteirista, você agora é autor. Você acredita que esses trabalhos anteriores facilitaram na hora de escrever o “O Último Sorriso Na Cidade Partida?” (no sentido de construção de mundo, criatividade, roteiro e etc?)
R - Existem muitas habilidades que você precisa para ser um ator, mas uma compreensão da história e do personagem é essencial, esteja você trabalhando em um trabalho relativamente simples ou em um grande épico como Black Sails. Você precisa saber como destrinchar um roteiro, entender seu lugar na história e fazer escolhas claras e específicas. Eu trabalhei em muitos projetos excelentes e li milhares de roteiros incríveis e terríveis, nos quais provavelmente me ajudaram a me preparar para escrever minhas próprias histórias.

4 - E por falar em Black Sails, é impossível não fazer algumas comparações ao ler. O Fetch é um personagem irônico, com um passado que o atormenta, entre outras características. Ao ler, eu constantemente o comparava a Long John Silver. Então a pergunta é… Long John Silver teve de alguma forma influência na criação do Fetch Phillips?
R - Comecei a escrever O Último Sorriso enquanto trabalhava em Black Sails, então tenho certeza de que alguns elementos surgiram involuntariamente. Naturalmente, haverá um pouco de mim em ambos os personagens. As pessoas certamente encontrarão alguns paralelos, embora não sejam intencionais. Para mim, Silver sabia que o mundo em que ele vivia era injusto, então ele era capaz de se absolver da culpa e fazer o que fosse necessário para salvar sua própria pele. Ele pôs seu passado de lado com o objetivo de seguir em frente. Fetch está ancorado em seu passado - obcecado por ele - e sendo esmagado pelo peso de sua própria culpa. Acho que Fetch poderia aprender um pouco com Silver.

5 - Uma das características marcantes nesse primeiro livro é a construção do mundo. Você criou um mundo fantástico. Foi difícil imaginá-lo, ou teve partes mais difíceis de criar?
R - Ter ideias é a parte fácil, mas escolher o cenário que melhor se adapta aos personagens e aos temas pode ser mais difícil. Sempre posso imaginar Fetch vagando pelas ruas de Sunder, esbarrando em várias criaturas ex-mágicas, mas tento apresentá-lo aos inimigos e aliados que melhor destacarão seu conflito interno. Às vezes, tenho que resistir em apressar alguma nova criação, se isso não adicionar nada à jornada de Fetch no momento.

6 - Apesar de ser um mundo com criaturas mágicas, muita coisa pode ser associada aos problemas humanos. Você acredita que podemos associar o fim da magia com o que o ser humano anda fazendo com a própria terra na vida real?
R - Existem paralelos definitivos com a mudança climática, mas sempre vi a morte da magia como algo mais pessoal e interno. Eu acho que o mundo (nosso mundo) é um lugar realmente mágico. Todos nós vemos isso quando somos mais jovens, mas então fazemos certas escolhas, somos levados por certos caminhos e muitas vezes nos vemos removidos dessa magia na vida adulta. Há mais de um tema em jogo nesses livros, mas a luta de Fetch para se abrir, perdoar a si mesmo, fazer parte de sua comunidade e encontrar a felicidade se reflete no mundo sem magia mais do que qualquer comentário sobre a industrialização.

7 - Outra associação que eu não conseguia parar de fazer era imaginar uma adaptação do livro, com você interpretando o Fetch. Existe alguma possibilidade de vermos o livro sendo adaptado no futuro?
R - Eu adoraria ver essas histórias adaptadas para o cinema e a televisão. No momento, estou focado em mais livros, tentando colocar o máximo de história no papel antes que isso aconteça, mas seria um sonho ver Sunder City ganhar vida na tela.

8 - Esse é seu primeiro livro aqui no Brasil, porém, uma continuação já foi lançada. O que nós podemos esperar desse segundo volume?
R - Na primeira parcela, Fetch está lutando para sobreviver cada dia, oprimido pela culpa, vício e falta de esperança. Em Dead Man in a Ditch, Fetch é contratado para investigar um assassinato que parece ter sido cometido com magia. Sabendo que a magia desapareceu há seis anos, ele é forçado a se perguntar se esta escuridão ainda pode ter alguns segredos.

9 - Outra coisa que gosto de perguntar é sobre as futuras obras. Recentemente vi que você estava finalizando um terceiro volume da série do Fetch, certo? Pelo que eu tinha pesquisado antes, ele seria uma duologia, mas esse terceiro livro surgiu. Ele já estava nos planos, ou foi surgindo com o tempo? Tem outras obras tanto do Fetch como diferentes em mente?
R - Estas são histórias de detetive, em vez de partes de uma série de fantasia tradicional. Cada livro é construído em torno de um caso onde o Fetch é contratado para investigar. Sempre planejei escrever vários livros, cada um deles parecendo um mistério autocontido, construídos em busca de uma fantasia épica final que virá quando chegar a hora certa.

