A vila que descobriu o Brasil

Seis anos antes de Pedro Álvares Cabral desembarcar em Porto Seguro, o mundo dividiu-se ao meio. A monarquia portuguesa e o reino vizinho de Aragão e Castela estavam em uma espécie de corrida espacial; estavam dispostos a enfrentar os muitos perigos do oceano. E então começa a disputa por um espaço já reconhecido e por continentes e ilhas que ainda não haviam sido descobertos.

Há muitos anos, filósofos gregos imaginavam que o planeta tivesse uma forma de globo. Porém, essa teoria ficou comprovada através do português Fernão de Magalhães, em 1519. Dessa maneira, ficou comprovada que a Terra não tinha um ponto final e não era um quebra-cabeça ou um mar sem fim. Fernão, ainda, com apenas 14 anos, assinou o Tratado de Tordesilhas, em 1494.

Um dos tripulantes que estava em uma das treze caravelas, que viajaram com destino a Porto Seguro da esquadra de Pedro Álvares Cabral, ficou incumbido de responder as perguntas do reino de Lisboa a despeito do território descoberto em 1500. As ditas terras que pareciam não ter fim.

Em 1562 os tupis, até então vistos como pacíficos, acabaram se rebelando e declarando guerra aos portugueses, avançando para a região da Vila de São Paulo. As tribos indígenas se aliaram aos portugueses, enquanto os franceses, sem se dar conta do valor do Tratado de Tordesilhas, e perdido na divisão dos dois países, ficou praticamente esquecido.
“Navegar era preciso, para obter a certeza geográfica das dimensões do mundo e constatar que, em terras distantes do além-mar, viviam outros povos, com outros costumes e crenças” (p.22).
Os colonos costumavam se casar com o maior número possível de índias. Em troca, brancos que possuíam armas e conheciam táticas de guerra ajudavam a garantir a segurança dos povos das tribos.

Com a chegada dos primeiros capitães donatários ao país brasileiro, eles passaram a exigir dos índios compromissos que iam contra sua organização tribal. Uma dessas colisões foi a obrigação da catequese, afrontando sua cultura. Com a realização da Guerra dos Tamoios, uma das mais importantes revoltas, não envolveu apenas a tribo que sofria com a imposição dos capitães donatários, mas todas as outras que não admitiam o jugo português resolveram se aliar, tendo o apoio dos franceses.

Com a chegada dos primeiros colonos a São Vicente, em 1532, com a expedição de Martim Afonso de Sousa, eles conquistaram o Planalto de Piratininga, onde acabou se tornando a cidade de São Paulo.
“Não foi um bom negócio para a maioria das capitanias. Somente duas, Pernambuco e São Vicente, obtiveram relativa prosperidade. Os demais donatários não foram bem-sucedidos por vários motivos, a começar pela falta de recursos e pela falta de braços para a lavoura” (p.42).
A cidade de Santana de Parnaíba surgiu em uma fazenda situada a oito léguas de São Paulo, próximo ao Tietê e à Cachoeira do Inferno. Conforme explicação do autor, não existe uma documentação sobre a posse da sesmaria, porém, há indícios de que as terras pertencem a Manuel Fernandes. Ainda, o autor relata sobre a rivalidade entre as vilas de São Paulo e Santana de Parnaíba. Contudo, sem maiores dimensões. O protesto realizado pela Câmara da Vila de São Paulo quando Santana de Parnaíba ganhou o mesmo status de vila ficou apenas em reclamações, sem que pudesse ter consequências e medidas posteriores.

A obra é recheada de curiosidades e detalhes ótimos para aqueles que adoram descobrir melhor sobre a origem e o motivo das coisas. E, mesmo quem não gosta, ficará encantado com a forma que o autor desvenda informações jamais conhecidas por muitos.

É possível notar que Viveiros teve um trabalho regado de muito estudo e dedicação. A obra contém dezoito páginas de referências bibliográficas, além de contar com um índice onomástico. O trabalho é completo e incrível.
“Antes de morrer, em 12 de novembro de 1691, o Capitão-mor contribuiu com elevada soma para a construção da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo” (p.116).
A revisão é ótima, a capa é chamativa, com cores neutras, mas com destaque pelas imagens contidas nela. A diagramação é incrível. No início da obra, podemos ver o mapa localizando a Vila Rica, os tupis, os rios e, a cada capítulo, pode-se contemplar um pedaço desse mapa. Se você ainda acha pouco, existem ilustrações em todo o livro, fotos dos índios, de moradores das vilas e muitas outras.

Um trabalho riquíssimo de Ricardo Viveiros e publicado pela Geração Editorial que teve o cuidado de se dedicar com a estética desse livro que, com certeza, não deixou a desejar em nada.

A obra é obrigatória aos professores, estudantes e amantes de história; é indicadíssima a todos os outros que não gostam, mas que desejam conhecer um pouco mais sobre como foi, na realidade, o descobrimento do Brasil.

Título: A Vila que Descobriu o Brasil (exemplar cedido pela editora)
Autor: Ricardo Viveiros
Editora: Geração Editorial
Páginas: 288
Ano: 2014
Leia gratuitamente: aqui

6 comentários:

  1. Um mergulho real e profundo na história e na nossa história. Mostrando a realidade do que de fato aconteceu, ainda que não seja bonita

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  2. Oi, Naty! O livro é, sem dúvida, muito interessante. Todo o trabalho de pesquisa do autor parece deixar a obra ainda mais completa. E a editora também fez um trabalho primoroso, cada detalhe enriquecendo todo o conteúdo.

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  3. Sim, um bom jeito de sabe mais sobre nossa historia n sendo tao de forma didatica que possa ser entediante. Gosto disso.
    Nao tinha visto esse livro ainda.

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  4. Eu acredito no poder das palavras e do quanto um livro pode ajudar a moldar a todos nós!!!
    Uma verdadeira aula de história, pesquisada à fundo e mesmo não sendo da área, adorei conhecer e se puder, claro que terei essa lição!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  5. Não conhecia esse livro, é sempre importante saber mais sobre o passado do nosso país.,seu descobrimento.

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  6. Olá! Confesso que o livro tinha tudo para me conquistar, pois eu amo saber mais sobre a nossa história, mas acredito que é preciso rever alguns conceitos, afinal não tem como descobrir o que já era povoado né!

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