Antes de começar essa resenha, quero contar um pouquinho sobre mim. Há pouco mais de um ano, recebi o diagnóstico de Autismo, a extinta Síndrome de Asperger. Foi surreal viver 30 anos sem compreender exatamente quem você é e agora, com um laudo, tudo fazer sentido. É como se abrisse uma janela e tudo se iluminasse aqui dentro.
O diagnóstico não me define, mas faz parte de quem eu sou. Se a Fernanda Santana é assim, é exatamente por ser autista. E não tenho nenhum problema para dizer isso, na verdade, tenho muito orgulho de quem sou.
Sou casada, tenho duas profissões (contadora e escritora) e absolutamente capaz. Por isso, não invalidem os autistas sem nem mesmo procurar compreender como somos.
E foi por esse diagnóstico que eu recebi a indicação de leitura deste livro. Os números do amor foi escrito por uma autora autista e a protagonista da história também é.
Eu senti alguns estereótipos no livro, mas nada que me incomodasse muito. Como o fato de a personagem ser extremamente inteligente. Isso reforça muito o estereótipo dos autistas e eleva aquela imagem de que somos gênios. E, na verdade, não somos. Muitos autistas têm altas habilidades/superdotação associado ao autismo, assim como muitos têm deficiência intelectual. Então reforçar estereótipos só nos prejudica. Mas de uma forma geral, gostei bastante da leitura.
Aqui temos a história de Stella, uma brilhante analista de dados e muito bem sucedida, porém, enfrenta um grande desafio: relacionamentos. Para os autistas, relacionamentos e interações sociais são algo de extremo esforço e muitas das vezes não é algo natural, é algo aprendido. E pela constante cobrança de sua família em conseguir um namorado, Stela decide contratar um professor.
E é aqui que Michael entra na história. O garoto de programa é contratado não só para satisfazer uma cliente, mas ensiná-la a como seduzir um homem e, principalmente, a ser uma boa namorada.
Uma aula apenas não é o suficiente, por isso eles marcam um compromisso semanal. Compromisso este que vira um namoro falso e fica cada vez mais difícil separar a ficção da realidade.
Será que esses dois sairão ilesos até o fim do contrato?
É um romance clichê gostoso e de rápida leitura.
Gosto de livros que tratam autismo com responsabilidade, porque assim leva mais conhecimento para as pessoas para, quem sabe, elas possam compreender um pouco como enxergamos o mundo.
Nós não somos complexos, apenas o mundo não foi preparado para pessoas como nós.
Recomendo muito a leitura, não só pelo romance, mas por tudo que ele ensina.
E aí, já leram essa obra? Conhecem outros livros com protagonistas autistas?
Me contem tudo!
Sobre a edição: eu adoro a qualidade dos livros da Paralela. Com boa diagramação e páginas amareladas, é de confortável leitura. Só tem o detalhe dos diálogos entre aspas que acaba incomodando um pouco, mas fora isso, tudo perfeito!
Autora: Helen Hoang
Editora: Paralela
Páginas: 279
Ano: 2018
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