O romance se desenrola na forma de uma carta que Gilbert Markham, um vizinho, escreve ao amigo explicando os acontecimentos na aldeia. Ouvimos a história por meio de seus olhos. Helen, a protagonista, mudou-se para o abandonado Wildfell Hall com seu filho Arthur. Ela usa o nome de solteira da mãe, Graham. No entanto, ela não está acompanhada por um homem, um catalisador de boatos, apesar das tentativas de Helen de se manter discreta.
"Existe uma coisa que é olhar nos olhos da pessoa e enxergar o coração dela, e conhecer mais da estatura, e largueza, e profundidade da alma de alguém em uma hora do que se poderia levar uma vida para descobrir, se ele ou ela não estivesse disposto a revelá-la — ou se você não tivesse sensibilidade para entendê-la.”
Este livro me surpreendeu. Tenho lido muita literatura vitoriana ultimamente e isso foi uma jornada. Anne Brontë foi uma mulher corajosa, escrevendo sobre assuntos que a sociedade vitoriana preferia manter em segredo. E como se não bastasse, criou uma heroína moderna, que vivia a vida de acordo com suas próprias regras e não as da sociedade em que vivia . Poderia afirmar com toda certeza que este é um romance muito moderno. E em quase todas as páginas, Anne Brontë segura um espelho da sociedade vitoriana, para, no final, mostrar a essa sociedade a sua resposta em relação às dificuldades que as mulheres da época viviam.
Fiquei surpresa com as descrições detalhadas de homens se comportando mal na época. Arthur e seus amigos são alcoólatras, a maioria deles trata muito mal suas esposas. A bebida e a “festa” eram tão intensas que, quando os amigos iam visitá-lo, era o equivalente vitoriano a uma festa de faculdade que duram por dias ou semanas. Fora que Helen também se submete a abusos emocionais intensos e tristes de ler, e mais alguns acasos que não irei mencionar para evitar spoilers.
Creio que Anne Brontë acreditava na redenção, tal como Helen, o que explica a sua permanência durante tanto tempo em uma situação deste tipo. Mas achei o final agradavél, e mais uma vez, admiro a supresa que a autora trouxe ao leitor quando se compara o contexto da época em que esse livro foi escrito. O que é realmente triste é ver que algumas coisas não mudaram desde então, e certos comportamentos abusivos continuam sendo parte da vida de muitas mulheres, atualmente.
Titulo: A Inquilina de Wildfell Hall (edição cedida pela editora)
Autora: Anne Brontë
Editora: Penguin
Páginas: 624
Ano: 2021
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