10 - Para finalizar, eu gostaria de agradecer mais uma vez por aceitar responder a entrevista, parabenizá-lo pelo livro e gostaria de saber se poderia deixar uma mensagem para os seus leitores e fãs aqui do Brasil?
R - Obrigado por suas perguntas fantásticas, Fábio. Agradeço muito a todos os meus fãs no Brasil. Obrigado por apoiar tanto minha carreira e meu primeiro livro! Eu estava planejando ir para o Brasil antes do COVID-19 mudar tudo. Mas estou ansioso para o dia em que finalmente poderei visitar seu lindo país.

Entrevista original

1 - Hello Mr. Arnold. Thank you so much for accepting to answer this interview. I usually start by asking the interviewees to introduce themselves. Could you tell us a little bit about yourself?
R - Hello Fabio and everyone in Brazil! Until a few years ago, my main profession was acting. I’ve always balanced it out with writing and filmmaking, but I officially became an author last year. ‘The Last Smile in Sunder City’ is my first novel in an ongoing detective series that follows Fetch Phillips, a man for hire in a fantasy world where the magic has died.

2 - I imagine that many authors have influenced you over the time, right? Could you tell us if there was a specific author who hooked you into the world of fantasy and influenced you in writing?
R - A lot of the fantasy that I digested as a kid came from films and video games more than from books. I think I had some unlucky encounters with fantasy stories that felt impenetrable, until I found Terry Pratchett. The Discworld books were the perfect mix of humor, adventure and heart to invite me into the genre and send me off searching for more.

3 - Most of the people I know here in Brazil, know you mainly for your role in the Black Sails series (an excellent series by the way). In addition to being an actor, director and screenwriter, you are now an author. Do you believe that these previous works made it easier to write The Last Smile in the Sunder City? (in the sense of world-building, creativity, script and etc?)
R - There are lots of skills you need to be an actor, but an understanding of story and character is essential, whether you’re working on a relatively simple job, or a massive epic like Black Sails. You need to know how to break down a script, understand your place in the story, and make specific, clear choices. I’ve worked on many great projects, and read thousands of great and terrible screenplays, which would have all helped prepare me to write stories of my own.

4 - And speaking of Black Sails, it is impossible to make some comparisons while i’m reading. Fetch is an ironic character, with a past that haunts him, among other characteristics. When reading, I constantly compared him to Long John Silver. So the question is ... Did Long John Silver have any influence on the creation of Fetch Phillips?
R - I started writing The Last Smile while I was working on Black Sails, so I’m sure some elements unintentionally bled in. Naturally, there’s going to be some of myself in both characters. People will surely find some parallels, though they weren’t intentional.

For me, Silver knew that the world he lived in was unjust, so he was mostly able to absolve himself of guilt, and do whatever was required to save his own skin. He put

away his past in order to move forward. Fetch is anchored to his past - obsessed with it – and is being crushed by the weight of his own guilt.

I think Fetch could learn a little bit from Silver.

5 - One of the striking characteristics in this first book is the worldbuilding. You have created a fantastic world. Was it difficult to imagine it, or did it have more difficult parts to create?
R - Coming up with ideas is the easy part, but choosing the scenario that best suits the characters and the themes can be more difficult. I can always imagine Fetch wandering the streets of Sunder, bumping into various ex-magical creatures, but I try to introduce him to the enemies and allies that will best highlight his internal conflict. Sometimes I have to resist running ahead with some new creation, if it doesn’t add anything to Fetch’s journey at the time.

6 - Despite being a world with magical creatures, a lot can be associated with human problems. Do you believe that we can associate the end of magic with what human beings have been doing with their own land in real life?
R - There are definite parallels to climate change, but I’ve always seen the death of magic as something more personal and internal. I think the world (our world) really is a magical place. We all see that when we’re younger, but then we make certain choices, are led down certain roads, and often find ourselves removed from that magic in adult life. There is more than one theme at play in these books, but Fetch’s struggle to open himself up, forgive himself, be part of his community, and find happiness, is reflected in the magicless world more than any commentary on industrialization.

7 - Another association that I couldn't stop making was to imagine an adaptation of the book, with you playing Fetch. Is there any possibility of seeing the book being adapted in the future?
R - I’d love to see these stories adapted to film and television. At the moment, I’m focusing on more books, trying to get as much story on paper before that happens, but it would be a dream to see Sunder City come to life on screen.

8 - This is his first book here in Brazil, but a sequel has already been released. What can we expect from this second volume?
R - In the first installment, Fetch is struggling to make it through the day, weighed down by guilt, addiction, and a lack of hope. In Dead Man in a Ditch, Fetch is hired to investigate a murder that seems to have been committed using magic. Knowing that magic disappeared six years ago, he’s forced to wonder whether this dark would might still have some secrets.

9 - Another thing I like to ask is about future works. I recently saw that you were finishing a third volume of the Fetch series, right? From what I had researched before, it would be a duology, but that third book came out. Was it already in the plans, or did it come up with time? Do you have other works by both Fetch and different ones in mind?
R - These are detective stories, rather than parts of a traditional fantasy series. Each book is built around a case that Fetch is hired to investigate. I always planned to write several books, each of them feeling like a self-contained mystery, building towards a more epic fantasy finale that will come when the time is right.

