Fala galera, hoje vamos de entrevista. Dessa vez é com o autor André Regal, criador da Mirta Vento Amarelo, na qual você pode conferir a resenha aqui.
1 - Olá, André, tudo bem? Vamos começar essa entrevista pelo básico… Quem é André Regal?
R – Tudo excelente. É um prazer falar com você. André Regal é um mineiro que foi pro Rio, estudou teatro, trabalhou com cinema e deu aula de música pra viver.
2 - Você é um autor de fantasia, então, é muito provável que tenha consumido muitos livros do gênero durante sua vida. Para você, quais são suas maiores inspirações nesse mundo fantástico?
R – No mundo fantástico, Tolkien, sem dúvida. Apesar de eu gostar de vários outros autores, ele seria meu favorito e maior inspiração.
3 - E quando foi que você falou: “Não, agora além de leitor eu quero ser escritor”? Quando e por que você decidiu entrar nesse ramo?
R – Em meados de 2015. Eu já tinha escrito algumas peças e curtas-metragens. Até participava dando contribuições para periódicos de humor com contos e crônicas. Mas chegou um momento em que eu quis me testar e criar uma narrativa maior.
4 - Mirta foi seu primeiro trabalho ou você teve outras histórias antes dela?
R – Meu primeiro romance foi “A Lágrima de Giius”, uma série de dark fantasy. Comecei publicando em plataformas gratuitas, e só depois veio a ideia da Mirta. Porém, na hora de publicar a edição física, quis testar a Mirta primeiro, por ser para um público menos nichado. A Lágrima veio depois, sendo o primeiro livro da série “O Brakki”.
5 - Aliás, Mirta é um baita de um livro, com uma personagem principal incrível. Quais foram suas inspirações para a personagem e para o livro?
R – Mirta começou como uma ideia pra livro infantil, mas acabou crescendo durante o desenvolvimento do esboço. Achei que uma protagonista mais forte e destacada viria muito bem, e foi então que ela ganhou o tamanho que tem. Não há uma inspiração específica, mas personagens como Hercule Poirot, de Agatha Christie certamente ajudaram a me interessar pelas características.
6 - A história de Mirta é fechadinha. Mas nada impede de existir novas aventuras com a personagem. Você tem planos para novos livros com a garota?
R – Claro. Sempre. Tenho uma história já montada e engatilhada. Devo começar a olhar isso lá pra 2021.
7 - Mirta é um livro para todas as idades correto? Porém, você também é autor de O Brakki, uma dark fantasy que já atende um público diferente. Apesar de os dois serem livros de fantasia, a abordagem muda. Como é para você transitar entre esses subgêneros? Alguma vez você já sentiu que um livro mais dark estava ficando leve demais ou vice-versa?
R – Na verdade, tem sido tranquilo, pois eu me preparei para lidar com um público diferente e acabei tendo de trabalhar com um público parecido. A real é que eu me enganei em tudo. Com a Mirta, achei que penderia mais para o infanto-juvenil, mas são os mais velhos que gostam. Com “O Brakki” pensei que teria muitos problemas e críticas, mas ele foi muito bem recebido tanto pelo público masculino quanto pelo feminino (também de todas as idades). Não recomento “O Brakki” para menores, evidentemente. Esse tipo de surpresa, claro, é sempre bem-vinda. Fico feliz que as pessoas gostem tanto do livro.
8 - Aliás, com a resenha de Mirta aqui no instagram e no blog no qual sou colaborador, mais leitores já sabem um pouco mais do que podem esperar sobre o livro. Mas conte-nos, o que elas podem esperar de O Brakki?
R – “O Brakki” é uma fantasia sombria medieval. A ideia é simular, da melhor forma que posso, a vida em uma época como essa. Então, quem lê o livro se depara com muita pobreza, doença e comportamentos execráveis. Não se deve pegar o livro esperando uma bela história de princesas e heróis, mas uma verdade crua com muita violência, abuso, mutilação, dor, dentre outros. Apesar de tudo isso, me orgulho em dizer que tudo isso é pano de fundo para uma bela história, que é meu principal objetivo como escritor. Entregar histórias.
9 - Inclusive, O Brakki é outro livro que muita gente aguarda continuação, já vi uma coisa ou outra nos grupos do facebook, mas conte para nós… O que você pode revelar sobre o segundo livro? Uma previsão de quando sairá talvez? Ele sairá pela mesma editora?
R – (Sem spoilers): Espero lançá-lo no segundo semestre de 2020. Este está sendo um ano estranho e cheio de crises, mas espero não ter grandes atrasos. O segundo livro vem ainda mais sanguinolento, mas o foco não é mais o brakki assassino (pois esse arco fecha-se bem no primeiro livro). Agora, tanto o protagonista quanto os demais personagens seguem destinos maiores já apresentados no primeiro. Teremos mais exploração sobre os drinares e sua capital, um aprofundamento maior nas emoções de Symas e o início da transformação de Ashia em uma heroína. Vescas e Billa seguem, como sempre, se metendo em furadas para ajudar o amigo ex-soldado. Quanto à sua publicação, não devemos continuar no mesmo selo (pois ele encerrou as atividades, por ora), mas uma versão em e-book pela Amazon já sairá de cara. Depois, assinarei com uma editora de confiança para soltar o físico. Espero entregar um livro ainda mais pesado e melancólico, mas uma continuação digna de um bom livro de fantasia. Esse é meu objetivo.
10 - Nas entrevistas que faço, existe uma pergunta que é o único lugar onde as pessoas gostam de spoilers, que é justamente sobre o que o autor pode nos contar sobre seus futuros lançamentos. Apesar de já ter dito alguma coisinha durante a entrevista, o que pode nos contar dos próximos trabalhos?
R – Para o ano que vem, devo focar numa segunda aventura da Mirta. Porém, tenho muitos outros projetos, como “O Gafanhoto”, um terror que se passa no interior de MG (esse é um projeto misto. É um roteiro de cinema e também pretendo lançar um livro-jogo interativo). Tenho também “A Caminhante do Céu”, que tem uma pegada parecida com a Mirta. Ainda não tenho previsão para dar andamento aos dois, mas posso dizer que não está tão longe assim.
11 - E, para finalizar, que mensagem você gostaria de deixar para os leitores que estão lendo essa entrevista?
R – A literatura nacional tem crescido muito, e é graças ao trabalho conjunto de leitores de boa vontade. Esse tipo de mercado pode crescer bastante e salvar muitos nichos. Temos tantas livrarias fechando, tantas editoras abandonando “medalhões” (como é o caso da Leya), e tudo porque as vendas não vão tão bem assim. Na minha opinião deveria haver mais consumo de nacionais, e também de livros digitais. O Kindle é uma maravilha que um dia fará o custo de produção de livros baixar vertiginosamente. Leiam nacionais (pela facilidade de acesso aos autores), e leiam também e-books. Leiam em massa, e incentivem esse tipo de leitura! Só assim eu vejo as coisas melhorando um dia nesse mercado. Muito obrigado pelo espaço e por Koma!... Ótima leitura a todos!



