Resenha: A Inquilina de Wildfell Hall

Por Giovanna Prates •
23 setembro 2021

O romance se desenrola na forma de uma carta que Gilbert Markham, um vizinho, escreve ao amigo explicando os acontecimentos na aldeia. Ouvimos a história por meio de seus olhos. Helen, a protagonista, mudou-se para o abandonado Wildfell Hall com seu filho Arthur. Ela usa o nome de solteira da mãe, Graham. No entanto, ela não está acompanhada por um homem, um catalisador de boatos, apesar das tentativas de Helen de se manter discreta.
"Existe uma coisa que é olhar nos olhos da pessoa e enxergar o coração dela, e conhecer mais da estatura, e largueza, e profundidade da alma de alguém em uma hora do que se poderia levar uma vida para descobrir, se ele ou ela não estivesse disposto a revelá-la — ou se você não tivesse sensibilidade para entendê-la.”
Este livro me surpreendeu. Tenho lido muita literatura vitoriana ultimamente e isso foi uma jornada. Anne Brontë foi uma mulher corajosa, escrevendo sobre assuntos que a sociedade vitoriana preferia manter em segredo. E como se não bastasse, criou uma heroína moderna, que vivia a vida de acordo com suas próprias regras e não as da sociedade em que vivia . Poderia afirmar com toda certeza que este é um romance muito moderno. E em quase todas as páginas, Anne Brontë segura um espelho da sociedade vitoriana, para, no final, mostrar a essa sociedade a sua resposta em relação às dificuldades que as mulheres da época viviam.


Fiquei surpresa com as descrições detalhadas de homens se comportando mal na época. Arthur e seus amigos são alcoólatras, a maioria deles trata muito mal suas esposas. A bebida e a “festa” eram tão intensas que, quando os amigos iam visitá-lo, era o equivalente vitoriano a uma festa de faculdade que duram por dias ou semanas. Fora que Helen também se submete a abusos emocionais intensos e tristes de ler, e mais alguns acasos que não irei mencionar para evitar spoilers.

Creio que Anne Brontë acreditava na redenção, tal como Helen, o que explica a sua permanência durante tanto tempo em uma situação deste tipo. Mas achei o final agradavél, e mais uma vez, admiro a supresa que a autora trouxe ao leitor quando se compara o contexto da época em que esse livro foi escrito. O que é realmente triste é ver que algumas coisas não mudaram desde então, e certos comportamentos abusivos continuam sendo parte da vida de muitas mulheres, atualmente.

Titulo: A Inquilina de Wildfell Hall (edição cedida pela editora)
Autora: Anne Brontë
Editora: Penguin
Páginas: 624
Ano: 2021
Compre: aqui

Comentários via Facebook

10 Revelaram sentimentos:

  1. Não me recordo de ter lido ou visto algo sobre esse livro,mas a assinatura de uma mulher à frente do seu tempo é sempre algo tão engrandecedor a todas nós, que automaticamente, já vem aquela vontade de ler o livro e entender essa linha do tempo, tão atual, pelo que pude entender!
    Vai pra listinha de desejados com certeza.
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

    ResponderExcluir
  2. É triste ver que anos se passam, e as mulheres continuam precisando lutar por seu espaço na sociedade, pelo seu direito de não sofrer abusos.
    Essa leitura é importante para vermos o quanto evoluímos, e o quanto ainda precisamos evoluir.

    Danielle Medeiros de Souza
    danibsb030501@yahoo.com.br

    ResponderExcluir
  3. As Brontë são maravilhosas! Orgulho imenso que tenho delas...
    Por ser um clássico nem sempre é fluido ou fácil de acompanhar.
    Incrível como a questão da mulher sozinha até hoje é assim

    ResponderExcluir
  4. Olá! Acho que me deparar com essa resenha hoje, só pode ser tido por mim, como um sinal, tipo uma intervenção divina sabe, afinal estou com o livro aqui na minha estante e estou terminando a releitura do livro O morro dos ventos uivantes, faltando então apenas algo da Anne para ler, em se tratando das irmãs Brontë e depois de ter tido um gostinho do que me aguarda, é lógico que eu fiquei ainda mais empolgada para me jogar em mais esse romance repleto de situações tão atuais.

    ResponderExcluir
  5. Eu to doida pra ler os livros das outras irmas bronte.
    Nesse momento estou lendo o morro dos ventos uivantes, ja no finalzinho, e to adorando a escrita.
    Gosto bastante alias das escritas dos escritores ingleses, é algo que me satisfaz.
    espero ler mais autores de lá!

    ResponderExcluir
  6. O que eu percebo em todas as resenhas é que a escrita dela é muito interessante! Sempre nos faz refletir e chegar a uma conclusão que os tempos passaram, mas não mudaram tanto assim. Imagino que eu seria surpreendida também.

    ResponderExcluir
  7. Nunca tinha visto esse livro, não leu muito sobre literatura vitoriana. Adoro quando leu algum e as mocinhas são fortes.

    ResponderExcluir
  8. Giovanna!
    Interessante ver como um livro escrito há séculos atrás, mostram ainda um comportamento tão atual...
    Para ver o quanto os conceitos ou preconceitos ficam arraigados por décadas.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  9. Ola
    Estou com esse livro na minha lista de desejados .Só falta adquiri -lo.
    Gosto de leitura assim onde a autora mostra sem muitos floreios a maneira como a sociedade vivia
    É é triste pensar que mesmo hoje muitas mulheres ainda vivem nessa situações abusivas e violentas .

    ResponderExcluir
  10. Oi, Giovanna
    Quero ler algo da Anne, mas acho que esse não lerei não.
    Achei um povo muito vida louco e abusivo, desrespeitoso.
    Não curto livros assim. Gosto de mais romance, comédia, etc.
    Bjss

    ResponderExcluir

Gostou da postagem? Deixe um comentário. Se não gostou, comente também e deixe a sua opinião.
Se tiver um blog deixe o endereço e retribuiremos a visita.
Aproveite e se inscreva nas promoções e concorra a diversos prêmios.

Instagram

© Revelando Sentimentos – Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in