10 - Finally, I would like to thank you once again for accepting to answer the interview, congratulating you on the book and I would like to know if you could leave a message for your readers and fans here in Brazil?
R - Thank you for your fantastic questions, Fabio. I’m so appreciative of all my fans in Brazil. Thanks for being so incredibly supportive of my career and my first book! I was planning to come to Brazil before covid changed everything, but I look forward to the day I can finally visit your beautiful country.

Comentários via Facebook

18 Revelaram sentimentos:

  1. Black Sails!Ah eu gostei demais na época que vi,mas posso ser sincera? Não tinha associado o nome do ator/autor ao livro de forma alguma rs e olha que amei ler sobre o livro bem recente aqui no blog.
    Mesmo não tendo tanta intimidade com o gênero, fantasia urbana é sempre uma ótima pedida!
    Amei conhecer um pouco mais sobre o ator/autor e claro, vamos aguardar mais!!!
    beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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    1. Olá Angela

      Siim, eu adoro essa série, depois de ler esse livro, fique com vontade de rever kkkkk. É normal não associar kkk. É um baita livro. Acho que você pode gostar dele viu. Que venha a continuação kkkk
      Bjs

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  2. Humm...entao é uma serie de detetive com fantasia!!! lembrou um pouco aquela serie da darkside que o primeiro chama rastro de sangue. Nao sabia que tinha essa parte de detetive, quase "policial".

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    1. Olá Ariela

      Sim, uma fantasia urbana bem legal e muito bem construida. Esse por enquanto acaba focando mais na parte introdutória, da construção de mundo, mas ainda assim a investigação está lá. Vale muito a leitura.

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  3. Estava com saudades das entrevistas!
    Que chic, entrevistou em inglês.
    Parabéns, Fabio.

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    1. Olá Chelle

      kkkkkkkk que nada. O autor é gente boa.
      Obrigado =D

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  4. Aêêê Fábio, arrasando nas entrevistas, hein?
    Bem enriquecedora.
    Li sua resenha do livro, agora é aguardar o segundo chegar ao Brasil, bem como o autor, continuar a série...
    Vou procurar para ler, adoro fantasia.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. Olá Rudy

      kkkkkkkkkkkkkkk Obrigadoo, quem dera. Aahh, o autor está a todo vapor kkkk. Recomendo ler viu. O segundo deve vim ano que vem. To bem ansioso por ela. Leia simm, vai gostar, certeza.
      Bjs

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  5. Eu adoro séries de detetives! E que autor mais simpático :)
    Adorei acompanhar a entrevista e saber mais sobre ele, sobre o livro e seus projetos.
    Sempre nos sentimos mais perto da obra de conhecer um pouco mais sobre quem escreveu ne?

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    1. Olá Bruna

      Pois então ai está mais uma boa opção para a lista kkk. Sim, ele é gente boa =D.
      Verdade, da até mais vontade de ler =D

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  6. Meu deus do céu surtei quando vi Luke Arnold aaaaaaaaaaaaaaaahhhh
    Eu amo Black Sails de paixãaaaooo.. via quando saiu.. quantos anos tem isso? uns 7?
    Mds amo esse homem não creioooooooooo... kkkkkk eu não tinha a M Í N I M A ideia q ele era autor to mto chocada, óbvio q vou ler o livro dele pqp.
    Achei essa entrevista ótima!! Adorei q tbm colocaram a original em inglês :)

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    1. Olá Yara

      kkkkkkkkkk imagino. Eu também gosto demais. Acho que tem menos, pelo menos a ultima temporada. Siim, ele agora tá nessa vibe de autor kkk e tá com tudo. Leiaa siimm kkkkkk.
      Obrigadoo =D

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  7. Olá Fábio.!Estava com saudades dessa coluna!!E voltou com tudo né. Com uma entrevista internacional .tá muito chique !!

    E que privilégio poder ler essa maravilhosa entrevista. Náo assisti a serie portanto não conheço o ator e autor .Achei ele muito simpático e é sempre bom sabermos sobre como funciona todo esse de escrita !
    Parabéns pela entrevista!ficou ótima!!.
    Bjs

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    1. Olá Eliane

      Bom saber, pois ainda tem mais duas entrevistas já preparadas =D. Que nada kkkk o autor que é gente boa.

      Obrigado *-*. Mas se der, leia o livro, vale a pena =D
      Bjss

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  8. Olá! Adorei a entrevista e confesso que fiquei até mais animada em conferir o livro depois dela (risos), é sempre muito legal ter a oportunidade de conhecer um pouco mais de quem está por traz dessas histórias que tanto nos encanta.

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    1. Olá Elizete

      Verdade, acho massa, espero que possa ler sim e que goste kkkkkk

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  9. Oiiiee,
    Nossa, mais uma entrevista incrível. Gosto muito disso, assim podemos ficar mais perto do autor e conhece-lo mais.. Quero demais ler o livro dele e conhecer a sua escrita.

    Beijocas:
    Tempos Literários

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    1. Olá Lily

      Obrigado =D
      Espero que consiga ler sim viu.
      Bjss

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